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  1. Esta é uma combinação de abreviaturas de quatro letras. A combinação, aqui, inclui as três letras, Alef, Lam, Mim, que aparecem no início da 2ª Surata, sendo discutidas na nota do versículo 1, da mesma surata. A letra adicional, Sad, aparece aqui e na 19ª Surata, e, isoladamente, no início da 38ª Surata. O fator comum às 7ª, 19ª e 38ª Suratas é que, em cada caso, o teor delas consiste das histórias (quiças) dos Profetas. Nesta Surata temos as histórias de Noé, de Hud, de Sáleh, de Lot, de Xuiab e de Moisés, culminando com Mohammad , e, na 38ª Surata, as histórias de Davi, Salomão e de Jó, igualmente culminando com Mohammad, ocupando três das cinco seções.
  2. Peito, seguindo o original. Usamos a palavra mais apropriada ao idioma português. O significado é que Mohammad se via consolado perante todas as dificuldades que encontrava, ao logo de sua missão, com o fato de que encontrava uma diretriz límpida no Livro, para a sua pregação.
  3. Isto foi adicionado com o fito de que o homem não se empertigasse com tal minúsculo conhecimento, como o que possuía, porquanto há grandes alturas a serem alcançadas, no reino espiritual.
  4. A história espiritual do homem principia com um prelúdio. Pensemos nas cidades e nas nações que foram arruinadas por iniqüidade. Deus propiciou aos homens grandes oportunidades, e lhes enviou admoestadores e mestres. Arrogantemente, porém, eles continuaram com suas maneiras malignas, até que uma horripilante calamidade os assaltou, e extinguiu mesmo os seus traços.
  5. O termo "configuração", ou "forma", deve ser interpretado, não somente referindo-se à forma física, a qual muda a cada dia que passa, mas também às várias configurações ou formas que a nossa existência ideal e espiritual possa tomar, de tempos em tempos, de acordo com as nossas experiências interiores. Comparar com o versículo 8 da 82ª Surata. A Forma, ou Ideal, ou Padrão Original, de acordo com a doutrina mística de Platão, tal como a desenvolve na sua obra, "A República", pode também ser comparada com os "nomes" ou a natureza e qualidade das coisas, que Deus ensinou a Adão (versículo 31 da 2ª Surata, e versículo 94 da 6ª Surata, e respectivas notas). Somente após Adão (o que serve para toda a humanidade) ter sido ensinado, é que foi pedido aos anjos que se curvassem ante ele, pois, pela graça de Deus, seu status ficou virtualmente mais elevado. Note-se a transição: de "vós" (plural), na primeira cláusula, para "Adão"; na Segunda cláusula; Adão e humanidade são sinônimos; o plural é restabelecido nos versículos 14, 16-18 desta surata.
  6. Nota-se o estratagema sutil de Iblis: seu egoísmo em querer colocar-se acima do homem, e sua falsidade em ignorar o fato de que Deus não fez meramente de barro o corpo do homem, mas deu-lhe uma forma espiritual – em outras palavras, ensinou-lhe a natureza das coisas e elevou-o em dignidade, acima dos anjos.
  7. Outra instância da sutileza e da falsidade de Iblis. Ele espera, até conseguir a tolerância. Então, explode em mentiras e provocações impertinentes. A mentira está em ele sugerir que Deus o desviou do Caminho; em outras palavras, que o desvirtuou, sendo que foi a sua própria conduta a responsável por sua degradação. A provocação consiste em armar ciladas na Senda Reta, para a qual Deus dirige os homens. Ele então cai mais um passo nos planos inferiores, além daqueles cinco mencionados na nota do versículo 13 desta surata. Seu sexto passo consiste na provocação.
  8. Agora o caso se volta em direção ao homem. Ele foi colocado num jardim espiritual de inocência e bênção, mas era do Plano Divino conceder-lhe uma limitada faculdade de escolha. Tudo o que lhe era proibido, era aproximar-se da Árvore do Mal; porém, ele sucumbiu às sugestões de Satanás.
  9. Comparar toda esta passagem sobre Adão com as passagens dos versículos 30-39 da 2ª Surata e com outras passagens das suratas subseqüentes. Quanto aos locais, as palavras são exatamente as mesmas, e, todavia, todo o argumento é diferente. Em cada caso ele se coaduna com o contexto. Na 2ª Surata, o argumento era sobre a origem do homem. Aqui ele é um prelúdio à sua história na terra, e assim continua, logicamente, na próxima seção, a se dirigir aos Filhos de Adão, e vai mais adiante, com a história dos vários mensageiros que vieram para guiar a humanidade. A verdade é uma só, mas a sua apresentação adequada, palavras humanas, mostra uma faceta diferente, em contextos distintos.
  10. Há, aqui, uma dupla filosofia sobre roupas, para que corresponda ao duplo significado do versículo 20 desta surata. Espiritualmente, Deus criou o homem "isolado" (versículo 94 da 6ª Surata); a alma, na sua pureza e beleza despidas, não conhecia a vergonha, porque não sabia o que era culpa; após haver sido tocada pela culpa e conspurcada pelo mal, seus pensamentos e suas ações tornaram-se a sua roupagem e adorno, ações e pensamentos esses que poderiam ser: bons ou maus, honestos ou prostituídos, sempre de acordo com suas intenções interiores. Assim se dá com o corpo: ele é puro e belo, desde que não seja maculado pelo mau uso. Sua roupagem e seu ornamento podem ser bons ou degradantes, sempre de acordo com as intenções da mente e do caráter; se boas, as intenções constituem os símbolos da pureza e da beleza. Entretanto, os melhores vestuários e ornamentos que possamos Ter provêm da virtude, a qual cobre a nudez do pecado.
  11. Melhor atavio: zínat – adornos ou aparatos para um viver magnífico – construção para dar a entender, não apenas as vestimentas que adicionam graça aos que as usam, mas ainda a toalete e o asseio, a atenção com os cabelos, bem como com outros pequenos detalhes pessoais, que nenhuma pessoa que tem amor-próprio deve negligenciar quando vai a solenidades, ou mesmo quando comparece perante um grande dignitário humano, seja pela impressão que causará, seja pela dignidade da ocasião. Quão mais importante é observarmos tais detalhes quando, solenemente, colocamos as nossas mentes na Presença de Deus, embora saibamos que Ele está sempre presente em todos os lugares. No entanto, a precaução quanto ao exagero está implícita; os homens não devem ir às orações vestidos de seda, ou com enfeites próprios das mulheres. Igualmente, a alimentação sóbria, sadia e integral, não deve estar divorciada dos ofícios religiosos: apenas a precaução quanto aos exageros é que está estritamente implícita. Um faquir ensebado e desleixado, não pode clamar por santidade no Islam.
  12. Nas se deve supor que os rebeldes, quanto a Deus, serão de pronto despojados de suas vidas, por causa de seus pecados. Eles terão as porções que lhes couberem, incluindo as boas coisas da vida, bem como a chance de se arrependerem e se reformarem, durante o seu período probatório nesta terra. Durante esse período, poderão viver intensamente. Depois que esse período expirar serão chamados a prestar contas. Eles verão, por si mesmos, que as coisas quiméricas, nas quais depositavam confiança, eram falsas. Confessarão os seus pecados, mas será tarde demais.
  13. As gerações mais remotas cometeram um duplo crime: (1) seus próprios pecados; (2) o mau exemplo que deixaram para aqueles que vieram depois delas. Nós não apenas somos responsáveis por nossos próprios desmandos, mas também por aqueles que o nosso exemplo e os nossos ensinamentos induzem os nossos descendentes a cometer. Contudo, não compete às bocas dos descendentes clamar por um duplo castigo para os seus ascendentes; porque não se trataria de intenção justiceira, mas sim de puro despeito, o que, por si só, constitui pecado. Ademais, as gerações posteriores têm de responder por duas coisas: (1) seus próprios pecados, e (2) seu fracasso em aprenderem daqueles que os precederam; eles estariam em vantagem, pois eram "os primeiros na fila do Tempo"; mas não aprenderam. Deste modo, nada há que escolher entre as mais remotas e as mais recentes gerações, em matéria de culpa. Porém, quão poucas pessoas compreendem isto! No versículo 160 da 6ª Surata foi-nos dito que o bem era decuplamente recompensado, mas que o mal era punido de acordo com o teor da culpa, em perfeita justiça. Este versículo de maneira alguma é incompatível com isso. Dois crimes têm de ter um castigo duplo. Todavia, devemos entender os numerais "décuplo" e "duplo" em sentido figurado, e não quantitativamente.
  14. Um homem que tenha sofrido desapontamento talvez possua um inconfesso sofrimento de rancor, no fundo da sua mente, o qual talvez lhe obstrua as alegrias, por causa das recordações passadas que se intrometem no meio da felicidade. Em tais casos, a própria memória constitui motivo de dor. Mesmo os pesares são intensificados pela memória. Mas isso acontece nesta nossa vida imperfeita. Na perfeita felicidade dos virtuosos, todos esses sentimentos serão barrados. Nem tampouco quaisquer sentimentos de inveja ou de carência serão possíveis, nessa bênção.
  15. Os que, em conjunto, compartilharem do Fogo, somente poderão responder com uma única palavra: "Sim", tal é o seu estado de miséria. Mesmo assim, suas vozes mesclar-se-ão com a voz do Lamentador, que explicará os seus estados; estarão num estado de maldição, isto é, de privação da graça e da misericórdia de Deus. Tal privação constitui a mais intensa miséria que a alma pode suportar.
  16. Os iníquos refletem suas próprias mentes tortuosas, quando a senda de Deus se encontra perante eles. Ao invés de seguirem o caminho reto, tentam encontrar algo nela que satisfaça as suas próprias idéias distorcidas Francamente, eles não têm fé na Meta final – a Vida futura.
  17. Esta é uma passagem difícil, os exegetas têm-na interpretado de maneiras diferentes. Três correntes distintas podem ser distinguidas na interpretação: (1) uma acha que os homens, nos cimos, são anjos, ou homens de exaltada dignidade espiritual (ou seja, os grandes mensageiros), que serão capazes de reconhecer as almas, num simples olhar, com respeito à sua dignidade espiritual; os cimos serão a sua estância exaltada, da qual eles darão as boas-vindas aos virtuosos, com uma saudação de paz, por si só, constituir-se-á numa garantia de salvação para aqueles que são saudados; (2) almas que não se encontram decididamente do lado do mérito, ou decididamente do lado do pecado, mas perfeitamente equilibradas entre o céu e o inferno. Seus casos não estão ainda decidido, porém a sua saudação evidencia anseio, porquanto têm esperança da misericórdia de Deus; (3) a terceira linha da interpretação, com a qual concordamos, aproxima-se da primeira, com esta exceção: a divisão e os cimos são uma metáfora. As almas elevadas regozijar-se-ão com a salvação eminente dos virtuosos.
  18. Na expressão "seus olhares", de acordo com a interpretação (2) da nota anterior, o pronome "seus" referir-se-ia às pessoas cujos destinos não estão ainda decididos, sendo que as exclamações são suas; segundo as interpretações (1) e (3) da mesma nota, "seus" referir-se-ia aos que em conjunto compartilham do Jardim, e que estariam conscientes da terrível natureza do inferno, e expressariam o seus horror quanto a ele. Nós preferimos esta última interpretação. Então, a menção dos "habitantes dos cimos", com suas exclamações, no versículo 48, aparece naturalmente, como uma espécie diferente de fala, procedente de diferentes espécies de homens.
  19. Um versículo sublime, comparável ao versículo do Trono, o 255, da 2ª Surata. A Criação, em seis dias, é certamente, metafórica. Os "Dias de Escarmento de Deus" (versículo 14 da 45ª Surata) não se referem tanto ao tempo, mas ao crescimento, em nós, ca conscientização espiritual, da conscientização do pecado e da Misericórdia de Deus. No versículo 47 da 22ª Surata é-nos dito que um dia, na visão de Deus, é como 1.000 anos dos que conhecemos; e no versículo 4 da 70ª Surata, a comparação é com 50.000 dos nossos anos. Na história da nossa terra material nós devemos reconhecer seis grandes épocas da evolução. Ver versículo 9-12 da 41ª Surata.
  20. O termo "Trono" (Árch) talvez seja metafórico, significando um símbolo de autoridade, de poder, de vigilância, como o é o termo Cursi (assento, trono) – comparar com a nota do versículo 255 da 2ª Surata. Cursi talvez se refira à majestade, ao passo que ‘Arch se refere ao poderio, sendo que a pequena diferença de matrizes derrama luz sobre as duas passagens. Aqui, somos instruídos quanto à criação dos céus e da terra em seis dias. Porém, a menos que estejamos obcecados com a idéia judaica de que Deus descansou no sétimo dia, é-nos dito que a Criação não foi mais do que um prelúdio à obra de Deus; porque Sua autoridade é exercida constantemente pelas que Ele estabelece e impõe a todas as partes da Sua Criação. O magnífico emblema retórico da noite e do dia, uma perseguindo o outro, em rápidas sucessões, é mais vantajosamente reforçado pelo verbo árabe Yugchi, duplamente acusativo, demonstrando as interações mútuas do dia e da noite, um substituindo a outra, por seu turno. Os corpos celestes mostram uma ordenação que constitui uma evidência dos constantes desvelo e governo de Deus. Não apenas isso, mas é tão-somente Ele Que cria, mantém e governa, e ninguém mais.
  21. A parábola é completa, em seu significado triplo. No mundo material, os ventos correm como verdadeiros porta-vozes de coisas auspiciosas; eles são como que vanguardeiros, atrás da qual vem o grosso do exército dos ventos, impulsionando nuvens saturadas à sua frente; a sábia Providência de Deus é o General, que dirige essas nuvens em direção a uma terra esturricada, sobre a qual as nuvens descarregam os seus animadores aguaceiros de misericórdia, que transformam a terra desolada em terra vivente, fértil e bela, propiciadora de ricas colheitas. No mundo espiritual, os ventos constituem grandes motivos de forcas na mente do homem, ou no mundo em torno dele, ventos esses que trazem as nuvens ou instrumentos da misericórdia de Deus, que descem rumo às almas até então espiritualmente mortas. Uma vez que podemos ver ou experimentar tais ocorrências em nossas vidas, aqui em baixo, podemos, acaso, duvidar da ressurreição das nossas almas, depois de aqui morrermos?
  22. A história de Noé, com maiores detalhes, será encontrada nos versículos 25-49 da 11ª Surata. Aqui, o escopo é contar brevemente as histórias de alguns dos profetas, que se destacaram no período entre Noé e Moisés, culminando, desse modo, com uma lição aos contemporâneos do próprio Mensageiro Mohammad. Quando Noé atacava a iniqüidade da sua geração, ele era escarnecido e tido como louco, porquanto mencionava o Grande Dia, que viria na Vida Futura. A retribuição de Deus veio logo depois – o grande dilúvio, durante o qual o seu povo incrédulo foi afogado, ao passo que ele e aqueles que nele acreditavam, e entraram na arca, foram salvos.
  23. O povo de Ad, com o seu profeta Hud, é mencionado em muitos lugares. Ver especialmente versículos 123-140 da 26ª Surata e os versículos 21-26 da 46ª Surata. Sua história pertence à tradição árabe. Seu ancestral epônimo, Ad, constitui a 4ª geração de Noé, tendo sido filho de A’us, filho de Aarão, filho este de Sem, filho de Noé. Ele ocupava uma vasta área do território da Arábia Meridional, que se estendia desde o Omã na embocadura do Golfo Pérsico, até Hadramaut e o Iêmen, na extremidade meridional do Mar Vermelho. Os membros do povo eram de estatura alta, e eram grandes construtores. Provavelmente, os longos e sinuosos tratos de areia (ahcaf), em seus domínios (versículo 2 da 46ª Surata), eram irrigados por canais. Eles se esqueceram do verdadeiro Deus e oprimiram o seu povo. Uma fome de três anos os açoitou, mas eles não se escarmentaram. Finalmente, uma terrível rajada de vento os destruiu, bem como à sua terra; porém, uns poucos que restaram, conhecidos como o segundo povo de Ad ou de Tamud (ver mais adiante), foram salvos, sofrendo, depois, sorte semelhante, por seus pecados. A tumba do profeta Hud é ainda tradicionalmente mostrada em Hadramaut. Há ruínas e inscrições nas vizinhanças. É de uso uma peregrinação anual a essa tumba, no mês de Rajab.
  24. O povo de Samud foi o sucessor da cultura da civilização do povo de Ad, para cuja história ver a nota anterior. Esses dois povos eram primos, aparentemente um ramo jovem da mesma raça. Sua história também pertence à tradição árabe, de acordo com o seu ancestral epônimo, Samud, que era um dos filhos de A’abir (um dos irmãos de Aarão), filho de Sem, filho de Noé. Sua sede era no quadrante noroeste da Arábia (Arábia Pétrea), entre Madina e a Síria. Ela inclui tanto a região rochosa (Hijr, versículo 80 da 15ª Surata), como o espaçoso e fértil vale (Wadi), e a planície da região de Kurá, que principia bem ao norte da cidade de Madina. Quando, no ano 9 da Hégira, o Mensageiro conduziu uma expedição a Tabuk (cerca de 65 km ao norte de Madina) contra as forças romanas, atendendo a um relatado rumor de invasão romana, proveniente da Síria, ele e seus homens se depararam com os restos arqueológicos de Samud. A cidade rochosa de Petra, recentemente escavada, próxima a Ma’an, talvez remonte aos tempos de Samud, embora sua arquitetura possua muitas características relacionadas com as culturas egípcia e greco-romana, concretizando o que é chamado, pelos escritores europeus, de Cultura Nabatéia. Quem era os nabateus? Eram de uma velha tribo árabe, que desempenhou um importante papel na história, e que depois entrou em conflito com Antígono I, no ano 312 a.C.. Sua capital era Petra, mas eles estenderam o seu território até o Eufrates. No ano 85 a.C. eram os senhores de Damasco sob o reinado de seu rei Hariça (Areta, na história romana). Por algum tempo eles permaneceram aliados do Império Romano, e de posse do litoral do Mar Vermelho. No ano 105 d.C. o imperador Trajano reduziu esse território e o anexou ao seu. Os nabateus sucederam o povo de Samud, na tradição árabe. O nome Samud é mencionado numa inscrição do rei assírio, Sargão, datada do ano de 715 a.C. (Encyclepaedia of Islam).
  25. A história da camela encantada, que constituía um Sinal para Tamud, é diversificadamente contada, na tradição. Não precisamos seguir as várias versões da história tradicional. O que nos é dito no Alcorão é: ela constituía um Sinal ou Símbolo, o qual o profeta Sáleh usava como escarmento para os altivos opressores dos pobres; havia escassez de água, e as classes arrogantes ou privilegiadas tentavam obstruir o acesso dos pobres, ou de suas reses às fontes, tendo Sáleh de intervir em favor deles; assim como a água, as pastagens eram consideradas dádivas gratuitas da natureza, neta espaçosa terra de Deus, mas os arrogantes tentavam monopolizar também as pastagens; fez-se desta camela especial um caso-teste para ver se os arrogantes chegavam à razão; estes, ao invés de concederem ao povo os seus direitos inalienáveis, esquartejaram a pobre camela e a mataram, com certeza secretamente; a taça da sua iniqüidade ficou repleta, e o povo de Tamud foi destruído por um horripilante terremoto, que deixou os seus membros prostrados no chão, e os soterrou, juntamente com as suas casas e os seus ricos edifícios.
  26. A retaliação não foi por muito tempo adiada. Veio um terrível terremoto e soterrou o povo e destruiu esta tão decantada civilização. A calamidade deve ter sido bem extensa em área, e bem intensa no terror que inspirou, pois é descrita (versículo 31 da 54ª Surata) como "um estrondo", saihatan wahi-datan, ou aquela espécie de estrondo que acompanha todos os grandes abalos sísmicos.
  27. Sáleh foi salvo pela misericórdia de Deus, por ser um homem justo e virtuoso. A sua exclamação, aqui, talvez seja uma admoestação de despedida, ou talvez constitua um solilóquio em que ele lamenta a destruição do seu povo, por seus pecados e por sua insensatez.
  28. A história de Lot é bíblica, mas destituída de algumas característica vergonhosas, o que constitui uma rasura na narrativa bíblica (ver Gênesis 19:30-36). Ele era sobrinho de Abraão, e foi enviado como mensageiro e admoestador ao povo de Sodoma e Gomorra, cidades sumariamente destruídas por seus inenarráveis pecados. Esse povo ainda não pôde ser localizado com precisão, mas supõe-se que vivia algures nas planícies a leste do Mar Morto. A história da sua destruição é narrada no capítulo 19 do Gênesis.
  29. Uma instância do aviltante sarcasmo que os pecadores empedernidos usavam contra os virtuosos. Eles feriam com palavras e reforçavam o insulto com atos de injustiça, pensando que com isso levassem os virtuosos à desgraça. No entanto, é bom que se saiba que Deus vela pelos Seus e, no final, os iníquos, por si só, se destroem, quando a taça da sua iniqüidade está cheia.
  30. Na narrativa bíblica ela olha para trás – uma ação física. Aqui, ela constitui o tipo daqueles retardatários, ou seja, aqueles que, por suas atitudes mentais ou morais, a despeito das suas ligações com os virtuosos, são induzidos a olhar para trás, para a rutilação da iniqüidade e do pecado. Os virtuosos devem ter um único objetivo: a Senda de Deus. Não devem olhar para trás, nem mesmo para os lados.
  31. A tempestade está explicitamente relatada (versículo 82 da 11ª Surata) como tendo sido de pedras. Nos versículos 73-74 da 15ª Surata é-nos dito que houve uma terrível detonação ou estrondo (saihat), em adição à chuva de pedras. Comparando com estas passagens ou com a passagem bíblica (Gênesis, 19:24 – ver nota do versículo 80, acima), nós julgamos que a tempestade foi "uma chuva de enxofre".
  32. A palavra "Madian" talvez deva ser identificada com o adjetivo "madianita"" . Madian e os madianitas são freqüentemente mencionados no Antigo Testamento, embora o incidente particular, aqui mencionado, pertença mais à tradição árabe do que à judaica. Os madianitas eram árabes, embora, como vizinhos dos canaanitas, se mesclassem com eles. Eram uma tribo nômade; foi aos mercados madianitas que José foi vendido como escravo, os quais o levaram para o Egito. Seu principal território, nos tempos de Moisés, ficava a nordeste da Península do Sinai, e a leste do território dos amalecitas. Sob o comando de Moisés, os israelitas encetaram uma guerra de extermínio contra eles; assassinaram o rei dos madianitas, mataram todos os homens, queimaram suas cidades e castelos, e apoderaram-se do seu gado ( Números, 31:7-11).
  33. Xuaib pertence mais à tradição árabe do que à tradição judaica, da qual ele é desconhecido. A sua identificação com Jetro, sogro de Moisés, não tem justificativa, nós a rejeitamos. Não há similaridade alguma, nem quanto a nomes, nem quanto a incidentes, pois existem dificuldades cronológicas (ver nota do versículo 93, adiante). Se, como os exegetas dizem, Xuaib fazia parte da Quarta geração de Abraão, sendo bisneto de Madian (um dos filhos de Abraão), ele estaria a apenas um século do tempo de Abraão, ao passo que a Tora nos fornecia um período de quatro a seis séculos entre Abraão e Moisés. O simples fato de que Jetro era madianita, e de que outro nome, o de Hobab, é mencionado coo sendo o do sogro de Moisés (Números, 10:29), propicia campo improfícuo para a identificação. Como os madianitas constituíam principalmente uma tribo nômade, não devemos ficar surpresos com o fato de que a sua destruição, em um dos dois aldeamentos, não afetasse as suas vidas nos clãs da tribo, que se deslocavam para outras regiões geográficas. Aparentemente, a missão de Xuaib restringia-se a um dos aldeamentos dos madianitas, que foi destruído por um terremoto (versículo 91 desta surata). Se isto aconteceu um século depois de Abraão, não há dificuldade alguma em se supor que os madianitas constituíssem uma tribo novamente numerosa, três ou cinco séculos mais tarde, no tempo de Moisés (ver a nota anterior). O nome da mais alta montanha do Iemen, Nabi Xuaib (3500 m), provavelmente não tem conexão com o território geográfico dos madianitas nômades, a menos que suponhamos que o seu vaguear se tenha estendido muito para o sul dos territórios mencionados na nota anterior.
  34. Os madianitas estavam no caminho da rota comercial da Ásia, ou seja, entre duas nações opulentas e bem organizadas, o Egito e a Mesopotâmia que compreendia principalmente a Assíria e a Babilônia. Os seus pecados habituais são, deste modo, aqui caracterizados: proporcionar medida e peso inexatos, sendo sabido que a mais estrita probidade comercial é necessária para o sucesso; a forma mais generalizada de tal pecado consistia em privar as pessoas dos seus direitos legítimos; promover desmandos e tropelias, sendo sabido que a paz e a ordem haviam sido estabelecidas (novamente num sentido literal e metafórico): não contentes em conturbarem a vida já assentada, entregava-se ao franco banditismo (tanto literal como metaforicamente), de várias maneiras, obstruindo o acesso das pessoas aos locais de culto de Deus; e abusando da religião e da reverência, por motivos escusos, isto é, a exploração do próprio credo para obtenção dos seus fins trapaceiros, como alguém que constrói casas de oração com ganhos ilícitos, ou faz caridade ostensivamente com dinheiro que obteve à custa de fraudes etc.. Após expor este rol de pecados habituais, Xuaib faz dois apelos, reportando-se ao passado: "Vós começastes como uma insignificante tribo e, pela graça de Deus, crescestes e vos multiplicastes, tanto em número como em recursos; não tereis, então, um dever para com Deus, que consiste em cumprir e fazer cumprir a Sua Lei? Qual foi o resultado, no caso daqueles que se deram ao pecado? Porventura, não vos escarmentaríeis com o exemplo deles?" Assim Xuaib iniciou o seu argumento, com fé em Deus, fonte de todas as virtudes, e o finalizou relatando a destruição por resultado de todos os pecados. No versículo seguinte ele os exorta a que terminem com as suas controvérsias, e se aproximem de Deus.
  35. Porventura, podemos fazer qualquer idéia da data da destruição dos madianitas? Na nota do versículo 85 desta surata, discutimos os aspectos geográficos. As seguintes considerações ajudar-nos-ão a fazermos alguma idéia do período. As histórias de Noé, de Hud, de Sáleh, de Lot e de Xuaib parecem estar em ordem cronológica. Portanto, Xuaib vem depois de Abraão, seria impossível ele ter sido contemporâneo de Moisés, que viveu muitos séculos mais tarde. Tal dificuldade é reconhecida por Ibn Alcatir e por outros exegetas clássicos. A identificação de Moisés. Os madianitas, que foram destruídos por Moisés e, depois dele, por Gedeão, constituíam resquícios de povoados locais, tal qual falamos acerca dos judeus, hoje em dia; contudo, a sua existência como nação, em sua terra natal original, parece ter-se findado antes de Moisés: "foram despojados das suas habitações, como se nunca nelas houvessem habitado"(versículo 92 desta surata). Eusébio e Ptolomeu mencionam uma cidade de Madian, que não tinha grande importância. Após os primeiros séculos da Era Cristã, Madian, como cidade, aparece como um local sem importância vivendo no passado.
  36. As histórias que foram relatadas deveriam servir de escarmento para as gerações presentes e futuras, que herdam as terras, o poderio e as experiências do passado. Elas deveriam saber que, se cometessem os mesmos pecados, deparar-se-iam com a mesma sorte.
  37. O termo "Faraó" ( árabe Fir’aun) é um título dinástico, não o nome de um rei especial do Egito. Têm-se encontrado traços dele nos hieróglifos primitivos, com a variação Per’aa, que significa "Casa Grande". A letra nun é uma letra "fraca", adicionada ao processo de arabização. Quem era o Faraó, na história de Moisés? Caso as inscrições nos auxiliem, poderíamos responder com alguma confiança; porém, desafortunadamente, as inscrições falham quanto a isso. Provavelmente, deve tratar-se do Faraó da 18ª Dinastia, digamos, Tutmés I, lá pelo ano de 1540 a.C.
  38. Note-se que Moisés, ao tratar com o Faraó e com os egípcios, não dizia que a sua missão provinha do seu Deus ou do Deus do seu povo, mas sim do "vosso Senhor", do "Senhor do Universo". E sua missão não era apenas para o seu povo: "Eu venho a vós (povo egípcio), da parte do vosso Senhor".
  39. A serpente desempenhava um grande papel na mitologia egípcia. O grande deus-sol, Ra, conquistara uma estupenda vitória sobre a serpente de nome Apofis, que estereotipava a vitória da luz sobre as trevas. Muitos dos seus deuses e deusas tomavam formas de serpentes, para imprimir terror aos seus oponentes. O cajado de Moisés, como um tipo de serpente que era, de pronto afetou a mentalidade dos egípcios. O desrespeito, que antes havia tomado conta das suas mentes, convertia-se, então, em terror. Ali estava alguém que podia exercer controle sobre o réptil, coisa que o próprio deus Ra não conseguia fazer.
  40. Moisés e seu irmão, Aarão, foram postos "na cova do leão" contra os mais ardilosos mágicos do Egito; porém, eles estavam calmos, e deixaram os mágicos terem o seu turno em primeiro lugar. Como é costumeiro neste mundo, o embuste dos mágicos produziu uma grande impressão sobre os presentes; mas quando Moisés arremessou o seu cajado, a ilusão foi perfeita, e a falsidade foi revelada.
  41. No versículo 101 da 17ª Surata, a referência é a nove Milagres Evidentes. Estes são: o Cajado (versículo 107 desta surata); a Mão Diáfana (versículo 108 desta surata); os anos de seca e de escassez de água (versículo 130 desta surata); a colheita minguada (versículo 130 desta surata); e os cinco mencionados neste versículo, a saber: epidemias entre os homens e os animais; os gafanhotos; as lêndeas; os sapos; e a transformação da água em sangue.
  42. Quando, por fim, o Faraó deixou que o povo de Israel se fosse, não foi escolhida a estrada para Canaã, nas encostas do Mediterrâneo e que passava por Gaza, porque o povo estava desarmado, e poderia, ali, encontrar imediata resistência, mas os israelitas seguiram pelos caminhos desérticos do Sinai. Eles tinham de atravessar pelas extremidades alagadiças do Mar Vermelho (coisa que fizeram), local em que as hostes do Faraó chegaram em perseguição, perecendo afogadas. Comparar com o versículo 50 da 2ª Surata.
  43. Onde estava reunido o Conselho, quando Moisés se dirigiu ao Faraó? A capital do Egito, na 18ª Dinastia, era Tebas (No-Amon), que ficava a mais de 640 km ao sul do Desta, em cujo vértice os israelitas viviam. Mênfis, no ápice do Delta, um pouco mais ao sul de onde agora se encontra o Cairo, ficava também a 170 km dos povoados israelitas. As entrevistas tinham de ser feitas ou em um Palácio perto de Gochen, onde os israelitas viviam, ou em Zoan (Tânis), a capital deltaica, erigida pela dinastia anterior, que estava, certamente, ainda à disposição da dinastia reinante, e não ficava muito longe do povoamento dos israelitas.
  44. As quarenta noites da comunhão de Moisés com Deus, na montanha, devem ser comparadas com os quarenta dias do jejum de Jesus, no deserto, antes de iniciar o seu sacerdócio (Mateus, 4:2), e ainda com os quarenta anos da preparação de Mohammad, antes que desse início ao seu sacerdócio.
  45. Até o melhor de nós talvez seja induzido a se achar de posse daquelas presunçosa idoneidade, ou ambição espiritual, ainda não justificada pelo estágio que temos alcançado. Moisés já havia visto parte da glória de Deus, quando da sua radiante mão diáfana, que reluzia com a glória divina. Porém, ele era ainda carnal, sendo que sua missão para com seu povo iria começar depois do pacto do Sinai. Era prematuro, da parte dele, pedir para ver Deus.
  46. A (outros) homens, ou seja, entre os seus contemporâneos. Ele era portador de uma missão elevada, e tinha tido a honra de falar com Deus.
  47. A feitura do bezerro de ouro e a sua respectiva cultuação pelos israelitas, no Monte, durante a ausência de Moisés, estão relatadas no versículo 51 da 2ª Surata, sendo que alguns detalhes mais desenvolvidos são dados nos versículos 83-87 da 20ª Surata. Note-se como, em cada caso, apenas estes pontos são relatados, os quais são necessários ao argumento em questão. Um narrador, que tenha como objetivo a mera narração, conta a história em todos os seus detalhes, além de se enlear nela. Um artista contumaz, que tem por objetivo reforçar as lições, traz à tona cada ponto, em seu lugar adequado. Mestre em todos os detalhes, ele não faz digressões, mas, munido de supremo tirocínio literário, apenas adiciona o toque necessário, em cada lugar, para completar a figura espiritual. Seu objetivo não é a história, mas sim a lição. Note-se, aqui, o contraste existente entre a intensa comunhão espiritual de Moisés, no Monte, e a simultânea corrupção do seu povo, na sua ausência. Podemos entender a sua justa indignação e amargo pesar (versículo 150 desta surata). O povo havia derretido todos dos seus ornamentos de ouro e feito a imagem de um bezerro, parecido com o touro de Osíris, na cidade de Mênfis, nas terras dos iníquos egípcios, aos quais eles haviam voltado as costas. Quanto ao mugido, havia uma abertura nas duas extremidades do bezerro elaborado e, ao passar por elas, o vento produzia um ruído semelhante a um mugido.
  48. A imagem de um bezerro: literalmente, a palavra Jasad significa, especialmente, o corpo de um homem. No versículo 8 da 21ª Surata, ela é obviamente empregada para um corpo humano, como também no versículo 34 da 38ª Surata. Entretanto, no último caso, a idéia de uma imagem, sem qualquer vida, é também aventada. Na passagem em questão estão incluídas muitas insinuações; de que se tratava de uma imagem sem vida; como tal, ela não poderia abaixar-se; assim sendo, o simulacro de "abaixar-se", mencionado imediatamente depois, provou tratar-se de uma fraude; contrariamente ao seu protótipo, o touro Osíris, ele nem mesmo era portador do símbolo de Osíris. O ídolo de Osíris possuía, pelo menos, algum princípio da ética.
  49. Arrojou as Tábuas; não nos é dito que as Tábuas se quebraram; de fato, o versículo 154 desta Surata, mais adiante, mostra que elas ficaram inteiras. Elas continham a Mensagem de Deus. Haveria um quê de desrespeito (se não de blasfêmia) em se supor que o Mensageiro de Deus houvesse quebrado as Tábuas , em sua raiva incontinente, como é relatado no Antigo Testamento: "...acende-se o furor de Moisés, e arremessou as tábuas das suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte."(êxodo, 32:19). Neste ponto, e também no ponto e que Aarão (na história do Antigo Testamento) ordenou que o ouro fosse trazido, e fundiu um bezerro, modelando-o com uma talhadeira, e construindo um altar na frente do bezerro (Êxodo, 32-2-5), a nossa versão difere da do Antigo Testamento. Não cremos que Aarão, que foi designado por Deus para ajudar Moisés como Mensageiro d’Ele, pudesse descer tão baixo, a ponto de induzir o povo à idolatria, fosse qual fosse a sua fraqueza humana.
  50. Neste versículo está a prefiguração, a Moisés, do Mensageiro do árabes, o derradeiro dos mensageiros de Deus. Profecias sobre ele poderão ser encontradas na Tora e no Evangelho. Na Tora, como ora aceita pelos judeus, Moisés diz: "O Senhor, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu."(Deuteronômio, 18:15). O único Profeta que apareceu com uma lei como a de Moisés foi Mohammad; e ele veio da casa de Ismael, o irmão de Isaac, pai de Israel. No Evangelho, como ora aceito pelos cristãos, Cristo prometeu um outro Consolador (João, 14:16); a palavra grega, Paraclete, que os cristãos interpretaram como se referindo ao Espírito Santo, é tida pelos nossos exegetas como se referindo a Rericlyte, que seria a forma grega de Ahmad. Ver o versículo 6 da 61ª Surata.
  51. O adjetivo "iletrado", como aplicado ao Profeta, aqui e no versículo 157, acima, possui três significados especiais: ele não era versado nos conhecimentos humanos; todavia, estava de posse da mais elevada sapiência, e tinha os maravilhosíssimos conhecimentos das Escrituras anteriores. Isto constituía uma prova da sua inspiração. Demonstrava um milagre da mais elevada espécie, um "sinal", que todos podiam pôr à prova então, e todos podem pôr à prova agora. Todo o conhecimento humano organizado tende a se cristalizar, ou a se tornar parcial, ou se ter sabor de alguma corrente de pensamento. Os Mestres mais altruísticos têm de estar libertos de tias colorações, assim como uma lousa limpa seria necessária, caso uma mensagem perfeitamente clara e intrépida tivesse que ser nela escrita.
  52. Pescar, como todas as outras atividades, era proibido ao povo de Israel no sábado. Como esta prática era costumeiramente observada, aos sábados os peixes chegavam à tona com uma sensação de segurança nas águas dos canais e lagos, coisa que não acontecia nos outros dias, quando a pesca era livre. Isto constituía uma grande tentação para os transgressores, à qual eles não podiam resistir. Alguns dos seus homens reverentes protestavam, mas isso não surtia efeito. Quando as suas transgressões, que, supomos, se estenderam aos outros mandamentos, ultrapassaram os limites, o castigo chegou. Eles foram desprezados pelo seu próprio povo, e se tornaram como os símios, sem lei e sem ordem ou decência, a localidade particular é tida como a cidade de Eliat.
  53. Ver Deuteronômio, 28:49: "O Senhor mandará de longe, e das extremidades da terra, sobre ti, uma nação, à semelhança da água que voa impetuosamente e cuja língua tu não podes entender".
  54. A dispersão dos judeus é um grande fato na história do mundo. A sua diáspora não terminou ainda, nem tampouco está sujeita a terminar, tanto quanto podemos prever.
  55. Esta passagem tem levado a diferenças de opinião quanto à interpretação. Significaria ela que cada indivíduo, na posteridade de Adão, possui uma existência separada do tempo de Adão, e que o Pacto foi feito com todos eles, o qual é obrigatório, de acordo com cada indivíduo? Essa questão, realmente, não é suscitada. As palavras do texto referem-se a todos os descendentes dos filhos de Adão, ou seja, a toda humanidade, nascida ou por nascer, sem qualquer limite de herança espiritual. A humanidade, como tal, possui um aspecto corpóreo. Foram concedidos à humanidade certos poderes e faculdades que criam para nós obrigações espirituais especiais, as quais devemos fielmente cumprir; ver o versículo 1 da 5ª Surata, e respectiva nota. Essas obrigações podem, partindo-se de um ponto de vista legal, ser consideradas como advindas de Pactos implícitos. No versículo anterior desta surata (171), foi feita referência ao Pacto implícito com a nação judaica. Agora nós consideramos o Pacto implícito a toda a humanidade, porquanto a missão do mensageiro era de âmbito mundial.
  56. Os exegetas diferem quanto a se esta história ou parábola se refere a um indivíduo em particular e, se assim for, a quem. A história de Balaam, o vidente, que foi convocado pelos inimigos de Israel a amaldiçoar esse país, mas que, ao invés disso, o abençoou (Números, 22, 23 e 14), é bem diferente. É preferível tomarmos a parábola em um sentido generalizado. Há homens de talento e posição, aos quais chegam magníficas oportunidades de introspecção espiritual, mas que perversamente as ignoram. Satanás vê chegada a sua oportunidade, e se apodera deles. Ao invés de se elevarem no mundo espiritual, seus egoísmos e desejos terrenos, bem como as suas objeções, puxam-nos para baixo, e ei-los perdidos.
  57. O cão, especialmente no calor, estira a língua (arqueja), seja ele atacando ou perseguindo e esteja cansado, ou seja deixado em paz e em descanso. Babar faz parte da sua natureza. Assim se dá com o homem que rejeita Deus. Quer seja admoestando, quer seja deixado de lado, continua a expelir a sua saliva imunda. Os danos que ele causar, causará à sua própria alma. Contudo, talvez haja infecção, causada pelos seus maus exemplos. Assim sendo, nós devemos proteger os outros. Também, jamais devemos perder as esperanças quanto a sua própria emenda.
  58. Conforme contemplamos a natureza de Deus, nós podemos usar os mais soberbos nomes em que podemos pensar, para expressarem os Seus atributos. Há centenas de tais atributos. Na Surata da Abertura nós os temos, indicados em poucas e compreensíveis palavras, tais como Tahman (Clemente), Rahim (Misericordioso) e Rab-ul’alamin (Senhor do Universo). Trazermos tais nomes à lembrança faz parte da nossa Oração e Louvação. Porém, não nos devemos igualar às pessoas que profanam o nome de Deus, ou coisa parecida, como se para darem a entender qualquer coisa derrogatória à Sua dignidade ou Sua unicidade. Comparar com o versículo 110 da 17ª Surata. Os mais belos atributos de Deus são em número de 99, a saber: É Deus, não há mais divindade além d’Ele, Clemente, Misericordioso, Soberano, Augusto, Salvador, Pacífico, Zeloso, Poderoso, Compulsor, Supremo, Criador, Onifeitor, Formador, Indulgente, Irresistível, Liberal, Agraciante, Triunfantes, Sapiente, Restringente, Abastecedor, Depreciador, Exaltador, Glorificador, Sobrepujante, Oniouvinte, Árbitro, Justiceiro, Propício, Conservador, Onipresente, Julgador, Majestoso, Generoso, Velador, Exorável, Munificente, Prudente, Afetuoso, Glorioso, Ressuscitador, Testemunha, Verdadeiro, Autoridade, Fortíssimo, Inflexível, Protetor, Louvável, Onímodo, Autor, Reprodutor, Vivificador, Letífero, Vivente, Subsistente, Perfeito, Excelso, Uno, Único, Eterno, Todo-Poderoso, Onipotente, Promovedor, Obstruidor, Primeiro, Último, Visível, Invisível, Regente, Sublime, Benevolente, Remissório, Punidor, Absolvedor, Compassivo, Imperador, Majestoso e Honorável, Eqüitativo, Congregador, Guia, Engendrador, Perpétuo, Herdeiro, Diretor, Paciente.
  59. Seu concidadão, ou seja, o Mensageiro Mohammad, que vivia com eles e no meio deles. Ele foi acusado de loucura porque se comportava de modo diferente do deles. Ele não tinha ambições egoísticas; era sempre veraz, em pensamentos, palavras, ações; era benevolente e tinha consideração para com os fracos, e não se deslumbrava com o poder, a riqueza, ou com a posição no mundo.
  60. O mistério do nascimento do homem, o quanto isso afeta o pai e a mãe, somente toca a imaginação dos pais nos derradeiros estágios, quando a criança ainda não nasceu e, no entanto, a vida já se manifesta dentro do corpo da mãe expectante. A chegada da nova vida constitui um acontecimento solene e impregnado de muita esperança, bem como de riscos desconhecidos para a própria mãe. Os pais, em sua ansiedade, voltam-se para Deus.
  61. Uma vez nascida a criança, os pais se esquecem de que isso constitui uma dádiva de Deus – um milagre da Criação, coisa que lhes deveria ascender as mentes para os elevados arcanos do Senhor. Em vez disso, a sua gradativa familiaridade com a nova vida faz com que eles a liguem a muitas idéias supersticiosas ou rituais e cerimônias, ou que a tomem por um mero acaso, como um brinquedinho do mundo material. Isto leva à idolatria ou falso culto, ou ao estabelecimento de falsos padrões, em detrimento da dignidade de Deus.
  62. A pulcritude e a virtude da vida de Mohammad eram reconhecidas por todos, até que ele recebeu a missão de pregar e combater o mal. Que aconteceu, então? O mal ergueu barricadas para si mesmo. Este tinha olhos, mas recusou-se a ver; tinha ouvidos, mas recusou-se a ouvir; tinha inteligência, mas obstruiu os seus canais de compreensão. Mesmo agora, após treze séculos e meio, uma vida de inusitada pureza, probidade, justiça e virtude, é vista sob falsa luz por detratores cegos!
 

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