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  1. Ver a nota do versículo 1 da 2ª Surata.
  2. Para a compreensão da Parábola, tudo o que é necessário saber é que José era um dos Diletos Escolhidos de Deus. Quanto à história, é necessário que se incluam mais uns poucos detalhes. Seu pai era Jacó, também chamado Israel, o filho de Isaac, este, filho mais novo de Abraão. Este pode ser chamado o pai da linha da profecia semítica. Jacó teve quatro esposas. De três delas ele teve dez filhos. Em sua velhice ele teve, de Raquel (em árabe, Rahil), uma mulher lindíssima, dois filhos, José e Benjamim (o caçula). Quando esta história começa, supõe-se que José tivesse por volta de 17 anos de idade. O local onde Jacó, sua família e seu rebanho se estabeleceram foi Canaã, sendo por tradição mostrado como ficando próximo à moderna cidade de Nablus (antiga Chechem), cerca de 49 km ao norte de Jerusalém. A tradicional localidade do poço em que José foi atirado por seus irmãos é ainda mostrada, nas redondezas.
  3. José era uma pessoa correta. Seu pai o amava. Seus meio-irmãos ficaram enciumados dele e passaram a odiá-lo. Seu destino tinha sido traçado na visão. Iria ser exaltado acima de seus onze irmãos (estrelas) e de sua mãe e seu pai (sol e lua).
  4. A história é logo trazida para o seu aspecto espiritual. Aqueles irmãos corruptos nada mais eram do que joguetes nas mãos do Mal. Eles permitiram que suas masculinidades fossem subjugadas pelo Mal, não se conscientizando de que o Mal era oponente ou inimigo declarado da verdadeira natureza e dos instintos da masculinidade.
  5. Deus estava com José em todas as dificuldades, seus pesares e sofrimentos, assim como está com todos os Seus servos que n’Ele depositam confiança. O pobre rapaz foi traído por seus irmãos, e deixado, talvez, para morrer ou ser vendido como escravo. Porém, seu coração era destemido. Sua coragem jamais o abandonou.
  6. O aguadeiro ficou surpreso e estarrecido quando ele trouxe para cima, não água, mas um jovem de aparência donairosa, inocente como um anjo, com um semblante tão resplandecente quanto o sol. E o aguadeiro se pôs a gritar, como se aquilo fizesse parte de uma boa-nova.
  7. Tratava-se de uma caravana de mercadores. Pensaram: Que dinheiro poderia advir daquilo? Ali estava um jovem desconhecido, não reclamado, de beleza rara, aparentemente com uma imaginação tão refinada quanto a sua beleza exterior. Ele bem podia ser vendido nos opulentos mercados de escravos de Mênfis, ou fosse qual fosse a capital da Dinastia Hykos, então o reinando no Egito. E que preços ele poderia alcançar! Deveras, eles haviam topado com um tesouro. Assim, tratavam de escondê-lo, com medo de que se tratasse de um escravo alheio, que havia fugido de seu dono, dono esse que haveria de vir reclamá-lo. As circunstâncias eram peculiares, e os mercadores tinham de ser cuidadosos.

     

     

  8. A palavra ahádis deve significar histórias, coisas imaginárias ou relatadas, coisas que acontecem na vida real, ou em verdadeiros sonhos. Supor-se que os eventos fenomenais sejam a única realidade constitui uma marca de um materialismo unilateral. Os eventos exteriores possuem a sua realidade limitada; todavia, há realidades maiores por trás deles, as quais, às vezes, aparecem anuviadamente nas visões dos homens comuns, porém, mais claramente nas dos poetas, dos videntes, dos sábios e dos profetas.
  9. Perante a esposa de seu amo, com sua louca paixão, a situação tornou-se intolerável, e José se dirigiu para a porta. Ela correu atrás dele para detê-lo. Para tanto, agarrou-se às suas vestes. Conforme ele se estava retirando, ela somente pôde agarrar-se à parte de trás de sua camisa, e, no esforço, a rasgou. Ele estava determinado a abrir a porta e deixar o local, uma vez que era inútil argumentar com ela, em sua louca paixão. Quando a porta se abriu, aconteceu que Aziz não estava muito longe. Nós não devemos presumir que ele estivesse a espionar, ou que tivesse qualquer suspeita, tanto com relação a sua esposa como com relação a José. À sua exígua e limitada maneira, ele era um homem justo. Podemos também imaginar a consternação de sua esposa. Uma falta leva a outra. Ela devia recorrer a uma mentira, não apenas para justificar, mas ainda para se vingar do homem que havia desprezado seu amor. O amor desfeiteado (o da espécie física) fê-la feroz, e ela perdeu todo o senso do certo e do errado.
  10. Quando o fato real tornou-se claro para todos, o Aziz, como o cabeça da casa, tinha de decidir o que fazer. A sua própria posição era difícil, e ele achava-se ridicularizado. Ele era um alto dignitário do Estado, digamos um economista da nobreza. Sua dignidade e seu status foram reforçados pelo propalado casamento com uma princesa de alta linhagem. Iria ele declarar ao mundo que sua esposa havia corrido atrás de um escravo? Ele provavelmente era muito apegado a ela, mas estava cônscio da inocência, da lealdade e do elevado mérito de José. Ele deveria tratar o assunto todo como uma brincadeira feminina – loucura do amor passional, truques e enredamentos ligados ao amor sexual. Não deveria tomar nenhuma decisão antecipada; outrossim, deveria levar em consideração a sua esposa, e fazer justiça.
  11. A sua fala é sutil, e demonstra que qualquer arrependimento ou contrição que talvez houvesse sentido é encoberto pela mentalidade coletiva das pessoas, na qual ela deliberadamente se deixou cair.
  12. Dois homens foram presos, quase ao mesmo tempo que José. Ambos eram aparentemente oficiais do rei (do Faraó), que haviam incorrido na ira deste. Um deles era um "copeiro" (criado ou chefe dos mordomos), cujo dever consistia em preparar os vinhos e as bebidas do rei. O outro era o padeiro do rei, cujo dever era preparar o pão para este. Ambos haviam caído em desgraça. O primeiro citado, sonhou que estava novamente desempenhando suas funções, ou seja, pisando a uva; o segundo citado, sonhou que estava transportando pães, mas não conseguiu alcançar seu mestre, pois os pássaros os comeram.
  13. Estes homens era egípcios, talvez arraigados ao materialismo, à idolatria e ao politeísmo. José deveria ensinar-lhes o Evangelho da Unicidade. E o fez de modo simples, apelando para a sua própria experiência: "O Senhor sempre foi bom para comigo: na prosperidade e na adversidade eu tenho sido apoiado pela Fé; nesta vida, homem algum pode viver em erro ou malevolência; talvez um de vós tenha cometido algo de errado, pelo que se encontra aqui; talvez um de vós seja inocente; de qualquer modo, não aceitaríeis vós a Fé, para viverdes para sempre?"
  14. José jamais atribuiu a si a faculdade da interpretação dos sonhos, nem tampouco disse provir de si a bondade dispensada, na prisão, aos seus companheiros de sofrimento. Depois, quando o sonho do "copeiro" se tornou realidade, e ele foi solto e restaurado nos favores do rei, podemos imaginá-lo despedindo-se afetuosamente de José, e mesmo perguntando-lhe, em seu júbilo, se poderia fazer algo por ele. José não necessitava de favores terrenos, muito menos de reis ou dos seus favorecidos. A graça divina lhe bastava. Contudo, ele tinha um grande trabalho a fazer, que não poderia ser feito estando ele na prisão – um trabalho pelo Egito com o seu rei, e pelo mundo geral. Se o "copeiro" o mencionasse junto ao rei, não por via de recomendação, mas porque a própria justiça do rei estava sendo adulterada, ao manter no cárcere um homem inocente, talvez isso ajudasse no desenvolvimento da causa do rei e do Egito. E assim ele disse: "Fala de mim ao Faraó."
  15. A conversa deve ter sido longa, para explicar as circunstâncias. São-nos apenas fornecidos os pontos essenciais. De José ele nada esconde. Ele está ciente de que José sabe mais do que ele. Ele diz a José que se ele, membro do Conselho, conseguisse o significado, iria apresentá-lo a esse Conselho. Seria impertinente da parte do "copeiro" oferecer a José, o dileto de Deus, como suborno, a esperança da sua libertação.
  16. José não apenas mostrou o que aconteceria, mas ainda, sem isso lhe ser solicitado, sugeriu as medidas a serem tomadas para o trato com a calamidade, se ela chegasse. Haveria sete anos de abundantes colheitas. Com um cultivo diligente e racional conseguir-se-iam espigas colossais. Destas, tomar-se-ia o estritamente necessário para o sustento, e armazenar-se-ia o resto na própria espiga, constituindo isto a melhor medida para preservá-lo das pestes que costumam atacar as medas, quando passarem pela eira.
  17. Este é o símbolo de um ano abundantíssimo, depois de sete anos de seca. O Nilo deve ter trazido abundantes e fertilizantes águas e sedimentos de sua cabeceira, e houve provavelmente alguma chuva, também no baixo Egito. As parreiras e as oliveiras, que deviam ter sofrido com a seca, reviviam então, e produziam já o seu suco e o seu óleo.
  18. O mensageiro do rei, com toda a certeza, esperava que o prisioneiro ficasse muito contente com as solicitações do monarca. José, porém, seguro de si, queria alguma garantia de que ficaria a salvo de toda a espécie de importunação e perseguição a que estivera sujeito por parte das damas. Se o rei não tinha conhecimento de todas as artimanhas lançadas contra José por elas, Deus tinha conhecimento de todas as intenções e conspirações deles.
  19. Interpretamos os versículos 52 e 53 como sendo continuação da fala da esposa do Aziz, e, de acordo com isso, os traduzimos. Há tanto boa razão, como autoridade para isso (por exemplo, Ibn Alcatir). Todavia, a maior parte dos exegetas interpretam os versículos 52-53 como constituindo a fala de José, em cujo caso eles estariam querendo dizer que ele se estava referindo à sua fidelidade para com Aziz, ao fato de que ele jamais tirara vantagem da ausência dele para assediar a sua esposa, embora ele, José, fosse humano e afeito ao erro. A nosso ver, a esposa de Aziz, conquanto reprovasse a sua conduta culposa, esperava misericórdia e perdão, e pela capacidade, por fim, compreender o que era o verdadeiro amor. Fossem quais fossem as acusações que ela fizera, fizera-o num momento de paixão, e na presença dele, jamais a sangue frio, ou nas suas costas.
  20. Ver a nota do versículo 52. Vemos este versículo como constituindo uma continuação da fala da esposa de Aziz. Isso é mais apropriado a ela do que a José. Como é do nosso entendimento, ela chegou, por fim, à conscientização de tudo o que havia de errado em sua conduta, bem como vislumbrou um lampejo do verdadeiro significado do amor espiritual, que tem algo de divino, e não pode ser obtido, a não ser com a infusão de toda nossa alma em Deus.
  21. José não havia aparecido perante o rei. A ordem do rei, nos mesmos termos do versículo 50, referia-se a uma mensagem vinda de José, e ao subseqüente prosseguimento, quanto às damas. Agora que a inocência, a sapiência e a fidedignidade de José haviam sido provadas – e confirmadas pelos esplêndidos atributos da esposa do Aziz –, e a própria atitude máscula de José, perante o rei, havia sido evidenciada, o rei ficou impressionadíssimo e chamou-o para especialmente servir à sua própria pessoa com seu fidedigno e confidencial Vizir. Se, como é provável, o Aziz, por esse tempo, estivesse morto (porquanto nunca mais foi mencionado), José o iria substituir nesse cargo; com efeito, ele é tratado como Aziz, no versículo 78, mais adiante. Porém, José adquiriu mais dignidade e poder, uma vez que foi designado para encetar uma grande política de emergência, para contrabalançar os dificílimos tempos de depressão, que haviam sido previstos. Foram-lhe dados plenos poderes e a mais plena confiança que um rei poderia conceder ao seu mais creditado homem, que provou ser o melhor Vizir ou Primeiro-Ministro, com especial acesso à sua Pessoa, como um economista da nobreza.
  22. José tratou seus irmãos liberalmente. Talvez ele tivesse condescendido em entrar em conversação com aqueles estranhos, e inquirido sobre a sua família. Os dez irmãos ali estavam. Haviam eles deixado um pai atrás deles? Que espécie de pessoa era ele? Muito idoso? Bem, certamente ele não poderia ter vindo. Tinham eles outros irmãos? Sem dúvida, os dez irmãos nada disseram sobre o seu irmão que se perdera, José, nem tampouco contaram mentira alguma sobre ele. Porém, talvez a solícita insistência do hospedeiro houvesse trazido o nome de Benjamim à sua baila. Como estava ele? Trá-lo-iam da próxima vez? Isso eles deveriam fazer, ou não conseguiriam mais trigo, e ele nem mesmo os haveria de ver.
  23. Bidháat = sortimentos; capital com o qual os negócios são realizados; dinheiro, quando usado como capital de giro. Aqui é melhor supormos que eles estavam trocando mercadorias por cereais. Comparar com o versículo 19 desta surata.
  24. Os exegetas referem-se a uma superstição ou costume judaico ou oriental, o qual prescreve que os membros de uma família numerosa jamais apareçam juntos, em massa, por temor de "mau-olhado". Todavia, independentemente de Ocidente ou Oriente, ou de costume ou superstição, seria ridículo que os membros de qualquer família numerosa, dez ou onze, desfilassem juntos, numa procissão, entre estranhos. Porém, havia neste caso uma razão particular e melhor, que tornava o conselho de Jacó viável; e ele era, como constatado no versículo seguinte, um homem de sabedoria e experiência. Entrando separadamente, eles atrairiam menos atenção. Jacó mui sabiamente lhes disse que tomem a precaução humanamente possível. Contudo, como um dileto de Deus, eles os previne de que todas as precauções humanas não funcionariam, caso eles negligenciassem ou corressem opostos às questões bem mais impressionantes – uma delas, a vontade e a lei de Deus.
  25. Aquele era o costume de sua família. Certamente, era bem anterior à Lei mosaica, a qual estabelecia bem claramente a restituição do roubo, e que se o culpado fosse encontrado sem nada, deveria ser vendido, pelo valor do roubo (Êxodo, 22:3). Mas então, o crime constituía mais do que simples roubo: constituía roubo, mentira, e o mais descarado abuso de confiança e hospitalidade. Enquanto os dez sentiam uma satisfação íntima em sugerir o castigo, estavam inconscientemente dando expansão ao plano de José. Deste modo, as mais vis intenções, freqüentemente, podem ajudar e dar expansão aos mais benéficos planos.
  26. O pronome "ele" pode referir-se somente a José. Ele deve ter estado presente durante todo o tempo da ação, ou talvez tivesse acabado de entrar em cena, uma vez que o roubo da taça do próprio rei (versículo 72 da 12ª Surata, acima) era um caso sério e importantíssimo, e que a investigação requeria a sua supervisão pessoal. Tudo o que seus oficiais faziam era com ordem dele. É como os advogados dizem: Quem faz algo através de outrem, fá-lo por si.
  27. A palavra Kabir talvez signifique "o mais velho". Contudo, no versículo 78 desta surata, acima, a palavra em questão difere de Chaikh, e por isso nós traduzimos uma como "respeitável" e a outra como "ancião". No versículo 71 da 20ª Surata, a palavra Kabir obviamente significa "mestre" ou "chefe", não mantendo nenhuma relação com a idade. Portanto, traduzimos aqui por "chefe", ou seja, dentre eles, o irmão que tomava a parte mais ativa naquelas transações. Seu nome não é mencionado no Alcorão. O irmão mais velho chamava-se Rubem. Porém, de acordo com a história bíblica, o irmão que tomou a parte mais ativa naquelas transações foi Judá, um dos irmãos mais velhos, sendo o quarto filho depois de Rubem, Simeão e Levi, sendo, ainda, filho da mesma mãe destes. Foi Judá quem deu o voto de confiança a Jacó, quanto a Benjamim (Gênesis, 93:9). Portanto, é natural que Judá se oferecesse, como aqui, para ficar para trás.
  28. Jacó ficou positivamente estupefato com a história. Ele conhecia muito bem o seu querido Benjamim, para que pudesse acreditar que ele tinha roubado. Ele simplesmente se recusava a acreditar naquela história, tachando-a de "mal contada", o que realmente era, embora não no mesmo sentido pelo qual ele refutava os nove irmãos. Com os olhos da fé ele via claramente a inocência de Benjamim, embora não atinasse com todos os detalhes do que havia acontecido.
  29. A palavra, em árabe, é rauh, não ruh, como alguns tradutores têm erroneamente interpretado. A palavra rauh inclui a idéia de uma misericórdia que amaina ou acalma o nosso estado de perturbação, e que, aqui, é especialmente apropriada, partindo de Jacó.
  30. José então desejava revelar-se e tocar as suas consciências. Ele tão-somente tinha que relembrar-lhes os verdadeiros fato, quanto ao trato com seu irmão José, que eles pretendiam ter perdido. Ele ficou então ciente de que Benjamim fora vítima de desconsideração e injustiças, e de que também havia sofrido nas mãos deles, após a proteção de José haver sido retirada dele e da casa. Não havia, acaso, o próprio José visto que eles estavam muito propensos a crer no pior e a respeito de Benjamim e a dizer o pior de José? Todavia, José seria caridoso – não no sentido que eles tomavam, ao pedir por uma caritativa concessão de cereais, mas num sentido muitíssimo mais altruístico. Ele os perdoaria e poria a mais caritativa interpretação no que eles haviam feito – ou seja, que eles não sabiam o que estavam fazendo!
  31. Literalmente, "Sinto o odor, ou o ar, ou a atmosfera, ou a respiração de José", uma vez que a palavra rih possui todos esses significados. Ou ainda, podemos traduzir: "Sinto a presença de José no ar".
  32. Acabou-se a história; mas trata-se realmente de uma história? Trata-se, outrossim, de um recital de forças e intenções, de pensamentos e sentimentos, de implicações e resultados, incomumente vistos pelos homens. Por mais que eles concertem os seus planos e unam as suas forças, sejam quão negros forem os complôs nos quais apoiem os seus recursos, o plano de Deus funcionará irresistivelmente, e se dissiparão todas as suas maquinações. No fim, o bem triunfará, e nunca como a gente planejou; o mal fica frustrado, e, freqüentemente, os seus próprios complôs auxiliam o bem.
  33. O Islam se apega ferrenhamente ao único fato central do mundo espiritual – a unicidade de Deus, com toda a realidade que emana d’Ele, e tão-somente d’Ele. Não pode haver ninguém nem nada em competição com essa exclusiva e única Realidade. Ela constitui a essência da Verdade. Todas as outras idéias ou existências, incluindo a nossa percepção do Ser, são meramente relativas – são meramente projeções das maravilhosas faculdades que Ele nos concedeu. Isto não é, para nós, simples hipótese. Isso se encontra na mais recôndita experiência. No mundo material diz-se que ver é crer. No nosso mundo interior, este senso de Deus é tão claro como a visão do mundo material. Portanto, Mohammad e todos aqueles que realmente o seguiram, no mais verdadeiro senso terreno, conclamam o mundo de que veja esta Verdade, sinta esta experiência, siga este caminho.
  34. Uma história como a de José não pode ser meramente uma fábula imaginária. Os povos das Escrituras têm-na em sua literatura sagrada. Aqui, ela é confirmada em suas principais delineações, contendo, porém, numa detalhada exposição espiritual que não é encontrada em lugar algum das primitivas literaturas. A exposição cobre todos os aspectos da vida humana. Se adequadamente compreendida, ela fornece valiosas lições de diretriz e conduta – uma instância da graça e misericórdia de Deus para com as pessoas que se voltam para Ele, e que Lhe depositam nas mãos os seus assuntos.
 

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