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O islam
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  1. Ifk, aqui traduzido por "calúnia", deve ser distinguido de zur, no final deste versículo, traduzido por "falsidade". A "impostura", que os inimigos do dileto de Deus lhe atribuíam, no sentido de que o Alcorão, para eles, era lago que na realidade não existia, mas que era inventado pelo Profeta com a ajuda de outras pessoas; a implicação era que, (1) a Revelação não era uma revelação, mas uma invenção, e (2) as coisas reveladas, isto é, as notícias da Vida Futura, a Ressurreição, o julgamento, a bênção dos virtuosos e o sofrimento dos malignos, eram fantasiosas e não tinham base em fatos. A desilusão é também aventada. A resposta é que, longe de ser este o caso, os fatos eram verdadeiros e as acusações, falsas (zour) – e a falsidade era devida aos hábitos de iniqüidade, pelos quais a inteira atitude mental e espiritual dos incrédulos era responsável.
  2. Em sua desordenada arrogância, eles dizem: "Nós já ouvimos tais coisas antes; são contos bonitos, que vêm de tempos remotos; são bons para a diversão, mas quem os pode levar a sério?" Quanto a beleza e o poder da Revelação são apontados, bem como os seus milagres, vindos de um homem inculto, novamente eles citam outros homens que os escrevem, embora não possam apresentar ninguém que posa escrever algo como isto.
  3. A resposta é que o Alcorão ensina o conhecimento espiritual, que é comumente oculto da visão do homem, sendo que tal conhecimento pode tão-somente proceder de Deus, de Quem é conhecido o Mistério de toda a Criação. A despeito do pecado e da fraqueza do homem, Ele perdoa, e envia a Sua mais preciosa dádiva – a Revelação da Sua Vontade.
  4. As imputações que os inimigos do Mensageiro de Deus fizeram a ele recaíram contra aqueles que as fizeram. O Mensageiro foi vingado, e passou de revigoramento a revigoramento, pois a Verdade de Deus sempre prevalece. Os homens que perversamente deixaram o caminho da verdade, da virtude e da sinceridade, não apenas se desencontraram do caminho, mas, devido à sua perversidade, jamais estarão aptos a encontrar o caminho que os leve de volta à Verdade.
  5. No Plano universal de Deus, cada unidade, ou coisa, serve a um propósito. Se alguém é rico, o pobre não deve invejá-lo; pode acontecer que a proximidade do rico constitua um teste para a sua virtude. Se alguém é pobre, o rico virtuoso não deve desprezá-lo nem negligenciá-lo; pode acontecer que o convívio com ele constitua um teste para o verdadeiro sentimento de caridade e de amor fraterno do rico. Se A é temperamental, ou persegue e ilude B, pode acontecer que essa seja uma oportunidade para que B demonstre sua paciência e humildade, ou sua fé na prevalência da justiça e da verdade. Sejam quais forem as nossas experiências como os outros seres humanos, nós devemos fazer com que se promovam as metas do nosso desenvolvimento espiritual, e também, a deles.
  6. As palavras são gerais, e, para nós, o interesse é de sentido geral. Um homem que realmente recebe a Verdade e está no caminho certo, se se desviar desse caminho, por causa das maquinações de um amigo terreno, é mais culpado.
  7. "Meu povo"; trata-se, certamente, dos coraixitas incrédulos. Todavia, eles eram um punhado de pessoas, cujos interesses criados foram tocados pelas beneficentes reformas, iniciadas pelo Islam. Logo eles se foram, e todo o povo que falava ou compreendia árabe considerava o Alcorão como um tesouro de Verdades, expresso na mais bela linguagem possível, com um significado que se aprofundava cada vez mais com a pesquisa.
  8. Os exegetas não são claros quanto a quem eram "os habitantes de Arras". O significado raiz de ras é um velho poço ou um açude raso. Uma outra raiz liga-a ao sepultamento dos mortos. Porém, é, provavelmente, o nome de uma cidade ou região.
  9. Isto se refere à história da destruição de Sodoma e Gomorra, as cidades iníquas da planície que fica próxima ao Mar Morto, causada por uma chuva de enxofre. O local fica na estrada entre a Arábia e a Síria ( compara com os versículos 74 e 76 da 15ª Surata, e respectivas notas).
  10. Na nossa vida artificial, e nos nossos arredores, deixamos de notar os magníficos mistérios da Luz e da Sombra. Nós admiramos, (e merecidamente), as deslumbrantes cores do pôr-do-sol. Nós vemos, particularmente em latitudes mais setentrionais, o sutil jogo de Luz e Sombra no lusco-fusco que sucede ao pôr-do-sol. Se fôssemos assíduos em ver o nascer do sol, e o jogo de Luz e Sombra que o precede, veríamos fenômenos ainda mais impressionantes, uma vez que as manhãzinhas parecem-nos mais sagradas do que qualquer uma das vinte e quatro horas do dia. Há, primeiramente, a falsa madrugada, com a sua curiosa e incerta luz, e com as curiosamente longas e incertas sombras que lança. Então há estrias de negro no Leste, que precedem a verdadeira madrugada, com os seus delicados tons de cores e com luz e sombra. A luz dessa verdadeira (ou falsa) madrugada não é proporcionada pelos raios diretos do sol. Num sentido, não se trata de luz, mas de sombras ou reflexos de luz. E elas gradativamente se mesclam com o virtual nascer do sol, com as suas sombras mais substanciais e mais definidas, a quais podemos, definidamente, relacionar com o sol.
  11. As sombras da madrugada são compridas e mais definidas, e o seu comprimento e a sua direção parecem ser definidos pelo sol. Contudo, eles mudam insensivelmente, a cada segundo ou fração de segundo.
  12. À medida em que o sol se eleva cada vez mais, as sombras se contraem. Nas regiões em que o sol fica literalmente no zênite, ao meio-dia não há sombra. Aonde ela vai? Ela nada mais é do que uma sombra, produzida por uma substância, e foi absorvida pela substância que a produziu. Porém, todas as substâncias materiais nada mais são do que sombras; e a única e verdadeira Realidade é Deus, a Quem todas as coisas retornam. Assim são as sombras, absorvidas pela Realidade auto-suficiente.
  13. As sombras estão em constante estado de fluxo; assim todas as coisas na Criação, todas as coisas que vemos ou cobiçamos nesta vida. Se Deus quisesse, poderia dar a algumas delas grandes fixidade ou comparativa estabilidade. O sol é tão-somente uma sombra da Luz de Deus; contudo, ele ilumina todo o nosso mundo. Assim, o grande Profeta da época derivava a sua luz de Deus, e nós podemos acender as nossas pequenas velas espirituais nele. Ou a Revelação é a luz do sol, e nós podemos acender a nossa vida com ela. Uma vez que a luz do sol é identificada com o sol, que é a fonte da vida, também a Revelação é identificada com o Profeta, por meio do qual ela veio.
  14. Aqui, o simbolismo apresenta um novo ponto de vista. É ainda o contraste entre a Luz e a Sombra; porém, a sombra da Noite é como um manto, que nos cobre e isola, e nos dá repouso da atividade; e a luz do Dia é para a porfia, para o trabalho, para a atividade. Ou, ainda, a Noite é como a morte, a nossa morte temporária antes do Julgamento, o tempo durante o qual os nossos sentidos estão relacionados; e o Dia é como a renovação da vida na Ressurreição.
  15. Comparar com o versículo 57 da 7ª Surata. Os ventos são os arautos do júbilo, trazendo chuva, que é uma das formas da Misericórdia de Deus. O simbolismo, aqui, apresenta um novo ponto de vista. O calor (que está ligado à luz) forma correntes na atmosfera, além de sugar a umidade dos mares, e distribuí-la, por meio dos ventos, por vastas superfícies da terra.
  16. Bahrain: dois mares, ou duas unidades de água corrente; porque bahr é aplicada tanto para o mar salgado como para os rios. No mundo, tomado como um todo, há duas espécies de água, a saber: (1) o grande Oceano salgado, e (2) as unidades de água potável, alimentadas pela chuva, sejam elas rios, lagos ou mananciais subterrâneos; a fonte pluvial dessas unidades fá-las uma, e sua drenagem, quer na superfície, quer subterrânea, se dá eventualmente para o Oceano, fazendo-as também uma. Elas são livres para se misturarem, e, num sentido, elas se misturam, pois existe um ciclo aquátil. Os rios correm constantemente para o mar, e os rios sujeitos a marés recebem água salgada, por vários quilômetros acima dos seus estuários, na maré alta. Contudo, a despeito de tudo isto, as leis da gravidade são como uma barreira ou separação posta por Deus, pela qual os dois corpos de água, como um todo, são mantidos separados e distintos.
  17. A base de toda a matéria vida do mundo material, o protoplasma, é a água. (Comparar com os versículos 45 da 24ª Surata e 30 da 21ª Surata, e respectivas notas).
  18. A água é um fluído, uma coisa instável; contudo, dela advém a mais elevada forma de vida que nos é conhecida neste mundo: o homem. E o homem não apenas possui funções e características dos mais nobres animais, mas suas relações abstratas são ainda típicas da mais elevada natureza. Ele pode traçar linhagem e estirpe, e assim lembrar e solenizar uma longa linha de antepassados, aos quais está ligado por laços de religião, coisa que nenhum outro animal pode fazer. Ademais, há a mística união do casamento; não se trata apenas da união física dos animais, mas isso dá surgimento a relações advindas dos sexos de indivíduos que não estavam relacionados um com o outro. Estes são fatos físicos e sociais. Mas por trás deles está, novamente, a lição simbólica dos contrastes espirituais; assim como há um longo caminho a percorrer entre a água e o homem, de igual maneira há um longo caminho a percorrer entre o homem comum e aqueles que se encontra iluminado pela Luz divina. Quanto aos sexos opostos, embora diferentes quanto a função, são um, e contribuem para a felicidade um do outro, para que as pessoas de talentos diversos possam se unir no mundo espiritual, para o seu próprio e elevado bem e no serviço de Deus.
  19. Eis aqui o maior de todos os contrastes: coisas materiais que são inertes, e Deus, cuja Benevolência e poder são supremos; Crença e Descrença, merecendo bons auspícios e admoestações; egocêntrico, e o dileto de Deus, que trabalha para os outros, sem visar recompensa.
  20. A gloriosa Lâmpada do céu é o Sol; e depois dele está a Lua, que nos dá a Luz que lhe é emprestada. Certamente, as constelações incluem os Signos do Zodíaco, que marcam a trilha dos planetas, nos céus.
  21. Tratando-se de gasto comum, esta é uma norma sábia. Porém, mesmo na caridade, na qual nós damos o melhor de nós, não se espera que sejamos extravagantes, por exemplo que demos por espectaculosidade, ou para impressionar a terceiros, ou que a façamos impensadamente. Em verdade, não devemos ser mesquinhos, mas devemos lembrar-nos dos direitos de cada um, incluindo os nossos, e estabelecer um equilíbrio perfeitamente justo entre eles.
  22. Aqui, três coisas são expressamente condenadas: (1) a adoração dos ídolos, o que constitui um crime contra Deus; (2) tirar a vida de alguém, o que constitui um crime contra os nossos semelhantes; e (3) a fornicação, o que constitui um crime contra o nosso respeito próprio, contra nós mesmos. Todos os crimes são contra Deus, contra as Suas criaturas e contra nós mesmos; mas alguns podem ser visualizados mais em relação a um do que a outro.
 

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