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O islam
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  1. Isto constitui uma resposta ao escárnio dos idólatras, que disseram: "Se é eu há um Deus, o Único e Verdadeiro Deus, como tu dizes, com controle unificado, por que Ele não castiga os malfeitores de uma vez?" A resposta é: "O decreto de Deus cumprir-se-á inevitavelmente; chegará suficientemente cedo; quando chegar, vós desejareis que ele seja adiado; quão tolo de vossa parte quererdes mesmo cortar o vosso último fio de esperança de perdão!"
  2. Se examinarmos a história dos transportes, constataremos que tem havido grandes mudanças através das eras; desde os rudes animais de carga até aos mais finos equipamentos, depois até os dispositivos mecânicos, aos meios de transporte elegantes como carruagens, bondes, trens, aos utilíssimos caminhões, carros Rolls Royce, aeronaves e aeroplanos de todas as espécies. Porém, não devemos supro que o limite tenha sido alcançado ainda, e que ainda será num tempo futuro. É por meio da mente e da genialidade do homem que Deus cria as novas coisas, até então desconhecidas para ele.
  3. Não procede assim, para que os humanos tenham oportunidade de escolher entre os caminhos do bem e do mal.
  4. A noite e o dia são causados por rotações planetárias. Ou mais importante, para os humanos, é notarem como Deus lhes deu inteligência, para que fizessem uso dessa alternação, para descansarem e trabalharem; como o homem, ao sair do estado primitivo, pôde balancear a desigualdade do dia e da noite, por meio de iluminação artificial, com óleos vegetais ou minerais, carvão, gás, ou eletricidade, que são primordialmente provenientes da energia do sol armazenada; como o calor do sol pôde ser temperado pelos vários meios artificiais, e armazenado para o uso, conforme o homem o desejasse; como o homem pôde desembaraçar-se das marés causadas pela lua e pelo sol, que antes ofereciam obstáculos à navegação, mas que não mais se colocavam no caminho dele; como a navegação, antes estava sujeita à observação direta da Estrela Polar e de outras, mas como a bússola e as cartas geográficas alteraram, então, completamente a situação, de maneira que o sul, a lua e as estrelas se tornaram servos úteis do homem e para o homem, tudo pela dádiva de Deus e por Seu comando, sem o que não haveria leis que governassem os astros, nem tampouco inteligências que fizessem uso deles.
  5. Os apreciadores sabem dos delicados sabores dos peixes do mar, tais como o arenque do Atlântico Norte, o salmoneto dos mares de Marselha, e muitas outras espécies. A palavra Tari, traduzida por "fresca", refere-se também à natureza macia e hidratante do peixe fresco. Constitui um outro portento de Deus o fato de que a água salgada possa produzir esse sabor fresco, terno e delicado.
  6. Deus é o único Criador e a única Realidade Primordial. Tudo o mais é criado por Ele, e reflete a Sua glória. Quão tolo é, então, adorarmos a qualquer outro que não seja Deus!
  7. O mal sempre tramará insurreições contra os diletos de Deus. Assim foi com Mohammad, assim foi com os mensageiros antes dele. Porém, as imponentes estruturas que os ímpios constróem (metaforicamente) ruem, por ordem de Deus, e eles são castigados com punições vindas dos redutos dos quais menos esperavam punição. Por exemplo, os coraixitas estavam confiantes em sua superioridade numérica, em sua organização, e em seu equipamento superior. Contudo, no campo de Badr, onde esperavam a vitória, encontraram a derrota.
  8. "Estado de pureza"; divorciados dos males deste mundo, da carência de fé e de graça. A pureza, quanto a tais males, constitui a marca do verdadeiro Islam, acontecendo com aqueles que morrem com tal pureza são recebidos na Felicidade, com a saudação da Paz.
  9. Isto é, até que a morte lhes ocorra, ou ocorra algum castigo nesta mesma vida, coisa que os impossibilite do arrependimento e, consequentemente, da Graça de Deus.
  10. Os árabes idólatras prescreviam várias proibições arbitrárias quanto à questão da carne; ver os versículos 143-145 da 6ª Surata. Estas, certamente, não são reconhecidas pelo Islam, o qual ainda retirou algumas das restrições da lei judaica (versículo 146 da 6ª Surata). O significado geral, contudo, é bem mais amplo. Os homens constróem as suas próprias injunções e proibições, barreiras e restrições, e as atribuem à Religião. Isto constitui um erro, e é mais consistente com as práticas idólatras do que com o Islam.
  11. Muito embora os Sinais de Deus estejam em toda parte, na natureza e na própria consciência dos homens, assim mesmo, em adição, Deus tem enviado Mensageiros a todos os povos, para os chamar à atenção quanto ao bem, e fazer com que abandonem o mal. Assim, eles não podem fingir que Deus os abandonou, ou que Ele não Se importa com o que eles fazem. A sua Graça divina sempre os exorta a que escolham o certo.
  12. A "Palavra" de Deus é por só o Feito. A "Promessa" de Deis é por si só a Verdade. Na há interposição alguma de tempo ou condição entre a Sua Vontade e as suas conseqüências, porquanto Ele constitui a Realidade Primordial. Deus é independente das causas próximas ou materiais, porquanto Ele Próprio as cria, estabelecendo-lhes as Leis, como Lhe apraz.
  13. Tomamos a palavra "coisas", aqui, como se tratando de inanimadas, porquanto o versículo seguinte fala de criaturas "viventes" e de anjos. Metaforicamente mesmo as coisas inanimadas reconhecem Deus, e humildemente O cultuam. Até as sombras que essas coisas projetam se movem da esquerda para a direita, de acordo com a luz vinda de cima, e humildemente se prostram no chão, para louvar Deus. As "sombras" sugerem que todas as coisas desta vida são meras sombras da verdadeira Realidade dos céus; e elas giram e se movimentas, de acordo com a divina luz, como as sombras das árvores e dos edifícios, que se movem de uma direção para outra, e se alongam ou encurta, de acordo com a luz vinda do céu.
  14. Os persas antigos acreditavam em duas forças no Universo, sendo uma boa e outra má; os árabes idólatras tinham também um par de deidades: Jibit (bruxaria), e Tagut (o Mal), a que se refere o versículo 51 da 4ª Surata, e respectiva nota, ou os ídolos Assafa e Almárwa, a que se refere o versículo 158 da 2ª Surata, e respectiva nota; seus nomes eram Is’af e Naila.
  15. Os idólatras talvez possuíssem um lampejo do Único e Verdadeiro Deus, mas possuíam também um temor mórbido das malévolas Forças do Mal. É-lhes dito que tais temores são infundados. O mal não tem poder sobre aqueles que confiam no Senhor (versículo 42 da 15 ª Surata). O único temor que deveriam ter é o da ira de Deus. Para os virtuosos todas as coisas provêm d’Ele, e não possuem medo em seus corações.
  16. Alguns dos árabes idólatras chamavam os anjos de as filhas de Deus. Em suas próprias vidas eles odiavam ter filhas, como é explicado nos dois versículos seguintes. Praticavam o infanticídio feminino. Em seu estado de permanente guerra, os filhos constituíam uma fonte de reforço para eles, ao passo que as filhas tornavam-nos sujeitos a humilhantes incursões!
  17. O decreto de Deus funciona sem falhar. Se Ele fosse punir por cada erro ou deficiência, nenhuma simples criatura vivente escaparia à Sua punição. Porém, em Sua infinita misericórdia e indulgência, Ele concede um prazo; Ele concede tempo para o arrependimento. Caso o arrependimento se faça presente, a misericórdia de Deus também se faz presente, sem falta. Caso contrário, a punição se fará inevitavelmente presente, na expiração do Termo. O pecador não pode antecipá-la por desafios insolentes, nem tampouco poderá retardá-la, quando ela chegar. Que ele não pense que o prazo que lhe foi concedido quer dizer que poderá fazer o que quiser, e que poderá escapar ileso das conseqüências.
  18. O leite é uma secreção do corpo das fêmeas, tal qual outras secreções, porém, bem mais especializada. Não é maravilhoso o fato de que a mesma alimentação, absorvida por machos e fêmeas, produza nestas, quanto as crias, o integral e completo alimento, conhecido por leite? Então, quando o gado é domesticado e especialmente criado para produzir leite, o suprimento desse alimento é bem maior do que o necessário para os seus filhotes, e dura por um tempo maior do que aquele em que lhes é de mamar. E note-se que ele constitui uma dieta integral e agradável para o homem. É puro, como o caracteriza a sua brancura. Contudo, trata-se de uma secreção como qualquer outra, que flui por entre as excreções que o corpo rejeita (por inúteis) e a preciosa corrente sangüínea que circula pelo corpo; e é o símbolo da própria vida para o animal que a produz.
  19. Existem bebidas e comidas saudáveis, que podem ser conseguidas da tamareira e da videira, como por exemplo, bebidas sem álcool da tâmara e da uva, o vinagre, os açúcares da tâmara e da uva; e as próprias tâmaras e uvas. Se a palavra sácar for tomada com sentido de vinho fermentado, ela deverá referir-se ao tempo em que as bebidas inebriantes não haviam sido proibidas; esta é uma Surata revelada em Makka, e a proibição deu-se em Madina.
  20. A palavra Auha, comumente, significa inspiração, a Mensagem colocada na mente ou no coração, por Deus. Aqui, o instinto da abelha refere-se aos ensinamentos de Deus, coisa que indubitavelmente é. No versículo 5 da 99ª Surata, ela é aplicada à terra; discutiremos o significado preciso quando chegarmos àquela passagem. O próprio favo de mel, com as suas células hexagonais geometricamente perfeitas, constitui uma estrutura portentosa, sendo adequadamente denominado buiut – lares. E o modo como as abelhas encontram locais inacessíveis nos montes, nas árvores, e mesmo entre as habitações humanas, é uma das maravilhas da natureza, isto é, a obra de Deus na Sua Criação.
  21. A abelha assimila o pólen de várias espécies de flores e frutos, e forma em seu corpo o mel, que armazena nas células de cera. As diferentes espécies de alimentação, das quais ela faz o seu mel, causam as diferentes cores do mesmo; ele pode ser marrom escuro, marrom claro, amarelo, branco etc.. O gosto e o aroma também variam, como no caso do mel de urze, do mel de flores odoríferas etc.. Como alimento, é doce e saudável, sendo amplamente usado como remédio. Note-se que, conquanto os atos individuais instintivos estejam descritos no singular, os produtos de "seus abdomens" estão descritos no plural, como resultado dos seus esforços coletivos.
  22. "De vossa espécie", ou de vós mesmos. Ser, personalidade, ou alma, tudo isso implica num feixe de atributos, capacidade, predileções e disposições, que podemos sintetizar na palavra Nafs, ou natureza. A mulher foi feita: (1) parceira e companheira do homem; (2) a não ser pelo sexo, é da mesma natureza do homem e, portanto, com os mesmos direitos e deveres morais e religiosos; e (3) não considerada como fonte de todo o mal ou pecado, como os monges cristãos a caracterizavam, outrossim como uma bênção, como um dos favores de Deus.
  23. A primeira parábola é a de dois homens, um dos quais é um escravo, completamente sob o domínio de outrem, sem poderes de qualquer espécie, tratando-se, o outro, de um homem livre, de tal maneira dotado, que é generosíssimo em dar a sua opulenta riqueza (tanto tangível como intangível), privativa e publicamente, sem empecilho ou obstáculo; porque ele é auto-suficiente, sem ter que prestar contas a ninguém. O primeiro é como os deuses imaginários, que os homens estabeleceram, quer se trate das forças da natureza, que não têm existência independente, mas constituem manifestações de Deus, quer se trate de heróis ou homens deificados, que nada podem fazer com as suas autoridades, mas que estão sujeitos à Vontade e ao Poder de Deus; o segundo caracteriza, de modo justo, a posição de Deus, o Auto-Subsistente, a Quem pertence o domínio de tudo o que existe nos céus e na terra, o Qual concede gratuitamente as Suas dádivas e todas as Suas criaturas. Na segunda parábola, um dos homens é mudo; ele nada pode explicar e, certamente, nada pode fazer; ele constitui um fardo para o seu amo, no que quer que seja que este lhe mande fazer; ou pode ocorrer que ele seja realmente mais danoso do que útil; tais são os ídolos (literal ou metaforicamente), quando tomados como falsos deuses. O outro está em posição de mando e ordena o que é justo e correto.
  24. A referência imediata poderá não ser quanto ao juramento de fidelidade feito ao Profeta, tomado por este em Ácaba, 14 meses antes da Hégira, e repetido um pouco mais tarde; ver o versículo 8 da 5ª Surata, e respectiva nota. Contudo, o significado geral é muitíssimo mais amplo. Isto deve ser visto sob dois aspectos: (1) todo juramento feito ou compromisso assumido constitui um pacto perante Deus, devendo ser fielmente observado. Nisto, ele se aproxima do significado do versículo 1 da 5ª Surata; (2) de modo particular, todos os muçulmanos, pela profissão de sua Fé, assuem um compromisso com Deus, compromisso esse que eles confirmam cada vez que repetem essa profissão. Por conseguinte, eles devem observar fielmente os deveres que lhes foram impostos pelo Islam.
  25. Não façais da vossa religião um mero instrumento para tornardes a vossa facção numericamente mais forte, guarnecendo-a pelos pactos que estareis ávidos em quebrar, quando um grupo mais numeroso oferecer a sua adesão. Os coraixitas estavam entregues a esse vício; e hoje em dia, na política internacional, isto parece quase constituir um padrão de dignidade e de tirocínio internacional. O Islam ensina as nobres normas de ética aos indivíduos e às nações. Um pacto deve ser considerado como uma coisa solene, e não deve ser feito sem a mais sincera das intenções de cumpri-lo; ele deve ser obrigatório, ainda que um grande número de pessoas cerre fileiras contra isso.
  26. Trata-se do título do Anjo Gabriel, por meio de quem a mensagem foi dada a conhecer.
  27. Os idólatras, bem como aqueles que eram hostis à revelação de Deus, no Islam, não podiam entender, como ainda hoje não entendem, como tais palavras maravilhosas pudessem cair na boca do Profeta. Mesmo o mais eloqüente dos árabes não podia, como ainda hoje não pode, produzir algo com eloqüência, a amplitude e a profundidade dos ensinamentos alcorânicos, como é evidenciado em todos os versículos do Livro.
  28. A exceção refere-se a casos com o de Ammar, cujo pai, Iasis e a mãe Sumaiya, foram objetos de inenarráveis torturas por sua crença no Islam, mas que jamais se retrataram. O próprio Ammar era de idade imatura e, com a mente voltada para o sofrimento dos pais, proferiu umas palavras interpretadas como retratação, embora o seu coração jamais retrocedesse, voltando de pronto ao Profeta, que o consolou em sua dor e o revigorou em sua fé.
  29. Achamos que este versículo se refira os homens que, originariamente, estavam com os idólatras, mas que depois passaram para o Islam, sofreram asperezas e exílio, e combateram e porfiaram pela Causa, com paciência e constância. Suas ações passadas seriam esquecidas e perdoadas. Homens como Khalid Ibn Alwalid, e outros, foram contados entre os mais destacados heróis do Islam.
  30. A referência talvez seja a qualquer uma das cidades ou populações dos tempos antigos, que se rebelaram quanto à lei de Deus, resultando-lhes o castigo inevitável, mesmo em meio a suas iniqüidades. Alguns exegetas vêem aqui uma referência à cidade de Makka, sob o controle dos idólatras.
  31. O Evangelho da Unidade tem sido a pedra fundamental da Verdade, por todo o mundo. A este respeito, Abraão constitui o modelo e a origem do mundo da Ásia ocidental e de seus descendentes, por todo o mundo. Abraão viveu entre um povo (os caldeus) que adora os astros, e que abandonara o Evangelho da Unidade. Ele viveu entre eles, mas não foi um deles. Sofreu perseguições, abandonou o seu lar e o seu povo, e se estabeleceu na terra de Canaã.
  32. "Se o procedimento de Abraão era certo", diziam os judeus zombeteiramente, "então por que tu não guardas o Sábado?" A resposta é dupla: (1) o Sábado nada tem a ver com Abraão; foi instituído pela Lei Mosaica, por causa da dureza dos corações do povo de Israel (2ª Surata, versículo 74); porque eles disputavam constantemente com o seu profeta, Moisés (2ª Surata, versículo 108); e havia constantemente, entre eles, homens que desrespeitavam o Sábado (2ª Surata, versículo 65); (2) Qual era o verdadeiro Dia de Sábado? Os judeus observam o próprio Sábado. Os cristãos, que incluem o Antigo Testamento em sua inspirada Escritura, guardam o domingo, sendo que uma seita entre eles (os adventistas do Sétimo Dia) discorda, e guardam o sábado. Assim, há discordância entre os adeptos do Livro. Que disputem entre eles! A sua disputa não será apaziguada até ao Dia do Julgamento. Enquanto isso, que os muçulmanos sejam emancipados quanto a tais restrições rigorosas. Para eles, há certamente o Dia da Oração em Congregação nas sextas-feiras, não sendo, contudo, de maneira alguma, igual ao Sábado judaico ou ao protestante.
  33. No contexto, esta passagem se refere às controvérsias e discussões; todavia, as palavras são suficientemente amplas para cobrirem todas as porfias, disputas e lutas humanas. Na mais estrita eqüidade, não devemos desferir golpe maior do que aquele que recebemos. Porém, aqueles que tenham alcançado o mais elevado padrão espiritual, nem mesmo isso farão. Refrear-se-ão e serão pacientes.
 

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