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  1. O tema da Surata anterior, de que Deus é Magnânimo e digno de todo o louvor por parte das Suas criaturas, as quais Ele concedeu uma clara revelação, é continuado nesta surata.
  2. A advertência não é dirigida apenas àqueles que negam Deus ou a Sua Mensagem, mas também àqueles cujas falsas idéias de Deus degradam a religião, na suposição de que Deus gerou um filho, quando se sabe que é Uno, e está acima de qualquer idéia de reprodução física.
  3. A atribuição a Deus de um filho "gerado" não possui bases em fatos ou na razão. Nem mesmo é um dogma racionalizado ou que possa ser explanado de um modo consistente com a natureza espiritual de Deus.
  4. Raquim = inscrição. Essa palavra é assim interpretada pelo Jalalain, sendo que a maioria dos exegetas com isso concordam. Ver a nota seguinte. Outros acham que se tratava do nome de um cão; ver o versículo 18 desta surata, mais adiante.
  5. A história cristã é contada na obra de Gibbon, Decline and Fall of the Roman Empire (Declínio e queda do Império Romano – fim do capítulo 33). No reinado de um imperador romano que perseguia os cristão, sete jovens de Éfeso, fiéis ao cristianismo, deixaram a cidade e foram esconder-se numa caverna de uma montanha das proximidades. Eles caíram no sono, e permaneceram em estado de sonolência por algumas gerações ou séculos. Quando a muralha que selava a caverna estava sendo demolida, os jovens acordaram. A concepção deles quanto ao mundo era a mesma do tempo em que haviam vivido; não tinham idéia alguma da passagem do tempo. Porém, quando um deles foi à cidade para adquirir provisões, constatou que o mundo havia mudado completamente. A religião cristã, ao invés de estar sendo perseguida, era a que estava em voga; com efeito, era então a religião estatal. Sua vestimenta, sua fala e o dinheiro que portava pareciam pertencer a um outro mundo; isto atraiu as atenções. Os maiorais da terra visitaram a caverna e verificaram a veracidade da narrativa ao questionarem os companheiros do homem. Ao tornar-se a história popularíssima, a ponto de circular por todo o Império Romano, podemos muito bem supor que uma inscrição foi colocada na entrada da caverna.
  6. Os jovens esconderam-se na caverna, mas confiaram em Deus, entregando a Ele, em oração, todo o seu caso. Eles, então, aparentemente caíram no sono, e nada sabiam do que estava acontecendo no mundo exterior.
  7. Isto é, selamos os seus ouvidos, para que nada pudessem ouvir. Assim eles ficaram completamente desligados do mundo exterior. Foi como se eles tivessem morrido, permanecendo os seus conhecimentos e idéias no ponto do tempo em que eles haviam entrado na caverna.
  8. Quando recobraram a consciência, haviam perdido a contagem do tempo. Embora tivessem entrado juntos, e jazido juntos no mesmo local pelo mesmo espaço de tempo, suas impressões, quanto ao tempo que havia passado, eram bem diferentes. Deste modo é o tempo relacionado com as nossas próprias experiências interiores. Nós temos de nos conscientizar de que homens, tão bons como nós mesmos, diferem quanto às reações a certos fatos, e de que as disputas em tais assuntos são inconvenientes. É preferível dizer: "Deus sabe mais" (versículo 19 desta Surata).
  9. Para que eles não tivessem medo de falar abertamente, e de proclamar a verdade da Unicidade que eles viam claramente em seus próprios corações e mentes.
  10. Talvez suponhamos que eles tivessem tomado suas decisões e feito uma proclamação pública, antes de se retirarem para a caverna (versículo 16 desta surata). A história realmente começa no versículo 13 desta surata, sendo que os versículos 9-12 podem ser considerados como introdutórios. Como queremos dar ênfase às lições espirituais, os fatos relatados na parte introdutória são, na história, levemente analisados por cima.
  11. Além dos cultos aos deuses pagãos, o culto aos imperadores esteve também em voga, no Império Romano, nos três primeiros séculos da era cristã. A estátua de Diana (Ártemis), em Éfeso, foi uma das maravilhas do mundo antigo. A cidade era um grande porto de mar, e a capital da Ásia romana. Portanto, podemos imaginar como os cultos pagãos deveriam ter aí florescido. O apóstolo Paulo passou três anos aí pregando, e foi agredido e assaltado, e compelido a ir-se embora (Atos 19:1-4)
  12. Na latitude de Éfeso (38º de latitude Norte), ou seja, bem acima da declinação setentrional do sol, uma vez que o lado ensolarado fica ao sul. Caso os jovens estivessem deitados de costas, com os rostos voltados para o norte, ou seja, em direção à entrada da caverna, o sol levantar-se-ia pelo lado direito deles, e pôr-se-ia do lado esquerdo, deixando-os refrescados e em conforto.
  13. O nome do cão deles é tradicionalmente conhecido como Quirmir; porém, ver a nota 829.
  14. Este é o ponto culminante da história. Suas impressões humanas haviam de ser comparadas umas com as outras. Eles haveriam de ver que: com a melhor boa vontade e com a mais honesta inquirição, talvez chegassem a diferentes conclusões; não deveriam desperdiçar o seu tempo em vãs controvérsias, mas entregar-se aos principais afazeres da vida; e apenas Deus possui pleno conhecimento das coisas que, para nós, parecem estranhas ou inconsistentes, ou inexplicáveis, ou que produzem diferentes impressões em diferentes mentalidades. Se eles tivessem entrado na caverna pela manhã e acordado na parte da tarde, um deles bem poderia pensar que estivessem lá havia apenas umas poucas horas – apenas uma parte do dia. Esta relativa ou ilusória impressão de tempo ainda nos dá uma vaga idéia do estágio da Ressurreição, quando não haverá tempo, quando as nossas imperfeitas impressões desta vida serão corrigidas pela Realidade final. Este mistério do tempo tem pasmado muitas mentes contemplativas.
  15. Eis que eles abandonam as barreiras controvertíveis e se entregam aos afazeres práticos da vida. Contudo, seus pensamentos encontram-se condicionados pelo estado de coisas que existia quando eles entraram na caverna. O dinheiro que portavam era dinheiro cunhado do reinado do monarca que perseguia a Religião da Unicidade e favorecia os falsos cultos da idolatria.
  16. Eles pensavam que o mundo não houvesse mudado, e que a ferrenha perseguição de que tinham conhecimento ainda estivesse grassando, sob a qual a pessoa tinha de pagar com a vida a sua fé religiosa, uma vez que não conformasse com o culto idólatra.
  17. Suas vestimentas fora de moda, sua fala antiquada, sua aparência inusitada o seu dinheiro fora de circulação, tudo isso de pronto atraiu a atenção das pessoas sobre ele. Quando tomaram conhecimento da história, aperceberam-se de que Deus, Que pode proteger Seus servos, acordando-os de um sono após um longo tempo, tem poderes de acordar os homens para a Ressurreição, e de que a Sua promessa de benevolência e misericórdia para com aqueles que O seguem, é verdadeira, e foi exemplificada daquela maneira estarrecedora. Além disso, tornou-se claro que Deus pode mudar a situação, antes que estejamos conscientes, e que a nossa confiança n’Ele não é fútil, e que mesmo quando nos encontramos à beira do desespero, uma revolução poderá estar tomando vulto no mundo, antes que este se conscientize disso.
  18. Mesmo depois de muito tempo a controvérsia alastrou-se, acerca do número dos sonolentos: eram eles em número de três, cinco, sete? As pessoas respondiam, não guiadas pelo conhecimento, mas pela conjectura. A versão de Gibbon, que é agora a mais conhecida, estabelece em sete os números dos sonolentos. O ponto é imaterial; o ponto real consistia na lição espiritual.
  19. Os historiadores vulgares pouco ou nada sabem do verdadeiro significado das histórias e das parábolas. Nós temos uma clara exposição, no Alcorão. Que necessidade há de entrar em detalhes quanto ao número de jovens na caverna, ou do tempo que eles lá permaneceram?
  20. Na geometria, um círculo perfeito constitui uma figura ideal. Qualquer círculo que desenhemos não é tão perfeito, a ponto de não podermos desenhar um outro, que mais se aproxime do ideal. Assim, em nossa vida, há sempre a esperança de nos aproximarmos, cada vez mais, de Deus.
  21. Este versículo deve ser lido juntamente com o versículo seguinte. Na flutuante tradição oral, a duração do tempo na caverna foi dada diferentemente em diversificadas versões. Quando a tradição foi assentada em escritos, alguns escritores cristão (por exemplo, Simeão Metaphrates) apontaram 372 anos, alguns menos. Em números redondos, 300 anos do calendário solar dariam um total de 309 anos do calendário lunar. No entanto, o versículo seguinte ressalta que tudo isto são meras conjecturas; o número, só por Deus é conhecido. A autoridade de Gibbon, se válida, menciona dois reinados definidos: o de Décio (249-252 d.C.) e o de Teodósio II (409-450 d.C.). Tomando por base os 250 e 450, temos um intervalo de 200 anos. Porém, o ponto culminante da história não se apoia no nome de um determinado imperador, mas no fato de que o início do período coincidiu com o do imperador perseguidor; o nome do imperador, no final do período deve ser tomado como sendo aproximadamente correto, porquanto a história foi registrada por duas gerações posteriores. Um dos mais ferrenhos imperadores perseguidores dos cristãos foi Nero, que reinou de 54 a 68. Se tomássemos o final de seu reinado (68 d.C.) como ponto de partida, e (digamos) o ano de 440 d.C. como ponto final, teríamos os 372 anos de Simeão Metaphrates. Porém, nenhum desses escritores sabia mais do que nós sabemos. Nosso melhor alvitre é seguir a injunção alcorânica: "Dize-lhes: Deus sabe melhor do que ninguém o quanto permaneceram" (versículo 26 desta surata). Há ainda uma refutação implícita: "não imiteis estes homens que adoram controvérsias maquiavélicas!" Por fim, é-nos fornecida uma narrativa, mais como parábola do que como história.
  22. Eis aqui uma parábola simples do contraste entre dois homens. Um estava orgulhoso de sua bolsa, esquecendo-se de que tudo o que possuía provinha de Deus, constituindo-se tão-somente num custódio e num teste para esta sua vida. O outro de nada se ufanava; sua confiança estava depositada em Deus. A riqueza terrena do primeiro foi destruída, nada restando. O seguindo foi mais feliz, no final.
  23. Os dois homens começaram a comparar dados. O arrogante empertigava-se com suas posses, seus rendimentos, sua enorme família e seus seguidores, sendo que pensava, em sua vaidade, que aquilo duraria para sempre. Ele ainda errou em olhar de cima para o seu companheiro, o qual, embora menos afluente, era o melhor dos dois.
  24. Entra em cena o espírito ganancioso do materialista. Em sua mente, o termo "melhor" significa mais riqueza e mais poder, da espécie que ele estava desfrutando na vida, embora, na realidade, mesmo o que ele possuía se assentasse em fundações oscilantes, e estivesse destinado a ruir e a traze-lo para baixo, juntamente com as ruínas.
  25. A água da chuva é, por si só, uma coisa boa, mas ela não dura, e nós não podemos erigir sólida fundação alguma acerca disso. Ela é logo absorvida pela terra, que produz a aparente florescência de relva e vegetação – por certo tempo. Logo estas se deterioram, tornando-se secas como palha, a qual o menos vento de qualquer quadrante da terra soprará daqui para ali, como uma coisa sem importância. A água vai-se, e com ela também a vegetação, à qual é emprestado, temporariamente, um intrépido espetáculo de luxúria. Tal é a vida neste mundo, contrastada com a vida verdadeira e interior que se volta para a Vida Futura. Deus é a única Força duradoura, para a qual nós nos devemos voltar, superior a todas as coisas.
  26. Os diletos de Deus não são enviados para nos animar com dialéticas, ou para satisfazerem a nossa vulgar curiosidade, concernente a milagres ou as coisas obscuras, ou inusitadas. Não há "contradição" em sua pregação. Eles vêm para pregar a Verdade – não de uma maneira abstrata, mas com sua referência especial à nossa conduta. Eles nos fornecem as boas-novas da salvação, a menos que sucumbamos na presença do pecado, e nos admoestam quanto aos perigos do Mal. Vãs controvérsias, acerca das palavras, apenas enfraquecem a sua missão, ou tornam-na ridícula. Os ímpios usam, também, de um truque, tratando a pregação deles com escárnio, ridicularizando-a.
  27. Este episódio da história de Moisés pretende ilustrar quatro tópicos: (1) Moisés era versado na sabedoria dos egípcios. Mesmo assim essa sabedoria não englobava tudo, tal qual todo o acúmulo de sabedoria, hoje em dia, nas ciências, nas artes e na literatura 9se é que se pode supor que seja adquirido por um indivíduo), não inclui todo o conhecimento. O conhecimento divino, por outro lado, é ilimitado. Mesmo depois que Moisés recebeu a sua missão divina de mensageiro, o seu conhecimento não era tão perfeito que não precisasse receber outras adições; (2) um constante esforço é necessário para mantermos o nosso conhecimento paralelo à marcha do tempo, e tal esforço é mostrado pelo que Moisés está fazendo; (3) o misterioso homem que ele encontra (versículo 65 desta surata e respectiva nota), ao qual a tradição dá o nome de Khidr (literalmente, Verde), é o tipo daquele cujo conhecimento é sempre recente, renovado e florescente, sempre em contato com a vida que é realmente vivida, não meramente cristalizado em livros ou em dísticos de segunda mão. A segunda espécie de conhecimento possui o seu uso, sendo, contudo, apenas um degrau para a primeira espécie de conhecimento, a qual constitui o verdadeiro conhecimento, e provém diretamente de Deus (versículo 65 desta surata); (4) há paradoxos na vida; a perda aparente pode constituir-se num verdadeiro ganho; a aparente crueldade pode constituir-se numa misericórdia real; retribuir o mal com o bem pode ser justiça, não generosidade (versículos 79-82 desta). A sabedoria de Deus transcende todos os cálculos humanos.
  28. A mais provável localização geográfica (se é que alguma é requerida numa história que constitui uma parábola) é aquela em que os dois braços do Mar Vermelho se encontraram, a saber, o Golfo de Ácaba e o Golfo de Suez. Eles formam a Península do Sinai, na qual Moisés e os israelitas passaram anos, vagueando. Há também autoridade para se interpretar os dois mares como sendo os dois grandes ramos do conhecimento, os quais encontrar-se-iam nas pessoas de Moisés e de Khidr.
  29. Era para Moisés ir ao encontro de um servo de Deus, que o instruiria com conhecimentos tais que ele ainda não tinha adquirido. Era para ele levar um peixe consigo. O local onde ele iria encontrar o seu misterioso Mestre seria indicado pelo fato de que o peixe desapareceria quando ele ali chegasse. O peixe constitui um símbolo do conhecimento secular, que se junta ao conhecimento divino, no ponto em que a inteligência humana está pronta para a junção dos dois. Mas a mera junção do conhecimento secular, por si só, não produz o conhecimento divino. Este último, há que ser procurado pacientemente.
  30. Quando eles chegaram à junção dos mares, Moisés se esquecera do peixe, e seu auxiliar se esquecera do fato de que ele havia visto o peixe escapar para o mar, de um modo maravilhoso. Eles prosseguiram, mas os estágios então se tornaram cada vez mais exaustivos e fatigantes para Moisés. Assim, quando o nosso conhecimento antigo se torna obsoleto, e nós chegamos à beira de um novo conhecimento, temos um sentimento de estranheza, de monotonia e de dificuldades, especialmente quando queremos passar por cima do novo conhecimento, sem desejarmos torná-lo nosso. Algumas inovações, mesmo que sejam feitas da nossa velha e tradicional maneira, são requeridas, para nos mantermos. Contudo, devemos retrair os nossos passos, e procurar o repositório creditado do conhecimento, que constitui a nossa procura. É da nossa alçada procurá-lo. Mas saibamos que não o encontraremos sem esforço.
  31. O auxiliar realmente viu o peixe nadar para o mar, e mesmo assim "esqueceu-se" de dizê-lo ao seu mestre. Nesse caso, o "esquecimento" foi mais do que esquecimento. A inércia fê-lo deixar de contar a importante novidade. Em tais assuntos, a inércia é quase tão danosa quanto a malevolência ativa, a sugestão de Satanás. Assim sendo, o novo conhecimento, ou conhecimento espiritual, não apenas é ultrapassado pela ignorância, mas, às vezes, pela negligência culposa.
  32. Um dos nossos servos; seu nome não é mencionado no Alcorão, mas a tradição menciona-o como Khidr. Em torno dele acumulou-se um bom número de contos populares pitorescos, com os quais não nos preocupamos aqui. "Khidr" significa "Verde"; seu conhecimento é recente e renovado, tirado das vivas fontes de vida, uma vez que é tirado da própria Presença de Deus. É um ser misterioso, que deve ser procurado. Ele possui os segredos dos paradoxos da vida, que as pessoas comuns não compreendem, ou compreendem num sentido errôneo, como veremos mais adiante.
  33. Eles tomaram um barco que fazia viagens de aluguel. Seus donos nem mesmo eram gentes comuns que se preocupavam com o comércio. Eles haviam sido reduzidos à pobreza, talvez devido à circunstâncias adversas, e eram alvo de grande comiseração, tanto que preferiram uma ocupação honesta à mendicância. Eles não sabiam, mas Khidr sim, que o barco, talvez um barco novo, estava marcado para ser confiscado por um rei injusto, que tomava posse de todos os barcos que pudesse conseguir – talvez para propósitos guerreiros. Se o barco fosse tirado daqueles homens que têm amor-próprio, eles teriam sido reduzidos à mendicância, sem lhes restar recurso algum. Os donos poderiam consertá-lo, tão logo o perigo passasse. Khidr provavelmente pagou as passagens; e o que parecia uma ação enigmaticamente cruel, constituiu o maior ato de benevolência que ele poderia realizar em tais circunstâncias.
  34. Àqueles que agem, não levados por capricho ou por um impulso próprio, mas levados pela autoridade, são imputados, por parte da plebe vulgar, atos da mais alta sabedoria e utilidade. Nos assuntos humanos, muitas coisas são inexplicáveis, coisas essas que são da mais elevada sabedoria no Plano Universal.
  35. Literalmente, "aquele de dois chifres ou cornos", o rei com os dois cornos, ou o Senhor das Duas Épocas. Quem foi ele? Quando e onde viveu? O Alcorão não nos fornece matéria, na qual possamos nos basear para uma resposta positiva. Nem tampouco é necessário que se encontre uma resposta, uma vez que a história é apresentada como uma parábola. A opinião popular identifica Zul Carnain com Alexandre, o Grande. Zul Carnain foi um rei poderosíssimo; mas foi Deus Quem, em Seu Plano Universal, lhe deu poder, e o proveu com modos e meios para que ele realizasse a sua grande obra. Sua influência fez-se sentir sobre o Oriente e o Ocidente, e sobre os povos de diversas civilizações.
  36. Este é o primeiro dos três episódios aqui mencionados, ou seja, a sua expedição para o Ocidente. A expressão "chegando ao poente do sol" não quer dizer o extremo Oeste, pois não há tal coisa. Oeste e Leste são termos relativos. Significa uma expedição ocidental, limitada por uma "fonte fervente". Se Zul Carnain era Alexandre, o Grande, a referência poderá ser facilmente compreendida como sendo a Lychnitis (agora Ochrida), a oeste da Macedônia. Ela é inteiramente alimentada por fontes do subsolo, numa região calcária, onde a água nunca é muito cristalina.
  37. Quem era o povo de Gog e Magog? Esta pergunta está ligada à pergunta "Quem era Zul Carnain?" O que principalmente nos interessa, aqui, é a interpretação espiritual. O Conquistar havia, então, chegado a um povo diferente do dele, em fala e raça, mas não tão primitivo, porquanto era habilidoso em trabalhar metais, e podiam fazer blocos (ou tijolos) de ferro, derreter metais com foles ou assopradores, e trabalhar com chumbo derretido (versículo 96 desta Surata). Aparentemente, eles constituíam um povo pacífico e industrioso, sujeito, em muito, às incursões de tribos selvagens, que eram denominadas Gog e Magog. A proteção que eles queriam era o fechamento de uma garganta na montanha, através da qual as incursões eram feitas.
  38. "Até que se tornem fogo". O que quer dizer isso? Provavelmente, refere-se às barras de ferro que, liqüefeitas, tornam-se vermelhas como fogo, para serem ligadas com o chumbo.
  39. As muralhas, as portas e as torres de ferro eram suficientemente altas para que fossem escaladas, e suficientemente fortes, com metal soldado, para resistirem a qualquer tentativa de arrombamento.
  40. A palavra Firdaus, em persa, significa um local cercado, um parque. Na linguagem "técnico-teológica", a palavra é empregada para especificar o círculo interno do Céu, ou o Céu mais elevado, o destino daqueles que preenchem estes dois requisitos, a saber, uma fé sadia, e uma conduta perfeitamente virtuosa. As faltas pequenas, em ambos os respeitos, serão perdoadas; a Misericórdia de Deus entre em cena. Talvez haja um desenvolvimento espiritual e um progresso, mesmo após a morte.
 

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