80 – a. Ver nota nº 58. nos meses já mencionados: os meses de Chawal, de Dul-quida, e de Dulhijja (até ao 10º ou ao 13º dia) sai reservados para os rituais do hajj. Isso equivale a dizer que os rituais podem iniciar-se cedo, logo no começo de Chawal, com uma chegada definida a Makka, mas os principais rituais são concentrados nos primeiros dez dias de Dul-hijja, especialmente no 8º, 9º e 10º dias desse mês, quanto a influência de peregrinos alcança o seu auge. A cerca da metade do caminho entre Arafat e Mina (ver versículo 197 desta Surata e a sua respectiva nota), encontra-se um lugar chamado Muzdalifa, onde o Mensageiro fez uma longa oração. Esse lugar tornou-se o Monumento Sagrado, e os peregrinos são instruídos no sentido de seguirem tal exemplo, quando do seu retorno. Ao aproximar-se o fim da peregrinação a multidão é imensa, e se algumas pessoas se retêm, depois do ritual de Arafat, isso causa grande confusão e inconveniência. Por conseguinte, a saída deve ser rápida para todos, conduta esta estritamente necessária. Cada membro da multidão deve pensar no conforto e na conveniência de todos. Depois da peregrinação, no tempo da idolatria, os peregrinos costumavam reunir-se em assembléia, na qual eram decantados os louvores aos antepassados. Como todos os rituais da peregrinação foram espiritualizados no Islam, assim o desfecho da peregrinação foi, também, espiritualizado. Foi recomendado que os peregrinos permanecessem dois ou três dias depois da peregrinação, porém deveriam gastá-los em oração e louvor a Deus. Ver versículo 203 desta Surata. Nos dias já mencionados: os três dias depois do décimo, quando os peregrinos permanecem no Vale de Mina para a oração e o louvor. São os dias do Tachric (ver versículo 200 desta surata e a sua respectiva nota). Os peregrinos têm a opção de partir no segundo ou no terceiro dia. Se carecem de fé, usam de todas as escusas para resistirem ao apelo de Deus. Dizem eles: "Oh, sim, nós acreditamos em Deus, se Ele nos aparecer, acompanhado dos Seus anjos e da Sua Glória!" Em outras palavras, eles querem que seja a sue modo, e não segundo os desígnios de Deus. Porém, assim não será, sabendo-se que a decisão de todas as questões pertence a Deus. Se formos sinceros para com Ele, esperaremos pelo Seu tempo e pela Sua época, e jamais aguardaremos que Ele espere pelo nosso tempo e pela nossa época. Aos israelitas, sob a orientação de Moisés, foram apresentados a glória de Deus e muitos sinais evidentes, mas mesmo assim eles seguiram a sua própria conjectura, preferindo os seus próprios caprichos e fantasias. Assim fazem os povos em todas as eras. Mas eles que não se iludam! A justiça de Deus é inexorável e, quando vier, será implacável e inconfundível para com aqueles que rejeitam as Suas Mercês. Comparar com o versículo 196 desta Surata (final); lá a questão era a daqueles que não temem a Deus. Aqui a questão é a daqueles que Lhe rejeitam os portentos. As dádivas divinas, neste mundo, parecem ser díspares, parecendo, às vezes, que as conseguem aqueles que menos as merecem. A benevolência de Deus é ilimitada, tanto para o justo como para o injusto. Em sua sapiência, Ele pode concedê-la a quem Lhe aprouver. O cômputo pode não ser considerado agora, mas sê-lo-á no final, quando a balança for compensada. A intolerância e a perseguição, por parte de uma súcia de idólatras de Makka, causaram inenarráveis adversidades ao Mensageiro do Islam e aos seus primeiros companheiros. Eles suportaram tudo com humildade e incansável paciência, até que o Mensageiro permitiu que pegassem em armas, para efetuarem a defesa própria. Então, eles foram censurados pela quebra do costume quanto aos meses proibidos, embora fossem compelidos a lutar durante aquele período, contrariando os seus próprios sentimentos, em defesa própria. Os seus inimigos não apenas os forçavam a tomar atitudes guerreiras, mas ainda interferiam nas suas consciências, perseguiam-nos a eles e às suas famílias, insultavam abertamente Deus e O negavam, mantinham os árabes muçulmanos fora da Mesquita Sagrada, e os exilavam. Tais violências e intolerâncias são adequadamente tidas como piores do que o homicídio. Khamr: bebida; literalmente compreendida como significando o sumo fermentado da uva. É aplicada, por analogia, a todas as bebidas fermentadas, e, numa analogia mais intensa, a qualquer bebida ou droga tóxica. Poderá, possivelmente, haver algum benefício nela, mas o dano é maior do que o benefício, especialmente se considerarmos do ponto de vista social, bem como do individual. Maissar: jogo; literalmente, um meio de se conseguir algo, mui facilmente, usufruindo lucros, sem trabalhar para tal; daí, jogo. Esse é o princípio pelo qual o jogo é proibido. A forma mais familiar de jogo, entre os árabes, era a de tirar a sorte por meio de setas, constituindo o princípio da loteria; as setas eram marcadas e serviam ao mesmo propósito dos bilhetes de loteria de hoje. Setas marcadas eram retiradas de um saco. Algumas não possuíam marcas, e aqueles que as retiravam nada ganhavam. Algumas marcas indicavam prêmios, que podiam ser grandes ou pequenos. Tirar alguém polpudo quinhão, ou pequeno, ou nenhum, isso dependeria de pura sorte, a menos que houvesse fraude da parte de algumas pessoas envolvidas. O princípio no qual a objeção está baseada é: mesmo que não haja fraude, ganhamos aquilo que não merecemos pelo esforço, ou perdemos por mero azar. O dado e as apostas estão apropriadamente enquadrados na definição do jogo. Contudo, o expediente do Seguro não é considerado jogo, uma vez conduzido nos princípios negociosos. Aqui as bases dos cálculos constituem estatística em larga escala, da qual o mero azar é eliminado. Os próprios seguradores pagam bônus na proporção dos riscos, calculados exata e estatisticamente. O matrimônio é a mais íntima das comunhões, e o mistério do sexo encontra a sua suprema satisfação quando a harmonia espiritual íntima é combinada com o elo material. Se de maneira alguma a religião exerce uma real influência na vida de um dos consortes, ou de ambos, a diferença nesta questão vital certamente afetará as vidas de ambos, mais profundamente do que as diferenças de berço, raça, língua, ou posição. Por conseguinte, é preciso que as partes, ao se darem em matrimônio, possuam as mesmas aspirações espirituais. Se duas pessoas se amam, as suas aspirações quanto às coisas supremas da vida devem ser idênticas. Note-se que a religião, neste caso, não constitui um simples rótulo, nem tampouco é uma questão de costume ou de berço. Duas pessoas poder ter nascido em religiões diferentes, mas se, por suas mútuas aspirações, vierem a descortinar da mesma maneira a verdade, elas certamente, de pronto, aceitarão os mesmos rituais e a mesma irmandade social. Caso contrário, a situação tornar-se-á insustentável, tanto individual como socialmente. Azan: impureza, poluição. Ambos os conceitos devem ser lembrados. O asseio e a pureza corporais fazem bem, tanto ao corpo como ao espírito. A relação sexual nesse período é proibida. Porém, o assunto deve ser considerado sob o ponto de vista da mulher, bem como do ponto de vista do homem. Quanto a ela, há o perigo da impureza, o que deve ser levado em consideração. No mundo animal o instinto é um guia que deve ser obedecido. O homem deveria ser superior neste particular, mas freqüentemente é inferior. Os árabes possuíam muitas espécies de imprecações, tendo para cada uma delas uma denominação especial em seus jargões. Muitas dessas denominações relacionavam-se com o sexo e causavam o desentendimento, a alienação, a divisão e a separação entre o marido e a mulher. Este e os três versículos seguintes referem-se a isso. Os árabes idólatras tinham um costume um tanto injusto para com as mulheres candidatas ao casamento, e isso foi suprimido pelo Islam. Às vezes, advindo de um arroubo de cólera ou de capricho, o marido proferia um juramento, por Deus, de não tocar a sua esposa. Isso privava-a dos seus direitos conjugais, mas ao mesmo tempo mantinha-a ligada a ele, indefinidamente; assim, ela não se podia casar de novo. Caso quisesse que o marido reconsiderasse, ele argumentava que o seu juramento a Deus o impedia. Em primeiro lugar, o Islam desaprovou os juramentos impensados, mas insistiu em que um juramento adequado, solene e intencional fosse escrupulosamente observado. Num assunto melindroso como esse, em que a esposa é afetada, se o juramento é apresentado com uma escusa, é dito ao homem que de maneira alguma há desculpa. Deus leva em consideração a intenção, não meras palavras insensatas. É permitido às partes um período de quatro meses, para ver se se decidem por um possível reajustamento. A reconciliação é recomendada, mas se eles realmente optam pela separação, é injusto mantê-los ligados indefinidamente. O divórcio é o único expediente justo e eqüitativo, embora, como o Mensageiro declarou, de todas as coisas permitidas, o divórcio seja a mais odiosa aos olhos de Deus. Em tais circunstâncias, Deus perdoará, porque Ele conhece os ressentimentos de cada uma das partes, e atenderá aos clamores daquele que sofre. O Islam tenta manter o estado matrimonial tão prolongado quanto possível, especialmente quando há filhos envolvidos; porém, é contrário às restrições à liberdade do homem e da mulher em assuntos de importância vital, como o amor e a vida familiar. Ele restringe os atos impetuosos tanto quanto possível, e deixa em aberto as portas para a reconciliação em muitos itens. Uma sugestão de reconciliação é feita, sujeira a certas precauções (ver os versículos seguintes) contra atos impensados. A diferença de posição econômica entre homens e mulheres faz com que os direitos e as responsabilidades daqueles sejam superiores aos destas. O versículo 34 da 4ª Surata refere-se ao dever do homem de manter a mulher, bem como a uma certa diferença, quanto à natureza dos sexos. Adstritos a isso, os sexos estão em igualdade de condições perante a lei. No ponto em que o divórcio por incompatibilidade mútua é permitido, há sempre o perigo de que as partes ajam precipitadamente, então arrependam-se e desejem separar-se novamente. Para se evitar a continuidade de tal ação caprichosa, é estabelecido um limite. Dois divórcios (com uma reconciliação entremeada) são permitidos. Depois disso, as partes devem decidir-se definitivamente: ou dissolverem permanentemente a união, ou viverem honradamente juntos, em tolerância e amor mútuos – "conservá-las condignamente"; nenhuma das partes deve infernizar a outra, nem resmungar, nem furtar-se aos deveres e às responsabilidades do casamento. Todas as proibições e limitações, prescritas aqui, o são no interesse de uma vida decente e honrada para ambas as partes, bem como no interesse de uma vida social limpa e virtuosa, sem escândalos, públicos ou secretos. Caso haja qualquer temor de que – por serem salvaguardados os interesses econômicos dela, a sua liberdade pessoal fique afetada – o marido se recuse a dissolver o casamento e talvez a trate com crueldade, então, em tais casos excepcionais, é permitido conceder alguma consideração material ao marido; mas a necessidade e a eqüidade disso devem ser submetidas ao julgamento de juizes imparciais, isto é, a tribunais constituídos. Um divórcio desta natureza é denominado Khul’a. Este versículo é a continuação da primeira sentença do versículo 229 desta surata. São permitidos dois divórcios, seguidos de reconciliação; na terceira vez, o divórcio se torna irrevogável, até que a mulher se case com outro homem e dele se divorcie. Isto serve para estabelecer uma condição quase impraticável. Tira-se daqui a seguinte conclusão: Se um homem ama uma mulher, não deve permitir que ímpetos subitâneos de temperamento ou de furor o induzam a tomar atitudes precipitadas. Que acontece depois de dois divórcios, quando um homem toma a esposa de volta? Ver a nota seguinte. Há, aqui, duas cláusulas condicionais: - "Quando vos divorciardes das vossas esposas..." e "ao terem elas cumprido o período prefixado (iddat)...", seguidas de duas cláusulas conseqüentes: - "Tomai-as de volta eqüitativamente" ou "libertai-as eqüitativamente". A primeira cláusula é relacionada com a terceira, e a Segunda com a quarta, por assim dizer. Todavia, se o marido deseja reatar os laços matrimoniais, não precisa esperar pelo Iddat. Porém, se não deseja, ela fica livre para se casar com outro, depois do Iddat. Para se conhecer o significado do Iddat, ver a nota do versículo 228 desta surata. O término de um laço matrimonial é a questão mais cruciante, tanto para a família, como para a vida social. E todos os expedientes lícitos que possam, eqüitativamente, propiciar a reconciliação dos que já viveram juntos são aprovados, conquanto haja amor entre eles, e possam viver em termos de honradez, um para com o outro. Se tais condições forem satisfeitas, não caberá, por direito, a estranhos, impedir ou obstruir a reconciliação. Estes poderão estar cobiçando os bens ou anelando outras eventualidades. Este versículo foi ocasionado por um fato real, que foi submetido ao Mensageiro, durante a sua vida. A espera para a viúva (quatro meses e dez dias) deve ser mais longa que a do Iddat para a divorciada (três menstruações; ver versículo 288 desta surata). No último caso, o único escopo é certificar-se de que não há concepção proveniente do casamento dissolvido. Isto torna-se claro no versículo 49 da 33ª Surata, onde está especificado que não há Iddat para as divorciadas virgens. No primeiro caso há, em adição, a consideração do luto e do respeito à memória do marido falecido. Em ambos os caos, se houver provas de concepção, um novo casamento, para a mulher, estará certamente fora de cogitação até ao nascimento da criança, desde que se observe, então, um intervalo. Enquanto isso, o seu sustento, numa escala razoável, ficará a cargo do último marido ou dos familiares deste. A lei estipula que, em tal caso, metade do dote fixado deve ser paga pelo homem à mulher. Porém, fica a critério da mulher perdoar a metade do que iria receber ou ao homem perdoar a metade que está autorizado a deduzir. Quem tiver o contrato matrimonial em seu poder, de acordo com a escola hanafita, é o próprio marido que comumente pode, por uma ação sua, dissolver o casamento. Convém-lhe, portanto, se o mais liberal possível para com a mulher pagando-lhe o dote inteiro, mesmo que o casamento não tenha sido consumado. Orações intermediárias: deveria ser traduzido como "as melhores ou as excelentíssimas orações". Os exegetas diferem quanto ao exato significado desta frase. A maioria deles, porém, parece optar pela interpretação disto como "a Oração da Tarde". Assim sendo, ela é passível de ser negligenciada; mas mesmo assim é estritamente necessária, e nos faz lembrar de Deus no meio dos nossos afazeres terrenos. Há uma surata especial (a 103ª), intitulada "Al ‘Asr", de cujo significado místico do texto trata apropriadamente. Devemos combater pela causa de Deus, e nunca para satisfazer as nossas próprias paixões e cupidez egoístas; eis que a admoestação se repete: "Deus é Oniouvinte, Sapientíssimo". A geração subseqüente a Moisés e a Aarão foi governada por Josué, que cruzou o Jordão, estabelecendo as tribos na Palestina. O seu governo durou 25 anos, após os quais houve um período de 320 anos, em que os israelitas passaram a ter uma história cheia de anomalias. Eles não eram unidos entre si e por isso sofreram duros reveses nas mãos dos madianitas, dos amalecitas e de outras tribos da Palestina. Eles freqüentemente descambavam para a idolatria e olvidavam a adoração do verdadeiro Deus. De tempos em tempos aparecia um líder entre eles, que se investia de poderes ditatoriais. Tais ditadores são chamados de Juizes, na tradução portuguesa do Antigo Testamento. O último de sua estirpe foi Samuel, que constitui um marco na transição da linhagem dos Reis, por um lado, e dos últimos profetas, por outro. Ele data aproximadamente do século XI a.C. Talut é o nome árabe para Saul, que era alto e bem apessoado, e que pertencia à tribo de Benjamim, a menos das doze tribos. Os seus bens terrenos era minguados; e foi quando saiu em busca de alguns asnos que tinham fugido da casa de seu pai, que encontrou Samuel, e foi, por este, ungido rei. O capricho do povo apareceu imediatamente após ele se nomeado. Eles levantaram toda a espécie de objeções triviais. A principal circunspecção em suas mentes era o egoísmo; cada um queria, por seu turno, ser líder ou rei em pessoa, ao invés de querer o bem do povo como um todo, como um líder deve querer. Arca da Aliança: Tábut, em árabe. Um baú de madeira de acácia, coberto e filigranado de ouro puro, cujas dimensões são: 1,50 m X 0,90 m X 0,90 m (ver Êxodo, 25:10-22). Supunha-se conter o "testemunho de Deus" ou os Dez Mandamentos, entalhados em pedras, com relíquias de Moisés e Aarão. A sua tampa de ouro constituía o "Assento da Misericórdia" com dois querubins de ouro maciço, com as asas abertas. Era, para os israelitas, uma possessão sagrada. Ela foi perdida para o inimigo, logo no início do ministério de Samuel; ver o versículo 246 desta Surata, e a sua respectiva nota; quando foi trazida de volta, permaneceu num vilarejo por 20 anos e, aparentemente, foi levada para a capital quando o reinado foi constituído. Tornou-se, assim, um símbolo de unidade e de autoridade. Davi não somente era pastor, guerreiro, rei, sábio e profeta, como também era dotado do Dom da poesia e da música. Este é o "Versículo do Trono" (Áiat-ul-Cursi). Quem poderia traduzir o seu glorioso significado ou reproduzir o ritmo das suas bens escolhidas e compreensíveis palavras? Mesmo no original árabe o significado parece ser maior do que podem exprimir as palavras. Os atributos de Deus são tão diferentes de qualquer coisa que conhecemos, no nosso mundo presente, que devemos ficar satisfeitos com a compreensão de que a única palavra adequada, com que podemos designá-Lo, é "Ele". Ele vive, mas a Sua vida é auto-subsistente e eterna; ela não depende de outros seres e não inclui apenas a idéia de "auto-subsistência", mas também a idéia de "resguardo e manutenção de todas as vidas". A sua vida é a fonte e o esteio, constantes de todas as formas derivadas de vida. A vida perfeita constitui atividade irrepreensível, em contraste com a vida imperfeita, que vemos a nos rodear, a qual não apenas está sujeita à extinção, mas também à necessidade de repouso, ou de diminuição das atividades (algo entre a atividade e sono, para o qual nós, de comum acordo com os outros tradutores, usamos a palavra "inatividade"), pela necessidade de um sono reparador. Porém, Deus não tem necessidade de descansar ou de dormir. A sua atividade, como a Sua vida, é perfeita e auto-subsistente. Contrastante com esta assertiva é a expressão usada no Salmos, 77.65: "E despertou o Senhor, como homem adormecido, como guerreiro subjugado pelo vinho". Depois de nos conscientizarmos de que a Sua Vida é uma Vida absoluta, de que o Seu Ser é um Ser absoluto, ao passo de outras vidas e outros seres são eventuais e evanescentes, nossas idéias de céus e terra desvanecer-se-ão como brumas na presença da luz. O que está por detrás dessas brumas é Ele. Tal realidade, como a que os nossos céus e a nossa terra possuem, é um reflexo da Sua absoluta Realidade. Os panteístas transmitem uma idéia errada, ao dizer que tudo é Ele. A verdade será melhor evidenciada se dissermos que tudo é d’Ele. Como poderia alguém postar-se ante Ele, ufanando-se perante Ele, por direito, e clamar por intercessão junto ao seu próximo? Em primeiro lugar, ambos pertencem a Ele, sendo que Ele vela tanto pela vida de um como pela de outro. Em segundo, ambos estão na dependência da Sua Vontade e do Seu Comando. Porém Ele, em Sua Sapiência e Planificação, pode cotejar as Suas criaturas e conceder-lhes graus de superioridade umas sobre outras. Então, questões, de acordo com as leis e os deveres que lhes forem impostos. Os conhecimentos de Deus são absolutos e não estão condicionados pelo Tempo e pelo Espaço. A nós, Suas criaturas, estão condições sempre se aplicam. Os Seus conhecimentos e os nossos, acham-se, por isso mesmo, em diferentes categorias, sendo que os nossos apenas conseguem alguns reflexos da realidade, quando concordam com a Sua Vontade e Planificação. Trono: assento, poderio, conhecimento, símbolo de autoridade. Em nossos pensamentos englobamos tudo quando dizemos "os céus e a terra". Bem, então, em tudo está presente o poder, a vontade e a autoridade de Deus. Certamente, "tudo" inclui as coisas espirituais, bem como os cinco sentidos. A imposição é incompatível com a religião, porque a religião depende da fé e da vontade, e estas perderiam a sua consistência, se induzidas à força; a verdade e o erro têm sido tão claramente mostrados pela mercê de Deus, que não deveria haver dúvidas na mente de qualquer pessoa de boa vontade quanto aos fundamentos da fé; a proteção de Deus é contínua e os Seus planos hão de sempre guiar-nos, tirando-nos das profundezas das trevas e conduzindo-nos à clareza da luz. Os três versículos 258, 259 e 260, têm dado origem a muitas controvérsias quanto ao seu significado exato, no sentido de correlacionar os incidentes e a exatidão das pessoas aludidas, cujos nomes não são mencionados. Em tais assuntos, em que o Alcorão não menciona nomes, e em que o próprio Mensageiro não deu indicação alguma, parece-nos inútil especular e, ainda por, emitir possíveis opiniões. Em questão de aprendizado, as especulações são freqüentemente interessantes. Contudo, parece-nos que o significado do Alcorão é tão vasto e universal, que corremos o risco de nos desviar do seu real e eterno significado, se continuarmos a disputar sobre pontos de somenos importância. Os três incidentes constituem alguns dos que talvez tenham acontecido repetidas vezes em qualquer fase da vida do Profeta, e podem ser tomados como uma visão impessoal, em qualquer tempo. O primeiro ponto destacado é o orgulho do poderio e a impotência do poder humano ante o poder de Deus. A pessoa que disputava com Abraão pode Ter sido Nemrod ou algum governador da Babilônia ou de outro lugar qualquer. Escolhemos a Babilônia porque foi o berço original de Abraão (Ur da Caldéia), e porque a Babilônia se orgulhava da sua arte e da sua ciência, no mundo antigo. A ciência pode ter muitas práticas magníficas; ela as teve naquele tempo, elas as tem hoje. Porém, os mistérios da vida baldava a ciência daquele tempo e continuam a baldar a ciência de hoje, depois de muitos séculos de progresso. Este incidente refere-se diversificadamente à visão de Ezequiel das ossaturas secas (Ezequiel 37:1-10), à visita de Neemias a Jerusalém em ruínas, depois da capitulação e da sua reconstrução (Neemias 1:12-20), e a Uzair, ou Ezra, ou Esdras, o escriba, sacerdote e reformador, que foi enviado pelo rei persa depois da capitulação de Jerusalém, e sobre o quê há muitas lendas judaicas. A disposição vocabular é perfeitamente generalizada, e nós devemos entendê-las como tal. Achamos que de fato se refira não somente à morte e à ressurreição do indivíduo, mas também da nação. Uma porção deles: Juz’an, em árabe. Acatadíssimos exegetas compreendem que isto significa que os pássaros haviam de ser despedaçados e que os pedaços deles deveriam ser postos nos montes. O despedaçamento ou matança não é mencionado, mas eles afirmam que está implícito, por elipse, uma vez que a questão é a de como Deus ressuscita os mortos. A verdadeira caridade é como uma campina de solo magnífico, situada em local privilegiado. Absorve as precipitações de chuva e a umidade penetra o solo, não obstante a posição privilegiada mantê-lo sempre drenado, fazendo com que as condições saudáveis aumentem enormemente a sua produtividade. Porém, supondo-se mesmo que a chuva não seja abundante, ele absorve o orvalho, aproveitando ao máximo qualquer umidade que possa assimilar, e isso lhe basta. Assim, também, um homem verdadeiramente caritativo é espiritualmente abastado; coloca-se em condições de atrair as mercês de Deus, que ele não guarda egoisticamente, mas faz com que circulem livremente. Tendo sido explicadas as três parábolas concernentes à natureza da caridade verdadeiramente espiritual, uma quarta parábola é aqui adicionada, esclarecendo o seu significado em toda a nossa vida. Suponhamos que possuíssemos um suntuoso pomar, bem irrigado e fértil, com deslumbrantes vistas de riachos, com refúgio para o descanso da mente e do corpo; suponhamos que a velhice fosse se assomando em nós, sendo os nossos filhos ainda muito jovens para se dirigirem por si, ou carentes de saúde; como nos sentiríamos se um torvelinho repentino, seguido de relâmpagos ou de fogo, se abatesse sobre o pomar, esturricando-o, abatendo deste modo todas as nossas esperanças, presentes e futuras, destruindo o resultado de toda a nossa labuta e das nossas economias do passado? Bem, esta nossa vida é uma provação. Podemos trabalhar com afinco, podemos economizar; talvez tenhamos boa sorte. Talvez construamos para nós um magnífico jardim de recreio, e tenhamos meios de nos sustentar, bem como aos nossos filhos. Vem um enorme torvelinho, acompanhado de relâmpagos e de fogo e queima todo o negócio. Somos, então, já idosos para começar novamente, e nossos filhos muito jovens ou débeis para reparar os infortúnios. As nossas chances são remotas, uma vez que não nos prevenimos para tal contingência. O torvelinho é a "calamidade iminente"; a prevenção contra ele é levar uma vida de verdadeira caridade e virtude, que é a fonte da verdadeira e duradoura felicidade, neste mundo e no outro. Sem isso, estaremos sujeitos à vicissitudes desta vida incerta. Podemos, até, pôr a perder a nossa decantada "caridade", por insistirmos na obrigação que os outros têm para conosco, ou por lhes causarmos danos, porque os nossos pretextos não são puros. "De tenra idade": dhu’afan em árabe; literalmente quer dizer fraco, decrépito, enfermo, possivelmente referindo-se tanto à saúde como à vontade, ou ainda ao caráter. O bem e o mal mostram-nos caminhos opostos, por pretextos opostos, e o contraste é bem demarcado na caridade. Quando pensamos em praticar algum ato de benevolência ou de caridade, somos acometidos de dúvidas e invadidos pelo temos do empobrecimento; o mal, no entanto, sustenta qualquer tendência egoística, cúpida ou gasto extravagante para exibições, deleites pessoais ou apetites indecorosos. Ao contrário, Deus nos introduz em tudo o que é bom e benigno, porque neste procedimento encontra-se o perdão dos nossos pecados, bem como a grande e real prosperidade e satisfação. Ato benigno ou generoso algum jamais arruinou alguém. A falsa generosidade, ao contrário, é que, no mais das vezes, conduz à ruína. Tendo em mente que Deus conhece todos os nossos pretextos e Se importa com todos eles, além de ter tudo em Seu poder, é óbvio o rumo que o homem prudente escolherá. Todavia, a prudência é rara, e é somente esta que sabe apreciar o verdadeiro bem-estar, bem como distingui-lo do falso e aparente. A usura é condenada e proibida nos termos mais enérgicos possíveis. Não pode haver polêmica acerca desta proibição. Quanto à definição da usura, isto dá ensejo para diferenças de opinião. Os nossos jurisprudentes, antigos e modernos, elaboraram um extenso trabalho de literatura sobre a usura, baseados, principalmente, nas condições econômicas, tal como existiam no despontar do Islam. Porém, devido ao fato de que os juros ocupam uma posição central na vida da economia moderna e, especialmente, já que os juros são o próprio sangue da vida das instituições financeiras existentes, muitos muçulmanos ficaram inclinados a interpretá-los de uma maneira radicalmente diferente da dos jurisprudentes muçulmanos, ao longo de quatorze séculos, e estão em conflitos acentuados com as injunções categóricas do Profeta. De acordo com os ensinamentos islâmicos, qualquer excesso no capital é ribá (juros). O Islam não aceita distinções, em casos de proibições, entre taxas razoáveis e exorbitantes de juros, e assim, entre aquilo que é considerado diferença entre usura e juros; nem entre retorno, em bônus, para consumo e para propósitos produtivos etc. Um símile adequado: enquanto que a diligência e o comércio legítimos aumentam a prosperidade e a estabilidade dos homens e das nações, a dependência da usura meramente encoraja uma corja de ociosos, de sangue-sugas cruéis e de indivíduos indignos, que nada sabem do seu próprio bem e são, portanto, capazes de enlouquecer os outros. A primeira parte do versículo diz respeito às transações que envolvem pagamentos futuros ou futuras considerações, e a segunda às transações nas quais o pagamento e a entrega são efetuados no ato. São exemplos da primeira circunstância: Mercadorias compradas agora, com pagamento prometido para tempo e local futuros; pagamentos efetuado agora, com entrega contratada para tempo e local futuros. Em tais casos, recomenda-se um documento por escrito, mas deve-se Ter em mente que as palavras "mais eqüitativo... mais válido para o testemunho e o mais adequado para evitar dúvidas" etc., implicam na não-obrigatoriedade, por parte da lei. São exemplos da Segunda circunstância: pagamento à vista e entrega no ato – isso não requer evidência escrita, mas testemunhas oculares, para tais transações, são recomendadas. O escriba, em tais assuntos, assume uma condição de fiduciário; portanto, deve registrar o ato como se estivesse na presença de Deus, pleno de justiça para com ambas as partes. Deve considerar o Dom da escrita como uma dádiva divina, passando a usá-la como se estivesse a serviço de Deus. A ética comercial é, aqui, ensinada da maneira mais prática, sendo ambos os expedientes condizentes com as barganhas a serem realizadas, as evidências a serem providenciadas, as dúvidas a serem desfeitas, e com os deveres e direitos dos escribas e das testemunhas. A probidade, mesmo em assuntos terrenos, terá de ser, não apenas uma simples questão de conveniência ou de política, mas uma questão de consciência e dever religiosos. Um penhor ou segurança fica na dependência do seu próprio mérito, embora seja uma forma muito conveniente de se concluir a barganha, quando as partes não confiam uma na outra, e não podem conseguir um acordo por escrito, com testemunhas adequadas. A lei do depósito requer enorme confiança no depositário, da parte do depositante. O depositário torna-se um fiduciário, sendo que a doutrina da confiança pode ser plenamente desenvolvida nessa base. O dever do fiduciário é salvaguardar os interesses da pessoa, em cujo favor ele conserva a custódia dos bens, e dar de volta as contas e os haveres, quando requeridos. Repisamos que tal dever está mais ligado às sanções da Religião, que requer padrões mais altruísticos do que a Lei. Comparar com o versículo 136 desta surata e com a sua respectiva nota. Não devemos fazer qualquer distinção entre um e outro dos mensageiros de Deus. Devemos honrá-los eqüitativamente, embora saibamos que Deus, em Sua Sapiência, enviou-os com missões diferentes e deu-lhes diferentes graus de consideração.
Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu Fone: (0 ** 45) 3573-1126 Rua Meca S/N - Jardim Central CEP: 85864-410 - Foz do Iguaçu - PR - Brasil info@islam.com.br