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O islam
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  1. Se eles realmente têm dúvidas quanto à vida após a morte, tão-somente têm de voltar as suas atenções para a sua própria natureza, e para a natureza, em torno deles. Quão maravilhoso é o seu próprio crescimento físico, da matéria inerte ao sêmen, ao óvulo fecundado, ao feto, à infância, à juventude, à velhice, à morte! Como podem duvidar de que o Autor desses maravilhosos estágios de suas vidas também pode lhes dar uma espécie de vida no final desta? Ou, se atentarem para a natureza externa, verão a terra morta e estéril, e os aguaceiros fertilizadores de Deus darem-lhe a vida, o crescimento e a beleza, de variadas formas. O Criador desse grande desfile de Beleza, pode, certamente, criar um outro mundo novo.
  2. Os estágios do crescimento físico do homem, a partir do nada, até que se completa o ciclo desta vida, são descritos com palavras cuja acuidade, beleza e compreensibilidade somente podem ser plenamente estendidas pelo biólogos. Paralelamente ao crescimento físico, pode ser entendido o crescimento interior, também por estágios, e pelo artesanato criativo de Deus.
  3. Isto é, uma criança do sexo masculino ou feminino, uma criança bonita ou feia, uma criança dócil ou rebelde, etc., envolvendo incontáveis mistérios de genética e hereditariedade.
  4. Alguns exegetas acham que isto se refira a Abu Jahl, mas as palavras são perfeitamente generalizadas, sendo que este tipo de homem é comum em todas as eras. O mesmo se diga quanto ao versículo 3, acima; os exegetas dão uma referência imediata a um tal Nadhr Ibn Haris.
  5. Há alguma diferença de opinião quanto à interpretação deste versículo. A maior parte dos exegetas concorda em que o pronome "o" (jamais o socorrerá) se refira ao Profeta, e em que o pronome "quem" se refira aos inimigos dele, os quais desejavam vê-lo destruído e retirado do cenário do seu jogo. Ibn Abbás, que nós seguimos aqui, e que um grande número de exegetas segue, constrói as últimas cláusulas com sentido dado no texto. Livremente parafraseado, significa: se os inimigos do Mensageiro de Deus estão enfurecido com o sucesso dele, que pendurem uma corda nos tetos de suas casas e se enforquem.
  6. Para os sabeus, ver a nota do versículo 62 da 2ª Surata; o versículo 72, da 5ª Surata, também se refere a eles. Em ambas as passagens os muçulmanos são mencionados, juntamente com os judeus, os cristãos e os sabeus, recebendo a proteção e a misericórdia de Deus. Aqui, além as quatro religiões, há uma menção mais consistente aos Magos e aos Politeístas; não é dito que eles deverão receber a Misericórdia de Deus, mas tão-somente que Deus julgará entre as várias formas de fé. A adição dos politeístas – aqueles que juntam deuses a Deus – pode parecer um pouco surpreendedora. Porém, a argumentação é que todas as formas de fé que são sinceras (e não meramente contumazes) são assuntos em que nós, como homens, não podemos interferir. Nosso dever é sermos tolerantes, dentro dos limites da tolerância – isto é, desde que não haja opressão, injustiça e perseguição. Quando pudermos corrigir um erro óbvio, é nosso dever tratar de fazê-lo; contudo, seria errado da nossa parte querermos alvoroçar-nos, sem poder nem autoridade, simplesmente porque as outras pessoas não acatam o nosso ponto de vista.
  7. Este é o único lugar onde os Magos (Majus) são mencionados no Alcorão. O culto deles é muito antigo. Eles consideram o Fogo como o mais puro e o mais nobre elemento, e o cultuam como um adequado emblema de Deus. O local era a Pérsia, os planaltos de Madian e os vales da Mesopotâmia. A sua religião foi formada pelo Profeta Zaratrusta (data incerta, por volta do ano 600 a.C.). A sua escritura é o Zend-Avesta, a bíblia dos persas. Eram "os Sábios do Oriente", mencionados nos Evangelhos.
  8. O terreno de Makka foi concedido a Abraão (a seu filho Ismael) para um local de culto que deveria ser puro (sem ídolos, sendo que o culto deveria ser feito ao Único e Verdadeiro Deus), e universal, sem ser reservado (como o Templo de Salomão, de tempos mais tarde) a qualquer povo ou raça.
  9. Quando a peregrinação era conclamada, as pessoas vinham a ela de todos os quadrantes, de perto ou de longe, a pé ou montadas. Os "camelos" cansados, que chegavam após uma fatigante jornada, através da longínquas montanhas, patenteiam as dificuldades da viagem, a quais os peregrinos não levavam em consideração, dados os benefícios materiais e espirituais, a que se refere o versículo seguinte.
  10. Os três dias especiais do Hajj são 8, 9 e 10 do mês de dul-hijja, e os dois ou três dias subseqüentes ao Tachric; ver os rituais que são explicados na nota do versículo 197 da 2ª Surata. Contudo, devemos, ordinariamente, incluir os primeiros dez dias do mês de dul-hijja no termo.
  11. O grande dia do Sacrifício comemorativo (Id-ul-Adhha) é o dia 10 de dul-hijja; a carne do gado, nesse dia abatido, deve ser comida e distribuída entre os pobres e necessitados. Bahimat significa animal, de um modo geral; an’am significa gado, especialmente o usado para a alimentação, e aqui, para o sacrifício.
  12. Taraf = o que cresce superfluamente no corpo da pessoa, tal como, unhas, pêlos, cabelos, e que não é permitido, no Ihram, aparar. Estes podem ser aparados no dia 10, quando o Hajj estiver completo; esse é o ritual do acabamento.
  13. O espírito da Peregrinação não é completado pela realização dos ritos externos. Os peregrinos devem ter em mente algum voto de serviço espiritual e de diligência para realizá-lo. Então, vem o Tawaf, que consiste em circundar a Caaba por sete vezes.
  14. As proibições gerais de alimentos serão encontradas no versículo 173 da 2ª Surata, nos versículos 4-5 da 5ª Surata e nos versículos 121, 138-146 da 6ª Surata. Elas são estabelecidas, para o bem da saúde e da limpeza; mas a pior das abominações a o evitar é aquela do falso culto e da falsa alocução. Aqui a questão é sobre a comida, durante a Peregrinação. A carne é lícita, mas a caça não é permitida.
  15. Chaá-ir = símbolos, sinais e marcas pelos quais se sabe que algo pertence a algum grupo de homens particular, tias como as bandeiras. No versículo 158 da 2ª Surata, a palavra foi aplicada a Safa e Marwa (ver a respectiva nota). Aqui, ela parece estar sendo aplicada aos rituais do sacrifício. Tal sacrifício é simbólico; pode indicar dedicação e piedade de coração (ver o versículo 37, desta surata, mais adiante).
  16. O sacrifício real não é realizado na Caaba, mas em Mina, distante 8 ou 9 km do local onde os peregrinos acampam (ver a nota do versículo 197 da 2ª Surata). Tumma = então, finalmente, no final; isto é, após todos os rituais serem realizados (Tawaf, Safa e Marwa, e Arafat).
  17. Esta é a verdadeira finalidade do sacrifício, e não a proporção de altos poderes, pois Deus é Único, e Ele não Se delicia com carne ou sangue (versículo 37 desta surata); e repartirmos a carne com os semelhantes constitui um símbolo de rendição de graças a Deus. O solene pronunciamento do nome de Deus, no sacrifício, constitui parte essencial ao rito.
  18. Ver a nota do versículo 33 desta surata. O que foi expresso, em termos gerais, é aplicado aqui, mais especificamente aos camelos, os mais preciosos e úteis animais da Arábia, cujo modo de abate, para o sacrifício, é diferente daquele dos animais menores; a palavra especial, para tal sacrifício é Nahr (versículo 2 da 108ª Surata).
  19. A essência do sacrifício foi explicada na nota 971 desta Surata. Ninguém deve supor que a carne ou o sangue seja aceito pelo Único e Verdadeiro Deus. Vem da fantasia pagã de que Deus deve ser aprazido com um sacrifício sanguinário. Porém, Deus aceita as oferendas dos nosso corações. Ele nos deu poder sobre a criação animal, e permitiu que comêssemos carne, mas somente se pronunciarmos o Seu nome no ato de tirar a vida, porque, sem esta solene invocação, estamos afeitos a esquecer a sacraticidade da vida. Por meio da invocação lembramo-nos de que a crueldade dissoluta não está em nossos pensamentos, mas apenas a necessidade de alimento. Agora, se negarmos a nós mesmos a maior parte do alimento (alguns teólogos fixam a proporção em três quartos ou dois terços), para o bem dos nosso irmãos mais pobres, em assembléia solene, nos recintos do Haram (território sagrado), o nosso ato simbólico será a expressão prática da benevolência, e essa é a virtude que se procura ensinar.
  20. A permissão para que um povo virtuoso lute contra outro povo feroz e amante da desordem era plenamente justificada, quando a pequena comunidade muçulmana não apenas lutava pela sua própria existência, contra os coraixitas de Makka, mas pela existência da Fé no Único e Verdadeiro Deus. Eles tinham tanto direito de estar em Makka e orar na Caaba quanto os coraixitas; contudo, foram exilados por causa da sua Fé. Isso afetou, não a fé de um povo em particular; o princípio envolvido era o de todos os fiéis: judeus, cristãos e muçulmanos, e o de todas as fundações, erigidas para usos religiosos.
  21. "Recomendam o bem e proíbem o ilícito", isto é um dever essencial da comunidade muçulmana e um dos principais propósitos para a qual foi criada.
  22. Primeiramente caíram os telhados, então toda a estrutura, incluindo as paredes, e tudo desmoronou depois, como acontece nas ruínas. O local foi virado de ponta-cabeça.
  23. A palavra "coração", em árabe, implica tanto a sede das faculdades da inteligência e da compreensão, como a sede das afeições e emoções. Aqueles que rejeitam a Mensagem de Deus podem ter os olhos e os ouvidos físicos, mas seus corações são cegos e surdos. Caso as sua faculdades de entendimento fossem ativas, não veriam eles os Sinais da Providência do Senhor e a Ira de Deus, na natureza, ao redor deles, e nas cidades e nas ruínas, se viajassem inteligentemente?
  24. A condição de Mártir representa o sacrifício da vida ao serviço de Deus. A recompensa por isso é, portanto, ainda maior que a boa vida comum. Os pecados dos mártires são perdoados pelo próprio ato do martírio, o que implica em rendição no mais lato sentido da palavra. Deus conhece tudo da sua vida passada, mas abster-Se-á de chamá-lo a prestar contas das coisas que seriam estritamente da sua conta.
  25. Comumente, aos muçulmanos é prescrito suportar as injúrias com paciência, e retribuir o mal com o bem (versículo 96 da 23ª Surata). Porém, há ocasiões em, que os sentidos humanos obtêm o melhor de nossas sábias resoluções, ou quando, num estado de conflito ou de guerra, nós retribuímos "da melhor maneira que podemos". Nesse caso, a nossa represália é permitida, desde que a injúria que infligirmos não seja maior do que a que recebermos. Após tal represália, nós ficamos quites; todavia, se o outro lado agir agressivamente de novo, e exceder os limites ao nos atacar, seremos merecedores da proteção de Deus, a despeito de todas as nossas faltas; porque Deus é o Único Que pode apagar os nossos pecados, e perdoar.
  26. Os rituais e as cerimônias podem aparentar ser assuntos sem importância, comparados "às questões de peso da Lei", e às elevadas necessidades da natureza espiritual do homem. Contudo, são necessários para a organização social e religiosa, e o seu efeito sobre os próprio indivíduo não deve ser desprezado. Em todo o caso, uma vez que constituem símbolos externos visíveis, eles dão origem às mais acaloradas controvérsias. Tais controvérsias devem ser deprecadas. Isso não quer dizer que devamos fazer pouco caso dos nossos rituais e das nossas cerimônias. Os rituais do Islam encontram-se entre as mais altas necessidades sociais e religiosas do homem; se estivermos convencidos de que estamos no Caminho Certo, deveremos convidar todos a se unirem a nós, sem entrarem em controvérsias acerca de tais questões.
  27. Quanto à porfia estar em concernência com Jihad, num sentido exíguo, ver as limitações na nota do versículo 190 da 2ª Surata e na nota do versículo 191, também da 2ª Surata. Porém, são perfeitamente generalizadas, e se aplicam a toda a verdade e à porfia desinteressada, para o bem espiritual.
  28. Os judeus se viam a braços com muitas restrições, e a sua religião era racista. O cristianismo, como originalmente pregado, era uma religião eremita: "vende tudo o que possuis..." (Marcos, 10:21); "não penses no amanhã" (Mateus, 6:34). O Islam, como originalmente pregado, dá liberdade ao homem, e trata de desenvolver as suas faculdades de todas as espécies. É universal, e reivindica datar desde Adão; o pai Abraão é mencionado como o grande ancestral daqueles entre os quais o Islam foi primeiramente pregado (judeus, cristão e árabes idólatras).
 

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