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Prefácio do AutorEm nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso. Há muito tempo, sentia eu um forte desejo de fazer um estudo aprofundado sobre os princípios doutrinários das duas religiões: a de Jesus Cristo e a de Muhammad (S.A.A.W.S.)1 Intrigava-me a história, antiga e recente, de confrontos sangrentos entre os seguidores das duas religiões, de choques violentíssimos entre povos - e não somente entre indivíduos - que professam o Islamismo e o Cristianismo. Atualmente, a guerra que ainda se desenrola, trágica e absurda, no Líbano. Os choques entre armênios e azerbaijanos na União Soviética. A guerra no Sul do Sudão, faminto e atrasado. Há alguns anos, a guerra em Chipre. O episódio turco-armênico. E no passado mais remoto, na Idade Média, AS CRUZADAS, página mais do que negra, não somente nas relações islamo-cristãs, mas também na história da própria humanidade. Isto sem esquecer a INQUISIÇÃO contra os muçulmanos na península ibérica, e das prolongadas confrontações entre mouros e europeus. E por que não dizer: as guerras coloniais, franco-argelina e ítalo-líbia, que não deixaram de ter sua motivação religiosa, e sua conotação de cristãos contra muçulmanos. Apenas esses tópicos bastam para evidenciar a milenar inimizade que marcou as relações islamo-cristãs, em várias épocas, gerações, países, continentes e séculos, ao longo da história. Intrigava-me, como já o disse, porque desde criança leio - e estudo – o Sagrado Alcorão e a tradição honrada do Profeta Muhammad (S.A.A.W.S.), e não encontrei indícios que possam se caracterizar como INCITAÇÃO dos muçulmanos à inimizade contra os adeptos do Evangelho de Jesus Cristo. Não há no Livro Sagrado do Islamismio - o Alcorão - outras referências SENÃO de respeito, de exaltação, de veneração e de louvores a Jesus Cristo, à Virgem Maria, ao Evangelho e aos cristãos (NAÇÁRA), como de resto, a todos os Livros Sagrados, como a Torá, e a todos os Profetas como: Noé, Abraão, Moisés, Elias, Jesus, Lot, Jó, Jacó, Isaac, lsmael, etc... Fui procurar, então, na Bíblia Sagrada, o Livro dos cristãos, mais precisamente no NOVO TESTAMENTO, se havia algum incitamento à violência ou à inimizade contra os muçulmanos. Não encontrei! Todavia, essa leitura, essa pesquisa e essa procura, revelaram-me novas verdades -além das que já conhecia -, verdades que surpreenderam-me enormemente, pois apontavam para a aproximação, em vez do distanciamento, apontavam para a identificação - em muitos pontos - em vez da divergência, apontavam para a união, em vez da discórdia e da inimizade. E resolvi, depois dessas constatações surpreendentes, documentá-las neste livro, a fim de servirem de base para uma compreensão maior, para uma FRATERNIDADE real entre brasileiros: muçulmanos e cristãos, mui especialmente como homenagem minha ao BRASIL, terra de amor, compreensão e ecumenismo. Homenagem minha aos brasileiros de todos os credos, povo de fé, de piedade, de devoção, povo temente a Deus, povo com muita espiritual idade, que abre seu peito -e seu território - para todas as religiões, indiscriminadamente. Espero que este livro, simples e objetivo, sirva, realmente, para maior compreensão e melhor conhecimento das bases doutrinárias islâmicas em geral, e da sua abordagem às figuras de Jesus e de Maria - e do Evangelho - em particular. MOHAMAD AHMAD ABOU FARES Curitiba - Paraná - Brasil Agosto de 1989
1 Esta abreviatura: (S.A.A.W.S. S.) estará sempre ao lado do nome do Profeta Maomé, como se pronuncia em árabe: MUHAMMAD, e é a abreviatura da frase em árabe transliterada assim: (Salla Alláh Alaihi Wa Sallam), que em português se traduziria, mais ou menos assim: (Deus orou por Ele e saudou-o). Faz-se esta exaltação ao Profeta em obediência ao versículo 56 da Surata 33 do Sagrado Alcorão, cuja tradução seria, mais ou menos assim: (Deuse Seus anjos oram pelo Profeta. Ó vós que crestes: Orei por Ele também, e saudali-O com a paz". |
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