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  1. Nafs, em árabe, pode significar: ser, ego, pessoa, pessoa vivente, vontade, alma, como no versículo 4 desta Surata. Min-ha: A partícula Min pode então sugerir, aqui, não uma parte ou uma fonte de alguma coisa, mas uma espécie, uma natureza, um similaridade. O pronome há certamente se refere a Nafs.
  2. Todos o nossos direitos e deveres mútuos são submetidos a Deus. Nós somos as Suas criaturas. A sua Vontade é o padrão e a medida da Benevolência; e os nossos deveres são medidos pela nossa conformidade com a Sua Vontade. Entre nós (seres humanos), nossos direitos e deveres mútuos vêm da Lei de Deus, sendo o senso do Direito implantado em nós por Ele.
  3. Entre os primordiais e maravilhosos mistérios da nossa natureza, encontra-se o do sexo. Irregenerado macho é capaz, face ao orgulho de sua fortaleza física, de esquecer o papel essencial que a mulher desempenha na existência dele e em todos os relacionamentos sociais que se evidenciam em nossas vidas humanas coletivas.
  4. A justiça para com os órfãos é prescrita com a citação especial de três tópicos quanto às tentações a que estão afeitos os guardiães: (1) não se deve adiar a restauração de todos os pertences, quando for chegado o tempo (assunto do versículo 5, desta Surata); (2) os bens restituídos deverão ser de igual valor àqueles recebidos; o mesmo princípio se aplica quando se há rol algum; (3) se os haveres forem administrados em conjunto, haverá necessidade de se consumirem os artigos perecíveis; neste caso, uma probidade rigorosa será necessária quando tiver lugar a separação.
  5. Note-se a cláusula condicional sobre os órfãos, introduzindo as normas concernentes ao casamento. Isto nos aclara a mente, quanto à ocasião imediata da "promulgação" deste versículo. Deu-se depois do episódio de Uhud, quando a comunidade muçulmana se viu atulhada de um sem-número de órfãos e viúvas, bem como de cativos de guerra. O tratamento dispensado a todos estes deveria ser regido pelos princípios humanitários e de igualdade. A ocasião é a coisa do passado, mas os mesmos princípios permanecem. Desposai as órfãs, se estiverdes bem certos de que, desse modo, podereis proteger os seus interesses e os seus haveres, com perfeita justiça para com elas e para com os vossos dependentes, se é que tendes algum.
  6. O número irrestrito de esposas dos "tempos de idolatria" foi, então, meticulosamente reduzido ao máximo de quatro, contanto com se pudesse tratar todas com perfeita eqüidade, no tocante às coisas materiais, bem como em afeição, e às coisas imateriais. Como tal condição é dificílima de ser preenchida, compreendemos estar a tendência descambando para a monogamia.
  7. Cativas de guerra.
  8. Isto se aplica aos órfãos, mas a enunciação está perfeitamente generalizada. Os bens não somente acarretam direitos, mas também responsabilidades. Talvez o proprietário não possa, absolutamente, fazer o que lhe apraz; seus direitos são limitados ao benefício da comunidade, da qual ele é membro e se ele for incapaz de reconhecer isso, o seu controle sobre os mesmos deverá ser anulado. Todavia, isto não quer dizer que será tratado com rudeza. Pelo contrário, seus interesses devem ser protegidos e ele deverá ser tratado com especial condescendência.
  9. As pessoas referidas são aquelas entre as quais as heranças têm de ser divididas. As divisões são especificadas. Aqui, os princípios gerais são no sentido de que as mulheres devam participar da herança, tanto quanto os homens, e de que os parentes – que não têm direito legal de participação na partilha - , os órfãos, e os indigentes não sejam tratados asperamente, se presentes à divisão. A "concessão" deverá ser tirada da propriedade, como parte das despesas do funeral.
  10. Este é um pungente argumento, dirigido àqueles que têm de dividir um espólio. Quão ansiosos ficariam se tivessem de deixar atrás uma família em desespero! Se isso acontecer a outrem, ajudai-os e sede complacentes.
  11. Os princípios da lei da herança são estabelecidos, em amplo delineamento, no Alcorão; os detalhes precisos têm sido elaborados com base na prática do Mensageiro e na de seus companheiros, bem como por interpretação e analogia. Os jurisprudentes muçulmanos têm compilado uma vasta quantidade de ensinamentos a este respeito, parecendo-nos que esse corpo legislativo é, por si só, suficiente para formar um assunto de estudo durante toda a vida. Trataremos, aqui, apenas dos princípios básicos a serem colhidos do texto, segundo a interpretação dos jurisprudentes. O poder da disposição testamentária estende-se somente a um terço da propriedade; os restantes dois terços são distribuídos entre os herdeiros, como foi prescrito. Toda a distribuição se efetua depois de serem pagos legados e dívidas, incluindo as despesas do funeral.
  12. À primeira vista, as palavras árabes parecem significar : "se mais de duas filhas". Contudo, a alternativa na cláusula seguinte é: "se apenas uma filha". Logicamente, portanto, a primeira cláusula deve significar: "se filhas, duas ou mais". Esta é a interpretação geral, confirmada pela provisão suplementar do versículo 176 desta surata, o qual deve ser lido ele conjunto a este.
  13. Este versículo trata das partes distribuídas entre filhos e pais. O versículo seguinte trata das partes distribuídas entre o cônjuge do falecido ou da falecida, bem como entre os colaterais. As cotas dos filhos são fixadas, mas as suas importâncias dependerão do que couber aos pais. Se o pai, ou a mãe, estiver vivo e houver filhos, tanto um como a outra receberá um sexto, cada; se apenas um deles estiver vivo, ele ou ela receberá a sua sexta parte, indo o resto para os filhos. Se os pais estiverem vivos e não houver filho algum, ou outro herdeiro, a mãe receberá um terço (e o pai os outros dois terços, restantes); se não houver filhos, havendo, contudo, irmãos ou irmãs (isto é rigorosamente interpretado em ermos de plural), a mãe receberá um sexto e o pai o restante, um vez que, em se tratando do pai, este prescinde de colaterais.
  14. O marido receberá a metade dos bens da sua falecida esposa, se esta não deixar prole, indo o restante para os residuários; se ela deixar um filho, o marido receberá apenas um quarto. Seguindo a norma de que a parte que cabe à mulher é, geralmente, a metade da que cabe ao homem, a viúva receberá um quarto dos bens do seu falecido marido, desde que este não deixe prole, e um oitavo, se deixar. Se houver mais de uma viúva, sua cota coletiva será um quarto, ou um oitavo, conforme o caso; entre si, elas dividirão igualmente.
  15. A palavra árabe é Kalala. Todavia, ela não foi definida com autoridade, durante a vida do Mensageiro. Este foi um termo que Ômar Ibn al Khattab desejava que o Mensageiro tivesse definido, durante a sua vida; os outros dois são Khilafa (sucessão) e Riba (usura). Respeitando a definição aceita, ater-nos-emos à herança de uma pessoa que não tenha deixado descendentes ou ascendentes (conquanto distantes), mas somente colaterais, com ou sem viúvo ou viúva. Se houver viúvo ou viúva sobrevivente, este ou esta receberá a parte já definida, antes de os colaterais entrarem em cena.
  16. Um "irmão ou uma irmã" é, aqui, interpretado como sendo uterinos, ou seja, provenientes da mesma mãe, mas não do mesmo pai. Os casos de irmãos plenos (do mesmo pai e mesma mãe), ou irmãos provenientes do mesmo pai, mas de diferentes mãe, serão tratados mais adiante, no último versículo desta surata. Quando ao irmão ou irmã uterinos, se apenas um sobreviver, receberá um sexto; se mais de um sobreviver, receberão coletivamente um terço, para que o dividam entre si, isto na suposição de não haver descendentes ou ascendentes (embora remotos).
  17. As dívidas (das quais as despesas com funerais tomam a primeira linha) e os legados constituem a incumbência primordial no caso de uma pessoa falecida, antes que se proceda à distribuição da herança. Porém, a eqüidade e o trato justo devem ser observados com todas as questões, para que não sejam prejudicados os interesses de ninguém.
  18. A maioria dos jurisprudentes compreende que isto se refere ao adultério ou à fornicação; tal caso, eles consideram que a punição foi alterada para cem açoites, de acordo com o versículo 2 da 24ª Surata. Nós, porém, achamos que se refira a uma prática sacrílega, entre as mulheres, análoga à prática sacrílega existente entre os homens (4ª Surata, versículo 16), porquanto punição alguma é especificada aqui para o homem, como seria o caso, se este estivesse envolvido naquela prática; a palavra al-lati, tão-somente al-lati, termo puramente feminino, é empregada para as partes envolvidas naquela prática.
  19. A fim de se proteger da integridade das mulheres, evidências meticulosas são requeridas; por exemplo, quatro, em vez das duas testemunhas costumeiras. O mesmo se dá com referência ao adultério (ver versículo 4 da 24ª Surata).
  20. "Conservai as cativas até que alguma ordem definida seja recebida." Aqueles que consideram este crime como adultério ou fornicação, dizem que tal ordem definida ("um novo destino") significa um pronunciamento definitivo do Profeta, sob inspiração; esta era a punição por açoites, encontrada no versículo 2 da 24ª Surata. Se entendermos o crime por "prática sacrílega", presumiremos, dada a ausência de qualquer ordem definida ("um novo destino"), que a punição deverá ser semelhante àquela aplicada à pessoa do versículo seguinte. Aquela é, por si só, definida, ou talvez com essa intenção, porquanto o crime é afrontoso.
  21. Nos dias de idolatria, em muitas nações, incluindo a árabe, um enteado ou um irmão de criação costumava tomar posse da viúva ou das viúvas do falecido, juntamente com os bens e escravos deste. Tal costume sacrílego foi proibido. Ver, também, o versículo 22 desta surata, mais adiante.
  22. Nos costumes pré-islâmicos, outro truque para aviltar a liberdade das mulheres casadas consistia nos maus tratos e no emprego da força, a fim de que pedisse o divórcio (ver o versículo 229 da 2ª Surata e respectiva nota), ou seu equivalente, uma vez que o dote poderia ser pedido de volta. Isto também foi proibido.
  23. Na época da idolatria, os homens casavam-se com suas madrastas viúvas.
  24. Esta tabela de uniões proibidas concorda, em essência, com o que é costumeiramente aceito por todas as nações, exceto no que diz respeito aos mínimos detalhes. Ela se inicia no versículo anterior (com as viúvas ou as divorciadas, em relação ao pai). O diagrama é esquematizado na conjectura de que a pessoa que pretende se casar seja homem; se for mulher, aplicar-se-á o mesmo diagrama; ler-se-á, então: "vossos pais, vossos filhos, vossos irmãos, etc."; ou poder-se-á, sempre, lê-lo do ponto de vista da relação do marido, porquanto haverá sempre um marido em concernência.
  25. Por "mãe" compreende-se, também, a avó (paterna ou materna), a bisavó etc.; por "filha" compreende-se, também, a neta (por parte do filho ou filha), a bisneta etc.; por "irmã" compreende-se a irmã legítima ou a meio-irmã; "tia, por parte do pai" compreende a tia-avó etc.; "tia, por parte de mãe" compreende a tia-avó etc..
  26. As relações lactárias desempenham um importante papel na Lei muçulmana e são consideradas como relações consangüíneas; parece-nos, portanto, que não somente mães e irmãs adotivas, mas ainda tias adotivas etc., enquadram-se nas uniões proibidas.
  27. É geralmente aceito (sem unanimidade) que "sob vossa tutela" seja uma descrição, não uma condição. Portanto, uma enteada que esteja "sob vossa tutela" enquadrar-se-á na proibição, se a outra condição (sobre a mãe) for preenchida.
  28. Por "filhos", compreende-se os netos, mas excluem-se os filhos adotivos ou pessoas consideradas como tais, em decorrência das palavras "vossos filhos carnais".
  29. A barreira do casamento conjunto com duas irmãs aplica-se também, à tia e à sobrinha conjuntas, mas não à irmã da esposa falecida.
  30. "As que tendes à mãe", isto é, as cativas da guerra contra aqueles que perseguem a fé, e sob as ordens de um Imam virtuoso (Jihad). Em tais casos, as hostilidades dissolveram os laços civis. Por outro lado, era permitido o casamento com as cativas casadas, desde que não se conhecesse o paradeiro dos maridos. Contudo, se ambos estivessem juntos, o Islam não permitia o casamento com ela.
  31. Depois das uniões proibidas, o versículo continua a dizer que outras mulheres, que não aqueles especificadas, devem ser procuradas para o casamento; mesmo assim, não por motivos de luxúria, mas a fim de preservar a castidade entre os sexos. O casamento, no original árabe, está aqui descrito por uma palavra que sugere fortalecimento (ihsan); o casamento é, portanto, o fortalecimento da castidade.
  32. Assim como a mulher submete a sua pessoa no casamento, o homem também deve submeter (menos parte da sua independência), pelo menos alguns dos seus bens, de acordo com as suas posses. E isto propicia a Lei do Dote. É fixado um dote mínimo, não sendo, porém, necessário apagar-se a esse mínimo, quanto à nova relação criada.
  33. Ou seja, cativas tomada durante o Jihad: "As que tendes à mão" não significa, necessariamente, que elas estejam comprometidas convosco, ou que sejam propriedade vossa. Tudo o que é capturado, na guerra, pertence à comunidade e é nesse sentido que elas são "vossas". Se procurarem tais pessoas, para com elas se casarem, não o façam por motivos vis. O cativeiro está, agora, ultrapassado, no verdadeiro espírito do Islam. Contudo, há outras condições, nas quais a liberdade de uma mulher (ou de um homem) é restrita, e o princípio também se aplica aqui.
  34. Parafraseemos este versículo, porquanto ele contém um profundo significado: Todas as vossas propriedades, tende-las em custódio, quer estejam em vosso nome, quer pertençam à comunidade, quer pertençam a pessoas sobre quem tenhais controle. Constitui erro e desperdício. No versículo 188 da 2ª Surata, a mesma frase apareceu, acautelando-nos à cupidez. Aqui ela aparece para nos encorajar a aumentar os nossos bens pelo uso moderado dos mesmos. Somos admoestados, no sentido de que o desperdício poderá levar-nos à nossa própria destruição.
  35. Tanto os homens como as mulheres desfrutam das dádivas divinas, alguns mais que os outros. Isso poderá parecer injusto, mas é-nos assegurado que a Providência distribuiu as pessoas segundo um esquema, pelo qual todos recebem aquilo a que fazem jus. Se isso não nos parece muito claro, lembremo-nos de que não temos pleno conhecimento, mas Deus sim. Não devemos ficar enciumados se outras pessoas têm mais do que nós, seja em riqueza, posição ou poderio, talento ou felicidade. Talvez as coisas sejam igualadas no todo, a curto ou a longo prazo, ou equacionadas segundo as necessidades e méritos, numa escala da qual não nos podemos aperceber.
  36. Quando a emigração de Makka para Madina tomou corpo, vínculos e laços de amizade foram estabelecidos entre os emigrantes e os socorredores, passando ambos a compartilhar a herança uns dos outros. Mais tarde, quando a Comunidade foi solidamente estabelecida e as tensões com aqueles que haviam ficado para trás, em Makka, foram diminuídas, tanto os direitos dos parentes consangüíneos em Makka, como os da irmandade socorredora em Madina, foram salvaguardados. O significado mais generalizado é semelhante: respeitai os vossos laços consangüíneos, de fraternidade, de pacto amigável e de compreensão.
  37. No caso de altercação familiar, quatro medidas a serem tomadas, são mencionadas: talvez conselhos verbais ou admoestações sejam suficientes; se noa, as relações sexuais deverão ser suspensas; se isso não bastar algum leve castigo físico deverá ser ministrado, embora todas as autoridades sejam unânimes em deprecar qualquer espécie de crueldade; se nada disto der certo; é recomendado um conselho familiar (versículo 35 desta surata).
  38. O mau-humor, o queixume, o sarcasmo, o ato de falar um do outro na presença de outras pessoas, referindo-se a erros passados que deveriam ser esquecidos e perdoados, tudo isso é proibido. E a razão fornecida constitui a característica do Islam. Devemos viver toda a nossa vida como se estivéssemos na presença de Deus, Que está nas alturas, muito acima de nós, mas Que vela por nós.
  39. Um plano excelente para se consertar as disputas familiares, sem muita publicidade ou conspurcação, sem recorrer às chicanices da lei. Os casais muçulmanos, em todo o mundo, recorrem a este instrumento. Os países latinos reconhecem este plano, em seus sistemas gerais. Os árbitros de cada família devem conhecer as idiossincrasias de ambas as partes e pôr-se em posição, com a ajuda de Deus, para efetuar uma verdadeira reconciliação.
  40. Este preconceito é mais amplo e mais compreensível do que "Amar a Deus e ao próximo", porque ele inclui deveres, tanto para com os animais como para os nossos semelhantes, além de enfatizar os serviços práticos, não os meramente sentimentais.
  41. O vizinho próximo, ou seja, em contingência local, bem como em relacionamentos íntimos, assim como o vizinho estranho, "próximo ou não", inclui aqueles que não nos são conhecidos ou que vivem longe ou perto de nós, ou numa esfera totalmente distinta.
  42. O Companheiro pode ser o nosso amigo íntimo ou o nosso sócio, assim como o viajante pode ser um conhecido ocasional, que encontremos quando em viagem. Isto tem mais amplitude do que o "vizinho desconhecido".
  43. Vossos servos: qualquer criatura que não possua direitos civis. Inclui cativos ou escravos (em qualquer forma que existam), pessoas sob a vossa tutela, ou animais silentes, com os quais tendes de tratar. Todos eles são criaturas de Deus e merecem a nossa simpatia e o nosso serviço prático.
  44. A arrogância é a razão pela qual os nossos atos de amor e de benevolência não se desenvolvem. Outras, são a avareza e o egoísmo. Deus é contrário a tudo isso, porquanto todos esses defeitos procedem de falta de amor a Ele e da carência de fé n’Ele. Avaro é o que não somente se recusa a gastar, prestando serviços, mas, por meio de exemplos e preceitos, impede outros de fazê-lo, tornando-se, portanto, por comparação, odioso ante os seus semelhantes. Assim, sendo, ele ou faz de sua precaução uma virtude, ou esconde as dádivas com as quais foi agraciado – riqueza, posição, talento etc..
  45. Note-se como o castigo se adapta ao crime. O avarento despreza as pessoas; assim procedendo, ele próprio se torna desprezível.
  46. Um defeito oposto à avareza, mas igualmente oposto à caridade, é gastar perdulariamente para se notado pelos homens. Constitui mera hipocrisia; não há amor nisso, tanto para com Deus, como para com o homem.
  47. A referência é tanto para o estado de embriaguez como para o de aturdimento mental, devido ao entorpecimento ou a alguma outra causa. Talvez ambos estejam implícitos. Antes que a proibição dos tóxicos fosse totalmente promulgada, era, pelo menos, inconcebível que as pessoas comparecessem às orações em tal estado. Para as orações, é preferível que estejamos de posse de todas as nossas faculdades, a fim de que nos aproximemos de Deus com um espírito de reverência. A "oração", aqui, significa "o local das orações", uma Mesquita; o significado conseqüente será o mesmo.
  48. A rigorosa higienização e purificação da mente e do corpo é requerida, especialmente na hora da oração. Contudo, há certas circunstâncias em que a água para a ablução não é facilmente encontrada, mormente nas condições adustas da Arábia. Nesse caso, esfregar-se com areia seca ou com terra limpa é recomendado. Quatro de tais circunstâncias são mencionadas; as duas última, quando o lavar-se é especialmente requerido; as duas primeiras, quando o lavar-se deve ser necessário, não sendo, no entanto, fácil encontrar água. Isso, para um homem doente, que não pode caminhar para conseguir água, e para um homem em viagem, que não possui pleno controle dos seus suprimentos. Nos quatro casos em que a água não pode ser conseguida, a pessoa se limpar com areia ou terra seca é recomendado. Este ato é chamado de Tayamum.
  49. Ver nota do versículo 93 da 2ª Surata. Um truque dos judeus consistia em distorcer as palavras e expressões, com o fito de ridicularizar os mais solenes ensinamentos da fé. Quando deveriam ter dito: "Ouvimos e obedecemos", diziam em voz alta: "Ouvimos", e sussurravam: "e desobedecemos". Quando deveriam ter dito, respeitosamente: "Ouvimos", adicionavam com um sussurro: "o que não deve ser ouvido", a fim de escarnecerem. Quando inquiriam do Profeta, usavam palavras ambíguas, aparentemente inofensivas, mas desrespeitosas em suas intenções.
  50. Literalmente quer dizer: "Antes que obliteremos as feições (ou rostos) de alguns, fazendo com que suas cabeças se virem para trás (ou que suas costas se voltem para a frente)", constituindo um idiotismo árabe que deve ser livremente traduzido, para que proporcione um significado adequado em português. O rosto é a principal expressão da real essência do próprio homem; ele constitui, também, o índice da sua fama e estima. Os adeptos do Livro foram especialmente favorecidos por Deus, quanto às revelações espirituais. Se se mostrassem indignos, haveriam de perder os seus "rostos". Sua eminência deveria, face à sua própria conduta, degenerar-se em degradação. Outros tomar-lhes-iam o lugar.
  51. Comparar com o versículo 65 da 2ª Surata, e respectiva nota.
  52. Literalmente, a mais tênue pele, no sulco do caroço da tâmara – uma coisa sem valor (Fatil).
  53. Os judeus procuraram a ajuda dos idólatras de Makka contra Mohammad; porém, longe de conseguirem essa ajuda, ambos, judeus e idólatras, foram, outrossim, desbaratados. Esta foi a ocasião imediata, mas as palavras têm um significado perfeitamente genérico.
  54. A palavra que traduzimos pela expressão "a mais ínfima partícula" é naquir, o sulco do caroço da tâmara, coisa sem valor nenhum. A avareza e a inveja estão entre as piores espécies de egoísmo, e aparecem especialmente incôngruas nas pessoas de poderio, de autoridade, de influência, de quem era de se esperar generosidade em dar, e generosidade em desejar prosperidade ou a felicidade a outras pessoas.
  55. Tal como os reinados de Davi e Salomão, que tinham fama internacional.
  56. A inveja é como fogo interno que, por si só, é um inferno.
  57. O jardim contrasta com o Fogo; a sombra contrasta com o calor do fogo. O Mal cresce consoante aquilo de que é alimentado. Também a benevolência e a felicidade crescem consoante a sua prática.
  58. Úlul-amr = aqueles imbuídos de autoridade, ou de responsabilidade, ou da capacidade de decisão, ou de resolução de disputas. Toda a autoridade emana de Deus. Portanto, os profetas de Deus têm as suas autoridade derivadas da d’Ele. Como o Islam não faz divisões abruptas entre o sagrado e o profano, comumente espera que o governo seja imbuído de espírito justiceiro. O Islam espera que os muçulmanos respeitem e obedeçam à autoridade de tal governo. Caso contrário, não haverá ordem ou disciplina alguma. Onde, na atual conjuntura, existe uma abrupta divisão entre a lei e a mora, entre os assuntos seculares e religiosos, como é o caso da maior parte dos países hoje em dia, o Islam espera que a autoridade civil seja exercida com retidão e, em tal condição, ele prescreve obediência a essa autoridade.
  59. A referência imediata é feita aos hipócritas (Munafiquin) de Madina, mas as palavras são generalizadas, sendo que o mal da hipocrisia tem-nos desafiado em todas as épocas. Tais homens declaram estar sempre do lado do Direito, mas sorrateiramente andam de braços dados com o mal e com a injustiça, fazendo desta última o seu juiz, desde que os seus interesses pessoais estejam em jogo.
  60. O teste da verdadeira fé não consiste na nossa profissão verbal, mas sim em apresentarmos todas as nossas dúvidas e disputas perante aquele em quem professamos a fé. Indo mais além, quando uma decisão é apresentada, não somente devemos aceitá-la, mas ainda rebuscar os recônditos das nossas almas e retirar dali todos os empecilhos e resistências, propiciando uma jubilosa aceitação, resultante da convicção da nossa própria fé.
  61. Aqueles altamente apegados à fé, de bom grado sacrificam as suas vidas, os seus lares e tudo quanto consideram caro pela causa de Deus. Quanto àqueles cuja fé não é tão consistente, espera-se, pelo menos, que façam o que um leal membro de qualquer sociedade faz: que submetam as suas dúvidas e disputas ao cabeça da sociedade, a animadamente aceitam as suas decisões e a elas se submetam.
  62. Uma passagem do mais profundo significado espiritual. Mesmo o homem mais humilde, que aceita a fé e pratica o bem, torna-se logo um membro aceito pela majestosa e magnífica confraternidade espiritual. Esta constitui um companheirismo que vive eternamente ao sol da Graça de Deus. Constitui uma gloriosa hierarquia, da qual quatro gruas são especificados: (1) o mais alto é o dos Profetas ou Mensageiros, que recebem inspiração plenária de Deus e que ensinam a humanidade, através de exemplos e preceitos. Esse posto, no Islam, é ocupado por Mohammad; (2) aqueles cujos estandartes são a sinceridade e a verdade; eles amam e exemplificam a verdade com suas pessoas, seus meios, suas influências e com tudo de seu. Esse posto foi ocupado pelos companheiros especiais de Mohammad, cujo modelo encontrava-se em Abu Bakr Assiddik; (3) o nobre exército de Testemunhas, que testificam a verdade. O testemunho pode aparecer em forma de martírio ou pela língua do verdadeiro pregador, ou pela caneta do estudioso, ou pela vida do devotado ao serviço; (4) há uma vasta acumulação de pessoas virtuosas, gente comum, que trata dos seus negócios cotidianos, porém sempre de maneira virtuosa.
  63. Combate algum deverá ser empreendido sem as devidas preparações e precauções. Estas satisfeitas, deveremos marchar para frente, sem temor. Embora haja zêugma do verbo, "avançai" está repetido para dar ênfase. Contudo, devemos avançar com espírito coletivo, não com espírito egoístico, tanto em pequenos grupos como em massa, como o nosso Líder determinar.
  64. É bem o pensamento de um egoísta. Tais homens estão longe de constituírem a fonte de fortificação da sua comunidade. Não são úteis ao combate; o versículo seguinte implicitamente os delata.
  65. Mustadh’af – aquele reconhecidamente fraco e, por conseguinte, maltratado e oprimido. Comparar com o versículo 98 desta surata, e com o 150 da 7ª Surata.
  66. Mesmo do ponto de vista humano, a causa de Deus é a causa da justiça, a causa dos oprimidos. Por ocasião da grande perseguição, antes de Makka ser reconquistada, quanta desgraça, ameaça, tortura e opressão não foram suportadas por aqueles de fé inquebrantável! As vidas de Mohammad e de seus aderentes foram ameaçadas; eles era ridicularizados, assediados, insultados, surrados; aqueles ao alcance das mãos dos inimigos era postos a ferros e lançados ao cárcere; outros foram boicotados, proscritos do comércio e dos negócios, banidos das relações sociais; não podiam, nem mesmo comprar o alimento de que necessitava, nem cumprir os deveres religiosos. A perseguição foi redobrada quanto aos escravos, às mulheres e às crianças crédulas, depois da Hégira. Seus clamores por um protetor e auxiliador da parte de Deus foram respondidos quando Mohammad propiciou, novamente, a liberdade e a paz a Makka.
  67. Auliyaa, plural de wali, que quer dizer amigo, sustentador, protetor, patrão, da mesma raiz de mawla (ver versículo 33 desta surata e respectiva nota).
  68. Antes da ordem de combate ter sido dada, havia alguns impacientes cujos ímpetos mal podiam ser contidos. Queriam lutar por motivos execrandos, tais como pugnacidade, amor à pilhagem, ódio contra seus inimigos, ganho de objetos pessoais. Lutar por tais motivos constitui erro em todos os tempos. Quando chegou o tempo da provação, em que eles teriam de lutar, não para seu benefício mas por uma causa sagrada, em cuja luta haveria muito sofrimento e pouco ganho, os hipócritas negacearam e se amedrontaram.
  69. O Mensageiro foi enviado para pregar, guiar, instruir e mostrar o Caminho, não para tornar boas as pessoas, ou para conter tudo o que é mau. Isso não é dos desígnios de Deus, os quais testam a vontade humana. O dever do Mensageiro, por conseguinte, é dar a conhecer a mensagem de Deus, com todos os meios de persuasão que lhe forem disponíveis. Se os homens desobedecerem, perversamente, a essa mensagem, não estarão desobedecendo a ele, mas estarão desobedecendo a Deus. Do mesmo modo, aqueles que obedecerem à Mensagem estarão obedecendo a Deus. Não estarão obsequiando o Mensageiro; tão-somente estarão cumprindo com as suas obrigações.
  70. A coragem de Mohammad era tão notável quanto o eram seu critério, sua gentileza e sua confiança em Deus. Ao encarar circunstâncias temerosas, freqüentemente era deixado a sós, e assumia a inteira responsabilidade. Todavia, o seu exemplo e a sua palpável confiança em Deus inspiravam e incentivavam os muçulmanos, além de conter a fúria dos seus inimigos, ao considerarmos que ele era o inspirado Mensageiro de Deus, encarregado de desenvolver o Plano d’Ele, constatamos que nada pode resistir a tal Plano. Se acontece de o inimigo ter solidez, poder ou recursos, saibamos que a solidez, o poder e os recursos de Deus são infinitamente maiores.
  71. Nestes passageiros ensejos terrenos, a providência e a justiça de Deus nem sempre se apresentam evidentes aos nossos olhos. Porém, é-nos asseverado que acreditemos em que, se ajudarmos numa boa causa e a apoiarmos, compartilharemos de todo o seu crédito e de toda a sua vitória final. E, inversamente, não poderemos sustentar sua causa má, sem compartilhar de todas as conseqüências maléficas. Se as aparências se assemelharem contrárias a esta assertiva, não nos deixemos levar por elas, porque Deus é Onipotente.
  72. Quando a deserção, por parte dos hipócritas, em Uhud, quase resultou numa catástrofe para a causa dos muçulmanos, houve um grande ressentimento por parte destes em Madina, quanto àqueles. Uma parte desejava decapitá-los; a outra, deixá-los em paz. A política vigente, entretanto, procurava evitar ambos os extremos, especificados por este versículo. Era patente que eles constituíam um perigo para a comunidade muçulmana, caso fossem admitidos em seus conselhos, sendo que, de qualquer modo era considerados uma perene fonte de desmoralização. Todavia, conquanto toda precaução possível fosse tomada, medida extrema alguma foi aplicada contra eles. Pelo contrario, foi-lhes propiciada a oportunidade de se reabilitarem. Se fizessem um sacrifício pela causa ("abstendo-vos do que é proibido"- ver o versículo seguinte), sua conduta purgá-los-ia da covardia anterior, e a sua sinceridade faria com que fossem aceitos de volta. Porém, se tornassem a desertar da comunidade muçulmana, seriam tratados como inimigos e ficariam afeitos à penalidade adicional, relativa à deserção, que é hoje aplicada por todas as nações em guerra. Mesmo assim, uma exceção humanitária foi feita nos dois casos, especificados no versículo 90 desta Surata.
  73. Migrado: é a forma verbal de que hijrat é derivada. Al Bukhari interpreta isto adequadamente, como "fugir de tudo o que é proibido". Isto incluiria a migração (hijrat) no sentido técnico de abandonar um lugar em que a prática da religião não seja permitida. Contudo, tal expediente é mais generalizado. Em tempos de guerra, se um homem concorda em se submeter à disciplina e em se abster de infringir as ordens expedidas, terá provada a sua fidelidade e será tratado como um membro da comunidade em guerra. Caso contrário, se por falsas pretensões conseguir ingressar nos conselhos internos, meramente para traí-los, será devidamente tratado como traidor ou desertor, e será punido por sua traição e deserção; ou, se escapar, será tratado como inimigo, destituído de quaisquer concessões de misericórdia. Será considerado pior que um inimigo, porquanto reivindicava ser um de vós para vos espionar e ajudar o inimigo.
  74. A vida é absolutamente sagrada na Irmandade Muçulmana. Todavia, enganos, às vezes, acontecem, como aconteceu em Uhud, em que vários muçulmanos foram mortos (confundidos que foram com os inimigos) por muçulmanos. Não houve intenção criminosa, portanto não houve crime. Mas, em todo o caso, a família do morto ficava afeita a ressarcimento, a menos que se remitisse disso espontaneamente; em compensação, exigia-se que o desafortunado que cometera o engano manumitisse um escravo crédulo. Assim, um engano deplorável constituía-se numa oportunidade para que um escravo crédulo ganhasse a liberdade, uma vez que o Islam desaprovava a escravidão. O ressarcimento deveria ser feito somente se o morto pertencesse à sociedade muçulmana ou a algum povo que estivesse em paz com essa sociedade. Obviamente, nada seria pago se o morto, embora crédulo, pertencesse a um povo que estivesse em guerra com a sociedade muçulmana; mesmo que se pudesse ter acesso ao seu povo, não seria justo aumentar os recursos do inimigo. Se o morto fosse um inimigo em litígio, automaticamente as leis de guerra justificariam a sua morte como contingências guerreiras, a menos que se tivesse rendido antes. Se o homem que ceifou uma vida involuntariamente não possuísse meios de manumitir um escravo crédulo ou proceder ao ressarcimento deveria, então, por meio de um ato de rigorosa abnegação (jejuando por dois meses consecutivos), demonstrar a conscientização da gravidade do ato que praticara, além do sincero arrependimento. Achamos que isto se aplique a todos os três casos mencionados.
  75. Relata-se que Al-Háress Ibn Zaid, da tribo dos Bani Amer, de Makka, quando idólatras, torturou Ai-ach Ibn Rabib, um muçulmano. Depois da Hégira, Al Háress tornou-se muçulmano e viajou para Madina, encontrando-se, então, com Ai-ach; este, sem ter consciência da adesão daquele, matou-o. arrependido, foi à presença do Profeta e contou-lhe o ocorrido, ao que o Profeta disse: "Vá, ó Ai-ach, e liberta um escravo muçulmano."
  76. A ocorrência imediata que ocasionou esta passagem foi a da questão da emigração (hijrat) dos locais em que o Islam estava sendo perseguido e subjugado. Obviamente, o dever dos muçulmanos era deixar tais lugares, mesmo que isso significasse abrir mão de seus lares e juntar-se à comunidade muçulmana, fortalecendo-a, para que nela pudessem viver em paz e lutar contra o mal que os rodeava. Porém, o significado é mais amplo. O Islam não diz: "Não ofereçais resistência ao mal!" Pelo contrário, ele impõe uma porfia constante e incessante contra o mal. Para tanto, é necessário que nos esqueçamos dos nossos lares, que nos juntemos à nossa irmandade, tomando de sobressalto e expugnando a fortaleza do mal. Porque o dever do muçulmano não consiste, somente, em praticar o bem, mas em coibir o mal. Para efetuarmos o nosso assalto, deveremos conquistar uma posição da qual tal assalto seja possível; e saibamos que a terra de Deus é suficientemente espaçosa para tal propósito. "Posição" não significa apenas situação geográfica, mas também posição moral e material. Por exemplo, devemos evitar companhias maléficas se não pudermos desbaratar o mal, e diligenciar no sentido de galgar uma posição em que sejamos capazes de empreender tal proeza.
  77. Se devido a incapacidade física, mental ou moral estivermos impossibilitados de encetar um bom combate, deveremos contentar-nos em nos opormos ao mal ou nos livrarmos dele. A graciosa Misericórdia de Deus reconhecerá e perdoará a nossa fraqueza, desde que seja real e não meramente uma desculpa.
  78. O versículo 101 concede permissão para abreviarem a oração conjunta, quando as pessoas se encontrarem em viagens; os versículos 102-104 tratam de casos em que há perigo de guerra, diretamente com o inimigo. A abreviação da oração conjunta, em ambos os casos, é conduzida, regulamentada minuciosamente, pela prática do Mensageiro e de seus companheiros. Quanto às viagens, duas perguntas são suscitadas: no que consiste uma viagem com esse propósito?; seria o temor de um ataque motivo suficiente para que se abreviassem as orações conjuntas? Quanto à primeira, é preferível deixar o assunto a critério da pessoal, apenas tecendo considerações a todas as circunstâncias da viagem, como no caso da que exclui o jejum (versículo 184 da 2ª Surata e respectiva nota). O texto deixa-a a critério da pessoa. Quanto à segunda, a prática do Mensageiro mostra que o perigo não é uma condição necessária; é meramente mencionado com um possível incidente, O Mensageiro freqüentemente abreviava as orações, de quatro para duas rac’at, na Oração do Meio-dia, na Oração da Tarde, e na Oração da Noite; as outras duas, de qualquer modo, são curtas: a Oração, da Alvorada, com duas rac’at, e a Oração do Crepúsculo, com três.
  79. A oração em congregação, em perigo face ao inimigo, vale-se do princípio de que o conciliábulo deve ser dividido em dois grupos; um grupo ora, enquanto o outro vigia o inimigo; então, o outro grupo pratica a oração, enquanto o primeiro recua para enfrentar o inimigo; cada grupo procede de uma ou duas rac’at, ou cerca da metade da oração conjunta; todas as precauções são tomadas no sentido de se evitar uma arremetida do inimigo; mesmo enquanto em oração, armaduras e armas não são necessariamente postas de lado, exceto se for provável uma precipitação de chuva, que causará inconveniência ao portador da armadura e dano às armas, ou quando qualquer indisposição ou fadiga abalar as energias do portador.
  80. São possíveis duas interpretações: (1) "quando tiverdes concluído a oração conjunta"; (2) "quando (devido ao perigo extremo) tiverdes de omitir completamente as orações conjuntas, mesmo as curtas, indicadas para o tempo de perigo." Preferimos a última, porquanto está mais de acordo com a sentença seguinte, que nos exorta a nos lembrarmos de Deus individualmente, em qualquer postura possível, durante o perigo. Porém, passado o perigo, as orações completas deverão ser praticadas nos tempos prescritos.
  81. Os exegetas explicam esta passagem com referência ao caso de Taima Ibn Ubairac, nominalmente muçulmano, mas na realidade um hipócrita, afeito de toda sorte de iniqüidades. Este era suspeito de haver roubado um conjunto de armadura e, quando as provas contra ele se tornaram deveras evidentes, escondeu a propriedade roubada na casa de um judeu, onde ela foi encontrada. O judeu negou o gravame e acusou Taima, mas as simpatias da comunidade muçulmana estavam do lado de Taima, por causa da sua nominal profissão do Islam. O caso foi levado ao conhecimento do Mensageiro, que inocentou o judeu, de acordo com o rigoroso princípio da justiça, como "dirigido por Deus."
  82. Caçaba: cometer, lucrar, obter, conseguir, trabalhar por algo valioso, estabelecer provisões para a Vida Futura. Nós procedemos à nossa labuta diária para obtermos o nosso sustento; de modo que, num sentido espiritual, seja qual for o bem ou o mal que pratiquemos ou façamos nesta vida, este propicia-nos o bem ou o mal na Vida Futura. Nos versículos 110-112 desta Surata, três casos são considerados: se procedermos e não nos arrependermos, crentes que poderemos dissimular, estaremos enganados, pois que nada se esconde de Deus, e sofreremos todas as conseqüências na Vida Futura, porquanto não poderemos furtar-nos à nossa responsabilidade; se procedermos erroneamente, em grande ou pequena escala, e imputarmos a causa a terceiros, a nossa responsabilidade primeira ainda permanecerá, só que adicionaremos a ela algo mais, uma vez que circundaremos o nosso pescoço com o agravo da falsidade, o qual converterá, mesmo as nossas pequenas faltas, em grandes pecados e, de qualquer maneira, estigmatizar-nos-á nesta vida com o opróbrio e a ignomínia.
  83. A unicidade, o poder e a benevolência de Deus estão tão patentes na natureza e na mente humanas, desde que esta esteja de acordo com o espírito universal, que tão-somente a mais abjeta perversão poderia ser responsável pelo pecado da traição espiritual. Tal pecado advém de certas idéias pervertidas do sexo e do ego. A perversão do sexo consiste em se supor que este governe os assuntos espirituais. Disso advêm tão horríveis criações da imaginação como a de Kali, a sanguinolenta deusa da Índia, ou Hécate, a deusa da vingança e do ódio, na mitologia grega. Mesmo possuindo garbosas formas de aliciação, como no caso de Saraswati (a deusa do aprendizado) ou de Minerva (a deusa virgem da guerra e cultura), sem falar em Vênus (a deusa do amor), a ênfase dispensada ao sexo destrói a verdadeira contemplação da natureza espiritual. As idéias pervertidas do ego estão estereotipadas na história de Satanás, que era tão arrogante, a ponto de desobedecer a Deus, sendo amaldiçoado por Ele. Ambas estas perversões, se lhes dermos guarida, arruinarão completamente a nossa natureza espiritual, além de desfigurar o artesanato de Deus. Portanto, isso não constitui meramente um pecado extremo, mas um pecado que nos corrompe completamente.
  84. O cerceamento das ovelhas das reses é uma outra faceta das superstições de que os homens se tornavam escravos, ao especularem falsos deuses. A astrologia, a magia e as crenças dos homens em entidades que não existem, distanciam-nos do Verdadeiro e Único Deus.
  85. A responsabilidade pessoal é repetidas vezes repisadas na temática do Islam. Nela estão implícitas a fé e a conduta reta. A fé não é uma circunstância extrema; ela principia com um ato de vontade que, se verdadeiro e sincero, afeta todo o ser e o leva à virtude. Nisto ela se distingue da espécie de fé que promete salvação, porque um terceiro, em quem nos é pedido que acreditemos, tomou para si todos os pecados dos homens, ou a espécie de fé que prescreve que, porque nascemos de uma certa raça, ou de uma certa casta, somos privilegiados, e a nossa conduta há de ser julgada por padrões diferentes daqueles dos outros homens. Sejamos quem quer que sejamos, ou o que quer que sejamos, se praticarmos o mal, deveremos sofrer as conseqüências, a não ser que a Misericórdia de Deus nos venha em socorro.
  86. Naquir: o sulco do caroço de uma tâmara, um objeto sem valor algum. Comparar com o versículo 53 desta surata, e respectiva nota.
  87. Abraão é destacado, na teologia muçulmana, com o título de "O amigo de Deus". Isto, certamente, não significa que ele fosse algo mais do que um mortal. Todavia, a sua fé era pura e verdadeira, e a sua conduta era firme e reta, em todas as circunstâncias. Ele foi a origem dos três cursos do pensamento religioso, que mais tarde foram cristalizados pelas instituições de Moisés, Jesus e Mohammad.
  88. Uma e outra vez está estampada, na comunidade islâmica, a justeza no trato com as mulheres, os órfãos, as crianças e com todos cuja fraqueza requeira consideração especial. A lei acerca das viúvas, dos órfãos, da herança, do dote e do casamento já foi especificada nos versículos 2-35 desta, com instrução mais consistentes do que as que serão aqui fornecidas acerca da referências igualmente mais importantes. As palavras traduzidas por "mulheres órfãs" designam, cremos, as filhas das viúvas, que eram muitas depois da batalha de Uhud, e que era dever da comunidade muçulmana prover. Mas alguns exegetas tomam-nas como significado somente "mulheres órfãs".
  89. Tanto as viúvas como as órfãs têm de ser auxiliadas, porque são comumente fracas, maltratadas e oprimidas. Nas comunidades que fundamentam os seus direitos civis na força bruta, os mais fracos são marginalizados, e a opinião pública nada mais espera. Mesmo em democracias modernas, das mais são espécies, é-nos sugerido que é destino da minoria sofrer; a força da superioridade numérica tornar-se o passaporte para o poderio e o privilégio. O Islam, não obstante preservar os profundos pontos de vista masculinos em geral, prescreve os mais solícitos cuidados para com os fracos e oprimidos de toda a maneira – em direitos de propriedade, em direitos sociais e no direito às oportunidades de desenvolvimento. A força ou a fraqueza material, ou com a superioridade numérica.
  90. Para protegerem os interesses econômicos da mulher, várias normas são prescritas quanto ao dote no matrimônio. Porém, a sacraticidade do casamento é, por si só, maior do que qualquer interesse econômico. O divórcio é, de todas as práticas permitidas, a maios odiosa junto a Deus. Portanto, se uma ruptura entre marido e mulher puder ser evitada por alguma consideração econômica, será melhor fazer-se tal concessão, do que pôr em perigo o futuro da esposa, dos filhos e, provavelmente, também do marido.
  91. Legalmente, mais de uma esposa (até quatro) é permitido, com a condição de que o homem seja perfeitamente justo para com todas. Todavia, esta é uma condição quase impossível de preencher. Se, na esperança de que venha a poder preenchê-la, o homem se colocar nessa impossível condição, será direito insistir em que ele não deve descartar-se de uma delas, mas que, ao menos, preencha os deveres materiais que lhe cabem com respeito a ela.
  92. A existência de Deus é existência absoluta. Ela independe de qualquer outra pessoal ou de qualquer outro arbítrio. E é digna de todo o louvor, pois é "toda-benevolência" e compreende toda a excelência possível. É necessário salientar este ponto, a fim de se mostrar que a lei moral, para o homem, não é uma simples questão de ordens transcendentais, mas repousa, realmente, nas exigências essenciais da própria humanidade. Os mais elevados padrões éticos são injungidos pelo Islam, não como imperativos dogmáticos, mas porque, como pode ser demonstrado, seguem as exigências da natureza humana, bem como o resultado de suas experiências.
  93. Algumas pessoas inclinadas a favorecer os ricos, talvez porque esperem algo deles em troca. Algumas pessoas são inclinadas a favorecer os pobres, talvez porque estes estejam, geralmente, desesperançosos. Todavia, a parcialidade, em ambos os casos, é errônea. Sede justos, sem temores ou favores! Tanto o rico como o pobre estão sob a proteção de Deus, tanto quanto seus legítimos interesses estejam em jogo; ambos não devem esperar ser favorecidos às expensas dos outros. E Ele pode proteger-lhes os interesses, bem melhor do que qualquer homem.
  94. Eis aqui um aviso inteligível contra aqueles que fazem da sua religião um mero assunto de conveniência terrena. A verdadeira religião é muitíssimo mais profunda. Ela transforma a natureza intrínseca do homem. Depois dessa transformação, será tão impossível, para ele, mudar, como o é, para a luz, transformar-se em tenebrosidade.
  95. Se o motivo é auferirmos alguma vantagem, alguma honra, saibamos que a fonte de todo o bem é Deus. Como poderá isso ser realmente esperado por aqueles que negam a fé? Mesmo que haja alguma demonstração de honra terrena, que dignidade teria, face ao desprezo que angariará no mundo espiritual?
  96. Os métodos e os motivos da hipocrisia são completamente desmascarados, aqui. Ela não tem escrúpulos, outrossim espreita uma oportunidade de transformar qualquer evento, ao sabor das suas próprias vantagens. Se uma batalha é travada entre dois princípios inconsistentes, ela não acredita em nenhum dos dois, mas espreita, esperando pelo resultado. Existe uma incessante luta entre o bem e o mal neste mundo. Se o bem se matizar como vencedor, os hipócritas cerrarão fileiras ao seu lado com palavras suntuosas, tomando a si grande parte do crédito. Talvez o fiel da balança se incline para o outro lado, mais tarde; então, eles terão de fazer as pazes com o mal. "Oh!", dirão eles airosamente, "estávamos nas fileiras dos vossos inimigos antes, mas com o intuito de vos proteger, uma vez que eles eram muito mais fortes do que vós!" Isto talvez possa satisfazer as exigências deste mundo, mas o dia da sua prestação de contas virá finalmente. Porque o bem deverá, em última análise, triunfar.
  97. Se escolhermos o mal deliberadamente, duplicando, assim, a nossa culpabilidade pela fraude e pela trapaça, não estaremos enganando Deus, mas a nós próprios. Estaremos divorciando-nos da graça de Deus e nos infiltrando por caminhos tortuosos, distanciando-nos, cada vez mais, da Senda. Nessas condições, quem poderá guiar-nos ou nos mostrar o Caminho? Nossos instintos verdadeiros e retos tornar-se-ão obtusos; a nossa fraude tornar-nos-á instáveis, as vantagens que tivermos usufruído estarão perdidas, e ficaremos com a mente verdadeiramente conturbada.
  98. Mesmo os hipócritas poderão obter perdão, sob quatro condições: (1) sincero arrependimento, o que lhes purificará a mente; (2) emenda em suas condutas, o que lhes purificará a vida externa; (3) constância e devoção à crença em Deus, o que lhes fortalecerá a fé e os protegerá contra o assédio do mal; (4) sinceridade em sua religião ou em seu ser interior, o que lhes propiciará serem membros integrantes do benevolente companheirismo da Fé.
  99. Comparar com o versículo 55 da 2ª Surata, quanto ao trovão e ao relâmpago, que fulminaram aqueles que eram tão presunçosos, a ponto de quererem ver Deus frente a frente, e com o versículo 51, da mesma Surata, quanto à adoração do bezerro de ouro. A lição a tirar consiste em que é presunção, da parte do homem, querer julgar os arcanos espirituais em termos de coisas materiais, ou querer ver Deus com seus olhos materiais, sabendo-se que Deus está acima de qualquer forma material, e independe de tempo e espaço.
  100. Ver a 2ª Surata, versículo 65 e a 4ª Surata, versículo 47.
  101. Neste versículo, há uma recapitulação de três incidentes da teimosia dos judeus, já mencionados na 2ª Surata: o pacto ao pé do Monte (2ª Surata, versículo 63); a sua arrogância, onde lhe foi ordenado entrarem, humildes, numa cidade (2ª Surata, versículo 58); e a sua profanação do sábado (2ª Surata, versículo 65).
  102. A falsa acusação imputada a Maria era de que não era casta. Comparar com o versículo 27 da 19ª Surata. Tal acusação já é bastante grave, se imputada a qualquer mulher; mas, em se tratando de Maria, a mãe de Jesus, significava expor ao ridículo o próprio poder de Deus. O Islam é particularmente incisivo em salvaguardar a reputação da mulher. Os difamadores de mulheres têm de providenciar a apresentação de quatro testemunhas que corroborem as suas acusações; e, se fracassarem na apresentação, serão açoitados com oitenta açoites, além de não mais serem aceitos como testemunhas regulares (ver versículo 4 da 24ª Surata).
  103. O final da vida de Jesus na terra está tão envolto em mistério quanto a sua natividade e, ainda, como de fato, está também o período da maior parte da sua vida particular, com exceção dos três principais anos do seu sacerdócio. Não será em nada proveitoso discutirmos sobre as muitas dúvidas e conjecturas existentes entre as primitivas seitas cristãs e entre os teólogos muçulmanos. As igrejas cristãs ortodoxas têm como ponto cardeal da sua doutrina que a vida de Jesus chegou ao seu termo na cruz, que ele morreu e foi sepultado, que no terceiro dia ressuscitou corporeamente, com seus ferimentos curados, caminhou e conversou, e comeu com seus discípulos, e que depois foi levado fisicamente para o céu. Esta explicação é necessária para a doutrina teológica do sacrifício e da expiação vicária dos pecados, mas é rejeitada pelo Islam. Contudo, algumas das primeiríssimas seitas cristãs não acreditavam que Cristo tivesse sido morto na cruz. Os basilídios acreditavam que um outro indivíduo lhe serviu de substituto. O Evangelho de Barnabé sustenta a teoria da substituição na cruz. O ensinamento alcorânico diz que Cristo não foi crucificado nem morto pelos judeus, não obstante existissem certas circunstâncias aparentes que produziram a ilusão nas mentes de alguns dos seus inimigos; que as disposições, as dúvidas e conjecturas sobre tais assuntos são vãs; e que ele foi elevado até Deus (ver próximo versículo e respectiva nota).
  104. Há diferenças de opinião quanto à exata interpretação deste versículo. As palavras são: Os judeus não mataram Jesus, pois que Deus fê-lo ascender (rafa’a) até Ele. Uma corrente de opinião sustenta que Jesus não teve uma morte humana comum, outrossim ainda vive, fisicamente, no céu; outra, sustenta que ele deveras morreu (versículo 120 da 5ª Surata), mas não como se supôs: que tivesse sido crucificado, e que a sua "ascensão" até Deus significa que, ao invés de ter sido tido na conta de malfeitor, como os judeus pretendiam que fosse, foi tido em conta honrosa, por Deus, como Seu Mensageiro; ver o próximo versículo.
  105. Primeiramente, temos uma afirmação generalizada: que a inspiração foi enviada a muitos Mensageiros e que essa inspiração era da mesma espécie da que foi enviada ao Mensageiro Mohammad, porquanto a mensagem de Deus é uma só. Nota-se que aquilo de que se fala, aqui, é inspiração, não necessariamente de um Livro. Toda a nação, ou todo grupo de pessoas, teve um mensageiro (10ª Surata, versículo 47). Alguns destes mensageiros são mencionados pelo nome, no Alcorão, e outros não (4ª Surata, versículo 164).
  106. Deus falou a Moisés no Monte Sinai, por meio de uma nuvem (Êxodo, 34.5). Daqui, o título de Moisés na teologia muçulmana: Kalim-Ullah (aquele a quem Deus falou).
  107. Todos os Mensageiros proclamam a benevolência de Deus para com os justos, o Seu perdão para aqueles que se arrependem (boas-novas), bem como a ira vindoura para aqueles que rejeitam a fé e vivem na iniqüidade (admoestação). As suas missões de admoestação constituem um prelúdio e um complemento à missão de boas-novas. Ninguém (homem ou mulher) poderá dizer que não sabia.
  108. Os atributos de Cristo são mencionados: que ele era filho de uma mulher e, portanto, era um homem; porém era um mensageiro, um homem com uma missão de Deus, e, portanto, considerado com honra; o resultado de um verbo, outorgado a Maria, pois ele foi criado pela palavra de Deus "Sê" (Kun); e foi (3ª Surata, versículo 59) um espírito procedente de Deus, mas não Deus. Sua vida e missão foram mais limitadas do que no caso de outros mensageiros, embora devamos dispensar-lhe iguais honrarias, como um dileto de Deus que foi. As doutrinas da Trindade (iguais com Deus) e da unigenicidade (filho único de Deus) são repudiadas como blasfêmias. Deus independe de toda a necessidade, e não necessita de filhos para gerir os Seus assuntos. O Evangelho de João (seja quem for que o tenha escrito) colocou uma grande qualidade de misticismo alexandrino e gnóstico em torno da doutrina do Verbo (Logos, em grego), mas ela é explicada simplesmente aqui.
  109. Cristo freqüentemente vigiava e orava, como um humilde servo de Deus que era; e a sua agonia, no Jardim Getsêmani, foi plena de dignidade humana e de humildade (Mateus 26:36-45).
  110. A Prova e a Luz são o Alcorão e a personalidade, a vida e os ensinamentos do Profeta Mohammad.
  111. Sua graça = Sua Presença. Ver na 3ª Surata, versículo 195. A mercê e a graça são mencionadas aqui como provindo especialmente d’Ele.
  112. Este versículo suplementa a regra da herança quanto às condições da pessoa falecida que não tenha deixado descendentes nem ascendentes. No versículo 12 desta surata, levou-se em consideração o caso da pessoa que não tenha deixado irmãs ou irmãos uterinos. Aqui, leva-se em conta o caso de a pessoa ter deixado irmãos ou irmãs por parte de pai, fosse a mãe a mesma ou não. "Irmãos" e "irmãs", neste versículo, devem ser tomados como sendo aqueles tais irmãos e irmãs.
 

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