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  1. Esta é a única Surata de Deus que não se inicia com a expressão "Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso". A razão disso está em que parece ter ela sido revelado, por completo, com advertência às injustiças e à quebra do pacto, cometidas pelos idólatras; constitui uma reprimenda aos hipócritas, e tudo isso não se coaduna com o nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. A esse respeito foi Ibn Sina consultado, ao que respondeu: "O nome de Deus inspira paz a segurança, e não é de bom alvitre associá-Lo à acusações e à agruras."
  2. Quatro meses. Alguns exegetas acham que se trate dos quatro meses proibidos, nos quais os expedientes da guerra, segundo um costume da Arábia antiga, eram considerados ilícitos, a saber: Rajab, Dul-Qui’da, Dul-hijja e Muharram (ver versículo 194 da 2ª Surata, e respectiva nota). Contudo, é preferível tomar a significação como se referindo aos quatro meses que imediatamente se seguem à Declaração. Presumindo-se que a Surata haja sido promulgada no início de Chawal, os quatro meses seriam: Chawal, Dul- Qui’da, Dul-hijja e Muharram, dos quais os últimos três seriam também meses costumeiramente proibidos.
  3. O grande dia do Hajj; é tanto o 9º dia de Dul-hijja (‘Arafat) como no 10º (o Dia do Sacrifício).
  4. Quando a guerra se torna inevitável, ela deve ser encetada com vigor. De acordo com o termo português, não se pode lutar com "luvas de pelica". O combate poderá tomar a forma de matança, ou de aprisionamento, ou de assédio, ou de emboscada e outros estratagemas. Contudo, mesmo assim, há sempre lugar para o arrependimento e a emenda, por parte do lado culpado; e se isso acontecer, será nosso dever perdoarmos e estabelecermos a paz.
  5. Mesmo entre os inimigos do Islam, entre os que estão ativamente hostilizando os muçulmanos, talvez haja indivíduos que se encontrem numa posição que requeira proteção. Asilo completo lhes deve ser dado, bem como oportunidades que lhes propiciem ouvir a Palavra de Deus. Se aceitarem a Palavra, tornar-se-ão muçulmanos e irmãos, sendo que questão alguma será suscitada. Se não houver jeito de aceitarem o Islam, requererão proteção dupla: (1) das forças islâmicas, que estão lutando contra o seu povo, e (2) de seu próprio povo, uma vez que se separaram dele. Ambas as espécies de proteção deverão ser-lhes garantidas, sendo que deverão ser seguramente escoltados para um local onde poderão estar a salvo. Tais pessoas somente erram por ignorância, acontecendo que deve haver muito de bom nelas.
  6. Entre os árabes, os laços de parentesco eram tão fortes, a ponto de serem quase irrompíveis. Os árabes idólatras, entretanto, saíram da sua linha, a fim dos que romperem, como no caso dos muçulmanos, que eram "unha e carne" com eles. Além dos laços de parentesco, havia ainda os da promessa jurada quanto ao Tratado. Eles quebraram essa promessa, porque a outra parte era composta de muçulmanos.
  7. A palavra "Amara, como é aplicada para a mesquita, implica nas seguintes idéias: construir ou consertar; conservá-la na dignidade adequada; freqüentá-la, para fins de devoção; e enchê-la de luz, de vida e de atividade. Por motivo de brevidade, nós usamos somente o termo "freqüentar" na tradução. Antes da pregação do Islam, os idólatras construíam, reformavam e conservavam as mesquitas, e nelas celebravam cerimônias idólatras, incluindo a de dançarem nus, ao redor da Caaba. Disso eles fizeram uma fonte de renda. O Islam protestou, e os idólatras expulsaram os muçulmanos e o Líder destes de Makka, além de lhes obstruírem o acesso à própria Caaba. Quando os muçulmanos ficaram suficientemente fortes, e reconquistaram Makka (8º ano da Hégira), purificaram o santuário e restabeleceram o culto ao verdadeiro Deus. As famílias que antes tinham controle sobre o santuário não podiam, depois disso, em estado de idolatria, controlá-lo mais. Caso se tornassem muçulmanos, isso seria um assunto diferente. Esta foi a ocasião particular a que se refere o versículo. A dedução genérica é clara. A casa de Deus é um local de sincera devoção, e não um teatro de rituais vulgares, nem tampouco uma fonte de renda terrena. Tão-somente os crentes sinceros têm o direito de ali entrar.
  8. O dar de beber água fresca aos sedentos peregrinos, e o prestar serviços materiais à mesquita constituem atos de profunda significação; todavia, são apenas externos. Se não tocarem a alma, seu valor será diminuto. Bem maiores, aos olhos de Deus, são os atos de Fé, de Diligência, e de auto-submissão ao seu Senhor. Aqueles que praticarem, obterão honra aos olhos de Deus. A luz e a diretriz de Deus chegarão até eles, mas não chegarão até aqueles seres auto-suficientes, que pensam que uma pequena amostra do que o mundo considera reverência seja suficiente.
  9. Eis aqui uma magnífica descrição do Jihad. Ele talvez requeira que se lute pela causa de Deus, como uma forma de sacrifício. Porém, a sua essência consiste em uma verdadeira e sincera Fé, que se fixa em Deus, tanto que todos os motivos egoísticos ou terrenos ficam parecendo insignificantes, e se desvanecem. A fé dos crentes é uma genuína incessante atividade, envolvendo o sacrifício (se necessário for) da própria vida, ou dos bens, para o serviço de Deus. A mera luta brutal é contrária a todo o espírito do Jihad, ao passo que o lápis do estudante, ou a voz do pregador, ou as contribuições do abastado, talvez constituam mais valiosas formas de Jihad.
  10. Hunain fica no caminho que vai de Taif a Makka, a cerca de 22 km a leste desta cidade. Trata-se de um vale, numa região montanhosa. Imediatamente após a conquista de Makka, os idólatras pagãos, que estavam a um tempo surpresos e humilhados com a brilhante recepção que o Islam estava tendo, organizaram um tremendo ajuntamento próximo a Taif, a fim de traçar planos de ataque ao Mensageiro. As tribos de Hawzan e de Sa-quif tomaram a liderança, e prepararam uma colossal expedição com destino a Makka, jactando-se de seu poderio e tirocínio militar. Havia, por outro lado, uma onda de confidente entusiasmado por parte dos muçulmanos, em Makka, à qual se juntaram novos muçulmanos. A força inimiga contava com cerca de 4.000 homens, e a força dos muçulmanos atingia um total de 10.000 ou 12.000 homens, uma vez que todos a ela se queriam juntar. A batalha foi travada em Hunain, como descrito na nota seguinte.
  11. Pela primeira vez os muçulmanos gozaram de uma tremenda vantagem, e isso foi em Hunain. No entanto, aquilo, por si só, constituía um perigo. Muitos, em suas fileiras, foram tomados mais pelo entusiasmo do que por um espírito de sapiência, mais por um espírito de ufania do que de fé e confiança na virtuosidade da sua causa. O inimigo gozava das vantagens de conhecer completamente o terreno. Ele encetou uma emboscada na qual a vanguarda dos muçulmanos foi apanhada. E por ser a região montanhosa, fácil se tornava ao inimigo ali se entocaiar. Tão logo a vanguarda muçulmana entrou no vale de Hunain, o inimigo caiu em cima deles com fúria tal, que causou uma verdadeira devastação com suas flechas, que partiam de suas tocaias. Em tais circunstâncias, a vantagem numérica dos muçulmanos constituía, já, uma desvantagem. Muitos foram mortos, e muitos voltaram, em confusão e retirada. O Mensageiro, porém, como sempre, mantinham-se calmo em sua sapiência e fé. Ele reagrupou as suas forças, e infligiu ao inimigo a mais fragorosa derrota.
  12. Os acontecimentos desenrolados em Makka fizeram com que aumentassem os lucros das transações e do comércio. "Mas, não temais", é-nos dito, "os idólatras constituem um poderio fraco; eles estão sujeitos a desaparecer, sendo que vós deveis fortalecer a vossa própria comunidade, para que eles possam fazer mais do que compensar a da aparente perda dos hábitos; e sabei que Deus possui outros meios de melhorar a vossa posição econômica." Isto virtualmente aconteceu. Os idólatras foram extintos da Arábia, e as contribuições dos peregrinos, vindos de todas as partes do mundo, fizeram com que a economia aumentasse, mais de cem vezes. Eis aqui o bom senso, a sapiência, a habilidade política, e o tacto, ainda que olhemos a questão de um ponto de vista puramente humano.
  13. Jizya; o significado é compensação. O significado derivado, que se tornou um significado técnico, era uma capitação exigida daqueles que não aceitavam o Islam, mas que concordavam em viverem sob a sua proteção, estando, deste modo, tacitamente disposto a se submeterem aos ideais impostos pelo Estado Muçulmano, salvo apenas a sua liberdade pessoal de consciência, com relação a eles mesmos. Não havia uma quantia fixa para isso e, de qualquer modo, aquilo era simbólico – uma conscientização de que eles cuja religião era tolerada, por seu turno, não deveriam interferir com a pregação e o progresso do Islam. O Imam Chafi’i acha que a contribuição seria de um dinar por ano, que seria o dinar árabe de ouro, corrente nos Estados Muçulmanos. Ver a nota do versículo 75 da 3ª Surata. A taxa variada de quantia, havendo exceções para os pobres, para as mulheres e crianças (segundo Abu Hanifa), para os escravos, e para os monges ermitões; constituindo-se de uma taxa sobre pessoas fisicamente capazes e em idade para o serviço militar, aquilo seria, de certo modo, uma comutação para este serviço.
  14. Este versículo e o seguinte deveriam ser lidos juntos. Eles condenam a conduta arbitrária e egoística dos árabes idólatras que, por causa de um costume havia muito estabelecido, o de observar quatro meses, nos quais o combate era proibido, mudavam os meses, ou os prolongavam, ou os reduziam, a fim de conseguirem uma injusta vantagem sobre o inimigo. Os quatro meses proibidos eram Dhul-quida, Dhul-Hijja, Muharram e Rajab. Caso lhes conviesse, eles mudavam um desses meses, tornando comum um mês proibido; posto que os seus oponentes hesitavam em combater, eles ficavam numa indevida vantagem. Isso ainda abalava a segurança do mês da Peregrinação. Este era um costume antigo, estabelecido para observação geral; e sua transgressão, feita pelos idólatras, é condenada. A questão do ano solar astronômico, em contraposição ao ano lunar eclesiástico, não é suscitada aqui. Contudo, deve-se notar que o ano árabe era quase luni-solar, como o ano hindu; seus meses eram lunares, e a intercalação de um mês, para cada três anos, quase se aproximava, mas não acuradamente, do ano solar. Desde o ano da Peregrinação de Despedida (10º da Hégira), o ano eclesiástico foi definitivamente fixado como um ano puramente da lunar. Quase não chegando a 354 dias, com meses calculados pelo virtual aparecimento da lua. Depois disso, cada mês do ano eclesiástico chegava 11 dias mais cedo do que no ano solar, e desse modo os meses eclesiásticos ocorriam em todas as estações e em todo o ano solar.
  15. Os muçulmanos viam-se em desvantagem, devido aos seus escrúpulos quanto aos meses proibidos. É-lhes dito que não se deixem enganar quanto a isso. Caso os idólatras combatessem em todos os meses, por um pretexto ou por outro, era-lhes permitido que se defendessem em todos os meses. Todavia, o controle sobre si mesmos (como sempre), tanto quanto possível, era recomendado.
  16. O Interferirem com um costume, havia muito estabelecido, de fazer interromper-se o período de injunções guerreiras durante os meses proibidos ou sagrados, não somente constituía uma demonstração de escárnio, por parte dos idólatras quanto aos muçulmanos, por causa da fé destes, mas ainda era errôneo, e, em si, injusto, uma vez que impedia uma total verificação nas irregularidades das injunções guerreiras, além de prejudicar os respeitadores da lei, por meio de decisões arbitrárias.
  17. A referência imediata é à expedição de Tabuk ( 9º ano da Hégira). Entretanto, a lição é perfeitamente genérica. Quando é feito um clamor em favor de uma grande causa, os afortunados são eles que têm o privilégio de atender a tal clamor. Os desafortunados são aqueles que se encontram tão engajados em seus limitados assuntos, que se tornam surdos ao apelo. Estes estão sofrendo de uma enfermidade espiritual.
  18. A escolha é entre dois expedientes: iríeis preferir uma nobre ventura e o glorioso privilégio de seguir o vosso líder espiritual, ou a desventura de rastejardes na terra, em busca de algum diminuto ganho terreno, ou por medo da perda das coisas deste mundo? As pessoas que hesitaram em atender ao clamor de Tabuk deixaram de fazê-lo por causa do calor do verão, em meio ao qual a expedição foi empreendida, devido à ameaça à existência da pequena comunidade; e por medo de perder os frutos da colheita, que estava em vias de ser efetuada.
  19. A expedição de Tabuk não se constituiu num fracasso. Embora muitos houvessem hesitado, muitos mais se juntaram a ela. Porém, exemplo mais notável deu-se quando o Mensageiro se viu obrigado a deixar Makka e empreender a sua famosa Migração, "Hijrat". Seus inimigos conspiravam contra a sua vida. Ele já havia enviado seus seguidores para Madina. Áli ofereceu-se como voluntário para enfrentar os inimigos, em sua casa. Seu único companheiro era Abu Bakr. Os dois se esconderam por três noites na caverna de Saur, a cerca de 5 km de Makka, tendo o inimigo, em grande número, a vasculhar toda a região à procura infrutíferas deles. "Nós somos apenas dois", disse Abu Bakr. "Qual", disse Mohammad, "fica sabendo que Deus está conosco". A fé lhes dava paz de espírito, e Deus lhes dava segurança. Eles chegaram a Madina, em um glorioso capítulo abriu-se para o Islam. As forças que os auxiliaram eram invisíveis, mas seu poder era irresistível.
  20. Literalmente, "o segundo dos dois", que mais tarde passou a ser o honroso título de Abu Bakr.
  21. A palavra fitna, como ficou explicado na nota do versículo 25 da 8ª Surata, significa sedição, tumulto, alvoroço ou tentação. Os exegetas, aqui, apegam-se ao último significado, explicando que alguns hipócritas pediram a isenção do serviço, na expedição de Tabuk, que iria em direção à Síria, sob a alegação de que não poderiam suportar os encantos da mulheres daquelas paragens, sendo que melhor fariam se ficassem em casa. A resposta foi: "No entanto, já caístes em tentação aqui, ao vos recusardes ao serviço, desobedecendo à convocação."
  22. A espera, tanto dos incrédulos, como dos crentes, se dá em sentido diferente. O desejo dos incrédulos é que aconteçam desastres aos crentes; porém, quer os crentes saiam vitoriosos ou morram como mártires, pela Causa, em ambos os casos estarão felizes com os resultados. Os crédulos esperam a punição para os incrédulos, por causa da infidelidade deles, tanto pelo seu próprio meio, como de outra maneira, dentro dos Desígnios de Deus, coisa que os incrédulos não gostariam, de um modo ou de outro. (comparar com o versículo 158 da 6ª Surata).
  23. Sádaca = esmola, que é dada em nome de Deus, principalmente para os pobres e necessitados, e para propósitos semelhantes, especificados no versículo 60. Zakat é a caridade regular e obrigatória, numa comunidade muçulmana organizada, comumente de 2,5 % no tocante a mercadorias, e de 10%, no tocante a frutos da terra. Existe um vasto corpo de obras a este respeito.
  24. As esmolas ou as doações caritativas devem ser dadas para os pobres e necessitados e para aqueles que se encontram a seu serviço. Isto é, os fundos de caridade não deverão ser desviados para outros usos; contudo, as despensas genuínas com a administração e distribuição da caridade sairão, com justa razão, de tais fundos.
  25. O termo português "mão-de-vaca" satisfaria apenas uma parte do significado. A mão é símbolo do poder, da ajuda e da assistência, isto poderá referir-se ao sentido financeiro ou a outro qualquer. Os hipócritas pretender ser uma porção de coisas, mas realmente são uns inúteis, não se constituindo em ajuda para ninguém.
  26. As cidades da planície, Sodoma e Gomorra, nas quais Lot em vão exortou o povo a que desistisse de suas abominações. Ver os versículos 80-84 da 7ª Surata.
  27. A referência é a uma conspiração, feita pelos inimigos do Mensageiro, com o fito de matá-lo, quando ele voltava de Tabuk. A conspiração fracassou. O mais estranhável disso é que entre os conspiradores encontravam-se homens de Madina, que haviam enriquecido por causa da prosperidade que se seguiu à paz e ao bom governo que ali se estabeleceu por meio do Islam. O comércio florescia; a justiça era firmemente imposta, com mãos equânimes. E a única retribuição que aqueles homens souberam dar foi a do mal pelo bem, aquilo era uma espécie de vingança, porque o Islam primava por suprimir o egoísmo, defendia os direitos dos mais pobres e mais humildes, e considerava a dignidade mais pela virtude do que pelo berço ou pela posição.
  28. Uma terrível admoestação para aqueles que decididamente se opuseram à Causa de Deus. O Mensageiro era, por natureza, pleno de misericórdia e perdão. Ele orava em favor dos seus inimigos. No entanto, em tal caso, mesmo as suas orações se vêem sem efeito, por causa da atitude deles em rejeitarem Deus.
  29. A expedição a Tabuk teve de ser realizada às pressas, no rigor do verão, por causa da ameaça ou do temor de uma invasão dos bizantinos. Eles partiram de Madina, por volta do mês de setembro ou outubro, do calendário solar.
  30. Na morte de um muçulmano, simplesmente assistir às cerimônias funerárias constitui um dever piedoso, e que nenhum muçulmano das vizinhanças deverá se furtar; praticar as orações antes que o corpo seja baixado à sepultura, sendo que o abaixamento do corpo à sepultura deverá ser feito com um ritual simples, solene e digno, no qual os parentes mais chegados, ou amigos, auxiliam no sepultamento, enquanto os outros permanecem em pé ao lado da sepultura. Para aqueles que tenham demonstrado hostilidade para com o Islam, isto não seria correto, e seria proibido.
  31. Khaualif é o plural de khalifa, ou seja, aqueles que ficaram para trás, enquanto os homens iam para a guerra. Havia homens que preferiam ficar para trás, com as mulheres, quando havia trabalhos árduos para serem feitos por homens com tal como defenderem os seus lares. Eles não eram apenas covardes, porém também tolos, uma vez que não compreendiam as coisas de seu próprio interesse. Caso o inimigo se saísse melhor do que seus irmãos, eles próprios seriam esmagados. "Seus corações serão selados." Os hábitos de covardia e de hipocrisia que eles adotaram tornaram-se a sua segunda natureza.
  32. Os pagamentos se referem à caridade regular, estabelecida pelo Islam – esmolas obrigatórias. Caso as consideremos como uma multa ou um encargo, sua virtude estará desfeita. Se nos regozijarmos em ter aí a oportunidade de ajudar a comunidade a manter os seus padrões de assistência pública, e a suprimir a mendicância, livrando-se de inconveniente e repugnante importunação, cujo abrandamento é apenas governado por motivo de se livrarem de nocivos obstáculos do caminho, então o nosso ponto de vista será inteiramente diferente. Nós desejamos que haja esforços organizados e efetivos para que se revolvam os problemas humanos da pobreza e da miséria. Ao procedermos assim, aproximar-nos-emos de Deus, e angariaremos os votos e as orações dos religiosos, conduzidos pelo nosso Líder, Mohammad.
  33. Note-se como este simbolismo aparece nas descrições do cumprimento final do destino do homem. Na ciência matemática, isso seria como uma letra ou fórmula, que sumariaria um longo curso de racionalizações. Nas artes gráficas, seria o que um lótus é para o budismo, ou seja, expressaria todo um complexo de experiências emocionais e religiosas. Na música, seria como as notas características de Brahms ou Paganini. Nesta mesma Surata, ele ocorre antes, nos versículos 72 e 89. Nós estamos levando em consideração os bons e os maus beduínos, e fechando o círculo, quanto a eles.
  34. Os árabes do deserto não eram todos gente simples. Havia hipócritas astutos entre eles, tanto entre certas tribos acampadas ao redor de Madina, como entre outras, na própria Madina. Compreendemos que ambos os grupos pertencem aos Arab a quem o contexto se refere, e não aos cidadãos de Madina, já estabilizados, de cujos hipócritas já foi falado em seções anteriores. Talvez aparentassem ser simples, mas eram, em sua ignorância, os mais obstinados hipócritas.
  35. Esta é uma classe de insidiosos malfeitores, cujo tipo é ilustrado pela história de Kubá ("Mesquita dos desmandos" – dhirar). Kubá é um subúrbio de Madina, cerca de 4,5 km a sudeste. Quando o Profeta se dirigia para Madina, na Hégira, ele descansou por quatro dias em Kubá, entes de atingir o seu destino. Aí foi construída a 1ª mesquita, a "Mesquita da Piedade" (taqwa) ou a mesquita do poder do Islam (Quwat-ul-Islam), à qual ele freqüentemente ia, durante as suas subseqüentes estadas em Madina. Para tirar vantagens sagradas, alguns hipócritas da tribo Bani Ghannam construíram uma mesquita de oposição em Kubá, fingindo ajudarem o Islam. Na realidade, eles estavam aliados a um famigerado inimigo do Islam, um tal de Abu Amir, que havia lutado contra o Islam em Uhud, e que estava agora, depois da batalha de Hunain (9º ano da Hégira), na Síria; os seus confederados queriam uma mesquita, para que o Profeta a ela fosse; porém, aquilo constituir-se-ia apenas numa fonte de desmandos e divisão, ficando o esquema desaprovado.
  36. Abu Amir, cognominado o Ráhib (monge), uma vez que havia estado em contato com os monges cristãos.
  37. A original "Mesquita da Piedade", construída pelo Mensageiro.
  38. O homem que constrói sua vida, baseado na piedade (coisa que inclui a sinceridade e a pureza de todas as intenções), e nas suas esperanças no Bom Aprazimento de Deus, deve construí-la numa firme fundação rochosa que jamais será abalada. Em contraposição a este, está o homem que constrói a sua vida num oscilante morro sedimentário, à beira de um abismo, já minado por forças que ele não vê. O morro e as fundações, tudo ruirá, juntamente com ele, resultando que ele será arrojado no Fogo da miséria, do qual não há escapatória.
  39. Entre os fiéis, o maior número consistia daqueles que eram perfeitamente leais e estavam sempre prontos a cumprir com seus deveres. Eles obtiveram o amor e o bom aprazimento de Deus. Em seguida vêm uns poucos que titubeara, porque suas vontades eram fracas, e se viram desencorajados pelos perigos e dificuldades com que se haviam de ver; a graça salvadora de Deus os protegeu, e eles superaram as suas fraquezas, e não fracassaram em seus deveres; Deus os perdoou e aceitou-lhe o arrependimento. Por último, da ilustração tirada da questão de Tabuk, houve alguns que fracassaram em seus deveres, não por contumácia ou má vontade, mas por insensatez, por frouxidão, e por fraqueza humana; eles literalmente deixaram de obedecer aos clamores do Profeta, e foram naturalmente chamados para se explicarem, e, por fim, foram excluídos da vida da comunidade. O estado mental deles é aqui descrito graficamente. Embora a terra seja espaçosa, para eles ela se tornou constrangida. Em suas almas, eles tinham uma sensação de constrangimento. Nas conjunturas terrenas eles se sentiam pobres de espírito. Cientificaram-se de que não podiam fugir de Deus, mas tão-somente poderiam encontrar conforto e refúgio, voltando-se para Ele.
  40. O combate talvez seja inevitável e, quando a convocação, da parte do governante do Estado islâmico, for feita, deverá ser obedecida. Todavia, o combate não deverá ser glorificado, à exclusão de tudo o mais. Mesmo entre aqueles que estão aptos a partir, uma parte deverá ficar para trás – uma em cada cidadela ou círculo – para fins de estudo; assim, quando os combatentes voltarem para casa, suas mentes ficarão novamente em sintonia com os mais normais interesses da vida religiosa, sob a direção de mestres adequadamente instruídos. Os estudantes e os mestres passam a ser soldados de Jihad, em seu espírito de obediência e disciplina.
 

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