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O islam
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  1. Ver a nota do versículo 1 da 26ª Surata.
  2. Haman era, evidentemente, ministro do Faraó; não deve ser confundido com o Haman que é mencionado no Antigo Testamento (Ester 3:1), ministro de Assuero, rei da Pérsia, o mesmo que invadiu a Grécia, e governou de 485 a.C. a 464 a.C.
  3. As parteiras egípcias tinham ordens para matar os bebês israelitas. Moisés foi salvo delas, e sua mãe o amamentou. Mas quando o perigo da descoberta era iminente, ela o pôs numa cesta, e fê-lo flutuar no Rio Nilo. A cesta flutuou até perto do palácio do rei, e a cesta com a criança foi apanhada, como é relatado a seguir. A mãe, depois, não teve motivos para temer ou se entristecer, pois o menino cresceu sob ternos cuidados, e tornou-se, mais tarde, um dos mensageiros de Deus.
  4. Por idade adulta pode ser entendida a juventude madura, digamos, entre 18 e os 30 anos de idade. Por essa ocasião, a pessoa já se encontra firmemente estabelecida na vida; sua constituição física está completa, e seus hábitos mentais e morais estão formados. Neste caso, como Moisés era bom de coração, veraz e leal para com o seu povo, e obediente e justo para com aqueles com quem vivia, foi-lhe concedido do alto conhecimento e sabedoria, para serem usados nos tempos de conflito que lhe haviam de chegar. Estando o seu desenvolvimento interno completo, ele então sai para o mundo exterior, e novamente é posto à prova, até que obtém o seu divino comissionamento.
  5. Isso tanto pode ter sido na hora de sesta do meio-dia, quando todos os afazeres são suspensos (mesmo agora, no Egito), ou à noite, quando as pessoas usualmente estão dormindo. A última hipótese é mais provável, de acordo com o versículo 18, adiante, porém, há outra alternativa. Um convidado ao palácio não livre para circular à vontade nas seções plebéias da cidade a todas as horas, e isso se aplica ainda mais a um habitante do Palácio, criado como filho. Moisés, portanto, estava a visitar a Cidade, em segredo, despistando os guardas. Seu objetivo talvez tivesse sido o de ir ver, por si mesmo, como as coisas estavam indo; talvez ele tivesse ouvido dizer que seu povo estava sendo oprimido, uma vez que, supõe-se, mantinha contato com a sua mãe.
  6. A leste do Baixo Egito, a cerca de 482 km, fica a Península do Sinai, limitada, ao sul, pelo Golfo de Suez, e ao norte, pelo que era o Istmo de Suez, agora cortado pelo Canal do mesmo nome. Sobre o Istmo fica a rodovia para a Palestina e para a Síria; o fugitivo não poderia, comodamente, tomar essa estrada, uma vez que os egípcios estavam no seu encalço. Se ele pudesse, estaria em território madianita, onde as pessoas seriam árabes, e não egípcias. Ele foi para lá, e novamente orou a Deus pedindo uma orientação.
  7. A primeira coisa que um errante do deserto procuraria seria um oásis onde pudesse obter água, de um manancial ou poço, à sobra das árvores, para se abrigar do sol escaldante, e a companhia de algum ser humano. A aguada dos madianitas era, provavelmente, um poço fundo, uma vez que os mananciais de superfície são raros nos desertos arenosos, onde o nível das águas é baixo, a menos que haja um monte, de onde flua um regato.
  8. As moças se foram, com sorrisos nos lábios e gratidão em seus corações. Quais foram as reflexões de Moisés, conforme voltava para a sombra da árvore? Ele voltou a dar graças a Deus pela brilhante e rápida visão que tivera. Havia ele procedido bem? Preciosa fora a oportunidade que tivera. Havia aplacado a sede. Porém era um errante sem lar, e tinha uma ansiedade em sua alma que não se atrevia a pôr em palavras. Aqueles pastores não constituíam companhia para ele. Em verdade, ele se encontrava como um mendigo em desesperada necessidade. Por qualquer pequena coisa boa que cruzasse seu caminho ele estaria grato. Mas, que era aquilo? – aquela visão de uma casa confortável, presidida por um velho rico em rebanhos, e mais rico ainda pelas duas filhas, tão recatadas quanto belas? Talvez ele jamais as visse novamente! Porém, a Providência estava preparando uma outra surpresa para ele.
  9. Ele quase nem chegara a descansar, quando uma das donzelas voltou, caminhando com modesta graça! Timidamente, ela deu a sua mensagem: "Meu pai está agradecido pelo que tu fizeste por nós. Ele te convida à nossa casa, para que possa agradecer-te pessoalmente, e, pelo menos, dar-te alguma retribuição pela tua bondade."
  10. Nada poderia ter sido mais bem-vindo do que tal mensagem, e por intermédio de tal "mensageiro". Moisés certamente foi, e viu o velho. Encontrou um bem ordenado lar patriarcal. O ancião estava feliz com as suas filhas, e elas com ele. Havia confiança mútua. Evidentemente elas haviam descrito o estranho de tal modo que garantiram boas-vindas. Por outro lado, Moisés havia dado asas à sua imaginação, no sentido de pintar o pai com algo de cores gloriosas, em cuja pintura as filhas apareciam junto a ele como uma visão angelical. Os dois homens tornar-se-iam logo amigos. Moisés contou ao ancião a sua história – quem ele era, como fora criado, e a forma desafortunada como tivera deixado o Egito. Talvez a família inteira, incluindo as filhas, tivesse ficado a ouvir atentamente a sua narrativa. Talvez o seu pasmo e a sua admiração estivessem mesclados com uma certa dose de compaixão. De qualquer modo, o estranho ganhara um lugar em seus corações. O ancião, o cabeça da casa, assegurou-lhe, com a sua hospitalidade, segurança sob o seu teto.
  11. Passou-se um pouco de tempo, e, por fim, o pai aventou o assunto do casamento. O fugitivo não deveria sugerir um laço permanente, especialmente quando, na riqueza deste mundo, a família da moça era superior, tendo uma posição estabilizada, ao passo que ele era um mero errante. O pai pediu que, caso ele se casasse com uma das suas filhas, ficasse com eles pelo por menos oito anos ou, se ele quisesse, dez, ficando o termo mais longo à sua vontade. Já que ele não trazia dote algum, seus serviços, durante esses anos, seriam mais do que suficientes para substituir o dote. A particular garota pretendida estava, sem dúvida, tácita e previamente escolhida pela própria atração mútua entre os jovens corações. Moisés ficou contente com a proposta, e a aceitou. Eles ratificaram o noivado da maneira mais solene, invocando o nome de Deus. O ancião, sabendo da valia do seu genro, solenemente lhe assegurou que de maneira alguma tiraria vantagem da sua posição, ou insistiria em nada contrário aos interesses de Moisés, caso um novo futuro se abrisse para ele. E um novo e glorioso futuro estava a esperar por ele, após o seu aprendizado.
  12. Nas sociedades patriarcais não é incomum depararmos com casamentos acondicionados a certos termos de serviços. Neste caso, o episódio fornece duas lições: (1) um homem destinado a ser um mensageiro de Deus é, sobretudo, um homem, e deve passar pelos altos e baixos da vida, como qualquer outro; apenas ele o faz com mais graça e distinção do que os outros homens; (2) as magníficas relações, no amor e no casamento, podem, por si só, constituir-se numa preparação para o elevado destino espiritual que aguarda o Mensageiro de Deus. Uma mulher não precisa, necessariamente, ser uma armadilha e uma tentação: ela pode ser a companheira compreensiva e auxiliadora, coisa que a Senhora Khadija foi para o Mensageiro do Islam.
  13. Devemos supor a aparição de um facho, que queimava mas não se consumia (Êxodo, 3:2), um emblema, adotado pela Igreja Escocesa na sua heráldica armorial. A Escócia, aparentemente, tomou esses emblema e lema (Nec tamen consumebalur – "não obstante não foi consumido") do Sínodo da Igreja Reformada da França, que os adotara em 1583. A verdadeira explicação do Facho Ardente será encontrada no versículo 8 da 27ª Surata, e respectivas notas; não se tratava de fogo, mas do reflexo da Glória de Deus.
  14. Literalmente, "recolhe as tuas asas para junto de ti, (para longe) do medo". Quando a ave está assustava, abre as asas e se prepara para voar; porém, quando ela se acalma e se recompõe, repousa com as asas recolhidas, demonstrando uma mente segura quanto ao perigo.
  15. Após a destruição da tirania faraônica e de outras tiranias similares, antes dela, Deus começou uma nova era de Revelação, a era de Moisés e de seu livro. A humanidade começou novamente, por assim dizer, do princípio. Tratou-se de uma plena Revelação (ou Chariat), para a qual se pode olhar, partindo de três pontos de vista: (1) como uma luz ou introspecção para os homens, para não tatearem na escuridão; (2) como um Guia, para lhes mostrar o Caminho, a fim de que não sejam conduzidos pela Senda errada; e (3) como uma Misericórdia de Deus, para que, seguindo o Caminho, eles recebam o Seu Perdão e a Sua Graça. No versículo 91 da 6ª Surata, temos uma referência à Luz e à Diretriz com relação à Revelação de Moisés, e no versículo 154 da mesma surata temos uma referência à Diretriz e à Misericórdia, na mesma conexão. Aqui, os três pontos são combinados, com a substituição de Basir por Nur. Basir é o plural de Basirat, e pode também ser traduzido por provas, como fizemos no versículo 104 da 6ª Surata.
  16. A Península do Sinai fica no quadrante noroeste da Arábia. Mas a referência, aqui, achamos, é ao lado ocidental do vale de Túwa. O Monte Tur, onde Moisés recebeu a sua missão profética, fica do lado ocidental do vale.
  17. Houve cristãos e judeus que reconheceram que o Islam constituía um desenvolvimento lógico e natural da Revelação de Deus, a qual foi propiciada às eras anteriores, e não apenas deram bom acolhimento e aceitaram o Islam, mas afirmavam, com justeza, que sempre haviam sido muçulmanos. Nesse sentido, Adão, Noé, Abraão, Moisés e Jesus, todos haviam sido muçulmanos.
  18. A ocasião imediata, para isso, foi a morte de Abu Tálib, um tio do Mensageiro, que ele amava ternamente, e que o havia ajudado e protegido. Naturalmente, o Mensageiro desejava ansiosamente que ele acabasse os seus dias na profissão da verdadeira Fé, mas os líderes pagãos coraixitas persuadiram-no a permanecer firme na fé de seus pais. Foi uma ocasião de desapontamento e pesar para o Mensageiro. É-nos dito que, em tais circunstâncias, não devemos desesperar. Nem todos os que amamos compartilham, necessariamente, dos nossos pontos de vista ou das nossas crenças.
  19. Alguns coraixitas diziam: "Nós vemos a verdade do Islam; mas se abandonarmos o nosso povo, perderemos a autoridade sobre a nossa terra, e outro povo nos absorverá". A resposta é dupla; uma é literal e a outra é da mais profunda importância; (1) "Vossa terra? Qual, o santuário de Makka é sagrado e seguro porque Deus assim o tornou. Se obedecerdes à Palavra de Deus, sereis revigorados, e não enfraquecidos."; (2) "Makka é símbolo da Fortaleza do Bem-estar Espiritual. Os frutos de todos os Feitos aparecem ou deveriam aparecer como um tributo ao Bem-estar Espiritual. E que tendes medo? Trata-se da Fortaleza de Deus. Quanto mais buscardes, tanto mais fortes ficareis, nessa Fortaleza."
  20. No versículo 71 foi mencionado o "prolongamento da noite", para o qual a faculdade da "compreensão" era apropriada, uma vez que toda a luz fora retirada. Neste versículo, o prolongamento do dia é mencionado, para o qual a faculdade da "visão" é apropriada. Através de muitas portas, o elevado conhecimento pode adentrar nossas almas. Acaso não poderíamos usar cada uma delas, conforme exigisse a ocasião?
  21. Carun é identificado como o Coré da Bíblia, em português. Sua história é contada em Números 16:1-35. Ele e seus seguidores, perfazendo um total de 250 homens, levantaram-se em rebelião contra Moisés e Aarão, reivindicando que sua posição e fama na congregação os punham em pé de igualdade com os sacerdotes, em assuntos espirituais; diziam ser tão santos como qualquer outro, e queriam queimar incenso no Altar sagrado reservado aos sacerdotes. Tiveram uma punição em regra: "E a terra abriu a sua boca, e os tragou com as suas casas, assim como a todos os homens que pertenciam a Coré, e todos os seus bens. E eles, e tudo o que era seu, desceram ao abismo, e a terra os cobriu, e pereceram, em meio à congregação.
  22. A riqueza ilimitada de Carun é descrita no Midrach, ou as compilações baseadas nos ensinamentos orais das Sinagogas, os quais, contudo, exageram no peso das chaves, ou seja, o equivalente à carga de 300 mulas!
  23. Usbat: uma corporação de homens, aqui usada indefinidamente. Usualmente significa uma corporação de 10 a 40 homens. As obsoletas chaves eram grandes e pesadas, e, se haviam centenas de cofres, elas deveriam perfazer um grande peso. Como eles estivessem viajando pelo deserto, os tesouros foram presumivelmente deixados no Egito, e somente as chaves estavam sendo carregadas. O desleal Carun havia deixado o seu coração no Egito, juntamente com os seus tesouros.
  24. Repatriará: a ocasião em que seremos restituídos para a Presença do nosso Senhor. Diz-se que este versículo foi revelado em Juhfa, na estrada de Makka para Madina, a uma curta distância de Makka, na viagem da Hégira. O Profeta estava triste de coração, e isso lhe foi dado como um consolo. Se essa fosse uma ocasião particular, o significado geral referir-se-ia à repatriação, por ocasião da Ressurreição, quando todos os valores serão restaurados, conquanto possam ser perturbados pela interferência temporária do mal nesta vida.
  25. Isto sumaria a lição de toda a Surata. A única Realidade Eterna é Deus. Todo o mundo dos fenômenos está sujeito a fluxos e mudanças, e passará, mas Ele perdurará para todo o sempre. Se pensarmos em um Deus impessoal, uma força abstrata do bem, não poderemos reconciliá-la com o Ser ou Entidade vital, do qual nós percebemos tênue eco ou reflexo, nos momentos mais íntimos da nossa exaltação espiritual. Ficamos sabendo, então, que o que nós chamamos de nosso ser não tem significado algum, pois há apenas um Ser verdadeiro, e esse é Deus.
 

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