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  1. Quanto às letras, Alef. Lam. Mim., ver a nota do versículo 1 da 2ª Surata. Aqui nós não só levamos em consideração o A (começo), o L (meio) e o M (fim) da história espiritual do homem, como também o futuro imediato do interior da nossa comunidade quando se aproximava o fecho do período de Makka.
  2. Achamos que isto se refira ao sexo das plantas, porquanto temos visto outros assim traduzirem. As plantas, como os animais, possuem seus aparelhos reprodutores – as masculinas, estames, as femininas, pistilos. Na maioria dos casos uma mesma flor combina tantos os estames; como os pistilos, mas em alguns casos tais órgãos se particularizados em flores distintas e, em alguns casos, ainda, mesmo em árvores separadas. A tamareira da Arábia e o mamoeiro da Índia são exemplos de árvores frutíferas unissexuadas ou assexuadas.
  3. Será que "sementes e diferentes" qualifica tanto as "tamareiras", como as "videiras", e as "sementeiras"? esta última qualificação é adotada pelos exegetas clássicos; neste caso, a referência é o fato de que duas ou mais palmeiras ocasionalmente crescem de uma raiz, ou que as palmeiras às vezes crescem como árvores singelas e às vezes em touceiras. Caso as duas primeiras qualificações sejam adotadas, a referência seria ao fato de que as tamareiras (e as palmeiras, generalizando), e algumas outras plantas, crescem de uma singela raiz principal, ao passo que a maioria das árvores crescem de um complexo de raízes, que se encontram extensivamente espalhadas.
  4. A tamareira, as espigas de grãos alimentícios e as videiras, tudo é alimentado pela mesma espécie de água; não obstante, quão diferentes são as colheitas que proporcionam! E isso se aplica a toda vegetação. As frutas e frutos são produzidos em várias formas, tamanhos, cores, sabores etc., em infindáveis variedades.
  5. A última sentença deste versículo tem sido costumeiramente interpretada como significando que a função do Mensageiro era meramente a de admoestar, e que a diretriz era fornecida por Deus para todas as nações, por meio de seus mensageiros. Achamos que a seguinte interpretação é igualmente possível: "Constitui, por si só, um Sinal, o fato de Mohammad admoestar e pregar, além de apresentar o Alcorão, sendo que a diretriz que ele proporciona é universal, como toda a que procede de Deus".
  6. O útero feminino e das fêmeas constitui apenas um exemplo, um tipo, de reserva extrema. Nem mesmo a própria mulher ou fêmea sabe o que está em seu útero – se se trata de um menino ou macho, de uma menina ou fêmea, se se trata de um ou mais, de uma ou mais, se nascerá no tempo certo, se antes do tempo, ou depois do tempo. Todavia, as coisas mais ocultas e aparentemente desconhecíveis são claras ao conhecimento de Deus. Todas as coisas são regulamentadas por Deus, na justa medida e justa proporção. A proposição geral está clara na última sentença: "...e com Ele tudo tem sua medida apropriada."
  7. Em árabe, um versículo de ritmo incomparável.
  8. Aqui, então, encontra-se o clímax da resposta aos sarcásticos desafios dos incrédulos quanto ao castigo, e em uma linguagem de grande sublimação: por que procurarmos o mal em vez do bem, o castigo em vez da misericórdia, temermos a força e as chispas do relâmpago em vez de esperarmos pela benevolência e abundância das colheitas que a chuva proporcionará, chuva essa que virá com nuvens que ocasionam o relâmpago?
  9. Qual o quê, o próprio trovão que vos atemoriza nada mais é do que uma força controlada e beneficiente perante Ele, a qual proclama os Seus louvores, como o resto da criação. De maneira que o trovão, adequadamente, dá nome a esta surata de contrastes, em que se vê que o que se nos apresenta terrível é, na verdade, um submisso instrumento do bem nas mãos de Deus.
  10. Este versículo é rico em parábolas: (1) é Deus Quem envia a chuva, e a envia para todos. Vede como ela flui por diferentes canais, de acordo com a capacidade destes. Em alguns, de maneira morosa; em outros, em torrente. Alguns formam grandes rios que irrigam grandes tratos de território; alguns são regatos claros como cristal, ribanceiras com leitos de pedregulhos, os quais podemos ver através da água. Alguns rios produzem deliciosos peixes comestíveis; outros são infestados de crocodilos e monstros danosos. E há graus de rios, riachos, arroios, lagos, lagoas, e mares. Assim é a chuva, que a misericórdia, o reconhecimento, a sabedoria e a diretriz de Deus envia. Todos podem recebê-la. Diferentes pessoas reagem de acordo com as suas capacidades; (2) no mundo material a água é pura e benéfica. Porém, a espuma e a escória se formam, de acordo com as condições locais. Assim como as enchentes levam embora as escórias e purificam as águas, também a enchente da misericórdia espiritual de Deus leva embora a nossa "escória" e purifica as nossas "águas";(3) a espuma talvez forme uma grande mancha na água, mas desaparecerá. Porém, a Verdade de Deus perdurará.
  11. Nesta seção, o contraste entre a Fé/Retidão por um lado, e a Infidelidade/Mal por outro, é estabelecido. O homem reto é conhecido como aquele que (1) acata a admoestação; (2) é verdadeiro para com os seus compromissos; (3) segue a Religião Universal da Fé e da prática, juntando-as; (4) é paciente e perseverante na busca de Deus; e, quanto aos assuntos práticos, é conhecido como sendo (5) regular na prática das orações; (6) generoso na verdadeira caridade, seja ela aberta ou secreta; e (7) não é vingativo, mas sim, está ansioso em transformar o mal em bem, rompendo desse modo as cadeias do mal, o qual pretende perpetuar-se.
  12. As relações desta vida são efêmeras; mas o amor, em retidão, é perene. No eterno Jardim da Bem-aventurança os virtuosos serão reunidos com todos aqueles que lhes foram caros e achegados, a quem eles amaram, bastando para isso tão-somente que também tenham sido virtuosos, porquanto na eternidade nada mais conta. Relações consangüíneas e matrimoniais criam certos laços físicos nesta vida, que poderão levar tanto ao bem como possivelmente ao mal. Todo mal material passará; entretanto, o bem se evidenciará com um novo significado, no reconhecimento final. Assim, antepassados e descendentes, esposos e esposas, irmãos e irmãs (porquanto o termo zurriyat inclui todos eles), cujo amor era puro e santificado, encontrarão uma nova bem-aventurança na perfeição do seu amor, e verão um novo e místico significado nos antigos e efêmeros laços.
  13. Em relação aos outros profetas, o nosso Profeta veio mais tarde no tempo, a fim de lhes completar a Mensagem e universalizar a Religião. E, decididamente, foi depois da era dele que o processo de unificação do mundo se iniciou. O processo ainda não está completo, mas está andando a passos largos.
  14. Que os incrédulos não pensem que, se prosperarem por um certo tempo, isso será o fim da questão. Eles serão admoestados acerca de três coisas: (1) seus malfeitos deverá portar conseqüências malignas para eles, todo o sempre, embora por um certo tempo eles não o percebam; (2) seus lares, seus locais de afluência, os círculos nos quais se movimentam, serão também atingidos pelas suas más ações e respectivas conseqüências. Porque o mal faz do seu ambiente um complexo. Quando as muralhas de Jericó caírem, deverão trazer toda a Jericó em suas ruínas; (3) o Desastre primordial, o Reconhecimento final deverá vir, porquanto Deus jamais falha em Sua promessa. Os verdadeiros valores deverão ser restabelecidos: o bem com o bem, o mal com o mal. Os exegetas extraem ilustrações da vida do Mensageiro quanto ao exílio que obteve em Madina, em sua restauração. Milagres semelhantes acontecem em toda a história. Porém, o comando pertence a Deus.
  15. O Alcorão é escrito em árabe; portanto, os árabes, entre os quais ele foi promulgado, não deveriam ter dificuldades em entender os seu preceitos e usá-los para julga o que é de caráter universal, e ninguém deveria dar preferência às suas fantasias, em detrimento desta Declaração autorizada.
  16. Todos os mensageiros de quem temos qualquer conhecimento detalhado, com exceção de um, tiveram esposas e filhos. A exceção é concernente a Jesus, o filho de Maria. Porém, sua vida apostolar foi incompleta; seu sacerdócio durou escassamente três anos; sua missão foi limitada, sendo que ele não foi convocado a lidar com problemas multilaterais, que avultam numa sociedade ou Estado organizado. Nós devotamos igual respeito a ele, porque ele foi um Mensageiro de Deus, mas não há que presumir que a sua mensagem cubra o mesmo âmbito universal da de Mohammad. Não haverá reprovação quanto a um ser humano comum, desde que ele viva uma vida humana normal; haverá, sim, glória, se ele magnificar e estabelecer exemplos de virtude, mais nobres que os dos outros homens, como fez Mohammad.
  17. Um-mul-quitab = Livro-matriz; a fundação original de toda a revelação; a Essência da Vontade e da Lei de Deus. Comparar com o versículo 7 da 3ª Surata, e respectiva nota.
 

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