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O islam
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  1. Esta disposição tem sido justamente admirada por sua concisão e compreensibilidade. Obrigações: ucud; a palavra árabe implica em tantas coisas, que um capítulo inteiro de comentários poderia ser escrito sobre ela. Primeiramente, há as obrigações divinas, que advêm da nossa natureza espiritual e da nossa relação com Deus. Na nossa própria vida humana e material, nós nos incumbimos de obrigações mútuas, expressas ou implícitas. Temos obrigações comerciais ou sociais; obrigações matrimoniais, obrigações para com o nosso Estado; obrigações tácitas: vivendo numa sociedade civil, devemos respeitas as suas convenções tácitas, a menos que elas sejam moralmente erradas, sendo que, nesse caso, devemos retirar-nos de tal sociedade. Há obrigações tácitas nas relações hospedeiro/hóspede, viajante/acompanhante, empregador/empregado, etc., das quais todo homem de fé deve desincumbir-se conscientemente. O homem que abandona aqueles que dele necessitam, e se retira para o deserto para orar, é um covarde que negligencia as suas obrigações. Todas essas obrigações estão relacionadas entre elas.
  2. Comparar com o versículo 158 da 2ª Surata, onde Assafa e Almarwa são denominados "Símbolos (Cha’aer) de Deus". Aqui os símbolos são tudo o que se relacione com a Peregrinação, a saber: (1) os locais (como Assafa e Almarwa, ou a Caaba e Arafat etc.) (2) os rituais e as cerimônias prescritas; (3) as proibições (tal como a de caçar etc.); (4) as estações e os períodos prescritos. Há simbolismo, tanto espiritual como moral, em todos esses expedientes.
  3. Trata-se do mês da peregrinação ou, por outra, coletivamente, os quatro meses sagrados (9ª Surata, versículo 36), a saber, Rajab (7ª), Dul-qui’da (11ª), Dul-hijja (12ª, o mês da peregrinação) e Muharram (1ª mês do ano). Em todos esses meses a guerra era proibida. Com exceção de Rajab, os outros três meses são consecutivos.
  4. A imunidade quanto ao ataque ou a interferência estendia-se aos animais trazidos como oferendas para o sacrifício, e aos que portavam guirlandas ou filetes ou marcas distinguíveis que lhes dessem imunidade.
  5. Este estado é oposto ao descrito no versículo 1, ou seja, quando houverdes deixado os Recintos Sagrados ou houverdes retirado as vestimentas especiais de peregrinos, coisa que evidenciará a vossa volta à vida comum.
  6. No sexto ano da Hégira, os idólatras, levados pelo ódio aos muçulmanos, e pela perseguição a eles, proibiram-lhes o acesso à Mesquita Sagrada. Quando os muçulmanos se restabeleceram em Makka, alguns deles, querendo desforrar-se, procuravam excluir os idólatras ou, de algum modo, interferir na sua participação na Peregrinação. Isto é condenado. Passando do evento imediato ao princípio geral, saibamos que não devemos tirar proveito, ou desforra, ou retribuir o mal com o mal. O ódio, por parte dos iníquos, não justifica a hostilidade da nossa parte. Devemos auxiliar-nos mutuamente na retidão e na piedade, e não fazermos com que se perpetuem rixas, ódios e inimizades.
  7. A proibição do consumo da carne de animais mortos por doença, do sangue, da carne de suíno e da carne de animais, em cujo abate tenho sido invocado outro nome que não o de Deus, está explicada na nota do versículo 173 da 2ª Surata.
  8. Se o animal morre estrangulado, ou vítima de um golpe violento, ou de uma queda de ponta-cabeça, ou se recebe chifradas (em luta) de outro animal até morrer, ou se é atacado por outro animal selvagem, a pressuposição que se tem é que se transforma em carniça, uma vez que o sangue vital se coagula antes de ser retirado do corpo. Contudo, a pressuposição pode ser refutada. Se o sangue vital ainda fluir e o modo solene de abate (dabh), em nome de Deus, como sacrifício, for observado, então essa carne será lícita para ser consumida.
  9. Este era, também, um rito idólatra, diferente daquele em que um sacrifício era dirigido a um ídolo em particular , ou a um falso deus.
  10. Os jogos de todas as espécies são proibidos (2ª Surata, versículo 219). Uma espécie de loteria ou roleta, praticada pelos árabes idólatras, foi descrita na nota do versículo 219 da 2ª Surata. A divisão da carne, feita dessa maneira, é aqui proibida, porquanto constitui uma forma de jogo.
  11. O último versículo cronologicamente revelado, marcando a aproximação do fim da missão de Mohammad na terra.
  12. O versículo anterior foi revelado na forma negativa; ele definiu aquilo que não era lícito comer, a saber, coisas grosseiras ou repugnantes, ou dedicadas a superstições. Este versículo está na forma positiva; ele define o que é lícito, ou seja, tudo o que é bom e puro para o consumo.
  13. A caça será legal nas seguintes condições: (1) que os animais estejam treinados para matar, não meramente para satisfazerem os seus próprios apetites ou por mero capricho, mas sim para a alimentação dos seus donos; o treinamento implica em que algo da solenidade que Deus nos ensinou a este respeito, se encontre na ação deles; (2) que invoquemos o nome de Deus sobre a presa; isto é interpretado como querendo dizer que o Takbir deverá ser proferido quando o gavião, ou o cão etc., for enviado sobre a presa.
  14. A questão é, geralmente, de comida, a qual tem de ser comumente "boa e pura"; quanto à carne, ela deve proceder de um animal morto com alguma espécie de solenidade, semelhante àquela do Takbir, e as regras do Islam, a este respeito, são análogas àquelas dos adeptos do Livro. Não há objeção ao reconhecimento mútuo (a este respeito), em oposição à carne procedente de animais mortos pelos pagãos, com ritos supersticiosos.
  15. O Islam não é exclusivista. As relações sociais, incluindo o casamento com os adeptos do Livro, são permitidas. Um muçulmano poderá desposar uma mulher das fileiras dele, nos mesmos termos que desposaria uma muçulmana, ou seja, deverá garantir-lhe um status econômico e moral, nunca se deixando levar meramente por razões de lascívia ou desejo físico. Uma muçulmana, no entanto, não poderá casar-se com um não-muçulmano, porquanto o seu status muçulmano seria afetado – a esposa, via de regra, é sempre absorvida pela nacionalidade e pelo status que lhe impõe a lei do seu marido. Uma não-muçulmana, ao casar-se com um muçulmano, deverá, finalmente, aceitar o Islam. Qualquer homem ou mulher, de qualquer raça ou credo, ao aceitar o Islam, poderá, espontaneamente, casar-se com qualquer muçulmana ou muçulmano, contanto que seja por motivos de pureza e castidade, e não por razões de cupidez.
  16. Como sempre, a comida, o asseio, as relações sociais, o casamento e outras injunções da vida, estão ligados ao nosso dever para com Deus, e à nossa fé n’Ele. Tal dever e fé são para o nosso próprio benefício, aqui e na Vida Futura.
  17. Estas são condições essenciais para a realização do Wudhu, ou as abluções preparatórias para se praticar as orações, a saber: lavar todo o roso com água; as mãos, e os braços, até à altura dos cotovelos; fazer uma pequena fricção da cabeça com água (porquanto a cabeça é usualmente protegida e, portanto, comparativamente limpa); banhar os pés, e as pernas até à altura dos tornozelos. Em adição, seguindo a prática do Mensageiro, é comum lavar-se primeiramente a boca, a garganta e as narinas, antes de lavar o rosto etc..
  18. Comparar com o versículo 43 da 4ª Surata, e respectiva nota. A impureza cerimonial advém da contaminação sexual.
  19. Não consiste o Tayammum, ou o ato da higiene simbólica com areia ou terra limpas, quando a água não estiver disponível. Achamos que essa substituição é permitida tanto para o Wudhu, como para o banho completo nas circunstâncias mencionadas.
  20. Há um significado particular e um geral. O significado particular refere-se à Promessa e ao Pacto solenes, feitos por dois grupos de pessoas em Acaba, um vale próximo a Mina; a primeira, cerca de quatorze meses antes da Hégira, e o segundo, um pouco mais tarde. Eram promessas e pactos de lealdade ao Mensageiro de Deus. O significado geral foi explicado na nota do versículo 1, desta surata: o homem encontra-se sob uma obrigação espiritual, sob um pacto implícito com Deus; Ele concedeu ao homem a razão, o discernimento, as elevadas faculdades da alma, e ainda a posição de Seu legatário da terra (2ª Surata, versículo 30); e o homem está obrigado a servi-Lo fielmente e a obedecer a Sua Vontade.
  21. Fazer justiça e agir com retidão em uma atmosfera cordial ou neutra já, por si só, encerra os seus mistérios; porém, o verdadeiro teste ocorre quando tendes de fazer justiça em relação um povo que vos odeia ou pelo qual vós nutris aversão. E nada menos do que isso é requerido de vós pela elevada lei da moral.
  22. Durante a vida do Mensageiro aconteceu, repetidas vezes, de os inimigos do Islam levantarem as suas mãos contra ele, contra o povo dele e contra os seus ensinamentos. As circunstâncias estavam, de um ponto de vista terreno, a favor deles, mas as suas mãos mostravam-se inertes e débeis, porque estavam lutando contra a verdade de Deus. Assim, isso acontece sempre, agora como estão.
  23. Isto aconteceu no sopé da sobranceira altura do Monte Sinai. Os chefes, os líderes, ou anciãos do povo, foram escolhidos de cada uma das doze tribos (ver o versículo 60 da 2ª Surata, e respectiva nota) para fins censuários; em Números, 1:4-16, são denominados "aqueles que são os príncipes das suas tribos e das suas casas". Mais adiante, doze outros "chefes do exército de Israel" foram escolhidos para perquirirem sobre as terras de Canaã; os seus nomes são mencionados em Números, 13:1-6.
  24. A promessa dos cristãos deve ser entendida como o encargo que Jesus impôs aos seus discípulos – e que estes aceitaram - , ou seja, o de acolherem o Ahmad (m dos nomes do Profeta – 61ª Surata, versículo 6). São aqueles que se intitulam "cristãos" os que rejeitam isto. Os verdadeiros cristãos aceitaram-no. A inimizade entre aqueles que se intitulam cristãos, e os judeus, continuará até ao último dia!
  25. Mubin: desejaríamos ter podido traduzi-la com uma palavra simples do que "lúcido". Porém, deverá significar tão-somente sucinto, que é o oposto de prolixo, sendo o Alcorão, contudo, o mais eloqüente entre os mais eloqüentes livros que a humanidade já teve a oportunidade de ler. "Claro" estaria também certo, porquanto significaria "não-ambíguo, evidente, não envolto em mistérios de origem, história, ou significado, aquele cuja essência as pessoas todas poderiam compreender, sem a intervenção de sacerdotes ou de gente privilegiada". Mubin possui todos esses significados.
  26. Os mais reverenciados mensageiros de Deus nada são além de homens. Todo o poder pertence a deus, e não a qualquer homem. A criação de Deus talvez adote muitas formas, mas se alguma é diferente do que costumamos ver diariamente, nem por isso deixa de ser criação, ou e estar sujeita ao poder do Senhor. Criatura alguma poderá ser Deus.
  27. Os filhos de Deus: comparar com Jó, 38:7: "Quando as estrelas da alva juntas cantavam alegremente e todos os filhos de Deus se rejubilavam." Comparar, também, com Gênesis, 6:2: "Os filhos de Deus viram as filhas do homens." Predileto: comparar com Salmos, 127:2: "Ele deu as suas preferidas ovelhas." Se usadas em linguagem figurada, estas e outras palavras semelhantes referem-se ao amor de Deus. Infelizmente, o termo "filho" empregado no sentido físico, ou "amantíssimo", num sentido exclusivista, como se Deus amasse somente os judeus, constitui um escárnio à religião.
  28. Este refrão, no versículo anterior, neutraliza a idéia de filiação, e neste versículo neutraliza a idéia exclusiva de "amantíssimo". Em ambos os casos conclui-se que Deus independe de relações físicas e de particularidades exclusivistas.
  29. Os 600 anos (em cifras redondas) que separaram Cristo de Mohammad constituíram, realmente, a idade das trevas no mundo. A religião foi corrompida; os padrões morais caíram excessivamente; muitos falsos esquemas e heresias tomaram vulto; e houve a interrupção na sucessão de mensageiros, até ao advento de Mohammad.
  30. Houve uma longa linhagem de patriarcas antes de Moisés: Abraão, Isaac, Ismael, Jacó etc.
  31. Comparar com Êxodo, 19:5: "Se vós logo ouvirdes a minha voz e observardes o pacto que fiz convosco, eu vos tomarei por meu povo particular, com preferência sobre todos os outros povos." Israel foi escolhido para ser o porta-voz da mensagem de Deus, a mais alta honra que qualquer nação pode adquirir.
  32. Chegamos, agora, aos eventos detalhados que aparecem no 13º e 14º capítulo do Livro dos Números, no Antigo Testamento. É preciso que se leia estes capítulos como um comentário, que se examine um mapa da Península do Sinai que mostre as suas ligações com o Egito, pelo oeste; com o noroeste da Arábia, pelo leste; com a Palestina, pelo nordeste. Talvez suponhamos que os israelitas tivessem cruzado, em sua caminhada do Egito para a Península, algum lugar próximo à extremidade setentrional do Golfo de Suez. Moisés organizou e contou as pessoas, e instituiu o sacerdócio. Depois, caminharam para o sul, cerca de 280 km, até ao Monte Sinai, onde a Lei foi recebida. Então, talvez a cerca de 140 km, ficava o deserto de Paran, perto das fronteiras meridionais de Canaã. Do acampamento ali formado, foram enviados doze homens para examinar as terras, e eles penetraram até Hebron, digamos, cerca de 140 km do seu acampamento, e cerca de 80 km ao sul da futura Jerusalém. Eles depararam-se com um rico país, e trouxeram romãs e figos, e um cacho de uvas tão pesado que tinha que ser carregado por dois homens, sobre uma verga. Eles voltaram e relataram que a terra era rica, porém os homens que lá estavam eram muito fortes para eles. O povo de Israel não tinha coragem, nem tampouco fé, e Moisés teve que admoestar as pessoas por isso.
  33. O povo não estava propenso a seguir a chefia de Moisés, e não estava disposto a lutar por sua "herança". Com efeito, eles disseram: "Elimina, primeiramente, o inimigo, que nós tomaremos posse." Na Lei de Deus, nós temos de trabalhar e porfiar por aquilo de que desejamos desfrutar.
  34. Enter aqueles que voltaram, depois de terem feito o reconhecimento das terras, havia dois homens que tinham fé e coragem. Estes eram Josué e Caleb. Tempos mais tarde, Josué iria suceder a Moisés na liderança, isso depois de 40 anos. Estes dois homens era a favor de uma entrada imediata, através dos portões principais. Porém, disseram que todos deveriam depositar a sua confiança em Deus, para alcançarem a vitória.
  35. O conselho de Josué e Caleb, e a determinação de Moisés, sob instrução divina, mostraram-se inapetecíveis à multidão, cujos receios estavam sobremaneira inflamados pelos outros dez homens que haviam ido com Josué e Caleb. Aqueles haviam feito um "temeroso relato", pois ficaram apavorados pela enorme estatura dos canaanitas. A multidão rebelou-se abertamente e estava preparada para apedrejar Moisés, Aarão, Josué e Caleb, e voltar para o Egito. Suas respostas a Moisés eram plenas de ironia, de insolência, de blasfêmia e de covardia. Com efeito, eles diziam: "Tu falas do teu Deus e tudo o mais; vai com o teu Deus e luta ali, se quiseres; nós ficaremos aqui sentados, olhando."
  36. Moisés orou e intercedeu por eles. Contudo, é-nos dito aqui (e há nisso um toque espiritual, não encontrado na história dos judeus) que Moisés foi suficientemente cuidadoso para apartar-se, e a seu irmão, da rebeldia.
  37. Aquela geração não veria a Terra Sagrada. Todos aqueles que tinham mais de 20 anos morreriam nos descampados: "Vossos cadáveres ficarão jazendo na solidão"(Números 14:33). Apenas aqueles que eram crianças alcançariam a terra prometida. E assim aconteceu. Do deserto de Paran, eles erraram nas direções norte, sul e leste, por 40 anos. Da ponta do que é agora denominado Golfo de Acaba eles viajaram para o norte, conservando-se no lado leste da depressão, da qual o Mar Morto e o rio Jordão fazem parte. Quarenta anos mais tarde, eles cruzaram o Jordão, no ponto oposto ao que é agora chamado de Jericó, sendo que nesse tempo Moisés, Aarão e a totalidade da geração mais velha já havia morrido.
  38. Literalmente, "conta-lhes, em verdade, a história" etc.. O ponto é que a história, no Gênesis, 4:1-15, constitui uma narrativa estéril, não estando incluídas, lá, as lições aqui encerradas. É então dito ao Mensageiro que propicie a veracidade da questão, os detalhes que reforçarão as lições.
  39. Os dois filhos de Adão eram Habil (em português, Abel) e Cabil (em português, Caim). Caim era o mais velho e Abel o mais novo – o justo e inocente. Presunçoso, e por se mais velho, Caim estava cheio de arrogância e ciúme, o que fez com que cometesse o crime de assassinato. Entre os cristãos, Caim era o tipo do judeu, em contraposição a Abel, o cristão. O judeu tentando matar Jesus e acabar com o cristão. Do mesmo modo, em contraposição a Mohammad, o irmão mais velho da família semítica, Caim era o tipo das pessoas do Antigo e do Novo Testamento, as quais tentavam resistir e matar Mohammad e subjugar o seu povo.
  40. A minha e a tua culpa. Há duas possíveis interpretações: (1) a interpretação óbvia é a de que o assassinato injusto não somente carrega consigo os encargos do seu próprio pecado, mas também os encargos dos pecados da sua vítima. Esta, ao ser alvo de desmandos ou injustiças, é perdoada dos seu pecados, e o iníquo, tendo sido admoestado, tão-somente agrava os seus próprios pecados; (2) a expressão "minha culpa" tem também sido interpretada como "pecado contra mim, consistindo em que me mataste"; neste caso "tua culpa" talvez tanto signifique "teu crime em cometeres um assassinato" ou "teu crime contra ti mesmo, porquanto o crime cause uma real perda de ti mesmo na Vida Futura." Ver a última cláusula do versículo seguinte.
  41. A fala de Abel é plena de significado. Ele é inocente e temente a Deus. À ameaça de morte, feita pelo outro, ele se sai com a resposta calma, com a intenção de corrigi-lo. "Certamente", ele argumenta, "se o teu sacrifício não foi aceito, é por que havia algo de errado contigo, porquanto Deus é Justo e aceita o sacrifício dos virtuosos. Se isto não te dissuade, eu não vou querer revanche, embora haja tanto poder em mim com relação a ti quanto há em ti com relação a mim. Eu temo ao meu Senhor, pois sei que Ele ama toda a Sua Criação. Deixa-me prevenir-te de que está procedendo erradamente. Não pretendo nem mesmo resistir a ti; porém, sabes quais serão as conseqüências? Tu ficarás em eterno tormento espiritual".
  42. Sal-at talvez signifique "cadáver", com uma implicação de nudez e vergonha, em dois sentidos: o sentido de estar exposto, sem sepultamento, e o sentido desse corpo estar aviltado, por ter sido violentamente privado, por um injustificado assassinato, da alma que o habitava – a alma, também, de um irmão.
  43. A história de Caim é narrada com uns poucos detalhes, a fim de contar a história de Israel. O povo de Israel insultava e assassinava homens virtuosos, que não lhe causavam danos, mas, pelo contrário, vinham para o bem de toda humanidade. Quando Deus retirou os Seus favores de Israel, por causa dos pecados do seu povo, e os concedeu a uma nação irmã, a inveja de Israel descambou para o pecado. Matar ou procurar matar uma pessoa só porque ela representa um ideal, significava matar todos os que prima por esse ideal. Por outro lado, salvar a vida de uma pessoa, nas mesmas circunstâncias, significava salva a comunidade inteira. Qual seria a mais consistente condenação pelo assassinato de uma pessoa e pela vingança?
  44. Para o duplo crime de traição contra o Estado, combinado com a traição a Deus, como é o caso dos crimes premeditados, quatro alternativas de punição são mencionadas, cada uma das quais haverá de ser aplicada, de acordo com as circunstâncias, a saber: execução (cortar a cabeça), "crucificação", aleijamento ou exílio. Essas eram as características do Direito Penal de então e de séculos mais adiante, com exceção das torturas, como "enforcamento", afogamento e esquartejamento. Em todos os casos, o arrependimento sincero, antes que fosse tarde, era reconhecido como ponto de apoio para a misericórdia.
  45. Compreendido como significando a mão direita e o pé esquerdo.
  46. Aqui tocamos num ponto da jurisprudência. Os jurisprudentes do Direito Canônico não são unânimes quanto ao valor da propriedade roubada, a qual envolveria a punição, que consiste em cortar a mão do ladrão ou da ladra. A maioria é de opinião que pequenos furtos são isentos de punição. A opinião geral é que apenas uma das mãos do ladrão primário deve ser cortada. Aparentemente, na época de Jesus os ladrões eram crucificados.
  47. Havia homens, entre os judeus, que estavam constantemente sôfregos em constatar uma mentira quando ao Mensageiro. Tinham os seus ouvidos constantemente à escuta de narrativas, mesmo de pessoas que jamais se haviam aproximado dele. Se usarmos a preposição "de", em vez da preposição "para" (pois a palavra árabe contém os dois significados), o sentido ficará: Eles são espreitadores ou espias acurados, em relação a quaisquer mentiras de que puderem tomar conhecimento, e atuam como espias dos outros (seus rabinos etc.) que estão por trás do pano, para os quais levam as falsas narrativas.
  48. Comparar com o versículo 14 desta surata. A adição da expressão min ba’di, aqui, evidencia a distorção das palavras quanto ao tempo e aos locais em que foram proferidas. Eles não manipulavam honestamente a sua lei, outrossim, malbaratavam-na, distorcendo-lhe o significado. Ou pode ser que, como portadores das narrativas, eles distorcessem o significado, deturpando o contexto.
  49. Ávidos em devorar o que é ilícito: tanto no sentido literal como no figurado. No sentido figurado, seria: Lançavam mão da usura, ou da propina, ou tiravam indevidas vantagens das fracas posições das pessoas, ou dos seus próprios poderes fiduciários, para aumentarem a sua fortuna.
  50. Esta é uma pergunta minuciosa quanto às intenções dos judeus de levarem os seus casos para decisões ao Mensageiro. Eles iam ter com ele para ridicularizar o que fosse que ele dissesse, ou para enganá-lo quanto aos fatos, e para se apegarem a uma decisão favorável a eles e que estivesse contra a eqüidade. Se a sua própria lei não se coadunasse com os seus interesses egoísticos, eles muitas vezes a mudavam. Mohammad, porém, era sempre inflexível em sua justiça.
  51. Termo Rabbani deve, achamos, ser traduzido pelo título judeu Rabino, que serve para designar os seus homens sábios. O aprendizado judaico é identificado como a literatura rabínica. Ahbar é o plural de Hibr ou habr, pelo que devemos entender jurisprudentes judeus. Mais tarde, o termo foi aplicado àqueles de outras religiões. Estaria, acaso, a palavra relacionada com a mesma raiz de "Hebreu" ou de "Heber" (Gênesis, 10:21), os ancestrais do povo hebraico? Isto nos parece inviável, pelo fato de a raiz árabe para a palavra "Hebreu" ser " ‘Abar" e não Habar.
  52. Duas acusações são feitas contra os judeus: (1) que mesmo dos livros que possuíam, eles destorciam o significado, segundo os seus próprios interesses, porque temiam mais aos homens do que a Deus; (2) que o que eles possuíam nada mais era o que fragmentos da Lei original, revelada a Moisés, misturada com uma porção de assuntos semi-históricos e legendários, de alguma poesia elevada. A Tora, mencionada no Alcorão, não se trata do Antigo Testamento como o conhecemos, nem tampouco se trata do Pentateuco (os primeiros cinco livros do Antigo Testamento, contendo a Lei).
  53. A retaliação é prescrita em três locais no Pentateuco, a saber: Êxodo, 21:23-25, Levítico, 24:18-21 e Deuteronômio, 19:21. A redação, nas três citações, é diferente, mas em nenhuma delas se encontra a adicional indução à misericórdia, como se encontra aqui. Note-se que em Mateus, 5:38, Jesus cita a Velha Lei "olho por olho" etc., modificando-a, no sentido do perdão; mas a injunção alcorânica é mais prática. Este apela à misericórdia é no sentido de "entre os homens", no mundo espiritual. Mesmo quando o injuriado perdoa, o Estado ou o Governante é competente para tomar tal ação, conforme for necessário para a preservação da lei e da ordem, na sociedade. Porque o crime possui as suas implicações, que vão além dos interesses da pessoa injuriada; a comunidade é afetada. Ver o versículo 32 desta surata.
  54. Isto não faz parte da Lei Mosaica, mas dos ensinamentos de Jesus e de Mohammad. Note-se como os ensinamentos de Jesus são gradualmente introduzidos como preparando o caminho para o Alcorão.
  55. Originalmente, a humanidade constituía-se de um simples povo ou uma simples nação; ver o versículo 1 da 4ª Surata e o versículo 213 da 2ª Surata. Assim sendo, Deus poderia ter-nos conservado todos iguais, com uma só língua, uma só espécie de comportamento e um só conjunto de condições físicas (incluindo o clima) para vivermos. Porém, em Sua sapiência, Ele nos proporcionou uma diversidade de tais contingentes, não apenas em um tempo específico, mas em diferentes períodos e épocas. Isto põe à prova, ainda mais, a nossa capacidade para a Unidade (Wahdaniya), e acentua a necessidade da Unidade do Islam.
  56. Como a nossa verdadeira meta é Deus, as coisas que nos parecem diferentes, vistas de diferentes pontos de vista, sendo primordialmente reconciliadas n’Ele. Einstein estava certo, ao aprumar as profundezas da Realidade com o mundo da ciência física. Isso aponta, cada vez mais, para a necessidade da Unidade de Deus, no mundo espiritual.
  57. O tempo dos insipientes é o tempo da organização tribal, dos feudos e das diferenças de acentuação egoística no homem. Esse tempo, realmente, ainda não se acabou. Constitui missão do Islam tirar-nos dessa falsa atitude mental e levar-nos à verdadeira atitude da Unidade. Se a nossa fé for segura, Deus nos guiará para essa Unidade.
  58. Porque "muitos homens são depravados" (versículo 49 desta surata) deduz-se como inevitável que deva haver apóstatas, mesmo numa religião racional e de bom-senso como o Islam. Porém, há aqui uma admoestação, ao corpo dos muçulmanos, no sentido de que não se repita a história dos Judeus, e de que os muçulmanos não se tornem tão auto-satisfeitos ou arrogantes, a ponto de se apartarem do espírito dos ensinamentos de Deus. Se assim fizerem, a perda será deles próprios. A munificência de Deus não se restringe a um grupo ou a uma seção da humanidade. Ela poderá sempre elevar em dignidade aqueles que seguem o verdadeiro espírito do Islam. Esse espírito é definido de duas maneiras, primeiro em termos gerais: os crédulos amarão a Deus, e Deus os amará; e, segundo, por sinais específicos: entre a Irmandade, sua atitude deverá ser de humildade, sendo que, em relação aos iníquos, não se engajarão em compromissos verbosos; porfiarão e lutarão sempre pela verdade e pelo que é direito; não conhecerão medo, tanto físico como daquela espécie insidiosas, que diz: "Que dirão as pessoas se agirmos deste modo?" Serão muitíssimo elevados mentalmente, para que não sejam acossados por qualquer de tais pensamentos. Pois, como diz o versículo seguinte, seus amigos serão: Deus, Seu Mensageiro e Seu povo, povo que julga com justeza, sem receio, ou favores.
  59. Não é certo estardes intimamente associados àqueles para os quais a religião é motivo de escárnio ou, no melhor das vezes, nada mais do que brinquedo. Eles poderão ser divertidos, ou ter outros motivos para vos encorajar. Porém, a vossa associação a eles minará a sinceridade da vossa fé, e vos tronará cínicos e insinceros.
  60. Há a mais cruciante ironia neste versículo e no seguinte: Ó adeptos do Livro, odiai-nos, acaso, só porque cremos em Deus, e não somente em nossa escritura, mas também na vossa? Talvez nos odieis porque obedecemos a Deus, e vós estais em rebeldia contra Ele! Por que nos odiais? Há coisas piores do que a nossa obediência e nossa fé. Quereis que vos demos a conhecer algumas delas? Nosso teste será: que tratamento dispensou Deus às coisas que passamos a mencionar e qual foi o povo que incorreu na ira de Deus? (Deuteronômio 11:28 e 28:15-68). Quem provocou a ira de Deus? (Deuteronômio 1:34 e Mateus 3:7). Quem abandonou Deus e passou a cultuar o mal? (Jeremias 16:13). Esse é o vosso registro.
  61. Para símios, ver o versículo 65 da 2ª Surata. Para homens possuídos pelo demônio e demônios introduzidos em suínos, ver Mateus 8:28-32.
  62. Comparar com o versículo 12 desta surata e com o versículo 245 da 2ª Surata, quanto a "emprestar espontaneamente a Deus", e com o versículo 181 da 3ª Surata, quanto ao motejo blasfemo "Deus é pobre!" Constitui uma outra forma de motejo dizer: "A mão de Deus está encerrada; Ele é avaro; Ele nada dá!" Tal blasfêmia é repudiada. Muito pelo contrário, ilimitada é a munificência de Deus; Ele dá, por assim dizer, com ambas as mãos bem abertas – uma figura de retórica de ilimitada liberalidade.
  63. A tradução literal das duas linhas deveria ser: "Comeriam do que estivesse sobre eles e do que estivesse sob eles." Comer (akala) é uma palavra muito compreensiva e denota, geralmente, deleite material, social, mental e espiritual. "Saciar-se do que é ilícito", nos versículo 62 e 63, refere-se auferir lucros indevidos provenientes da usura, dos fundos fiduciários, ou de outras fontes. "Comer", então, pareceria significar receber satisfação ou felicidade na vida comum, bem como no mundo espiritual. "Do que estivesse sobre eles" referir-se-ia às coisas celestiais, ou à satisfação espiritual, e "do que estivesse sob eles" referir-se-ia à satisfação terrena. Entretanto, é preferível tomar as palavras como uma expressão idiomática e entender: "agraciamento com as bênçãos dos céus e da terra".
  64. Comparar com João 20:17, onde Cristo diz a Maria Madalena "...Vai aos meus irmão e dize-lhes que vou para meu Pai, e vosso Pai, para meu Deus, e vosso Deus"; com Lucas 18:19, onde Cristo repreende certo governante por este tê-lo chamado de Bom Mestre.
  65. Maria jamais reivindicou ser a mãe de Deus, ou afirmou que seu filho era Deus. Ela era uma mulher reverente e virtuosa.
  66. Note-se quão logicamente o argumento se desenvolve, face ao desvio e à carência de fé dos judeus, às blasfêmias associadas com os nomes de Jesus e Maria, e, nos versículos seguintes, com o culto de troncos e pedras inanimadas.
  67. Os Salmos contêm várias passagens de imprecações contra os iníquos: "Ouviu o Senhor e ficou irritado; inflamou-se o fogo contra Jacó e ferveu a cólera contra Israel, porque não tiveram fé em Deus, nem confiaram em Seu socorro". Salmos 77:21-22, e 69:22-28.
  68. Comparar com Mateus, 23:33: "Serpentes, raça de víboras, como escapareis vós de serdes condenados ao inferno?", e com Mateus 12:34.
  69. Existem homens maldosos em todas as comunidades; porém, se os líderes conviverem com os desmandos dessas comunidades – e pior ainda, se os próprios líderes compartilharem desses desmandos – então essas comunidades estarão condenadas.
  70. Os significado não é que eles meramente se intitulavam cristãos, mas eram cristãos sinceros, que apreciavam as virtudes dos muçulmanos, como aconteceu com os abissínios, aos quais os muçulmanos pediram refúgio durante a perseguição ocorrido em Makka.
  71. Em prazeres que são benignos e lícitos o pecado consiste no exagero. Não há mérito algum na mera abstinência ou no mero asceticismo, embora a humildade e o desprendimento intrínsecos ao asceticismo possam ter o seu valor. Usai de todas as espécies de dádivas divinas com gratidão, mas sabei que o exagero não é aprovado por Deus.
  72. Comparar com o versículo 219 da 2ª Surata, e respectiva nota. As pedras, aqui referidas, são as pedras do altar ou as colunas de pedra, nas quais era derramado óleo para a consagração, ou, ainda, as lajes sobre as quais se processava o ritual do sacrifício da carne para os ídolos. Qualquer prática idólatra ou supersticiosa é, aqui, condenada. Os ansab eram objetos de culto, comuns na Arábia pré-islâmica.
  73. Essas setas eram, também, usadas ara tirar a sorte, isto é, para vaticinar momentos de sorte ou de azar, ou para ficar sabendo dos desejos dos deuses pagãos, quanto a se o homem deveria ou não empreender certos atos.
  74. Há uma sutil sinfonia que parece, à primeira vista, tratar-se de uma tripla repetição. A relação de tais simples regulamentações, como as da alimentação, ou do jogo, ou a reverência dispensada a locais sagrados ou a instituições sagradas, tem de ser explicada vis-à-vis aos elevados deveres do homem. Porém, as mais simples normas físicas, ou seja, aquelas referentes ao comer, ao asseio etc., se forem boas, referir-se-ão, também, aos aspectos elevados.
  75. Literalmente, "saber". A caça é proibida nos Recintos Sagrados. Se deliberadamente transgredirmos essa injunção, daremos provas de falta de fé e de reverência.
  76. A veste de peregrino, Ihram, foi explicada na nota do versículo 196 da 2ª Surata.
  77. Para uma transgressão inadvertida da norma pertinente à caça não há, aparentemente, penalidade alguma. A transgressão intencional deverá ser prevenida, se possível, por ação prévia. Se, em alguns casos, a ação preventiva não for efetiva, a penalidade será prescrita. A penalidade efetuar-se-á com três alternativas: um animal equivalente deverá ser oferecido à Caaba como sacrifício, e sua carne distribuída entre os pobres; ou os pobres deverão ser alimentados com cereal, ou receber dinheiro, de acordo com o valor do animal, caso tenha sido sacrificado; ou o transgressor deverá jejuar tantos dias quanto o número de pobres que deveria alimentar – aqueles enquadrados na segunda alternativa. Provavelmente, a última alternativa seria uma opção somente para os transgressores muito pobres, que não pudessem desincumbir-se da primeira e da segunda alternativas, sendo que, neste ponto, os jurisprudentes não chegaram a um acordo. O "animal equivalente", na primeira alternativa, seria um animal doméstico de valor semelhante, ou de semelhante peso em carne, ou de forma semelhante (ou seja, de cabra a antílope), como adjudicado por dois homens justos, escolhidos para esse fim. As alternativas sobre a penalidade, a sua remissão ("Deus perdoa o passado"), ou a sua exação, explicam as duas últimas linhas do versículo.
  78. Caça aquática, isto é, a caça encontrada na água, ou seja, aves aquáticas, peixes etc.. "Aquática" inclui mares, rios, lagos, açudes etc..
  79. Não tem no Alcorão.
  80. Não tem no Alcorão.
  81. Não tem no Alcorão.
  82. Não tem no Alcorão.
  83. Um bom número de superstições dos árabes idólatras é aqui mencionado. As mentes idólatras, não compreendendo os segredos ocultos da natureza, atribuíam certos fenômenos à ira divina, e eram acossadas por temores supersticiosos, que infernizavam as suas vidas. Se uma camela ou uma fêmea de um animal doméstico dava cria de um grande número de filhotes, ela (ou um dos seus filhotes) haveria de ter a sua orelha cortada, e esse animal era dedicado a um deus; tal animal era denominado bahira. Ao voltar, em segurança, de uma viagem, ou ao se recuperar de uma doença, uma camela era similarmente dedicada e deixada solta para pastar à vontade; era, então, chamada de as’iba. Quando um animal tinha cria em duplicata, certos sacrifícios ou dedicações eram feitos a ídolos; tal animal, sendo dedicado, era denominado wacila. Um camelo reprodutor, dedicado aos deuses por certos rituais, era chamado de hami. Os exemplos, em particular, levam à verdade generalizada: que a superstição é devida à ignorância, sendo degradante ao homem e desonrosa para Deus.
  84. Comparar com o versículo 170 da 2ª Surata. Quando um mensageiro de Deus vem para nos ensinar o melhor caminho, é tolice dizermos: "Basta-nos seguir o que seguiam os nossos pais".
  85. Comparar com o versículo 51 desta surata. Então, a unicidade de Deus reconciliará diferentes pontos de vida. A unidade de um Juiz proporcionará justiça perfeita quanto à conduta de cada um, não importando quão diferente, na forma, ela possa ter parecido neste mundo.
  86. Istahaca = merece ter algo (bom ou mal), atribuído a alguém; daqui a alternativa significativa: (1) que cometeu (pecado) ou foi julgado culpado (de pecado); (2) que tinha ou reivindicava direitos legais (de propriedade). O procedimento foi seguido, num caso vigente, durante a vida do Mensageiro. Um homem de Madina morreu no exterior, confiando a dois amigos os seus pertences, para que fossem entregues aos seus herdeiros estipulados, em Madina. Eles, contudo, retiveram em seu poder uma valiosa taça de prata. Quando isto foi descoberto, foram tirados juramentos daqueles que sabiam do fato, e a justiça foi feita.
  87. Uma cena do Dia do Reconhecimento é posta perante nós em palavras minuciosas, mostrando a responsabilidade e as limitações dos diletos de Deus, enviados para pregarem a Sua Mensagem aos homens, com referência especial à Mensagem de Jesus. Fossem quais fossem as fantásticas formas que a Mensagem tomasse nas reações dos homens, estava além do conhecimento dos mensageiros daquele tempo, estando também além das suas responsabilidades.
  88. Os judeus teriam procurado tirar a vida de Jesus, bem antes da tentativa final de crucificá-lo (ver Lucas 4:28-29). A tentativa deles de o crucificarem foi-lhes também frustrada, de acordo com os ensinamentos que recebemos do Alcorão.
  89. A pergunta dos discípulos demonstra um pouco da falta de fé, muita atenção para com o alimento físico, e um desejo infantil de milagres ou sinais. Todos esses expedientes podem ser comprovados, partindo-se dos Evangelhos Canônicos. Simão Pedro, bem no princípio da narrativa, pediu a Jesus que se apartasse dele, porquanto ele (Simão) era pecador (Lucas, 5:8). Esse mesmo Pedro, depois, renegou desavergonhadamente seu Mestre três vezes seguidas, quando o Mestre estavam em poder dos seus inimigos. E um dos discípulos (Judas) literalmente traiu Jesus. Mesmo nos Evangelhos Canônicos, muitíssimos dos milagres estão relacionados com a comida e a bebida; por exemplo, a transformação da água em vinho (João, 2:1-11), a transformação de cinco pães e de dois peixinhos em alimento para 5.000 homens (João, 6:5-13), sendo este o único milagre registrado pelos quatro evangelistas; a miraculosa quantidade de peixes, apanhados para a alimentação (Lucas, 5:4-11), a maldição da figueira que não dava frutos (Mateus, 21:18-19), a alegoria de se comer a carne de Cristo e beber o seu sangue (João, 6:53-57). Por causa de os samaritanos não quererem receber Jesus em sua aldeia, os discípulos Tiago e João queriam que uma língua de fogo descesse do céu e os consumisse (Lucas, 9:54).
  90. As palavras da oração parecem sugerir a última Ceia. Comparar com a visão de Pedro, em Atos dos Apóstolos, 10:9-16.
  91. No Islam, como na oração de Cristo, o sustento deve ser tomado tanto para o fortalecimento físico, como para o espiritual, especialmente para este último.
  92. Jesus, aqui, dá a conhecer que era mortal, e que o seu conhecimento era limitado, como o de um mortal.
  93. Fauz = felicidades, ventura, realização, salvação, a consecução ou o cumprimento dos desejos. Que magnífica definição de salvação, ou fim da vida! – que nós devemos angariar o aprazimento de Deus, e que devemos chegar ao estágio em que o Seu aprazimento estará em todo o nosso ser!
 

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