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  1. Tudo parece indicar que é um dos nomes do Profeta, como mostra a seqüência da surata. Se o significado dessa palavra é "Ó homem", esse é, por si só, um significado místico, como já explicado; porém, as letras formam uma só palavra, e não devem ser classificadas como letras abreviadas (ver o versículo 1 da 2ª Surata, e respectiva nota). Isto, contudo, é uma questão de classificação, e não afeta o significado. É apenas conjectura, e ninguém pode ser dogmático, nesse particular.
  2. Deus está em tudo, e as coisas belas que podemos pensar referem-se a Ele. Seus nomes, os quais sumariam os atributos, são como títulos de Honra e Glória.
  3. A história de Moisés, em seus diferentes incidentes, é contada em muitos lugares no Alcorão, e, em cada caso, a fase mais apropriada, no contexto, entre em referência ou é enfatizada. Nos versículos 49-61 da 2ª Surata, alude-se a fase da história religiosa da humanidade; nos versículos 103-162 da 7ª Surata, aparece a fase da formação da nação de Israel, e a história tem continuidade até aos tempos posteriores a Moisés; nos versículos 101-103 da 17ª Surata, temos um retrato do declínio de uma alma, na arrogância do Faraó; aqui, nos versículos 9-24 desta surata, temos o retrato da ascendência de uma alma, no comissionamento dado por Deus a Moisés.
  4. A história espiritual de Moisés principia aqui. Deu-se um nascimento espiritual. Sua vida física, sua infância e sua educação são relatadas depois, a fim de ilustrar um outro ponto. Moisés cresceu, deixou o palácio do Faraó e foi para junto do povo madianita, na península do Sinai. Casou-se entre eles, e encontrava-se, então, viajando com a sua família e com os seus rebanhos, quando foi chamado por Deus, para receber a sua missão. Ele foi até ao fogo, por causa do conforto e da orientação. Ele encontrou um conforto e uma orientação bem mais elevados e santificados. A passagem toda está cheia do mais elevado significado, no original, nos curtos versículos rimados.
  5. Trata-se do vale logo abaixo do Monte Sinai, onde subseqüentemente ele iria receber a Lei. No significado místico paralelo, somos selecionados por privações nessa vida humilde, cujo "vale" é igualmente sagrado, a ponto de receber a glória de Deus, tanto quanto o cume do Monte (Tur), caso tenhamos suficiente introspecção para percebê-lo.
  6. "Desata o nó de minha língua" é tradução literal.
  7. A tradução literal seria: "Endireita minhas costas com as dele". O vigor de um homem está em suas costas e em um espinhaço, que conserva ereto, e faz com que intrepidamente se desincumba de suas tarefas.
  8. Imbuído de sua desordenada vaidade, o Faraó se esquecera de quão insignificante criatura era perante Deus. Isto teria de ser trazido, novamente ao seu conhecimento, para que talvez se arrependesse e passasse a crer, ou, pelo menos, e por temor, se contivesse de "passar do limites". Algumas pessoas abstêm-se de agir errado, por sincero amor a Deus e por compreensão para com os seus semelhantes; e outras (de mentes tacanhas), por temor das conseqüências. Mesmo a segunda conduta pode ser um passo para a primeira.
  9. Moisés não caiu na armadilha. Ele se lembrou da injunção que lhe foi dada, no sentido de falar mansamente (versículo 44 desta surata). Ele falou mansamente, mas não de modo a tolher a verdade. Com efeito, ele disse: "O conhecimento de Deus é perfeito, como se, entre os homens, fosse um registro. Porque os homens se enganam ou não se lembram; mas Deus jamais Se engana ou Se esquece. Deus, ainda, não é apenas Sapientíssimo; é também Beneficiário. Olha em torno de ti: a terra toda se estende, como um tapete. Os homens andam nela livremente; Ele envia água em abundância do céu, a qual, em forma de chuva, causa as cheias do Nilo e fertiliza todo o solo do Egito, que dá de comer aos homens e aos animais."
  10. O grande dia de um festival do Templo; quando os palácios e suas ruas estivessem ornamentados, e o povo estivesse gozando um feriado, sem trabalhar. Moisés organiza o encontro nesse dia para que o presencie o maior número possível de pessoas, porquanto o seu dever primeiro é pregar a Verdade. E ele aparentemente o fez com algum efeito sobre alguns egípcios (versículos 70 e 72-76 da 20ª Surata), embora o Faraó e os seus poderosos oficiais rejeitassem a Verdade, recebendo depois o castigo.
  11. O ataque concentrado do mal é, às vezes, tão bem planejado, em todos os pontos, que a falsidade aparece, e é aclamada como sendo a verdade. O crédulo, na verdade, fica isolado, e uma espécie de vertigem moral toma conta de sua mente. Porém, pela graça de Deus a Fé se afirma, dá-lhe confiança, e aponta as verdades específicas que dissiparão e destruirão a prolífera ninhada da falsidade.
  12. A magia, a farsa e a fraude, que pertenciam à religião pagã, tornaram-se um credo, um Estado, uma profissão de fé, aos quais os cidadãos tinham de se curvar, e os quais seus sacerdotes tinham ativamente de praticar. E o Faraó estava à testa de todo o sistema. Com justiça, contudo, os magos convertidos põem a culpa no Faraó, negando veementemente a falsa acusação de que eles haviam estado em conluio com Moisés.
  13. Isto foi quando Moisés se encontrava no cimo do Monte, quarenta dias e quarenta noites. Enquanto ele se encontrava num estado de honra estática, no cimo do Monte, seu povo estava-se entregando a estranhas cenas, lá em baixo. Eles estavam sendo testados, e fracassaram no "teste". Eles fizeram a imagem dourada de um bezerro para a adoração, como descrito adiante.
  14. Quem era esse samaritano? Se esse era o seu nome pessoal, estava suficientemente próximo ao significado da palavra-raiz original para ter um artigo definido ligado a ele. Qual era a raiz para "Sámari"? se olharmos para o antigo idioma egípcio, encontraremos "Shemer" = um estranho, um estrangeiro. Como os israelitas tinham deixado o Egito havia pouco, eles muito bem poderiam ter entre eles um judeu egiptizado, que portava aquele apelido. Que o nome Shemer não foi subseqüentemente desconhecido entre os hebreus, está claro, a julgar pelo Antigo Testamento. Em Reis 16:24, nós lemos sobre o tal Omri, rei de Israel, na parte setentrional do reino dividido, que reinou por volta de 903-896 a.C., e construiu a nova cidade de Samaria, numa colina que ele comprara de Shemer, o seu dono, por dois talentos de prata. (ver também History of Israel, de Renan II, 210). Para uma discussão mais esclarecedora da palavra, ver a nota 921, mais adiante.
  15. Comparar com Êxodo 12:35-36. Antes de deixarem o Egito, os israelitas tomaram emprestadas dos egípcios "jóias de prata e jóias de ouro, e vestimentas"; e "eles estragaram os egípcios", ou seja, tiraram-lhes a sua valiosa joalheria. Note-se que as respostas dos apóstatas são de várias maneiras maliciosas: (1) o samaritano, sem dúvida alguma, foi responsável por sugerir que fizessem o bezerro de outro, mas eles não poderiam, por causa disto, tirar a responsabilidade de si próprios; a carga do pecado está sobre aquele que o comete e ele não pode pretender que estivesse impotente para evitá-lo; (2) quando muito, o peso do ouro que eles carregavam não podia ter sido excessivo, mesmo que um dos dois homens o carregassem, mas teria sido insignificante, se distribuído; (3) o ouro é valioso, e não é nada provável que se eles quisessem desfazer-se dele, tivessem necessidade de acender uma fornalha e, derretê-lo para dar-lhe a forma de um bezerro.
  16. A efígie fundida foi derretida e destruída. Assim termina a história do Sámiri. Deve ser de interesse examinarmos as transformações por que a palavra Sámiri passou nos últimos tempos. Para a sua origem, ver a nota 919. Se a raiz da palavra Sámiri era originalmente egípcia ou hebraica, isso não afeta a história posterior. Quatro fatos devem ser notados: (1) Havia um homem que portava um nome dessa espécie no tempo de Moisés, que liderou uma revolta contra Moisés, e foi por este esmagado. (2) No tempo do rei Omri (903-896 a.C.), do reino setentrional de Israel, havia um homem chamado Shemer, de quem, de acordo com a Bíblia, foi comprada uma colina, na qual foi construída a nova capital do reino, a cidade de Samaria. (3) O nome da colina era Shomer (= vigia, vigilante, guardião), e dessa forma também aparece como nome de homem (ver Reis II 12:21): alguns exegetas acham que o nome da cidade foi tirado da colina, e não do homem, mas isso é, para o nosso propósito presente, irrelevante. (4) Havia, e ainda há, uma divergente comunidade de israelitas (denominados samaritanos), os quais possuem seus próprios e separados Pentateuco e Targum; dizem ser os verdadeiros filhos de Israel, e que desprezam os judeus ortodoxos, tal como estes os desprezam; eles dizem ser os verdadeiros guardiães (shomerinos) da Lei, e essa é provavelmente a origem do nome samaritano, o qual adentra no tempo, antes da fundação da cidade de Samaria. Achamos provável que o cisma se tenha originado no tempo de Moisés, e que a imprecação de Moisés quanto ao samaritano explica a posição.
  17. Zurc = ter olhos com uma cor diferente da cor normal, que no Oriente é preto; ter olhos azuis, ou olhos afetados pela penumbra, pelo estrabismo, ou pela cegueira; consequentemente, metaforicamente, de olhos turvos (atônitos).
  18. A pergunta foi literalmente feita ao Profeta: que será das sólidas montanhas? Elas não são mais substanciais do que qualquer outra coisa, neste mundo passageiro. Quando o "novo mundo" ( versículo 5 da 13ª Surata), do qual os incrédulos duvidaram, estiver realmente acontecendo, as montanhas deixarão de existir. Nós podemos imaginar a cena do julgamento como numa planície nivelada, na qual não haverá altos e baixos, e nenhum luar para ninguém se esconder. Tudo será reto e nivelado, sem cantos, esquinas, mistérios, ou esconderijos duvidosos.
  19. O Alcorão foi escrito em língua árabe castiça, para que mesmo um povo inculto como o árabe pudesse compreendê-la e tirar proveito de suas admoestações, e para que o resto do mundo pudesse aprender através dele (o Alcorão), como o fez nos primeiros séculos do Islam, e pode fazê-lo agora, quando nós, muçulmanos, mostamo-nos dignos de explicar e exemplificar o seu significado.
  20. As conseqüências da rejeição à diretriz de Deus são aqui expressas mais distintamente: uma estreiteza e uma cegueira que persistirão além desta vida. "Uma mísera vida" possui muitas implicações: (1) trata-se de uma vida da qual as influências beneficentes do vasto mundo de Deus são excluídas; (2) é uma vida para a personalidade, não para todos; (3) ao olhar exclusivamente para as "boas coisas" desta vida, a pessoa se afasta da verdadeira Realidade.
  21. A palavra Taraf, plural atráf, pode significar lados, pontas, extremidades. Se o dia for comparado à uma figura tubiforme, posta em pé, o topo e a base serão claramente demarcados, o mesmo não acontecendo com os lados; estes seriam atráf, e não tarafain (dual). Então, a Oração da Alvorada é claramente Fajr; a de antes do pôr-do-sol é Asr; a "parte das horas da noite" indicaria Maghrib (tardezinha ou noitezinha, logo depois do pôr-do-sol); e Ichá, antes de se ir para a cama. Foi deixado do Zênite; há que se considerar a latitude quanto à hora precisa. A maioria dos exegetas é a favor das cinco orações canônicas, e alguns incluem orações opcionais. Mas nós achamos que as palavras são até mais compreensíveis. A vida de um homem bom é toda ela uma doce canção de louvor a Deus.
 

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