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  1. Esta é a única Surata que se inicia com as letras Kaf, Ha, Ya, Ain, Sad. Como foi relatado na nota do versículo 1 da 2ª Surata, tais letras constituem símbolos, cujos significados verdadeiros só Deus conhece. Não devemos ser dogmáticos quanto a quaisquer conjecturas que fizermos.
  2. A misericórdia de Deus para com Zacarias foi de muitas maneiras demonstrada: (1) na aceitação de suas orações; (2) em lhe conceder um filho com Yahia (João); e (3) no amor existente entre pai e filho, em adição à obra que Yahia realizou para o mundo, como mensageiro de Deus – comparar com os versículos 38-41 da 3ª Surata, e respectivas notas. Naquele caso, o sacerdócio público foi o ponto acentuado; neste, são acentuadas as magníficas relações entre filho e pai.
  3. Intimamente; porque ele temia que sua própria família e parentela se desviasse (19ª Surata, versículo 5), e desejava conservar a lâmpada de Deus consistentemente acesa. De modo algum ele iria mencionar publicamente o temor que havia em seus colegas (que eram seus parentes).
  4. Este prefácio mostra a ardente fé de Zacarias. Ele era um sacerdote do Altíssimo Deus. Seu ofício era o Templo, seus parentes eram os colegas. Contudo, ele não encontrava neles o verdadeiro espírito da prestação do serviço a Deus e ao homem. Estava cheio de ansiedade, quanto a quem iria apoiar as idéias piedosas que tinha em mente, as quais eram estranhas aos seus colegas ímpios.
  5. Seu desejo por um filho era um desejo meramente vulgar. Se fosse, teria orado muitíssimo, bem antes, em sua vida, quando era ainda jovem. Ele se encontrava demasiado impregnado da verdadeira piedade, para que colocasse coisas meramente egoístas em suas orações. Porém, tratava-se de uma necessidade pública, no serviço do Senhor. Ele era muito velho, mas talvez pudesse ter um filho – que seria um herdeiro, "proveniente de Deus" (ver a nota do versículo 38 da 3ª Surata).
  6. Trata-se de João Batista, o precursor de Jesus. De acordo com as orações de seu pai, ele e Jesus (para quem ele preparou o caminho) reativaram a Mensagem de Deus, que havia sido conspurcada, e estava perdida entre os israelitas. A forma árabe Yahia sugere "Vida". Deus, pela primeira vez, chamou um dos Seus eleitos por aquele nome.
  7. Cada homem nada era antes de ser criado, isto é, as existências da sua personalidade foi ordenada por Deus. Mesmo em se sabendo que há um processo material para a formação do corpo, de acordo com as leis da natureza, saiba-se que a real força criadora está em Deus. Porém, aqui, o significado é mais sutil. João foi o anunciador de Jesus, preparando o caminho para eles; e esta sentença também nos prepara para o milagroso nascimento de Jesus – ver o versículo 21, mais adiante. Para Deus tudo é possível.
  8. Entendemos que a "prova" não seria convencer Zacarias de que a promessa do Senhor era verdadeira, porque ele tinha fé; mas tratava-se de um símbolo, pelo qual ele teria de mostrar, em sua conduta, que iria conformar-se com o seu novo destino, como pai de Yahia, que haveria de vir. Yahia deveria ser posto a trabalhar, e Zacarias deveria ficar em silêncio, embora ele fosse são e nada houvesse que o impedisse de falar.
  9. O tempo passa. Nasce o filho, neste ponto da surata, o centro de interesse é Yahia, e a instrução então dada a ele: "Ó Yahia, observa fervorosamente o Livro!", porque um mundo incrédulo o havia tanto conspurcado como negligenciado, e Yahia (João Batista) iria preparar o caminho para Jesus, que viria renová-lo, e reinterpretá-lo.
  10. João Batista não viveu muito. Foi aprisionado por Herodesm, o tetrarca (governador provincial do Império Romano), que ele havia recriminado por seus pecados, e por isso foi decapitado, por instigação da mulher pela qual Herodes estava apaixonado. Mas, mesmo na sua jovem vida, foi-lhe dado: (1) sabedoria, com a qual intrepidamente denunciava o pecado; (2) piedade gentil e amor por todas as criaturas de Deus, pois só andava entre os humildes e simples, e desprezava as "vestimentas aparatosas"; (3) pureza de vida, pois renunciou ao mundo, e passou a viver no deserto. Toda a sua obra, ele a realizou na juventude. Sua obra mostrou-se por si mesma, na sua conduta, pois ele era devotado, demonstrando amor para com as criaturas de Deus, e, mais particularmente, para com os seus pais (pois nós estamos considerando esse aspecto da sua vida); isto foi, ainda, demonstrado pelo fato de que ele jamais usou de violência, jamais teve uma atitude de arrogância, nem tampouco alimentou um espírito de rebeldia contra a Lei, humana ou divina.
  11. Para um compartimento privado que dava para o leste, talvez um templo. Ela se separou das pessoas de sua família, e das pessoas em geral, e foi para a sua privacidade, por devoção, para orar. Foi nesse estado de pureza que o anjo apareceu a ela na forma de um homem. Ela pensou tratar-se realmente de um homem; ficou assustada, e implorou-lhe que não invadisse a privacidade dela.
  12. Deus a havia destinado a ser a mão do profeta Jesus Cristo, e então chegara o tempo em que isso deveria ser anunciado a ela.
  13. A missão de Jesus é anunciada de duas maneiras: (1) ele iria ser um Sinal para os homens; seu maravilhoso nascimento e sua maravilhosa vida iriam trazer a volta de Deus a um mundo ateu; e (2) sua missão iria trazer consolo e salvação aos que se arrependessem. Este, de um modo ou de outro, é o caso que se passa com todos os mensageiros de Deus, e foi, predominantemente assim, no caso do Mensageiro Mohammad. Mas o ponto principal, aqui, é que os israelitas, para os quais Jesus foi enviado, para quem a mensagem de Jesus era verdadeiramente um Evangelho de Misericórdia, eram um povo de coração duro.
  14. Para qualquer coisa que Deus deseja criar, Ele diz: "Seja!", e é (comparar com o versículo 47 da 3ª Surata). Não há intervalo algum entre o Seu decreto e a consumação deste, exceto se Ele assim o estipular, no próprio decreto. Pode ser que o tempo seja apenas uma projeção de nossas mentes, neste mundo de relatividade.
  15. A anunciação da concepção, podemos supor, teve lugar em Nazaré (da Galiléia), digamos, a 100 km ao norte de Jerusalém. O parto deu-se em Belém, cerca de 10 km ao sul de Jerusalém. Foi num lugar longínquo, não apenas com relação à distância de 110 km, mas porque em Belém o nascimento deu-se num local obscuro, sob uma palmeira, de onde talvez a criança foi depois removida para uma manjedoura, em um estábulo.
  16. Ela era tão-somente humana, e sofria as dores de uma mãe que está esperando, e sem ninguém para olhar por ela. Porque a circunstância era peculiar, ela teve de ir para longe do seu povo.
  17. Literalmente! Refresca teus olhos; uma frase idiomática para "consola-te". O significado literal, contudo, não deve ser esquecido. Ela teria de refrescar os seus olhos (talvez marejados de lágrimas) com a água fresca do regato, e consolar-se com a notável criança que havia nascido dela. Ela teria, também, de olhar ao seu redor, e, se alguém se aproximasse, teria de declinar qualquer conversa. Aquilo era bem a verdade: ela se encontrava sob juramento, e não podia conversar com ninguém.
  18. Ela teria de evitar toda a conversa, com homem ou mulher, com a justificativa de um juramento de Deus. O jejum, no original, não significa, literalmente, a abstinência quanto ao comer e ao beber. Foi-lhe aconselhado que comesse tâmaras e que bebesse do regato. Outrossim, significa abstinência das costumeiras refeições caseiras, e, de modo geral, das relações com os humanos.
  19. A admiração das pessoas não tinha limites. De qualquer maneira, as pessoas estavam propensas a pensar o pior, uma vez que ela desapareceu do seio de seus familiares por algum tempo. E agora, lá vinha ela, desavergonhadamente desfilando com um filho do colo! E como ela havia desgraçado a casa de Aarão, a fonte do sacerdócio! Podemos supor que a cena se desenrolou no Tempo, em Jerusalém, ou em Nazaré.
  20. Aarão, o irmão de Moisés, foi o primeiro, na linhagem do sacerdócio israelita. Maria e sua prima, Isabel (mãe de Yahia) vinham de uma família sacerdotal, e, portanto, eram "irmãs de Aarão", ou filhas de Imran (que era pai de Aarão). Ver a nota do versículo 35 da 3ª Surata. Maria é conscientizada da sua alta linhagem, e das irrepreensíveis qualidades morais do seu pai e da sua mãe. Como foi, disseram as pessoas, que ela se perdeu, e desgraçou o nome dos seus progenitores?
  21. Que podia Maria fazer? Como poderia ela explicar? Iriam as pessoas, com seus modos de censura, aceitas a explicação dela? Tudo o que ela podia fazer era apontar para a criança, a qual, ela sabia, não era uma criança comum. E a criança viera para a salvação dela. Por um milagre a criança falou, e defendeu a sua mãe, e pregou a um público incrédulo.
  22. Há um paralelismo por todo o relato da história de Jesus e Yahia, com algumas variações. Por exemplo, Jesus declara, desde o princípio, que era um servo de Deus, negando, desse modo, a falsa noção de que era Deus ou filho de Deus. A grandiosidade de Yahia é descrita nos versículos 12-13 da 19ª Surata, em termos não aplicáveis a Jesus; porém, os termos dos versículos 14-15 da 19ª Surata, aplicáveis a Yahia, são quase idênticos àqueles aplicáveis a Jesus, aqui (versículos 32-33).
  23. A violência arrogante não é apenas injuriosa e danosa para a pessoa contra quem é praticada; ela é, talvez, ainda mais danosa para a pessoa que a pratica, porque sua alma torna-se turva, insegura, infeliz e arruinada – o estado das almas que se encontram no Inferno.
  24. Cristo não foi crucificado (versículo 157 da 4ª Surata). Contudo, aqueles que crêem que ele jamais morreu devem ponderar sobre este versículo.
  25. As discussões quanto à natureza de Jesus Cristo foram em vão, mas persistentes e sanguinolentas. Os cristãos modernos deixam-nas para trás; e fariam muito bem se, juntamente com isso, abandonassem os dogmas tradicionais.
  26. Gerar um filho é um ato fisiológico que depende das necessidades da natureza animal do homem. Deus, o Altíssimo, é independente de todas as necessidades, e é derrogatório atribuir-Lhe tal ato. Isso constitui meramente uma relíquia das superstições pagãs, antropomórficas e materialistas.
  27. Em oposição às superstições fraudulentas, que se apoiam em toda a sorte de sofismas metafísicos, para provar que dois e dois são cinco. No Alcorão não há fraudulência alguma (versículo 1 da 18ª Surata). O ensinamento de Cristo era simples, como simples era a sua vida, mas os cristãos tornaram-no fraudulento.
  28. Abraão deixou seu pai e a terra de seus pais (Ur na Caldéia), e nunca mais regressou. Ele partiu porque foi escorraçado, e porque não lhe era possível fazer concessões a respeito do que era falso, em matéria de religião. Em resposta aos abusos, ele proferiu palavras gentis. E expressou a sua fervorosa esperança de que, pelo menos ele (Abraão) obteria a bênção de Deus, em resposta às suas orações. Aquilo foi uma prefiguração de uma outra Hégira, que se daria muitos séculos mais tarde! Em ambos os casos, as orações foram abundantemente atendidas.
  29. Isaac e seu filho, Jacó, são mencionados como a dar continuidade à linha de tradições de Abraão. Outra linha foi continuada por Ismael, que é mencionado, independentemente, cinco versículos mais adiante, da mesma maneira que a sua linhagem é tratada com especial honraria quanto ao Profeta do Islam. Eis porque a menção a ele vem depois da de Moisés. Comparar com o versículo 72 da 21ª Surata.
  30. Abraão, seu filho Isaac e seu neto Jacó, em sua linhagem, mantiveram o estandarte da verdade espiritual de Deus por muitas gerações, e conseguiram, merecidamente, ganhar louvor – o louvor da verdade –, nas línguas dos homens. Abraão orou para que fosse louvado pela língua da verdade, entre os homens que viriam em eras posteriores. O louvor comum talvez nada signifique: pode ser devido à bajulação egoística da parte dos outros, ou a um expediente astuto da pessoa a ser louvada. O louvor vindo da boca da verdade sincera, é deveras o louvor!
  31. Moisés foi (1) especialmente escolhido, e preparado e instruído na sabedoria dos egípcios, para que pudesse libertar o seu povo do cativeiro do Egito; deve ainda haver uma referência ao título de Moisés, Kalimulah, ou seja, aquele a quem Deus falou, sem a intervenção de anjos, mas de trás de uma nuvem; (2) foi um profeta (nabi), e recebeu a inspiração; e (3) foi um mensageiro (rassul), sendo que possuía um livro de Revelação e uma Comunidade (Ummat) organizada, nesta instituindo as leis.
  32. Achamos que o incidente aqui descrito refere-se aos incidentes mais plenamente descritos nos versículos 9-36 da 20ª Surata. O tempo é aquele em que Moisés (com sua família) estava viajando e apascentando o rebanho de seu sogro, Jetro, um pouco antes de ele receber a comissão de Deus. O local é em algum lugar próximo ao Monte Sinai (Jabal Musa). Moisés lobrigou ao longe uma áscua, e, quando chegou perto, ouviu uma voz, que lhe disse que aquele solo era sagrado. Deus pediu-lhe que tirasse os sapatos e que se aproximasse; e quando se aproximou, grandes mistérios lhe foram revelados. Foi-lhe dado o seu comissionamento, e seu irmão, Aarão, deveria partir com ele, e ajudá-lo. Foi depois disso que ele e Aarão foram ter com o Faraó do Egito. O lado direito do monte talvez signifique que Moisés ouviu a voz, vinda do lado direito do monte, quando ele foi ter com ela; ou talvez tenha o significado metafórico de "certo", em árabe, o lado que era abençoado ou constituía o solo sagrado.
  33. Moisés estava difidente e relutante em ir ter com o Faraó, porque possuía uma deficiência em sua língua; assim sendo, ele pediu ao seu irmão, Aarão, que se associasse a ele naquela missão.
  34. Ismael era um Dabihulah, ou seja, o escolhido para o sacrifício de Deus, na tradição muçulmana. Quando Abraão lhe contou sobre o sacrifício, ele ofereceu-se voluntariamente para isso, e jamais se furtou à promessa, até que o sacrifício foi redimido por um carneiro, segundo as ordens de Deus. Ele foi o manancial da comunidade árabe, e sua posteridade chegou até ao Mensageiro de Deus. A comunidade e o Livro do Islam remontam ao apostolado de Ismael, versículo 85 da 21ª Surata, onde ele é mencionado entre os perseverantes.
  35. Tudo quanto nos é dito é que ele era um homem da verdade e da sinceridade, e um profeta, e que desfrutava de uma elevada posição entre o seu povo. Este é o ponto que o junta com uma série de homens apenas mencionados; ele se conservou em contato com o seu povo, e foi por ele honrado. O progresso espiritual não faz com que nos divorciemos das pessoas a nós achegadas; outrossim, nós devemos ajudá-las e guiá-las. Ele se ateve à verdade e à piedade, no mais alto grau.
  36. As gerações mais antigas são agrupadas em três épocas, partindo-se de um ponto de vista espiritual: (1) de Adão a Noé; (2) de Noé a Abraão; e (3) de Abraão a um tempo indefinido, digamos, ao tempo em que a mensagem de Deus foi conspurcada, e adveio a necessidade de um derradeiro Mensageiro da Unidade e da verdade. Israel é outro nome para Jacó.
  37. Duas interpretações são possíveis: (1) a interpretação genérica é que as almas devem passar através, ou sobre o Fogo, ou perto dele. Pode ser o fogo da tentação, ou da ansiedade, ou da angústia; mas elas devem ver o inferno. Aqueles que são tementes (ver o versículo 2 da 2ª Surata, e respectiva nota) serão salvos pela Misericórdia de Deus, ao passo que os pecadores irretratáveis sofrerão os tormentos em ignomínia; (2) se o pronome "vós" se referir "àqueles que tiverem sido mais rebeldes para com o Clemente", no versículo 69, acima – tanto os líderes no pecado, como seus seguidores –, este versículo se aplicará apenas aos corruptos.
  38. A crença em que Deus gerou um filho não é uma questão meramente de palavras ou de pensamento especulativo. É uma espantosa blasfêmia contra Deus. Isso abaixa Deus ao nível de um animal. Se combinado isso com a doutrina da expiação vicária, chega às raias da negação da justiça de Deus e da responsabilidade pessoal do homem. É destrutivo, quanto à ordem moral e espiritual, e é condenado nos termos mais consistentes possíveis.
  39. Este princípio básico foi posto no início do argumento (versículo 35 desta surata). Ele foi ilustrado por uma referência à história pessoal de muitos mensageiros, incluindo o próprio Jesus, que se comportava tal qual um homem, em relação aos seus familiares, e humildemente servia a Deus. Os resultados malignos de tais superstições foram apontados, como no caso de muitas gerações anteriores que encontraram a sua ruína, por terem desonrado Deus. E o argumento é agora completado no fecho da surata.
  40. Deus não tem filhos favoritos ou parasitas, conforme os associamos com seres humanos. Por outro lado, todas as Suas criaturas obtêm o Seu amor e o Seu cuidado carinhoso. Todas elas, conquanto humildes, são individualmente marcadas perante o Seu Trono de Justiça e Misericórdia, e comparecerão perante Ele, de acordo com o seu próprio merecimento.
 

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