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O islam
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  1. Ver o versículo 1 da 2ª Surata, e respectiva nota.
  2. Todo o princípio básico está incluso na Revelação de Deus, e é fartamente ilustrado e explicado em detalhes.
  3. A Mensagem de Mohammad era admoestar quanto ao mal, e tinha por finalidade anunciar a boas-novas da Misericórdia e da Graça de Deus, para todo aquele que a quisesse receber, em Fé e em confiança em Deus. Esta dupla Mensagem é ilustrativamente proclamada nesta Surata.
  4. O gozo de todas as boas e verdadeiras coisas desta vida refere-se, achamos, à vida presente, com seus limitados termos, e a abundante Graça refere-se às elevadas recompensas espirituais, que começam aqui, e são completadas na vida por vir.
  5. O coração (literalmente, peito, em árabe) já está bem guardado no corpo; e supõe-se que os segredos estejam ocultos no coração, ou peito. Os tolos poderão procurar intensivamente cobrir seus corações com indumentárias, mas, mesmo assim, nada poderá ser escondido de Deus.
  6. É cientificamente correto dizermos que toda a vida se desenvolveu na água, sendo que tal assertiva também aparece no versículo 30 da 21ª Surata. O Trono da autoridade de Deus é metaforicamente descrito como estando sobre a água, ou seja, regularmente, sobre toda a vida.
  7. Se os homens do mundo desejarem o resplendor desta vida, tê-lo-ão a mancheias; contudo, saibam que se trata de falso resplendor, e que implica na negação da vida espiritual, a qual procede da diretriz da luz interior, e da revelação de Deus, como é descrito no versículo 17 desta surata, mais adiante.
  8. "Uma testemunha enviada por Ele"; ou seja, o Livro que foi concedido a Mohammad, o Sagrado Alcorão, que é comparado à Revelação original, concedido a Moisés. Nós não fazemos distinção entre uma verdadeira e genuína Mensagem e outra, nem tampouco entre um mensageiro e outro – porque todos eles procedem do Único e Verdadeiro Deus.
  9. A missão de Noé destinava-se a um mundo corruptos, afundado em pecados. A missão era de caráter duplo, como a missão de todos os diletos de Deus: ela tinha por finalidade admoestar os humanos quanto ao mal, convocando-os ao arrependimento, e ainda anunciar-lhes a boas-novas da Graça de Deus, caso eles se voltassem para Ele: ela se constituiu numa Diretriz e em Misericórdia.
  10. A resposta de Noé (como a do Dileto de Deus, o qual, épocas mais tarde, falou em Makka e em Madina) constituiu-se num padrão de humildade, de cavalheirismo, de firmeza de caráter, de persuasão, de veracidade, e de apego ao seu próprio povo. Primeiro, submissamente – não exultantemente -, ele informa a seus concidadãos que está de posse da Mensagem de Deus. Segundo, ele lhes diz que, mesmo em sua parte admoestatória, trata-se de uma Mensagem de Misericórdia, e que talvez, devido à arrogância deles, a Misericórdia lhes seja ocultada. Terceiro, ele lhes diz abertamente que não pode haver compulsão quanto à religião; contudo, acaso, não deveriam aceitar de bom grado aquilo que era para o próprio benefício deles? Ele argumenta com eles como um deles.
  11. O ridículo a que os pecados expunham Noé, partindo do próprio ponto de vista deles, era natural. Lá estava um pregador feito carpinteiro! Lá estava um planalto, fora do alcance da bacia mesopotâmica, drenada pelos majestosos Tigre e Eufrates, que ia desaguar no mar, longe dela 1.200 ou 1.300 km, e em linha reta! E ele ainda falava de inundação, como no mar! Todas as civilizações materiais orgulhavam-se de suas obras públicas e de seus traçados de drenagem. E lá estava um indivíduo contando com Deus! Porém, acaso, o orgulho tacanho deles não pareceria também ridículo para o dileto de Deus? Ali estavam homens impregnados de pecado e insolência! E eles pretendiam competir com o poder de Deus e folgar quanto à sua promessa! Em verdade, desprezível raça e a humana!
  12. Um filho (ou enteado, ou neto) de Noé, desobediente e recalcitrante, é mencionado mais adiante (versículos 42-43 e 45-46). Um membro de sua família, ao se apartar das tradições da progênie, em assuntos que lhe dizem respeito, deixa de compartilhar dos privilégios dela.
  13. Os símiles das montanhas são as ondas, que são altas como os montes – literalmente, pois os picos estavam sendo encobertos.
  14. Os incrédulos recusam-se a acreditar em Deus, mas têm grande fé nas coisas materiais. Aquele jovem iria tentar salvar-se subindo aos picos das montanhas, não sabendo que os próprios pios iriam ficar submersos.
  15. Não há dúvida de que o nome está ligado à palavra "Kurd", na qual a letra r constitui uma interpolação posterior, porquanto os velhos registros sumérios mencionam um povo chamado Kutir ou Gutu, que dominava a região do médio Tigre, não muito depois do ano 2.000 a.C.. Esta região compreende o moderno distrito turco de Bothan, no qual está situado Jabal Judi (perto das fronteiras da moderna Turquia, do moderno Iraque, e da moderna Síria), e a cidade de Jazirat Ibn Ômar (na presente fronteira turco-síria), e se estende no Iraque e no Irã. A enorme massa de montanha do Plateau Ararat domina esse distrito. O sistema de montanhas "é o único no Velho Mundo que contém grandes lençóis de água que são lagos não salgados e sem saída, sendo que os principais são o Lago Van e o Lago Urumiya". Tal deveria ter a própria região de estupendo Dilúvio, se considerarmos que a escassa precipitação pluviométrica se transformou em um torrencial aguaceiro. Um represamento glaciário do Lago Van, na Idade do Gelo, teria produzido o mesmo resultado. A região possui muitas tradições locais, relacionadas com Noé e o Dilúvio. A lenda bíblica de que o Monte Ararat seja o local de repouso da Arca de Noé é inadmissível, visto que o pico mais alto do Monte tem mais de 4.800 m de altitude. Caso se trate de um dos picos menores do sistema Ararat, a lenda concorda com a tradição muçulmana sobre o Monte Judi (ou Guti), e isto em concordância com as mais antigas e mas conceituadas tradições locais. Estas tradições locais são aceitas pelos cristãos orientais e pelos judeus.
  16. A adição de força à força talvez se refira ao aumento da população, como alguns exegetas acham. Enquanto outras partes da Arábia eram esparsamente povoadas, as terras irrigadas do povo de Ad podiam manter uma população relativamente densa, que lhe aumentava o vigor natural nos expedientes de guerra e paz. Contudo, o termo empregado é perfeitamente genérico. Aquele era um povo poderoso, em seu tempo. Se tivesse obedecido a Deus, e seguido o exemplo dos virtuosos, ter-se-ia tornado ainda mais poderoso, porque "a virtude exalta uma nação."
  17. Agarrar pelo topete; uma expressão árabe, referindo-se à crina do cavalo. Quando o homem consegue agarrar-se a ela, tem o cavalo sob completo domínio; para o cavalo, ela é, por assim dizer, a coroa de sua beleza, a concentração de sua força e auto-afirmação. Assim, o poder de Deus sobre todas as criaturas é ilimitado, e ninguém pode resistir ao Seu decreto. Comparar com os versículo 15-16 da 96ª Surata.
  18. As histórias de Sáleh e do povo de Tamud foram contadas sob um outro ponto de vista, nos versículo 73-79 da 7ª Surata. A diferença quando ao ponto de vista, lá e aqui, é a mesma quanto à história de Hud; ver o versículo 50 desta surata, e respectiva nota. Note-se como a história agora é a mesma, e contudo, os novos pontos e detalhes são trazidos à tona para ilustrarem cada novo argumento. Note-se, também, como o pecado inveterado do povo de Ad – orgulho e obstinação – é distinto do vício dominante do povo de Tamud – a opressão dos pobres, ilustrada pelo simbolismo da camela; ver o versículo 73 da 7ª Surata, e respectiva nota. Todo o pecado resume-se, num sentido, no orgulho e na rebeldia; contudo, os pecados adquirem matrizes particulares, em circunstâncias diferentes, e tais colorações são trazidas à baila num dos quadros mais artisticamente pintados - com a maior parcimônia possível de palavras e a mais penetrante análise de intenções. Para a localidade e a história do povo de Tamud, ver a nota e o versículo 73 da 7ª Surata.
  19. Apenas um prazo de três dias para pensamentos posteriores e arrependimento. Porém, eles não prestaram atenção. Um terrível terremoto veio durante a noite, precedido por uma rajada de vento retumbante (provavelmente vulcânica), que é um bem conhecido fato em áreas afeitas e abalos sísmicos. Ele veio durante a noite e os soterrou nas suas próprias casas-fortalezas, que eles pensavam que fosse locais seguros. A manhã os encontrou jacentes de bruços, ocultos à luz. Como os poderosos são aviltados!
  20. De acordo com a seqüência da 7ª Surata, a referência seguinte deveria ser a história de Lot, sendo que essa história começa no versículo 77 desta surata, mais ainda adiante; porém, ela é introduzida por uma breve referência a um episódio da vida de seu tio Abraão, de cuja semente advieram os povos aos quais Moisés, Jesus e Mohammad foram enviados com a maior das Revelações. Abraão, em seu tempo, passou pelo fogo das perseguições, nos vales da Mesopotâmia; ele havia deixado atrás de si a idolatria ancestral de Ur, dos caldeus; ele havia sido testado, e saiu triunfante, quanto à perseguição de Nemrod,; ele havia, então, fixado residência em Canaã, da qual seu sobrinho, Lot, foi chamado a pregar nas cidades iníquas da planície oriental do Mar Morto, que é por isso chamada de Bahr Lut. Desse modo preparado e santificado, Abraão se acha então pronto para receber a Mensagem de que ele fora escolhido para ser progenitor de uma interminável linha de Profeta; e é essa a Mensagem que é agora referida.
  21. A narrativa é muito concisa, sendo que a maioria dos detalhes é tida como certa. Podemos supor que os anjos deram a notícia primeiramente a Abraão, que já contava, de acordo com a Bíblia, Gênesis, 21:5, 100 anos de idade, e depois a sua esposa, Sara, que não tinha muito menos do que 90 anos (Gênesis, 17:7). Ela deveria provavelmente estar oculta, segundo um costume oriental. Ela mal pôde acreditar na notícia. Em seu ceticismo (em seu júbilo, alguns dizem), ela gargalhou. Contudo, a notícia de que ela iria ser mãe de Isaac e, através de Isaac, avó de Jacó, foi-lhe formalmente comunicada. Jacó iria constituir-se numa árvore frutífera, com seus doze filhos. Porém, até então, Abraão não tinha tido filho algum com ela, e Sara havia passado da idade de conceber. "Como poderia aquilo acontecer?", ela pensou.
  22. A história de Lot é contada nos versículos 80-84 da 7ª Surata. Aqui, a ênfase é quanto ao trato de Deus para com os humanos – em misericórdia, quanto ao verdadeiro serviço espiritual, e em justiceira ira e punição quanto àqueles que desafiam as leis da natureza, estabelecidas por Ele. Também se dá ênfase ao trato dos homens uns com os outros, bem como o contraste entre os virtuosos e os iníquos, que não respeitam nenhuma lei divina ou humana.
  23. A narrativa bíblica dá a entender que as filhas eram casada e que seus maridos estavam por perto (Gênesis 19:14), e que essas mesmas filhas, mais tarde, cometeram incesto com seu pai, resultando que dele tiveram filhos (Gênesis 19:31). Em parte alguma do Alcorão Sagrado se dá a entender tais abominações. Alguns exegetas sugerem que "minhas filhas", na boca de um homem venerável, tal como Lot, o pai de seu povo, pode significar quaisquer jovens garotas daquelas cidades. A expressão "meu filho" (Waladi) é ainda hoje um modo de as pessoas mais velhas se dirigirem a um jovem, nos países de fala árabe.
  24. Na própria família de Lot havia uma pessoa que destoava quanto à harmonia da família a mulher dele. Ela era desobediente para com seu marido, que então obedecia à ordem de Deus. Ela olhou para trás, compartilhando da sina dos habitantes iníquos das cidades da planície. Ver o versículo 10 da 66ª Surata. A narrativa bíblica diz que ela se transformou numa estátua de sal (Gênesis, 19:26).
  25. Sijjil é uma palavra persa, arabizada, vinda de ang-ogil, ou sang-i-gil, que quer dizer pedra de argila, ou duro como argila cozida, de acordo com Câmus. Sodoma e Gomorra situava-se numa região de solo duro, empedrado e sulfuroso, ao qual esta descrição muito bem se aplica. Comparar com o versículo 33 da 51ª Surata, onde as palavras são "pedra de argila" (hijárat min Tin), em relação ao mesmo incidente.
  26. Comparar com os versículos 85-93 da 7ª Surata. A localização de Madian está explicada na nota do versículo 85 da 7ª Surata. Aqui a ênfase é quanto ao trato de Deus para com os homens, às maneiras tortuosas e obstinadas do homem; lá, a ênfase era, outrossim, quanto ao pecado dos habitantes de Makka, em tempos posteriores.
  27. Tanto Platão como Aristóteles definem a justiça como a virtude que "dá a cada um o que lhe é devido". Partindo deste ponto de vista, a justiça torna-se a virtude-mestra, incluindo a maior parte das outras virtudes. Foi a falta dessa virtude que arruinou os madianitas. Seu egoísmo consistia no "agravo intencional", ou seja, estragar os negócios das outras pessoas, não lhes dando o que lhes era devido.
  28. Os arcanos espirituais são fáceis de ser entendidos, se a eles dispensarmos as devidas considerações. Contudo, aqueles que os aborrecem deliberadamente, cerram os olhos aos Sinais de Deus, pretendendo, em sua arrogância, estar "bem além deles"! Quão aquém estão!
  29. Só o que eles entendem é a força bruta. Eles praticamente dizem: "Não vês que temos todo o poder e influência, e que tu, Xuaib, és apenas um pobre mestre? Poderíamos apedrejar-te ou aprisionar-te, ou fazer o que quiséssemos contigo! Agradece-nos por nossa benevolência, se tu poupamos – pelo bem de tua família. Isto é mais do que tu mereces!"
  30. A história de Moisés com o Faraó aparece em muitos lugares no Alcorão e, em cada um, em conexão com algum ponto especial a ser ilustrado. Aqui o ponto é que o trato de Deus está para com o homem é concernente a todas as coisas, sendo ele justo em todos os tempos. Contudo, o homem, sob falsas lideranças, fracassa, por escolha deliberada, e perece juntamente com os seus falso líderes. No exercício da inteligência e da liberdade de escolha que lhe foram concedidas, o homem deveria ser especialmente cuidadoso, e entender as suas próprias responsabilidades, e tirar proveito dos Sinais de Deus, para obter a Graça e as bênçãos d’Ele.
  31. Yaumun mach-hud. Para dar a entender o significado da expressão árabe, nós a traduzimos por "um dia testemunhável". Expliquemos os vários matizes de significados implícitos: (1) um Dia para o qual todas as testemunhas apontarão, de todos os quadrantes da Terra; (2) um Dia em que os testemunho será dado, perante o Trono do Julgamento de Deus, por todas as testemunhas relevantes, ou seja, por todos os Profetas que pregaram, por todos os homens ou mulheres que tenhamos beneficiado ou agravado, pelos anjos que tiverem registrado todos os nossos pensamentos e atos, ou por todos os pensamentos e atos personificados; (3) um Dia que será testemunhado, isto é, visto por todos, não importando como e onde tenham morrido.
  32. Falará, isto é, seja em defesa própria, seja em acusação a outros; ou interceder por outros, ou entrar em conversa, ou fazer perguntas uns aos outros. Será um Dia solene, em que tudo se desenrolará perante o Grande Juiz, de Quem tudo será conhecido, e Cuja autoridade será inquestionável. Não haverá lugar para tergiversações ou equívocos ou subterfúgios de qualquer espécie, nem tampouco ninguém poderá lançar culpa sobre outrem, ou se responsabilizar por outrem. A responsabilidade pessoal será estritamente mantida.
  33. Comparar com o versículo 62 desta surata. Sempre existiu, nos assuntos humanos, o conflito entre o velho e o novo – os carcomidos sistemas de nossos ancestrais, e o novo e vivente manancial de inspiração de Deus, que se adapta aos novos tempos e aos novos ambientes. Os que advogam pelo primeiro olham para este último, não apenas com uma dúvida intelectual, mas ainda com uma suspeição moral, como fizeram os Adeptos do Livro quanto ao Islam, com o seu novo ponto de vista e com o seu vigoroso e realístico modo de ver as coisas.
  34. Os dois extremos do dia de doze horas: manhã e tardezinha. A Oração da Manhã é denominada Fajr, que se pratica tão logo a luz aparece, mas antes do nascer do Sol; desta maneira, nós nos levantamos em boa hora, e iniciamos o dia com a lembrança de Deus, e do nosso dever para com Ele. A Oração do Meio-dia é denominada Duhr, e é praticada logo depois do meio-dia; nós nos encontramos no meio dos nossos afazeres cotidianos, e novamente nos lembramos de Deus.
  35. Em certas horas da noite; zulafan, que quer dizer uma aproximação, algo muito próximo de acontecer. Como a língua árabe possui, como o grego, o número dual, distinto do plural – e o plural é aqui usado, não o dual –, é razoável argumentarmos que pelo menos três "aproximações da noite" estão aqui compreendidas. A Oração da Tarde (Asr), e a do Crepúsculo (Magrib), logo depois do pôr-do-sol, seria a segunda. A Oração da Noite (ichá) seria a terceira, quando nos postamos perante Deus, antes de irmos dormir. Estas são as cinco orações canônicas do Islam.
 

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