Página Inicial
O islam
O Alcorão Sagrado
A Vido do Profeta
A Sunnah
Eventos

  1. Ver nota do versículo 1 da 2ª Surata.
  2. Em algumas edições, a interrupção entre os versículos 3 e 4 ocorre na palavra "discernimento" (furcan). Nós achamos por bem seguir a divisão acatada pelos exegetas egípcios e sauditas. Porém, isso não implica em diferença alguma quanto à numeração dos versículos, uma vez que há somente a questão de se uma linha deve ou não passar para o versículo 3 ou para o 4.
  3. Esta passagem nos proporciona um importante indício para interpretação do Alcorão Sagrado. Falando de modo amplo, ele deve ser dividido em duas partes, não dadas em separado, mas interligadas, assim: o núcleo ou substância do Livro é a parte figurada, metafórica, alegórica. é deveras fascinante o tomarmos a última parte para testar a nossa imaginação, quanto ao significado intrínseco; contudo, ela se refere a tão profundo assunto, para o qual a linguagem humana é inadequada e, muito embora pessoas de sapiência retirem alguma luz disso, ninguém deve ser dogmático, pois que o significado último somente é conhecido por Deus. O exegetas, costumeiramente, acham que os "versículos fundamentais" se referem às ordens categóricas da Chari’a (ou a Lei), que é acessível ao entendimento de qualquer um. Todavia, o significado talvez seja mais amplo, ou seja, a essência da Mensagem de Deus, que é distinta das várias parábolas, alegorias e dos rituais ilustrativos.
  4. Assim como Moisés preveniu os egípcios, também o aviso aqui é dirigido aos árabes idólatras, aos judeus e aos cristãos, e a todos aqueles que resistem à Fé, admoestando-os que sua resistência será em vão. As décadas seguintes viram a queda dos impérios bizantino e persa, por causa da sua arrogância e da sua resistência às Leis de Deus.
  5. Refere-se à batalha de Badr, no mês de Ramadan, no segundo ano da Hégira. A pequena comunidade muçulmano-maquense, exilada, em amigos em Madina, havia-se organizado em uma comunidade temente a Deus, mas estava em constante perigo de ser atacada por seus inimigos idólatras de Makka, em aliança com alguns dos elementos desafeiçoados (judeus e hipócritas), dentre ou perto da própria Madina. O escopo dos habitantes de Makka era juntarem todos os recursos de que dispunham e, com uma força colossal, esmagar e aniquilar Mohammad e seus partidários. Com esse fito, Abu Sufian estava dirigindo uma caravana ricamente carregada, da Síria para Makka. Ele pediu reforço armado a Makka. A batalha foi travada na planície de Badr, a sudoeste de Madina. A força muçulmana consistia de somente 313 homens, a maior parte deles desarmados; porém, eram liderados por Mohammad, e lutavam por sua fé. O exército maquense estava bem armado e bem equipado, com mais de 1.000 homens, e tinha entre seus líderes alguns dos mais experimentados guerreiros da Arábia, incluindo Abu Jahl, o inveterado inimigo do Islam. A braços com todas as espécies de vicissitudes, os muçulmanos conseguiram uma brilhante vitória, e muitos líderes inimigos, inclusive Abu Jahl, foram mortos.
  6. Os prazeres deste mundo são, primeiro, enumerados: mulheres, para o amor carnal; filhos, para o reforçamento e o orgulho; riquezas acumuladas, que proporcionassem todas as luxurias; cavalos das melhores e mais finas raças, vasto rebanho de gado – sinal de abastança no mundo antigo, bem como no moderno - ; muitos acres de terra cultivada. Por analogia, podemos incluir, na nossa era mecanizada, máquinas de todas as espécies – tratores, automóveis, aviões, motores com a melhor combustão interna etc. em "entesouramento do ouro e da prata", a palavra árabe para entesouramento é canatir, plural de quintar, que literalmente significa quintal (equivale a 100 kg).
  7. A palavra para iletrado é Ummi-i, que também quer dizer árabe.
  8. Os exemplos do Profetas assassinados são: "Para que venha sobre vós todo o sangue dos justos, que se tem derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem vós destes a morte entre o Templo e o Altar" (Mateus, 23:35). Comparar com o versículo 61 da 2ª surata e com a sua respectiva nota.
  9. Os exegetas mencionam um destacado incidente em que uma discussão foi submetida, pelos judeus, ao arbítrio do Mensageiro. Ele apelou para a autoridade do próprio livro deles, a qual eles tentaram dissimular, prevaricando. A lição geral é que os adeptos do Livro deviam ser os primeiros a reconhecer em Mohammad o expoente vivo da mensagem de Deus, como um todo; e alguns deles assim fizeram; outros, porém, esquivaram-se, por arrogância, apoiando-se em textos distorcidos e em doutrinas forjadas, produtos dos seus próprios caprichos, uma vez que não eram afeitos à razão e ao bom-senso.
  10. Outra passagem gloriosa, plena de significado – tanto patente como místico. A frase regente é "Em Tuas mãos está todo o Bem". Qual é o padrão pelo qual devemos julgar o bem? É a Vontade de Deus. Por conseguinte, quando nos submetemos à vontade de Deus, tendo o Islam a nos iluminar, vemos o bem como sublime. Tem havido, e há, muita controvérsia, quanto ao que seja o Bem Sublime. Para os muçulmanos não há dificuldade: É a vontade de Deus. Eles devem sempre empenhar-se em aprender e compreender tal Vontade. E, uma vez nessa fortaleza, eles estarão seguros. Não se atribularão com a natureza do Mal. Este constitui a negação da vontade de Deus. O Bem está em conformidade com a vontade de Deus.
  11. Verdade, em muitos sentidos. A cada doze horas, a noite se transforma em dia e o dia em noite, e não há limite específico entre eles. A cada ano solar, a noite se alonga em relação ao dia, depois do solstício de verão, e o dia se alonga em relação à noite, no solstício de inverno. Num sentido mais amplo, contudo, se considerarmos a luz e as trevas como símbolos de conhecimento e ignorância, felicidade e sofrimento, discernimento espiritual e cegueira mental, poderemos dizer que os Desígnios ou a Vontade de Deus evidenciam-se tanto no mundo espiritual como no mundo material, e que em Suas Mãos está todo o bem.
  12. Podemos interpretar a morte em sentido ainda mais amplo do que o da noite: morte física, intelectual, emocional e espiritual. A vida e a morte podem ser, também, aplicadas a coletividades, a grupos, e à vida nacional. E quem alguma vez solveu os mistérios da vida? Porém, a fé refere-se a eles como sendo dos Desígnios e da Vontade de Deus.
  13. O nascimento de Maria – mãe de Jesus - , o de João Batista, o precursor de Jesus - , e o de Jesus – o profeta de Israel, que os israelitas rejeitaram, ocorreram em ordem cronológica, e nessa ordem são relatados. Zacarias não esperava por um filho comum. Ele e sua esposa já haviam passado da idade da paternidade e da maternidade, respectivamente. Ele orou pelo surgimento de alguma criança proveniente de Deus: "Ó Senhor meu, concede-me uma ditosa descendência". Para a sua surpresa, foi-lhe concedido um filho, João – Yáhia em árabe – de sua carne.
  14. Aqui iniciamos a história de Jesus. Como prelúdio, temos o nascimento de Maria e a narrativa paralela de João Batista, Yáhia, o filho de Zacarias. Isabel, mãe de Yáhia, era prima de Maria, mãe de Jesus. Isabel era uma das filhas de Aarão, irmão de Moisés e filho de Imran. Seu marido, Zacarias, era virtualmente um sacerdote, e sua prima, Maria, era também presumidamente de família sacerdotal. Pela tradição, a mãe de Maria chamava-se Hannah (em latim Anna e em português Ana) e seu pai chamava-se Imran. Hannah é, por conseguinte, tanto descendente da casa sacerdotal de Imran como esposa de Imran, - uma mulher de Imran, num sentido duplo.
  15. Messias; a forma hebraica e árabe é Massih. Cristo (em grego Christos), que quer dizer "o ungido". Os reis e os sacerdotes eram ungidos para que aquilo simbolizasse a consagração dos seus destinos especiais.
  16. O apostolado de Jesus durou apenas cerca de três anos, dos 30 aos 33, quando, ao ver dos seus inimigos, ele foi crucificado. Porém, o Evangelho de Lucas (2:46), descreve-o parlamentando com os provectos do Templo, tendo a idade de 12 anos ou menos, ainda uma criança: "Entretanto o menino crescia, e se fortificava, estando cheio de sabedoria: e a graça de Deus era com ele" (Lucas 2:40). Alguns Evangelhos apócritos descrevem-no como "pregando desde a infância".
  17. Este milagre dos pássaros de barro é encontrado em alguns Evangelhos apócritos; os da cura dos cegos e dos leprosos, e o da ressurreição dos mortos, encontram-se nos Evangelhos canônicos. O Evangelho original (3ª surata, versículo 48) não se constituía das várias histórias escritas mais tarde pelos discípulos, mas da verdadeira Mensagem, ensinada diretamente por Jesus.
  18. A história de Jesus é contada com uma aplicação especial, ao tempo do Profeta Mohammad. Note-se a palavra "colaboradores" (ansar), a este respeito, e "conspiraram", no versículo 54 desta surata. A religião do Mensageiro era a única Religião, a Religião de Deus, que era, em essência, a religião de Abraão, de Moisés e de Jesus. A argumentação se desenrola: "por que, então, fazeis divisões e rejeitais o Mestre vivente?" O Islam consiste em a pessoa curvar-se à Vontade de Deus. Todos os que têm fé devem curvar-se à Vontade de Deus e ser muçulmanos.
  19. A palavra árabe makara tem sentido tanto destrutivo como edificante, ou seja, de maquinar planos intrincados ou de desenvolver algum propósito secreto benéfico. Os inimigos de Deus estão constantemente fazendo o primeiro. Porém Deus, em Cujas mãos repousam todas as coisas boas, tem também os Seus planos, contra os quais os malévolos não têm poder algum.
  20. No ano das delegações, 10º da Hégira, fez-se, oriunda de Najran (dirigindo-se para o Iêmen, cerca de 240 km ao norte de Saná), uma embaixada cristã. Os seus integrantes tinham ficado muito impressionados ao ouvirem esta passagem do Alcorão, explicando a verdadeira posição de Cristo, e entraram em relações tributárias com o recém-formado Estado Muçulmano. Porém, hábitos e costumes arraigados evitaram que aceitassem de todo o Islam. O Mensageiro, firme em sua fé, propôs um encontro solene (Mubahala), no qual os dois lados convocariam não apenas os seus homens, mas as suas mulheres e crianças, orariam sinceramente a Deus, e invocariam a maldição de Deus sobre aqueles que mentissem. Aqueles que possuíssem uma fé sincera e pura não hesitariam.
  21. Estamos, agora, em condições de tratar a questão interrompida no versículo 87 da 2ª Surata. Jesus nada mais é do que um homem. É contra o princípio da razão e da Revelação chamá-lo de Deus ou de Filho de Deus. Ele é denominado o filho de Maria, para deixar isto claro. Não teve pai humano algum conhecido, já que seu nascimento foi de natureza milagrosa. Os milagres que permeiam a sua história relatam não somente o seu nascimento, a sua vida e morte, mas também a história de sua mãe, Maria, e do seu precursor, João. Estes eram os "sinais evidentes" que ele traria. Foram aqueles que o interpretaram mal que obscureceram os seus sinais evidentes e o cercaram de seus próprios mistérios.
  22. Falando de modo abstrato, os adeptos do Livro concordariam com todas as proposituras. Nas prática, porém, isso não se daria. À parte dos lapsos da doutrina quanto à unicidade do Único e Verdadeiro Deus, não existia a questão de um sacerdócio consagrado (entre os judeus isso era também hereditário), como se um simples ser humano – Cohen, ou o Papa, ou o Padre, ou Brama – pudesse reivindicar superioridade, para além do seu aprendizado, ou da pureza da sua vida, ou pudesse se colocar entre o homem e Deus, de algum modo especial.
  23. Comparar com o versículo 135 da 2ª Surata e com todos os argumentos daquela passagem.
  24. Os adeptos do Livro eram duplamente intrigantes para com as pessoas muçulmanas: primeiramente porque, não pertencendo elas à sua estirpe, receberam a Revelação; em segundo lugar porque, tendo-a recebido, admoestavam-nos segundo as suas próprias escrituras, perante o seu Senhor!
  25. Quintal de ouro (quintar): um talento de 1200 onças de ouro.
  26. Dinar: moeda de prata; no Império Romano tardio, o denarius era uma pequena moeda de prata, do tamanho da de 5 centavos atuais.
  27. Os judeus tinham feito um pacto com o Profeta, no ano 1º da Hégira; porém, logo o quebraram.
  28. Comparar com o versículo 63 da 2ª Surata. O tema é: Vós (adeptos do Livro) estais comprometidos, pelos vossos votos, solenemente juramentados na presença dos vossos próprios profetas. No Antigo Testamento, como atualmente existe, são citados Mohammad (Deuteronômio 18:18), e a ascensão da Nação Árabe (em Isaías 42:11), porque Kedar era filho de Ismael, sendo este nome usado para designar a Nação Árabe. No Novo Testamento, como atualmente existe, Mohammad é vaticinado (João 14:16, 15:26 e 16:7). O futuro Consolador não pode ser o Espírito Santo pretendido pelos cristãos, uma vez que este já estava presente, auxiliando e guiando Jesus. A palavra grega que se traduziu por " Consolador" é "Paracletos", a qual, por sua vez, é uma patente corruptela de "Periclytos", que constitui quase uma tradução literal de "Mohammad" ou "Ahmad" ( 61ª Surata, versículo 6). Reforçando esta tese, houve outros evangelhos, perdidos no tempo, mas que deixaram traços, que eram ainda mais específicos ao se referirem a Mohammad; por exemplo, o Evangelho de Barnabé, cuja tradução italiana se encontra na Biblioteca Nacional de Viena. Ela foi editada em 1907.
  29. A verdade de Deus é evidente, sendo que tudo o que é bom, e é verdadeiro, e é sadio, e é normal, aceita-a com júbilo. Todavia, mesmo que haja "morbidez no coração" (2ª Surata, versículo 10), ou o julgamento esteja obscurecido pela perversidade, todas as criaturas devem constatar a existência de Deus e se conscientizar d’Ele e do Seu Poder (2ª Surata, versículo 167).
  30. O termo "muçulmano" é derivado da palavra Islam, que quer dizer: submissão à vontade de Deus.
  31. A posição do muçulmano é clara. Ele não se ufana de ter uma religião peculiar, só para si. O Islam não é uma seita ou uma religião étnica. Na sua opinião, todas as religiões são como uma única, pois que a verdade é uma só. Foi a religião decantada por todos os profetas primevos. Foi a verdade ensinada por todos os Livros inspirados. Em essência, ela galga à conscientização da Vontade e dos Desígnios de Deus, e a uma jubilosa submissão a essas características. Se alguém desejar outra religião que não seja essa, será farsante para com a sua própria natureza, assim como pérfido para com a Vontade e os Desígnios de Deus. Tal pessoa não poderá esperar por diretriz alguma, porquanto tem, deliberadamente, renunciando a ela.
  32. Os árabes comiam carne de camelo, coisa lícita no Islam, porém proibida pela Lei Mosaica (Levítico 11:4). Ora, tal Lei era muito rígida, devido à "dureza de coração" de Israel, e por causa da insolência e da iniqüidade dos israelitas (6ª Surata, versículo 146). Antes de ela ser promulgada, os israelitas eram livres para escolherem a sua própria alimentação.
  33. A grande liberdade do Islam, na questão de leis cerimoniais, comparada às Leis Mosaicas, está no fato de não se constituírem numa reprimenda, mas sim numa admoestação. Voltamo-nos para uma fonte mais antiga do que a do judaísmo – as instituições de Abraão. Todos são unânimes em afirmar que a sua fé era sadia, e que ele certamente não era idólatra, termo este insolentemente atribuído aos árabes para parte dos judeus.
  34. Bakka: o mesmo que Makka; talvez um nome mais antigo. A fundação da Caaba remonta aos tempos de Abraão, mas há locais alusivos, no território sagrado, aos nomes de Adão e Eva; por exemplo, em Arafat, o Monte da Misericórdia (ver o versículo 197 da 2ª Surata e a sua respectiva nota).
  35. Álamin: que quer também dizer todos os mundos; todas as espécies de seres; todas as nações; todas as criaturas.
  36. Há temores de várias espécies: o execrado temor do covarde; o temor de uma criança, ou de um simplório, face a um perigo desconhecido; o temor de uma pessoa racional, que deseja evitar dano para si e para aqueles que quer proteger; a reverência afim ao amor, que teme fazer algo que desagrade ao objeto desse amor. O temor da primeira espécie é indigno do homem; o da segunda é próprio daqueles espiritualmente imaturos; o da terceira é mais uma precaução contra o mal, enquanto este não estiver subjugado; e o da quarta, é o esteio da virtude. Aqueles afeitos à fé cultivam o da quarta espécie; nos estágios primitivos podem apropriar-se do da segunda ou da terceira; têm medo, mas não de Deus. O da primeira é um sentimento do qual qualquer um deve envergonhar-se.
  37. Todo o nosso ser deve estar impregnado do Islam; este não deve ser um simples invólucro superficial ou um espetáculo aparatoso.
  38. O símile é de pessoas debatendo-se em águas profundas, às quais a Providência arremessa uma forte e inquebrável tábua de salvação. Se todos juntos se agarrarem firmemente a ela, os seus esforços mútuos propiciar-lhes-ão a oportunidade de se salvarem.
  39. O "rosto" (wajh) expressa a nossa personalidade, o nosso ser interior. O branco é a cor da luz; tornar-se brando é estar iluminado pela luz, o que quer dizer estar pleno de felicidade, dos raios da gloriosa luz de Deus. O preto é a cor das trevas, do pecado, da rebeldia, da miséria, e da remoção da graça e da luz de Deus. Constituem também, os sinais do céu e do inferno. O padrão da decisão, em todas as questões, constitui a justiça de Deus.
  40. A conclusão lógica da evolução da história religiosa é o surgimento de uma religião universal não sectária, não racial e não doutrinária, à qual o Islam se arroga o direito. Porque o Islam é apenas a submissão à Vontade de Deus. Isso implica em : fé, bem-proceder, ser um exemplo para os outros, quanto a fazer o bem, e ter o poder de fiscalizar, no sentido de que o bem prevaleça; abster-se do erro, dando exemplo, para que outros se abstenham dele, e tendo poder de fiscalizar, no sentido de que a injustiça e o erro sejam erradicados. Portanto, o Islam vive, não em função de si mesmo, mas em função de toda a humanidade. Quanto aos adeptos do Livro, tivessem eles tido fé, ter-se-iam tornado muçulmanos, uma vez que foram preparados para o Islam. Infelizmente, há a descrença que, contudo, não pode causar dano àqueles que empunham o estandarte da Fé e do Direito, os que deverão, sempre, sair-se vitoriosos.
  41. "Gastar" falsamente pode tanto ser em falsa "caridade", como em "divertir-se". Porque aqueles que resistem aos propósitos de Deus, nenhum deles é, em nada, bom. A essência da caridade é a fé e o amor. Onde não há estes dois elementos, a caridade não é caridade. Algum motivo vilipendiador existe aí; ostentação, ou coisa pior, colocando a pessoa sob o jugo do fornecedor, por uma pretensa caridade, algo ligado à vida deste mundo, avaro e material. Que acontece, então? Tu esperas boa colheita; porém, "enquanto pensas", ó homem de Deus, em como a tua riqueza se está desenvolvendo, vem o vento glacial e destrói todas as tuas esperanças. O vento consiste nalguma calamidade ou no fato que tu constataste! Ou talvez seja "orgulho próprio". Em teu desespero, tu talvez culpes o destino cego, ou talvez culpes a Deus! O destino cego não existe, porque existe a Providência Divina, justa e benevolente. O dano ou a injustiça não procedem de Deus, mas da tua própria alma. Tu conduziste a tua alma por veredas errôneas, e sofreste os efeitos do vento glacial. Todo o espetáculo de bravura dos iníquos, nesta vida, nada é, senão um vento glacial, acompanhado por malefícios para si próprio.
  42. O Islam nos proporciona a revelação completa: "em todos os Livros", embora revelações parciais tenham aparecido em todas as épocas. (Comparar com o versículo 23 desta surata e com a sua respectiva nota).
  43. A batalha de Uhud foi um grande teste para a jovem Comunidade Muçulmana. O brio, a sapiência e a robustez do seu líder haviam sido mostrados na batalha de Badr (versículo 13 desta surata, e respectiva nota), na qual os idólatras de Makka sofreram uma esmagadora derrota. Eles estavam determinados a vingar a sua desdita e a aniquilar os muçulmanos, em Madina. Atingiam o número de cerca de 3.000 combatentes, sob a direção de Abu Sufian, e estavam tão confiantes na vitória, que levaram suas companheiras, as quais revelaram a mais vergonhosa selvageria depois da batalha. Face ao perigo iminente, Mohammad, com a sua costumeira visão, coragem e iniciativa, resolveu tomar sua posição no sopé do Monte Uhud, que ficava a cerca de 5 km ao norte da cidade de Madina. Cedinho, pela manhã, no dia 16 de Chawal, 3H (janeiro de 625), ele estabeleceu as disposições para a batalha. Ao sul de onde estavam, achava-se a catarata de Nullan; e no desfiladeiro, entre os montes, atrás, achavam-se 50 arqueiros para impedir um ataque inimigo pela retaguarda. O inimigo estava empreendendo a tarefa de atacar as muralhas de Madina, tendo, à sua retaguarda, os muçulmanos. Em princípio, a batalha teve um desenrolar auspicioso para os muçulmanos. O inimigo vacilava; os arqueiros muçulmanos, porém, em desobediência às ordens, abandonaram os seus postos para se juntarem aos outros na perseguição aos inimigos e para a partilha dos despojos. O inimigo tirou vantagem da lacuna deixada pelos arqueiros, o que resultou numa encarniçada luta corpo a corpo, na qual a superioridade favoreceu o inimigo. Muitos dos companheiros do Profeta e dos socorredores foram mortos. Contudo, os muçulmanos não debandaram. Entre os mártires muçulmanos encontrava-se Hamza, um dos irmãos do pai do Mensageiro. As tumbas dos mártires são ainda mostradas em Uhud. O próprio Mensageiro foi ferido na cabeça e no rosto, tendo arrancado um dos seus dentes da frente. Não fosse por sua firmeza, sua coragem e sua serenidade, tudo estaria perdido. Todavia, o Mensageiro, a despeito do seu ferimento, e de muitos outros muçulmanos feridos, inspirados pelo seu exemplo, voltaram ao campo de batalha no dia seguinte, e Abu Sufian e seu exército maquense acharam a retirava mais prudente. Madina estava salva, mas os muçulmanos aprenderam a sua lição de fé, constância, firmeza e imperturbabilidade.
  44. Badr dista aproximadamente 80 km de Madina, e o encontro entre muçulmanos e coraixitas deu-se numa terça-feira, 17 de Ramadan do ano 2H – 13 de março de 624 d.C. Foi a primeira batalha entre os muçulmanos e os idólatras coraixitas. O número de combatentes muçulmanos era de aproximadamente 300, providos de 70 camelos e 2 cavalos, ao passo que o número de combatentes inimigos elevava-se a 1.000, providos de todo o tipo de armamento. A batalha terminou com a vitória dos muçulmanos. É considerada como a mais importante batalha, pois foi a primeira vitória dos muçulmanos sobre os idólatras.
  45. Uma falange de incrédulos: uma extremidade, um fim tanto superior como inferior. Aqui talvez a passagem deva significar que os chefes dos idólatras de Makka, que chegaram para exterminar os muçulmanos, com tal confiança, voltaram frustrados em seus propósitos. A desavergonhada voracidade com que eles e suas companheiras mutilaram os cadáveres dos muçulmanos, no campo de batalha, deixara indelevelmente patenteada a sua eterna infância. Isso talvez servisse para demonstrar a sua real natureza a alguns dos que lutaram por eles, um dos quais, Khaled Ibn al Walid, não somente aceitou, depois, o Islam, mas ainda se tornou um dos seus mais notáveis paladinos. Ele estava com os muçulmanos na conquista de Makka e, mais tarde, conseguiu destacadas honrarias na Síria e no Iraque.
  46. A verdadeira prosperidade não consiste na cupidez, mas no franqueamento de nós próprios e dos nossos recursos à causa de Deus, à verdade de Deus e ao serviço das criaturas de Deus.
  47. O Fogo (131, desta Surata) contrasta, como sempre, com o Jardim no sentido espiritual; em outras palavras, o inferno contrasta com o céu. Conquanto pensemos que o céu seja uma espécie de jardim material confinado, algures no firmamento, é-nos elucidado que somente a sua largura tem a dimensão de todo o céu e de toda a terra juntos, com toda a criação que podemos imaginar. Em outras palavras, a nossa felicidade espiritual não somente abrange esta ou aquela parte do nosso ser, mas todas as vidas e todas as existências. Quem lhe poderá medir a largura, o comprimento ou a altura?
  48. Somente a Verdade de Deus é duradoura e se sobreporá a tudo, no fim. Se houver derrota, não deveremos descoroçoar, perder o ânimo ou abandonar a porfia. A fé demanda esperança, diligência, labuta constante, para atingir a meta.
  49. Estas considerações gerais aplicam-se, particularmente, ao desastre de Uhud. Num combate pela fé, se alguém for ferido, saiba que o adversário também sofreu baixas consideráveis. O sucesso ou o fracasso, neste mundo, acontecem para todos, em tempos diversificados; não devemos resmungar, uma vez que não nos conscientizamos de todo o plano de Deus. O brio do homem é conhecido na adversidade, assim como o ouro é testado no fogo.
  50. Batalha de Uhud.
  51. Este versículo se refere, primordialmente, à batalha de Uhud, em cujo decorrer houve um clamor de que o Mensageiro havia sido morto. De fato, ele fora seriamente ferido, mas Tal’a, Abu Bakr e Áli estavam ao seu lado para o socorrer, e a incontente bravura deles salvou o exército muçulmano de uma completa derrota. Este versículo foi lembrado, novamente, por Abu Bakr, quando o Mensageiro morreu de morte natural oito anos depois, para lembrar o povo de Deus, Cuja Mensagem ele trouxe, viveria para sempre. E nós temos de nos lembra disto, agora e freqüentemente, por duas razões: quando no sentimos inclinados a dispensar honrarias àqueles que foi o mais veraz, ao mais puro e o maior dos homens, isto no sentido de compensar o nosso enriquecimento de espírito, com os seus ensinamentos; e quando nos sentimos deprimidos pelas nuanças e mudanças de tempo, e nos esquecemos de que o Eterno Deus vive e vela por nós, bem como por todas as Suas criaturas, agora como em toda a história, passada e futura.
  52. Há um sutil toque de ironia nisto. No que tange aos arqueiros de Uhud, que desertaram dos seus postos para empreenderem a pilhagem, eles talvez tenham conseguido a sua partilha, mas ao preço de se exporem, bem como a todo o exército, a grande risco. Por causa de um ínfimo ganho terreno, quase perderam as suas almas. Por outro lado, quanto àqueles que ampliaram as suas visões e combateram com denodo, em disciplina, sua recompensa foi preste e segura. Se morressem, poriam sobre as cabeças a coroa do martírio; se vivessem, seriam considerados heróis e honrados, neste mundo e no outro.
  53. A ordem era: não se precipitarem em recolher os despojos, mas manterem estrita disciplina. Uhud principiava a se constituir numa vitória para os muçulmanos. Muitos dos inimigos foram mortos, e eles já começavam a se retirar, quando uma parte dos muçulmanos, contra as ordens, encetou a perseguição, atraída pela perspectiva de polpudos despojos.
  54. A princípio, a desobediência lhes pareceu prazerosa: estavam perseguindo os inimigos, e havia a perspectiva de despojos. Porém, quando a lacuna foi percebida pelo inimigo, este cerrou fileira em torno da montanha, e quase esmagou os muçulmanos. Não fosse pela graça de Deus e pela firmeza do seu líder e dos seus companheiros imediatos, eles estariam acabados.
  55. Parece que um contingente de cavaleiros, conduzido pelo arrojado Khaled Ibn al Walid, apareceu por entre o vazio do desfiladeiro em que os arqueiros deveriam estar e, na confusão que se originou, o antagonista se reorganizou e afoitou-se sobre os muçulmanos. Da planície, os muçulmanos, por sua vez, retrocederam e tentaram reconquistar o morro. Estavam, agora, em dupla desvantagem: estavam atulhados com os despojos que haviam obtido, e muitas vidas tinham sido ceifadas das suas fileiras, de maneira que as suas próprias vidas e as de todo exército estavam em perigo. Com as suas vidas em jogo, eles mal tinham tempo de lamentar a perda dos despojos ou a calamidade geral. Contudo, isso lhes deu consistência, e alguns deles passaram no teste.
  56. Depois da surpresa inicial, quando o inimigo caiu em cima deles, uma grande parte dos muçulmanos deu o melhor de si; e, constatando-lhes o brio, o inimigo retirou-se para seu campo. Houve então uma trégua; os feridos descansaram; aqueles que haviam lutado ferrenhamente foram bafejados por um benfazejo sono, esse bálsamo da Natureza. Contrastando com estes, destacava-se seqüela dos hipócritas, cujo comportamento é descrito na nota seguinte.
  57. Os hipócritas se retiraram da luta. Aparentemente, eles tinham ficado com aqueles que permaneceram supervisionando a defesa de Madina, dentro das suas muralhas, em vez de saírem intrepidamente ao encontro do inimigo. Sua apreensão era causada pelo seu próprio estado mental; o sono dos justo foi-lhes negado; consequentemente, eles não cessavam de murmurar sobre o que tinha acontecido. Somente os tolos procedem assim; os sábios encaram os acontecimentos.
  58. Era dever de todos os que estivessem capacitados, combater pela causa sagrada, em Uhud. Mas uma pequenas seqüela mostrava-se tímida; seus integrantes não eram tão maus como aqueles que reclamavam contra Deus, ou aqueles que insensatamente desobedeciam ordens. Mesmo assim, eles não cumpriram com o dever. São os nossos propósitos interiores que Deus considera. Aquelas pessoas timoratas foram esquecidas por Deus. Talvez, se houvesse para elas uma outra oportunidade, aproveitá-la-iam e cumpririam o seu dever.
  59. É a carência de fé que faz com que as pessoas tenham medo de enfrentar a morte, de cumprir com o dever quando este envolve perigo – viajar para ganhar um sustento honesto, ou lutar por uma causa sagrada. Tal temor é parte do castigo pela carência de fé. Se temos fé, não há o que temer em encontrar a morte (ainda mais sabendo que ela nos transportará para mais perto da nossa meta), nem tampouco em encarar o perigo decorrente de uma causa nobre, porque sabemos que a chave da vida e da morte está nas mãos de Deus. Nada acontece, se não for pela vontade de Deus. Se for de Sua vontade que morramos, a nossa permanência em casa não nos salvará. Se for de Sua vontade que percamos a vida, existem três considerações que fazem com que ansiemos por enfrentar o perigo: primeiro, morrer no cumprimento do dever é o melhor meio de alcançar a Graça de Deus; segundo, o homem que tem fé sabe que não irá para nenhum lugar desconhecido – irá para mais perto de Deus; terceiro, ele será "congregado", junto a Deus. Ali encontrará os seus caríssimos companheiros de fé.
  60. Nota-se, aqui, um magnífico toquezinho de literatura. À primeira vista, esperar-se-ia, neste caso, a 2ª pessoa "acumulardes", para concordar com a 2ª pessoa da primeira clausura. Contudo, lembremo-nos de que a 2ª pessoa, na primeira clausura, refere-se às pessoas de fé, e de que a 3ª pessoa, na última clausura, refere-se aos incrédulos, como se se dissesse: "Certamente que vós, homens de fé, não vos afeiçoareis a acumular riquezas. O vosso tesouro – o dever e a misericórdia de Deus são muitíssimos mais preciosos do que qualquer coisa que os incrédulos possam acumular nas suas vidas egoístas...
  61. A natureza extremamente cândida de Mohammad tornava-o caro a todos, e isso é reconhecido como uma das Misericórdias de Deus. Um dos títulos do Mensageiro é "Misericórdia para toda a Humanidade". Em ocasião alguma tal candura, tal misericórdia, tal sofrimento prolongado, decorrentes da fraqueza humana, foram tão valiosos como depois do desastre de Uhud. Era uma qualidade divina, que, então, como sempre acontece, reatou neles os laços das almas de incontáveis homens.
  62. Além de afabilidade de sua natureza, Mohammad era conhecido, desde tenra idade, por sua fidedignidade. Daí o seu título de Al-Amin. Pessoas inescrupulosas freqüentemente descarregam os seus chãos propósitos em outras; mas acontece que suas acusações, que deveriam causar danos, incrementam as várias virtudes pelas quais a pessoa atacada é conhecidíssima. Depois de Uhud, alguns dos hipócritas suscitaram dúvidas quanto à divisão dos despojos, intentando plantar a semente da discórdia nos corações dos homens que tinham desertado dos seus postos em sua ânsia pelos mesmos. Tais meandros rasteiros não foram acreditados por pessoa sensível alguma, o que não tem interesse algum para nós, agora. Todavia, os princípios gerais, aqui declarados, são de valor perpétuo. Os homens de Deus não agem movidos por razões indignas. Os que assim agem são criaturas espiritualmente ínfimas, mas não tirarão proveito disso. Não se deve julgar um homem de Deus pelos mesmos padrões com que se julgam as criaturas cúpidas. Aos olhos de Deus, há vários graus de homens, e nós devemos tentar compreender e considerar tais graus. Se confiamos em nosso líder, não devemos inquirir quanto à sua honestidade sem justa causa. Se ele é desonesto, não está qualificado para se o nosso líder.
  63. Trata-se das batalhas de Uhud e de Badr, respectivamente. Se Uhud constituiu um revés para os muçulmanos, eles haviam infligido um revés duas vezes maior aos habitantes de Makka, em Badr. Tal revés não se deu sem a permissão de Deus, uma vez que Ele queria testar e purificar a fé daqueles que seguiam o Islam, e mostrar-lhes que deveriam porfiar e fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para merecerem o adjutório de Deus.
  64. Uma bela passagem acerca dos mártires pela causa da verdade. Eles não estão mortos; vivem, num sentido mais altruístico e profundo do que o da vida que deixaram. Mesmo aqueles que não acreditam no além-túmulo, honram as memórias dos que perecem por nobres causas colocando a coroa da imortalidade nas mentes e nas memórias das gerações ainda por nascer. Mas, no caso da fé, nós divisamos uma mais elevada, mais verdadeira e menos relativa imortalidade. Quem sabe, "imortalidade" não seja a palavra certa nesta contextura, uma vez que também implica na continuidade desta vida. No caso deles, através do portal da morte, adentram a verdadeira e real vida, em oposição à sua sombra aqui. A nossa vida carnal é sustentada por alimentação material, e suas alegrias e seus prazeres, no que há de melhor, são aqueles projetados na tela do nosso mundo corpóreo.
  65. Depois da confusão em Uhud, os homens passaram a se reagrupar em torno do Mensageiro. Este estava ferido e eles também, mas todos estavam prontos para combater novamente. Abu Sufian e seus idólatras se retiraram, mas lançaram um desafio, no sentido de encontrar o Profeta e seu exército, novamente, na feira de Badr, no ano seguinte. O desafio foi aceito, e um grupo de muçulmanos, escolhidos a dedo, sob a direção do seu intrépido líder, cumpriu a palavra, mas o inimigo não compareceu. Os muçulmanos voltara, não apenas ilesos, mas enriquecidos pelos negócios que fizeram na feira e (presume-se) fortificados pelo acréscimo de novos aderentes à sua causa.
  66. O homem, em seu estado de firmeza, seria mais miserável se pudesse desvendar os segredos do Futuro ou do Incognoscível. Porém, as realidades são-lhes reveladas, de tempos em tempos, quando oportuno, por mensageiros escolhidos para o propósito. É nosso dever apegarmo-nos à fé e conduzirmo-nos bem pela vida.
  67. As graças são de toda a espécie; materiais, tais como riqueza, propriedade, força física etc.; graças intangíveis, tais como: influência, berço de ouro, inteligência, destreza, visão ampla, etc.; graças espirituais do mais alto teor. Despendermos de todas essas faculdades (excetuando-se o que for necessário para nós mesmos), em prol daqueles que necessitam delas, constitui caridade e purifica o nosso próprio caráter. Recusá-la (excetuando-se o que for de nossa necessidade) constitui, de igual modo, cupidez e egoísmo, e é energicamente condenável.
  68. Por meio de uma metáfora apropriada, é asseverado que a sua riqueza, ou quaisquer outras graças que ele tenha acumulado, circundar-lhe-ão o pescoço, e não lhe proporcionarão qualquer bem. Desejará livrar-se daquilo, mas não será capaz. De acordo com a frase bíblica, com outra conotação, aquelas cosias parecer-lhe-ão como uma mó de moinho, em torno do pescoço (Mateus, 18:6). A metáfora, aqui, é mais consistente. Ele abraçou-se, sofregamente, à sua riqueza ou às suas graças. Estas constituir-se-ão em pesado colar, labéu do cativeiro, em torno do seu pescoço. Estarão fortemente atadas e retorcidas, e lhe causarão dor e angústia, em vez de prazer.
  69. No versículo 245 da 2ª Surata, lemos: "Quem está disposto a emprestar a Deus, espontaneamente?" Em outros locais, a caridade ou o despender na senda de Deus é metaforicamente descrita como "dar a Deus". O Mensageiro empregava, freqüentemente, essa expressão, para angariar fundos a serem despendidos na senda de Deus. Os escarnecedores zombava, dizendo: "Então, Deus é pobre e nós somos ricos." Tal blasfêmia coadunava-se com toda a sua conduta na história, ao assassinarem os profetas e os diletos de Deus.
  70. Os três tópicos mencionados no texto são: Evidências (baiyinat), Zubur; Kitabun-Munir. O significado do primeiro, num sentido mais generalizado, é a clara evidência que a Ação Divina dispensa ao dileto de Deus, que carrega uma verdadeira missão; por exemplo, Moisés, em relação ao Faraó. Traduzimos o segundo por Salmos, já que a raiz zabara implica em algo duro. Os exegetas não concordam, mas os escritos proféticos, que parecem difíceis de ser entendidos pelos contemporâneos, podem muito bem aparecer sob esta descrição. Os Salmos de Davi (4:163) podem, também, aparecer sob esta descrição. Quanto ao terceiro, não há dúvida sobre o significado literal das palavras "Livro Luminoso". Mas, ao que se refere, precisamente? Nós o temos como guia fundamental da conduta – normas claras, injungiras a todas as disposições, para auxiliar os homens a bem dirigirem as suas vidas.
  71. A alma não morrerá; mas a morte do corpo dará um sabor de morte à alma, assim que esta se separar do corpo. A lama constatará, então, que esta vida nada mais era do que provação. E as desigualdades aparentes serão, finalmente, ajustadas, no Dia do Juízo Final.
  72. Todo este mundo é um espetáculo fugidio dado para ilusão do homem, "porquanto são fornecidas ao homem ilusões". A única Realidade aparecerá quando tivermos atingido a nossa meta final.
  73. Não somente a riqueza e os haveres (ou a carência deles) serão instrumentos de nossa provança, mas todos os nossos talentos pessoais, os nossos conhecimentos, as nossas oportunidades, e os seus reversos; em verdade, tudo que nos acontece e que desenvolve a nossa personalidade, constitui um meio de nos testar. Assim acontece com a nossa fé: devemos por ela suportar insultos da parte daqueles que não compartilham dela.
  74. A Verdade – a Mensagem de Deus – chega a qualquer homem ou nação por uma questão de custódia sagrada. Ela deve ser transmitida, pela imprensa falada, escrita, e ensinada e esclarecida a todos que puder alcançar. O sacerdócio privilegiado, para começar, erige uma barreira. Porém, ainda pior, quando tal sacerdócio distorce a verdade por comodidade sua, ignorando o resto, vendendo essa dádiva de Deus por um miserando e efêmero lucro, quão miseravelmente a sua lição, quando Nêmesis chegar!
  75. Um quadro minucioso, de amplitude mundial! Eles poderão causar danos e misérias a outros; poderão distorcer a verdade de Deus e coroar os falsos padrões de adoração; poderão ser creditados por virtudes que não possuem, e desfrutar de aparentes sucessos, que advirão a despeito das suas desprezíveis fraudes, mas não regozijemos com qualquer glória que isso lhes possa causar.
  76. Ou seja, em todas as posturas, o que, novamente, é simbólico em todas as circunstâncias – pessoais, sociais, econômicas, históricas e outras.
  77. No Islam, a igualdade de condições entre os sexos, não somente é reconhecida, como imposta veementemente. Se a distinção dos sexos, que é uma distinção fornecida pela natureza, não conta em questões espirituais, muito menos contarão, certamente, as distinções artificiais, tais como: linhagem, riqueza, posição, raça, cor, origem etc.
  78. Aqui, como no versículo 198 desta Surata, acima, e em muitos outros locais algures, é dado um destaque no sentido de que, seja qual for a dádiva, a recompensa ou a bem-aventurança que advenha àqueles de conduta reta, o seu principal mérito repousa no fato de tudo emana da Presença do Próprio Deus. A "Proximidade de Deus" expressa essa ocorrência melhor do que qualquer outro símbolo.
  79. (Falah) aqui, e em outras passagens, deve ser entendida em um sentido amplo, incluindo a prosperidade nos nossos afazeres terrenos, bem como no nosso desenvolvimento espiritual. Em ambos os casos, ela implica em felicidade e na concretização dos nossos desejos, purificados pela mercê de Deus.
 

  Up

Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu
Fone: (0 ** 45) 3573-1126 
Rua Meca S/N - Jardim Central 
CEP: 85864-410 - Foz do Iguaçu - PR - Brasil
info@islam.com.br