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  1. Não se deve pensar que os exames das ofensas sexuais, ou das pequenas impropriedades que se relacionam com o sexo ou a privacidade, seja assuntos que não afetam a vida espiritual, no mais alto grau. Esses assuntos estão intimamente ligados aos ensinamentos espirituais, tais como os que Deus enviou nesta Surata. A ênfase está no pronome "nós" (oculto): estas coisas não são meramente questões de conveniências; outrossim, Deus nos-las ordenou para a nossa observância na vida.
  2. A palavra Zina inclui a relação sexual entre um homem e uma mulher que não sejam casados um com o outro. Por conseguinte, ela se aplica tanto ao adultério (o que quer dizer que uma ou ambas as partes são casadas com uma pessoa ou pessoas que não aquelas referidas) como à fornicação, o que, em sua estrita significação, implica em que as partes não são casadas. A lei do casamento e do divórcio, no Islam, é simples, para haver o mínimo de tentação quanto à relação sexual fora dos expedientes bem definidos do casamento. Isto colabora para o maior respeito próprio, tanto do homem como da mulher. Outras ofensas sexuais são também puníveis, mas esta seção se aplica estritamente à Zina, acima definida.
  3. A punição deve ser pública, para que seja dissuasiva.
  4. O Islam prescreve a pureza sexual, para o homem e para a mulher, permanentemente – antes do casamento, durante o casamento e após a dissolução do casamento. As práticas culposas ou ilícitas são banidas do círculo matrimonial dos homens castos e das mulheres castas.
  5. A mais séria atenção é voltada para as pessoas que fazem insinuações difamatórias ou escandalosas acerca de mulheres, sem a adequada evidência. Se algo for dito contra a castidade de uma mulher, isso deverá ser apoiado por um evidência duas vezes mais forte do que a requerida em transações comerciais, ou mesmo em casos de assassinato. Com efeito, quatro testemunhas seriam requeridas, em vez de duas. Não havendo essa evidência preponderante, o difamador seria tratado como um transgressor iníquo, e seria punido com oitenta açoites. Não apenas seria sujeito a esta ignominiosa forma de punição, mas ficaria privado dos seus direitos de cidadão de fornecer evidências em todos os assuntos da sua vida, a menos que se arrependesse e se reformasse, podendo, nesse caso, ser readmitido com uma testemunha competente.
  6. A punição por açoites é infligida em qualquer caso de difamação sem base. Porém, a privação do direito cívico do indivíduo de prestar evidências poderá ser cancelada pela subseqüente conduta dele, se ele se arrepender, mostrar que sente o que fez, e jurar que no futuro jamais apoiará a sua afirmação em algo do qual não possua a mais plena evidência.
  7. O caso das pessoas casadas é diferente do dos estranhos. Se uma delas acusar a outra de falta de castidade, a acusação refletirá, em parte, também sobre o acusante. Ademais, o laço que une as pessoas casadas, mesmo quando as diferenças aparecem, com certeza atua como uma firme influência contra a trama das falsas acusações de falta de castidade, particularmente quando o divórcio é permitido (como no Islam), por motivos outros que não a falta de castidade. Suponhamos que um marido apanhe a esposa num ato de adultério; dada a natureza do conhecimento, quatro testemunhas – ou mesmo uma testemunha de fora – seria coisa impossível. O assunto é, então, deixado ao critério dos dois cônjuges. Se o marido puder jurar solenemente quatro vezes sobre o que viu, e, em adição, invocar uma maldição sobre si mesmo, caso esteja mentido, isso constituirá evidência prima facie da culpa da esposa. Porém, se a esposa puder, de igual modo, jurar quatro vezes, e, do mesmo modo, invocar uma maldição sobre si mesma, estará, pela lei, isenta da culpa. Se ela não der este passo, a acusação estará provada, e ela ficará sujeita ao castigo.
  8. O incidente, aqui citado, ocorreu no regresso da expedição Bani Mustalic (5-6 H.). quando a marcha foi ordenada, Aicha não estava em sua tenda, tendo saído para procurar um valioso colar que havia deixado cair. Como a sua liteira era protegida por véus, não foi notado que ela não estava lá dentro, até que o exército fez a próxima parada. Entrementes, vendo que o acampamento havia partido, ela sentou-se, na esperança de que alguém voltasse para a apanhar, quando a sua ausência fosse notada. Era noite, e ela pegou no sono. Na manhã seguinte ela foi encontrada por um migrante, que havia sido inadvertidamente abandonado. Ele a pôs em seu camelo e a levou, dirigindo a pé o animal. Isso proporcionou a oportunidade para que os inimigos suscitassem um malicioso escândalo. O cabeça, "entre tais inimigos", era o chefe dos hipócritas de Madina, Abdulah Ibn Ubai, ao qual se refere a última cláusula deste versículo. Ele foi entregue ao castigo espiritual de um pecador impenitente, tanto que morreu nesse estado.
  9. Foi a misericórdia de Deus que os salvou de muitas conseqüências malignas, tanto nesta vida como na Futura – nesta vida, porque as sábias medidas do Mensageiro cortaram pela raiz qualquer separação incipiente, entre aqueles que lhe eram adjacentes e caros; e, no aspecto espiritual, porque os agentes menores, que espalharam o escândalo, arrependeram-se e foram perdoados. Dúvida alguma ou divisões algumas, nem tampouco desconfiança mútua alguma foi permitido que ficassem em seus corações, depois de o assunto ser esclarecido.
  10. Há três coisas, aqui, que são reprovadas, por foça dos ensinamentos espirituais: se outras pessoas falam palavras más, não há razão para que devais aviltar a vossa língua; se tiverdes um pensamento ou uma suspeita que não sejam baseados no vosso conhecimento certo, não o façais circular, dando-lhes expressão; e outras pessoas poderão achar que seja um assunto de somenos importância falar, de leve, algo que poderia arrasar o caráter ou a reputação de uma pessoa; aos olhos de Deus esse é um assunto sério, em qualquer caso, mas especialmente quando estão envolvidas a honra e reputação de uma mulher de pendores religiosos.
  11. Notemos o refrão que aparece quatro vezes nesta passagem ("E se não fosse pela graça de Deus e pela Sua misericórdia..."). cada vez, a expressão tem uma aplicação diferente: no versículo 10 foi em conexão com a acusação de infidelidade, feita por uns dos cônjuges contra o outro; ambos foram relembrados da misericórdia de Deus, e admoestados quanto à suspeita e à inverdade; no versículo 14 foi dito aos crédulos que se acautelassem quanto aos falsos rumores, senão iriam causar sofrimento e divisão entre si próprios; é a graça de Deus que os mantém unidos. Aqui, uma admoestação para o futuro; pode haver conspirações e ciladas, dispostas pelo Mal, contra as pessoas simples; é a graça de Deus que as protege; no versículo 21 a admoestação geral é dirigida pela a observância da pureza, em ação e em pensamento, concernente à própria pessoa, e concernente a outros; é apenas a graça de Deus que pode manter imaculada essa pureza, pois Ele atende às orações, e sabe de todas as ciladas que são postas no caminho do Bem.
  12. A referência imediata é com relação a Abu Bakr, o pai de Aicha. Ele foi abençoado, tanto com a graça espiritual, vinda de Deus, como com amplíssimos meios, os quais sempre usou a serviço do Islam e dos muçulmanos. Um dos difamadores de Aixha aconteceu ser Mistah, um primo de Abu Bakr, que ele tinha o hábito de sustentar. Naturalmente, Abu Bakr desejava parar com a ajuda, mas, de acordo com os altos padrões da ética muçulmana, foi-lhe pedido que perdoasse e esquecesse o que ele fez, com os mais felizes resultados para a paz e unidade da comunidade muçulmana. Contudo, a aplicação geral contém o bem para todo o sempre. Um benfeitor generoso não deve, em caso de zanga pessoal, retirar o seu apoio, mesmo em faltas sérias, se o delinqüente se arrepende e emenda o seu proceder. Se Deus nos perdoa, quem somos nós para nos recusarmos a perdoar o nossos semelhantes?
  13. As mulheres bondosas são, às vezes, indiscretas, porque não têm maus pensamentos. Todavia, mesmo essa indiscrição inocente põe-nas, e àqueles que lhes são caros, em dificuldades. Tal foi o caso de Aicha, que ficou em extremo sofrimento e desassossego, por todo um mês, por causa das difamações sobre ela. Seu marido e seu pai foram, também, colocados numa situação constrangedora, considerando-se a sua posição, e a grandiosa obra em que estava engajados. Porém, as pessoas sem princípios, que dão início às difamações, e os seus irracionais instrumentos, que ajudam a espalhar tais difamações, são culpados da mais grave ofensa espiritual, acontecendo que o seu maior castigo consiste na privação da graça de Deus, coisa que significa um estado de Maldição.
  14. Quer dizer, se ninguém responder, pode ser que haja alguém na casa que não esteja num estado apresentável. Ou, mesmo que a casa esteja vazia, não tendes direito de entrar, até que obtenhais a permissão do dono, esteja ele onde estiver. O fato de não receberdes uma resposta não vos dá o direito de entrardes sem permissão. Deveis esperar, bater mais duas vezes ou três vezes, e vos retirar, se não for obtida permissão. Se por acaso vos for pedido que vos retireis, uma vez que os moradores não se acham em condições de vos receber, deveis fazê-lo à fortiori, por um certo tempo, ou permanentemente, conforme os moradores desejarem que façais. Mesmo que eles sejam vossos amigos, não tendes o direito de os tomardes de surpresa, ou de entrardes, contra o desejo deles. A vossa própria pureza de vida e de conduta, bem como de motivos, é desta maneira testada.
  15. A regra das moradias é estrita, porquanto a privacidade é preciosa e essencial para uma vida decente, refinada e bem ordenada. Tal regra, certamente, não se aplica às casas usadas para outros propósitos úteis, como uma estalagem, ou uma loja ou um armazém. Contudo, mesmo assim, certamente uma permissão implícita do dono é necessária, por uma questão de bom-senso. A questão, nesta passagem, é a privacidade pessoal, e não a dos direitos de propriedade.
  16. A regra da moderação se aplica tanto aos homens como às mulheres. Um olhar impudente de um homem para uma mulher (ou mesmo para um homem) constitui uma quebra das maneiras refinadas. No que se refere ao sexo, a moderação não apenas constitui uma "boa fórmula", mas é também para resguardar o sexo fraco, e também para salvaguardar o bem espiritual do sexo forte.
  17. A necessidade de moderação é a mesma, tanto para o homem como para a mulher. Todavia, devido à diferenciação dos sexos, dos temperamentos e da vida social, uma maior reserva é requerida da mulher mais do que do homem, especialmente no que diz respeito à vestimenta e ao cobrimento do peito.
  18. Zínat significa tanto a beleza natural como os ornamentos artificiais. Nós achamos que ambos os significados estão implícitos aqui, mas principalmente o primeiro. É pedido à mulher que não faça exposição da sua figura, ou que não apareça semi-despida na frente das pessoas, com exceção de: seu marido; seus parentes que estejam vivendo sob o mesmo teto; suas mulheres, isto é, suas criadas, as quais têm de estar em constante atendimento a ela. Alguns exegetas incluem todas as crédulas; seus criados isentos das necessidades físicas sexuais; adolescentes e criancinhas antes de terem qualquer senso de sexo (comparar com o versículo 59 da 33ª Surata).
  19. Constitui um dos truques de mulheres espetaculosas ou licenciosas o ato de tilintarem os ornamentos dos seus tornozelos, para chamarem a atenção sobre si.
  20. O assunto das éticas sexuais e das boas maneiras leva-nos à questão do casamento. A palavra "celibatários" (ayáma, plural ay-im), aqui, significa qualquer um que não esteja ligado pelos laços do matrimônio, quer solteiro ou licitante divorciado, ou viúvo. Se pudermos, deveremos desposar em nosso próprio círculo; mas se não tivermos os meios, não haverá mal algum se escolhermos alguém de círculos inferiores, contanto que a nossa escolha seja determinada pela virtude. A pobreza quanto a uma das partes não importa, desde que haja virtude e amor. Um homem afortunadamente casado tem maior riqueza numa esposa virtuosa, sendo que sua felicidade fá-lo um ganhador em potencial.
  21. O casamento entre os muçulmanos requer uma espécie de dote para a esposa. Se o homem não dispões disso, deve esperar, e manter-se casto. Não é certo ele dizer que precisa satisfazer os anseios naturais, dentro ou fora do casamento. Deve ser dentro do casamento.
  22. A lei da escravidão, no sentido legal do termo, está agora obsoleta. Enquanto ela possuía um significado, o Islam tornava a sorte dos escravos a mais fácil possível. Um escravo, ou escrava, podia pedir por escrito uma manumissão condicional, fixando a quantia requerida para a mesma, e era permitido ao escravo, ou escrava, nesse meio tempo, ganhar dinheiro por meios lícitos, e talvez casar-se e constituir família. Tal ato não deveria ser recusado, se o pedido fosse genuíno e o escravo tivesse boa reputação. Não apenas isso, mas era prescrito que o amo ou a ama ajudasse com dinheiro do seu próprio bolso, para que capacitasse o escravo ou escrava a ganhar sua própria liberdade.
  23. Quando a escravidão era lícita, o que é agora denominado "tráfico de escravos brancos", era praticado por pessoas iníquas como Abdulah Ibn Ubai, um líder hipócrita de Madina. Isto é absolutamente condenado. Conquanto as modernas nações tenham ordinariamente abolido a escravidão, o "tráfico de escravos brancos" ainda continua a constituir-se num grande problema social em certos Estados. Isso é aqui absolutamente condenado. Não pode haver comercialização mais desprezível do que essa.
  24. As pobres e desafortunadas garotas que forem vítimas desse nefasto comércio encontrarão a misericórdia de Deus, cuja generosidade se estende às mais humildes de Suas criaturas.
  25. A luz material nada mais é do que um reflexo da verdadeira Luz do mundo da Realidade, e essa verdadeira Luz é Deus. Nós apenas podemos imaginar Deus em termos das nossas experiências objetivas; e, no mundo do fenômeno, a luz é a coisa mais pura que conhecemos. Contudo, a luz material tem empecilhos incidentais à sua natureza material; por exemplo, ela depende de alguma fonte exterior; é um fenômeno passageiro; se a tomarmos como uma forma de movimento ou energia; ela é instável, como todos os fenômenos físicos; ela depende de espaço e tempo; ela percorre 300.000 km por segundo, e há estrelas cuja luz demora milhares de anos para chegar à terra. A perfeita Luz de Deus está livre de defeitos.
  26. Os três primeiros tópicos da Parábola centralizam-se em torno dos símbolos do nicho, da luz e da candeia. O nicho constitui-se de uma reentrância rasa na parede de uma casa oriental, a uma boa distância do piso, na qual uma fonte de luz (antes do advento da eletricidade) era costumeiramente colocada. Sua altura permitia a difusão da luz no compartimento, e minimizava as sombras. O fundo da parede e os lados do nicho ajudavam a jogar luz no compartimento; e se a parede fosse caída, ainda agia como um refletor; a abertura, na frente, dava passagem à luz. Assim acontece com a Luz espiritual: ela está colocada bem alto, acima das coisas terrenas; ela tem o seu próprio nicho ou habitação, na Revelação e nos outros Sinais de Deus; a sua aproximação dos homens é feita de uma maneira especial, aberta a todos, todavia fechada para aqueles que recusam os seus raios. A Luz espiritual é o âmago da verdade espiritual, que é a verdadeira iluminação; o nicho nada é sem ela; ele é virtualmente feito ara ela. A candeia é o meio transparente, pelo qual a luz passa. Por um lado, ela protege a luz das mariposas e outras formas de vida inferior (os ínfimos motivos dos homens) e quanto às correntes de vento (paixão); e por outro, ela transmite a luz, através de um meio familiar às substâncias grosseiras da terra. Assim, a Verdade espiritual tem de ser filtrada por meio da linguagem ou da inteligência humanas, para tornar-se inteligível à humanidade.
  27. A candeia, por si só, não brilha. Porém, quando a luz surge dentro dela, ela brilha como uma estrela. Assim, os diletos de Deus, que pregam a Sua Verdade, são, por sua vez, iluminados pela Luz de Deus, e tornam-se um instrumento, através do qual a Luz se difunde, e permeia a vida humana.
  28. A oliveira mística não está sujeita a localidades; não é do Oriente, nem tampouco do Ocidente. É universal, porquanto o é também a Luz de Deus. Aplicando-se à oliveira, há ainda um significado mais literal, que pode ser alegorizado de uma maneira diferente. Uma oliveira à mostra para o Oriente, apanha apenas os raios do sol matutino; uma à mostra para o Ocidente, apenas os raios do sol vespertino. Porém, uma árvore situada numa planície aberta, ou numa colina, obtém um contínuo brilho do sol durante todo o dia; ela será mais madura, e o fruto e o óleo de qualidades superiores. Do mesmo modo, a Luz de Deus não está sujeita a localidades, e não é incompleta; é perfeita e universal.
  29. Isto é, em todos os lugares de puro culto; porém, alguns exegetas compreendem-no como sendo as mesquitas especiais, como a da Caaba, em Makka, ou as mesquitas de Madina e de Jerusalém, porquanto estas são especialmente tidas em grande honra.
  30. A miragem que, nos desertos, é um estranho fenômeno de ilusão. Constitui um engano da nossa visão. Na linguagem de nossa parábola, a nossa visão rejeita a Luz que nos mostra a Verdade, e nos engana com a Falsidade. Um viajante solitário, num deserto, quase a morrer de sede, vê uma grande represa de água; vai naquela direção, cada vez mais atraído pela água, mas nada encontra. E morre, em prolongada agonia.
  31. Que excelente metáfora a das trevas das profundezas do oceano! Onda sobre onda, e, por cima de tudo, densas nuvens escuras! Há pouca luz, mesmo nas profundezas comuns do oceano, sendo que os peixes que aí vivem perdem a visão, por ela se tornar órgão inútil.
  32. Os artistas, ou os amantes da natureza, ou os observadores das nuvens, apreciarão esta descrição dos efeitos nubígenos: finas camadas de nuvens que flutuam com formas fantásticas, juntam-se, e tomam corpo e substância, então aparecem como pesadas nuvens amontoadas, que se condensam e se precipitam, como a chuva. Então, que dizer das pesadas nuvens negras das regiões altíssimas, que trazem o granito – quão distintas e, contudo, quão semelhantes são! São verdadeiras massas! E quando o granizo cai, veja-se como é local o fenômeno! Ele atinge certas localidades e não outras, mesmo estando muito próximas. E os relâmpagos – quão ofuscantemente eles descem das nuvens tempestuosas! Neste Livro da natureza não podemos acaso ver a Mão do poderoso e beneficiente Deus?
  33. Comparar com o versículo 30 da 21ª Surata, e respectiva nota. O protoplasma é a base de toda a matéria vivente, e "a força vital do protoplasma parece depender da presença da água". Os estudos de zoologia são claros neste ponto.
  34. As criaturas rastejantes incluem as minhocas e as formas ínfimas de vida animal, bem como répteis (como as serpentes), centípedes, aranhas, e insetos. Quando essas criaturas têm pernas, elas são pequenas, e a descrição de rastejar ou arrastar-se é mais aplicável do que a de caminhar. Não se pode dizer que os peixes e os animais marinhos caminham; o seu nado é como "rastejar sobre as barrigas". Os animais de dois pés compreendem as aves e o homem. A maioria dos mamíferos caminha sobre quatro patas. Isto inclui todo o mundo animal.
  35. Na Vontade e no Plano de Deus, a variedade de formas e de hábitos, entre os animais, é adaptada aos seus vários modos de vida e de estágios de evolução biológica.
  36. Chegamos, agora, às normas do decoro no seio do círculo familiar e da alta sociedade. Os serviçais e as crianças têm bem mais liberdade de acesso, uma vez que vêm a toda hora, e há menos cerimônia quanto a eles. Contudo, mesmo no caso deles, há restrições. Durante a noite e antes da oração da madrugada, eles devem discretamente pedir permissão para entrar, em parte porque não devem perturbar desnecessariamente as pessoas que dormem, e em parte porque as pessoas podem estar despidas. O mesmo se aplica à sesta do meio-dia, e ainda à hora após a oração da noite, quando costumeiramente as pessoas se despem para dormir. Para os adultos, a norma é mais estrita: eles devem pedir sempre permissão para entrar (ver o versículo 59 desta).
  37. Constitui uma marca de refinamento, para damas e cavalheiros, o não serem relaxados ou vulgarmente informais no vestir, no falar ou na conduta. E o Islam visa fazer de todo muçulmano ou muçulmana, seja quão humilde for em status, dama ou cavalheiro refinado, para que ela ou ele subam a escada do desenvolvimento espiritual com uma humilde confiança em Deus, e com a cooperação dos seus irmãos e irmãs no Islam. Os princípios aqui dispostos se aplicam – mesmo se forem interpretados com a devida elasticidade, mesmo se os hábitos sociais e domésticos mudarem – às mudanças de clima ou de hábitos raciais e pessoais. O meticuloso respeito próprio e o respeito pelos outros, tanto nas coisas pequenas como nas grandes, é a idéia básica nestas simples normas de etiqueta.
  38. Crianças entre vós, isto é, em vossa casa, não necessariamente os vossos filhos. Todos os que estão na casa, incluindo os estranhos, dentro dos seus limites, devem-se conformar com estas normas benéficas.
  39. Seus predecessores; literalmente, aqueles antes deles, ou seja, aqueles que já eram adultos antes que eles chegassem à maioridade. É sugerido que cada geração, à medida que atinja a maioridade, deva seguir as tradições benéficas dos seus predecessores. Enquanto são crianças, comportam-se como crianças; quando crescerem, deverão comportar-se como adultos.
  40. Para as mulheres idosas da casa, as normas do vestir e do decoro não são tão severas como para as jovens; contudo, é-lhes prescrito que exercitem a moderação, já porque isso, por si só, é bom, já porque serve de exemplo para as pessoas jovens.
  41. Havia várias superstições e fantasias árabes, que são combatidas e rejeitadas aqui. Supunha-se que os cegos, ou os coxos, ou os afligidos por sérias enfermidades, fossem alvos do desagrado divino, e, como tais, não devessem conviver com as outras pessoas, compartilhar das suas refeições em suas casas; não devemos alimentar tal pensamento, porquanto não somos juizes das causas dos infortúnios dessas pessoas, as quais merecem a nossa simpatia e benevolência. Se algumas pessoas alimentam a superstição no sentido de que devam sempre comer separadamente, ou que devam sempre comer em companhia, em ambos os casos estão erradas. O homem é livre, e deve regular a sua vida de acordo com as necessidades e circunstâncias.
  42. Um assunto de coletiva; qualquer coisa que afete a Comunidade como um todo. As orações das sextas-feiras e das comemorações religiosas são ocasiões periódicas dessa espécie; mas o que se pretende, aqui, achamos, são as consultas coletivas com vistas aos empreendimentos coletivos tal como o jihad, ou alguma outra espécie de organização de paz.
 

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