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O islam
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  1. Para as letras abreviadas, ver anota do versículo 1 da 2ª Surata. É-nos pedido que ponhamos em contraste, em nossa vida presente, a real vida interior com a vida exterior, que tiremos lições do passado acerca das porfias da alma que se apega à verdade de Deus, contra a ambiência do mal, que lhe resiste, e que voltemos os nossos pensamentos para o Maad, ou o destino futuro do homem, na Vida Futura.
  2. O verbo "distinguir" é aqui usado mais no sentido de testar, do que no aquilotar o conhecimento. Deus é Onisapiente; Ele não precisa de teste algum para aumentar o Seu conhecimento; contudo, o teste é para queimar a escória que há em nós.
  3. Comparar com o versículo 56 da 9ª Surata e com outras passagens, onde a astúcia dos hipócritas é exposta. O homem que na adversidade vira as costas à Fé, e apenas diz ser amigo dos fiéis quando há algo a ser lucrado, é passível de uma dupla condenação: primeiramente, por ter rejeitado a Fé e a Verdade, e em segundo lugar por ter falsamente pretendido ser um daqueles que ele temia ou odiava, de coração. Mas nada, na criação, fica oculto de Deus.
  4. A história de Noé e do Dilúvio não é contada aqui. É contada em outros lugares (11:25-48). Há apenas uma referência aqui, para apontar que a vida de Noé durou um longo tempo: 950 anos (comparar com Gênesis 9:28-29, que declara que a sua vida durou 950 anos, dos quais 350 foram vividos após o Dilúvio). A despeito da sua longa vida, os seus contemporâneos não o ouviram, e foram destruídos. Porém a história da Arca permanece como símbolo permanente de escarmento para a humanidade – um sinal de livramento para os virtuosos e de destruição, para os iníquos.
  5. A história de Abraão tem sido contada em várias fases, em diferentes passagens. As mais ligadas à presente passagem são: versículos 51-72 da 21ª Surata (o ato de ele ser tirado dentro do fogo, e deste ser salvo), e 41-49 da 19ª Surata (seu exílio, voluntário, do lar dos seus pais). Aqui a história não é contada, mas é mencionada, a fim de reforçar os seguintes pontos: (1) o povo de Abraão somente respondia à pregação com a ameaça de queimá-lo vivo (versículos 16-18 e 24 desta Surata); (2) o mal desposa o mal, mas terá um rude despertar (versículo 25 desta Surata); (3) os bons aderem aos bons, e são abençoados (versículos 26-27 desta Surata). Note-se que o comentário da passagem dos versículos 19-23 desta surata é parentético, embora alguns exegetas considerem uma parcela dele como parte do discurso de Abraão.
  6. Percorrei a terra; outra vez, tanto literal como simbolicamente. Se viajarmos por esta extensa terra, veremos as coisas maravilhosas da Sua Criação – o Grand Canyon e as Cataratas do Niágara, na América; os maravilhosos portos como o de Sidney, na Austrália; a Baía de Guanabara, no Brasil; montanhas, como a Fujiyama, o Himalaia e Elbruz, na Ásia; o Nilo, com as suas maravilhosas cataratas, na África; o Rio Amazonas; os fiordes da Noruega, as geleiras da Islândia; a cidade do sol da meia-noite, em Tromso, e incontáveis maravilhas, em todo os lugares. E maravilhas sobre maravilhas são descobertas na constituição da própria matéria, o átomo, e a força da energia, como também nos instintos dos animais, e nas mentes e capacidades dos homens. E não há limites para estas coisas. Mundos e mais mundos são criados e transformados a cada momento, dentro, e presumivelmente, fora do campo de visão do homem. A partir do que conhecemos, podemos julgar o que não conhecemos.
  7. Lot era sobrinho de Abraão. Ele aderiu aos ensinamentos e à fé de Abraão, e aceitou o exílio voluntário, com ele, pois Abraão deixara o lar de seus pais na Caldéia, e migrara para a Síria e Palestina, onde Deus lhe deu um aumento em prosperidade, e uma numerosa família, a qual ergueu a bandeira da Unidade e da Luz de Deus.
  8. Isaac era filho de Abraão, e Jacó, seu neto; e entre a sua progênie esteve incluído Ismael, o filho mais velho de Abraão. Cada um destes tornou-se uma fonte de Profecia e da Revelação – Isaac e Jacó, através de Moisés, e Ismael, através do Profeta Mohammad.
  9. Eles infestavam as estradas e cometiam os seus crimes horríveis, não apenas secreta, mas aberta e publicamente, mesmo em suas assembléias. Alguns exegetas compreendem que "impedindo assim a continuação" se refira aos assaltos de estradas; isto é possível, e é também possível que os crimes praticados em suas assembléias fossem a injustiça, violência etc.. Mas o contexto refere-se em especial aos seus crimes horrendos, e o ponto parece ser que eles não se envergonhavam daquilo, e o praticavam publicamente. A degradação não poderia continuar.
  10. Esta parte da história deve ser lida detalhadamente, nos versículos 77-83 da 11ª Surata.
  11. O castigo constituiu-se de uma chuva de enxofre, que abrangeu completamente as cidades, possivelmente acompanhada de um terremoto e de uma erupção vulcânica (ver o versículo 82 da 11ª Surata).
  12. Todo o trato do território do lado leste do Mar Morto ( onde as cidades estavam situadas) é coberto com sais sulfúricos, que são mortíferos para animais e plantas. O próprio Mar Morto é chamado, em árabe, Bahr Lut (o Mar de Lot). Trata-se de uma cena de tremenda desolação, que deveria ser tomada como um símbolo de destruição que espera todo pecado.
  13. A história dos povos de Xuaib e de Madian apenas entra em referência, aqui. Ela é contada nos versículos 84-95 da 11ª Surata. Seus pecados costumeiros eram a fraude e a imoralidade comercial. Sua punição constituiu-se de uma poderosa explosão, como as que acompanham as erupções vulcânicas. O ponto de referência, aqui, é que eles continuavam a fazer corrupção na terra, sem jamais pensar no Maad, ou na Vida Futura, que é o tema particular desta Surata. O mesmo ponto entra em breves referências nos dois versículos que se seguem, acerca de Ad, Samud, Carun, o Faraó e Haman, embora o pecado costumeiro, em cada caso, fosse diferente. Os madianitas formavam um povo de comerciantes que comerciavam de terra em terra; suas fraudes são descritas como espalhando "a corrupção na terra".
  14. Para o povo de Ad, ver os versículos 65-72 da 7ª Surata, e respectivas notas; e para o de Tamud, os 73-79 da 7ª Surata, e respectiva nota. Os remanescentes de seus edifícios que mostram que (1) tinham grande inteligência e habilidade; (2) seus construtores estavam orgulhosos da sua civilização material; (3) sua destruição mostra que as maiores civilizações e os recursos materiais não podem salvar um povo que desobedece à lei moral de Deus.
  15. Quanto a Carun, ver os versículos 76-82 da 28ª Surata; o Faraó é freqüentemente mencionado no Alcorão, mas é também mencionado em associação com Haman, no versículo 6 da 28ª Surata. Eles pensavam ser muito donos de si, mas chegaram a um triste fim.
  16. A casa da aranha é um dos maravilhosos sinais da criação de Deus. Ela é feita de finíssimos fios que saem das glândulas do corpo da aranha. Há muitas espécies de aranhas e muitas espécies de casas de aranhas. Os principais tipos de casas devem ser mencionados. Há um ninho tubular, ou teia, uma casa ou toca forrada de seda, com uma ou duas portas-armadilhas. Isto pode ser chamado de residência, ou mansão familiar. Há, então, o que é comumente denominado teia de aranha, que consiste de um ponto central com fios radiais concêntricos e quase circulares, que formam o corpo da teia. Este é o seu pavilhão de caça. A estrutura inteira dá exemplo de economia de tempo, de material e de desprendimento de energia. Se um inseto cair na rede, a vibração que se processa nos finos radiais logo avisa a aranha, que vem, e mata a sua presa. No caso de a presa ser poderosa, a aranha é provida de glândulas venenosas, com as quais liquida a presa. A aranha tanto descansa no centro da teia, como se esconde na parte de baixo de uma folha, ou dentro de alguma greta, mas sempre dispõe de uma linha que a liga à teia, que a mantém em comunicação. A fêmea da aranha é bem maior que o macho, e em árabe o gênero de ankabut é feminino.
  17. A maior parte dos fatos da nota anterior pode ser lida com a Parábola. Dada a espessura, os fios da teia de aranha são muito fortes, do ponto de vista da relatividade; mas, no nosso mundo, são muito frágeis, especialmente os fios de teia de aranha que flutuam no ar. Assim é também a casa do homem que confia em recursos materiais, conquanto finíssimos ou relativamente belos; perante a Realidade eterna eles nada são.
  18. A enunciação do Alcorão implica em: (1) ensaiá-lo ou recitá-lo, e publicá-lo no exterior, para o mundo; (2) lermo-lo para nós mesmos; (3) estudá-lo e compreendê-lo, como deve ser estudado e compreendido (versículo 121 da 2ª Surata); meditarmos sobre ele, para harmonizarmos o nosso conhecimento, a nossa vida e os nossos desejos, segundo ele. Isso resulta na verdadeira oração, e esta nos purga de tudo (ação, plano, pensamento, intenção, palavras) que nos possa causar vergonha, ou que poderia resultar em injustiça para os outros.
  19. Os judeus cristãos sinceros encontraram no Profeta do Islam o preenchimento da sua própria religião. Quanto aos nomes de alguns judeus que reconheceram e abraçaram o Islam, ver anota do versículo 197 da 26ª Surata. Entre os cristãos, também, a Fé, aos poucos, ganhou terreno. Diversos embaixadores foram enviados pelo Profeta, no 6º e 7º anos da Hégira, para todos os principais países ao redor da Arábia, a saber, a capital do Império Bizantino (Constantinopla), a capital do Império Persa (Madáin), a capital Sassânida, conhecida no Ocidente pelo nome grego de Ctesphon (cerca de 480 km ao sul da moderna Bagdá), para a Síria, Abissínia e o Egito. Todos esses países (exceto a Pérsia) eram cristãos. Na mesma conexão, um embaixador foi também enviado para Yamama, a própria Arábia (a leste do Hijaz), onde a tribo dos Bani Hanifa era cristã, assim como a tribo Haris, do Najran, que voluntariamente enviou um embaixador a Madina. Todos esses países, exceto a Abissínia, finalmente tornaram-se muçulmanos, sendo que a própria Abissínia (Etiópia) tem agora uma considerável população muçulmana, e enviou convertidos muçulmanos para Madina, no tempo do Profeta.
  20. O Profeta do Islam não era um homem culto. Antes de o Alcorão lhe ser revelado, ele jamais disse ser um Mensageiro de Deus. Ele não tinha o hábito de pregar eloqüentes verdades, como as tiradas de livros, antes de receber a sua Revelação, nem tampouco era capaz de escrever ou transcrever com as suas próprias mãos. Se ele tivesse tido essa dádiva terrena, haveria alguma plausibilidade nas acusações dos faladores, de que falava, não por inspiração, mas baseado nos livros de outros povos, ou de que ele mesmo havia composto os magníficos versículos do Alcorão, e os havia guardado de memória, para que os recitasse para o povo. As circunstâncias em que o Alcorão chegou prestam o seu próprio testemunho da sua autenticidade em proceder de Deus.
  21. "Conhecimento" tanto significa poder de julgamento, ao discernir o valor da verdade, como a familiarização com as revelações anteriores. Isso implica em introspecção literária e espiritual. Para os homens assim dotados, as revelações e os Sinais de Deus são evidentes. Eles se recomendam aos seus corações, às suas mentes e aos entendimentos, coisa que é evidenciada, em árabe, pela palavra sadr, "peito".
  22. Não há desculpa para que ninguém diga que não pôde fazer o bem, ou que foi forçado a fazer o mal, por causa das circunstâncias e da ambiência, ou pelo fato de que viveu em tempos malignos. Devemos evitar o mal e procurar o bem, porque a Criação de Deus é suficientemente ampla, bastando somente que tenhamos a vontade, a paciência e a constância para fazê-lo. Pode ocorrer que tenhamos de mudar de aldeia, de cidade ou de país; ou que tenhamos de nos afastar dos nossos vizinhos ou dos nossos associados; ou tenhamos de mudar os nossos hábitos ou o nosso tempo disponível, nossa posição na vida, ou as nossas relações humanas, ou as nossas tendências. A nossa integridade, perante Deus, é mais importante do que essas coisas, e devemos estar preparados para o exílio (ou Hijrat), em todos esses sentidos. Porque os meios com os quais Deus nos dota, para os colocarmos ao Seu serviço, são amplos, e, se falharmos, será nossa culpa.
  23. Comparar com os versículos 185 da 3ª Surata e 35 da 21ª Surata, e respectivas notas. A morte é a separação da alma, quando o corpo perece. Nós não devemos temer a morte, porque ela tão-somente nos leva de volta a Deus. As várias espécies de hijrat ou exílio, físico ou espiritual, mencionadas na nota anterior, são também, num sentido, modos de morte; que há, então, a temer?
  24. Se atentarmos para a criação animal, vemos que muitas criaturas parecem quase impossibilitadas de encontrar o seu próprio alimento ou de sustentar a sua vida plena, cercadas que estão por muitos inimigos. Contudo, no Plano de Deus, elas encontram todo o sustento e toda a proteção. Tal qual o homem. As necessidades do homem – bem como o desamparo – são de muitas maneiras maiores. Deus ouve os pedidos e as súplicas de todas as Suas criaturas, e sabe de todas as suas necessidades, e provê a subsistência de todas elas. Portanto, o homem não deveria hesitar em suportar o exílio ou a perseguição pela Causa de Deus.
  25. Comparar com os versículos 81-89 da 23ª Surata. "Eles", em ambas as passagens, refere-se à espécie de homens inconsistentes que estão conscientes do poder de Deus, mas são levados, por falsas noções, à desobediência à Lei de Deus e ao desrespeito pela Sua Mensagem.
  26. Comparar com o versículo 29 da 7ª Surata, onde nós fizemos uma pequena mudança na frase em português, de acordo com o contexto. Foi mostrado, no versículo anterior, que a vida neste mundo é fugidia, e que a verdadeira vida – aquela que conta – é a vida futura. Contrastando com essa realidade patente, mostra-se agora a visão estreita da insensatez do homem. Quando ele enfrenta os perigos físicos do mar, que nada são além de um incidente deste mundo fenomenal, ele real e sinceramente procura a ajuda de Deus; mas quando está a salvo, de volta à terra firme, esquece-se das Realidades, volta aos prazeres e às vaidades de fenômenos fugidios, e sua devoção, que deveria ser exclusivamente dedicada a Deus, é repartida entre ídolos e futilidades da sua própria imaginação.
 

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