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O islam
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  1. O quinto ano da Hégira foi um ano crítico na história externa do começo do Islam, e esta surata deve ser lida à luz dos eventos que então tiveram lugar. A grande Confederação contra o Islam investiu contra Madina, e fracassou fragorosamente. Ela consistia dos maquenses incrédulos, beduínos da Arábia Central, dos judeus anteriormente expulsos de Madina, por traição, e dos hipócritas conduzidos por Abdulah Ibn Ubai, que já foram descritos nos versículos 43-110 da 19ª Surata. Seu traço de união era o ódio comum que nutriam pelo Islam, e esse traço se rompeu sob os reveses que encontraram.
  2. "Dois corações no peito do homem"; duas atitudes inconsistentes, ou seja, ele servir a Deus e a Mammon; ou submeter-se tanto à Verdade como à Superstição; ou pretender hipocritamente uma coisa e fazer outra. Tal coisa é contrária à Lei e à Vontade de Deus. À parte da condenação da hipocrisia generalizada, dois costumes pagãos dos Tempos da Ignorância são mencionados, e sua iniqüidade apontada. Nem tampouco o homem pode amar duas mulheres com amor eqüitativo.
  3. Trata-se de um mau costume árabe, pelo qual o marido egoisticamente privava a esposa de seus direitos conjugais, e contudo a mantinha para si qual escrava, sem que ela ficasse livre para se casar novamente. Ele dizia palavras no sentido de que ela era como sua mãe. Após isso, ela não poderia fazer valer os seus direitos conjugais, mas não ficava livre do controle dele, para que pudesse contrair novas núpcias. Ver também os versículos 1-5 da 58ª Surata, onde isso é condenado no mais veemente dos termos, apontando para tanto o castigo. Um homem algumas vezes dizia tais palavras num acesso de raiva; elas não o afetavam, mas degradavam a posição da mulher.
  4. Se um homem chamasse um filho de outro de "seu filho", isso poderia criar complicações entre relações naturais e normais, se tomando mui literalmente. É mostrado que se trata apenas de uma maneira de falar, da parte dos homens, e não deve ser tomado ao pé da letra. Verdade é verdade, e não pode ser alterada pelo fato de os homens adotarem "filhos". A "adoção", no sentido técnico, não é permitida pela Lei muçulmana. Aquelas que foram "esposas de vossos filhos" estão entre os Graus Proibidos de casamento (versículo 23 da 4ª Surata); mas isso não se aplica aos filhos "adotados".
  5. Os homens que eram libertados freqüentemente levavam os nomes de seus amos – "filho de fulano". Quando eram escravos, talvez os nomes de seus pais tivessem ficado completamente perdidos. É mais correto falarmos deles como os Maula de fulano. Porém, Maula, em árabe, também pode implicar uma relação íntima de amizade; nesse caso, ainda é melhor o termo correto, em vez do termo "filho". "Irmão" não é objetável, porque a palavra "irmandade" é usada num sentido mais amplo do que "paternidade", e está menos sujeita a mal-entendidos.
  6. O que se tem em mira é destruir a superstição de se levantarem falsas relações, em detrimento ou perda das verdadeiras relações consangüíneas. Não se tem intenção de penalizar um desliza involuntário sobre o assunto, mesmo no caso em que um homem trate outro por seu filho ou pai, que não seja seu filho ou pai, por polidez ou afeição.
  7. Com respeito à relação espiritual, o Profeta é tratado com ais respeito e consideração do que nas relações consangüíneas. Os fiéis devem segui-lo mais do que a seus pais ou mães ou irmãos, quanto à questão dos deveres. Ele está até mais perto – mais próximo de nossos reais interesses – de nós do que nós mesmos. Em algumas narrativas, como as de Ubai Ibn Kab, ocorrem ainda as palavras "e ele é um pai para eles", coisa que implica em suas relações espirituais, e que se liga com as palavras "e suas esposas são suas mães".
  8. Esta surata estabelece a dignidade das esposas do Profeta, que tinham uma missão e responsabilidade especiais, como mães dos fiéis. Elas não iriam ser como as mulheres comuns; elas haveriam de instruir as outras mulheres em assuntos espirituais, visitar e assistir os enfermos e desesperados, e fazer outras tarefas benignas, em ajuda à missão do Profeta.
  9. Ninguém deve privar seus parentes consangüíneos desses direitos de manutenção e de propriedade, como eles talvez tivessem feito. A comunidade dos fiéis, habitantes de Madina, e aqueles que haviam emigrado de Makka para aquela cidade, tinham também seus direitos mútuos, mas este não deveriam constituir-se numa desculpa para o descaso em relação aos direitos primordiais das relações naturais. Nos primeiros dias em Madina , os Ânsar deveriam herdar dos Muhajrin, cujos parentes naturais não haviam migrado; contudo, tal prática não teve continuidade quando as relações normais foram restabelecidas entre Makka e Madina.
  10. Neste versículo estão sumariados o começo e o fim do esforço fatídico do sítio de Madina, no ano 5 da Hégira. Havia a composição de uma Confederação de idólatras, que chegara para destruir o Islam. Eles chegaram com uma força compreendendo de dez a doze mil combatentes – um exército jamais visto naquele tempo e naquele país. A batalha ficou conhecida como a Batalha da Trincheira. Após uma cerrada investida, que durou de duas a quatro semanas, durante as quais o inimigo ficou desencorajado devido aos sucessivos fracassos, houve uma dilacerante rajada de vento frio, vinda do leste. Aquele foi um inverno rigoroso, pois o mês de fevereiro pode ser um mês muitíssimo frio em Madina, que fica a 750 m acima do nível do mar. As tendas do inimigo foram rasgadas, suas fogueiras apagadas e a areia e a chuva fustigaram-lhes os rostos, e eles ficaram aterrorizados com os portentos que se abatiam contra eles. Decidindo, entre si, empreender uma retirada apressada, foram embora.
  11. A psicologia dos combatentes é descrita com vigor incomparável, no texto sagrado. A investida do inimigo foi realmente tremenda. A trincheira, ao redor de Madina, encontrava-se entre os defensores e a enorme força atacante, com uma elevação atrás: quando apareciam, através do vale ou por sobre a trincheira, parecia que vinham de baixo. As chuvas de flechas e pedras, de ambos os lados, pareciam também vir do ar.
  12. Antes do ataque a Madina, naquele ano, os muçulmanos haviam alcançado, com sucesso, a fronteira com a Síria, pelo norte, e havia esperanças de alcançarem o Iêmen, pelo sul. O Profeta do Islam via sinais claros de vitória para os muçulmanos. Na ocasião em que eles se encontravam fechados na trincheira, e na defensiva, os hipócritas os escarneciam, por se terem deixado levar por esperanças enganosas. Porém, os eventos encarregaram-se de mostrar que as esperanças não eram enganosas. Elas estaria realizadas, além da expectativa, em poucos anos.
  13. Que passou a se chamar Madinat An-Nabi, ou simplesmente Madina.
  14. Todos os combatentes de Madina haviam saído da cidade e acampado nos espaços abertos, ente a cidade e a trincheira que havia sido cavada ao redor da mesma. Os inamistosos hipócritas, dentre os fiéis passaram a semear rumores derrotistas, e fizeram de conta que se retiravam em defesa de seus lares, embora estes não estivessem expostos, e foram totalmente cobertos pela vigilante força defensiva que se encontrava dentro da trincheira.
  15. O ímpeto da luta estava no lado norte, mas toda a trincheira estava guardada. Em um ou dois pontos os guerreiros inimigos apresentaram investidas no circuito da trincheira, mas foram logo dispersados. Ali distinguiu-se particularmente em muitos combates, usando a própria espada e armadura do Profeta. Caso alguém do inimigo fosse capaz de penetrar na cidade, o elemento surpresa – o que apenas estava sentado no parapeito –, levantar-se-ia de pronto contra os muçulmanos – sem nenhuma delonga, exceto a que era necessária para se equipar da armadura e das armas.
  16. Aparentemente, após a batalha de Uhud, certos homens que haviam mostrado covardia, foram perdoados sob a condição de se comportarem melhor da próxima vez. Uma promessa solene, feita ao Mensageiro de Deus, representa uma promessa a Deus, e não pode ser quebrava impunemente.
  17. Na luta pela Verdade houve (e há) muitos que sacrificaram tudo – recursos, conhecimento, influência, a própria vida – pela causa, e jamais titubearam. Tal foi o caso de Saad Ibn Moaz, o chefe da tribo Aus, o porta-estandarte do Islam, que morreu vítima de um ferimento que recebeu na Batalha da Trincheira. Outros heróis lutaram valentemente e viveram, sempre prontos a dar as suas vidas pela causa. Ambas as classes foram constantes: jamais mudaram ou vacilaram.
  18. A despeito das intensivas preparações e das grandes forças com que os maquenses – em harmonia com os beduínos da Arábia Central, com os judeus descontentes, e com os traiçoeiros hipócritas – sitiaram Madina, todos os seus planos se frustraram. Sua fúria de nada lhes valeu. Fugiram, com acalorada pressa. Esse foi o seu último e mortífero esforço. A iniciativa, depois daquilo, estava com as forças do Islam.
  19. Isto é com referência à tribo judaica dos Banu Curaiza. Eles contavam-se entre os cidadãos de Madina e estavam obrigados, por solenes promessas, a ajudar na defesa da cidade. Porém, na ocasião do sítio confederado, feito pelos coraixitas e seus aliados, eles se congraçaram com os inimigos, e traiçoeiramente os ajudaram. Imediatamente após o sítio terminar, e os confederados fugirem com calorosa pressa, o Profeta voltou a sua atenção para aqueles "amigos" traidores, que haviam traído a sua cidade, na hora do perigo.
  20. Os Banu Curaiza ficaram aterrorizados quando a cidade de Madina ficou livre do perito coraixita. Eles se enclausuraram em seus castelos, cerca de 4 ou 5 km a leste de Madina, e agüentaram um cerco, que durou 25 dias, após o que se renderam, estipulando que se entregariam, pela decisão de seu destino, mas mãos de Saad Ibn Moaz, chefe da tribo Aus, com o qual haviam estado em aliança. Saad julgou segundo o que está descrito na Lei Judaica: "O Senhor, teu Deus, a dará na tua mão; e todo o macho que houver nela passarás ao fio da espada, salvo somente as mulheres, e as crianças, e os animais; e tudo o que houver na cidade, todos os seus despojos, tomarás para ti; e comerás os despojos dos teus inimigos os que te deu a Senhor teu Deus" (Deuteronômio 20:13-14). Os homens Curaiza foram executados, mas mulheres foram vendidas como cativas de guerra, e suas terras e propriedades foram divididas entre os Muhajirin.
  21. Chegamos, agora, ao assunto da posição dos Consortes da Pureza, azuaj mutahharat, ou seja, das esposas do Profeta do Islam. O único casamento jovem do Profeta do Islam foi o seu primeiro, com Khadija. Ele a desposou 15 anos antes de receber a revelação; a vida matrimonial deles durou 25 anos, e sua devoção mútua foi a mais nobre, a julgar tanto pelos padrões espirituais, como pelos sociais. Durante a vida dela, ele não teve nenhuma outra esposa, coisa que era incomum para um homem de suas condições, entre o seu povo. Quando ela morreu, a idade dele era de 50 anos; se não fosse por duas considerações, ele provavelmente jamais teria se casado novamente. As duas considerações que propiciaram os seus casamentos posteriores fora: (1) compaixão e clemência, como querendo amenizar o sofrimento das viúvas que, doutra sorte não se poderiam manter em qualquer outro estágio da sociedade; algumas delas, como Sauda, tinham rebentos de seus anteriores matrimônios, rebentos esses que se requeriam proteção; (2) a ajuda delas quanto ao seu dever de liderança junto às mulheres, que deveriam ser instruídas e conservadas unidas na imensa família muçulmana, onde homens e mulheres tinham direitos sociais similares. Aicha, filha de Abu Bakr, era inteligente e culta, sendo que nos Hadisses constitui uma importante autoridade sobre a vida do Profeta. Zainab, filha de Cuzaima, era especialmente devotada aos pobres; era denominada "a Mãe dos Pobres". A outra Zainab, filha essa de Jahch, também trabalhava junto aos pobres, aos quais ensinava os segredos de seu trabalho manual, pois era perita em trabalhar o couro.
  22. Uma comprovada má conduta; isto é, por oposição aos falsos mexericos dos inimigos. Tais mexericos não deveriam contar, mas se qualquer uma delas se comportasse de maneira imprópria, as suas más ações contar-se-iam como ofensas piores do que no caso das mulheres comuns, por causa da sua posição especial. Certamente, nenhuma delas foi, na mínima coisa, culpada.
  23. A punição, nesta vida, para a falta de castidade de uma mulher casa é muito severa: para adultério, açoitamento em público de cem açoites, segundo o versículo 2 da 24ª Surata; ou para impudícia, a prisão (ver o versículo 15 da 4ª Surata); ou o apedrejamento até à morte, para o adultério, de acordo com certos precedentes estabelecidos no Direto Canônico. Porém, a questão, aqui, não versa sobre esta espécie de punição ou aquela espécie de ofensa. Mesmo as melhores indiscrições, como nos casos das mulheres que deveriam constituir-se em padrões de decoro, seriam passíveis de repreensão; e a punição, na Vida Futura, é, num plano mais elevado, coisa que podemos dificilmente compreender. Porém, Deus pode apreciar cada indício de intenção em nós. Então, o mais e o menos são possíveis, não o podendo ser na rudimentar lei que administramos aqui.
  24. Isto constitui o núcleo da passagem inteira. As Consortes do Profeta não eram como as mulheres comuns, nem tampouco seus matrimônios foram matrimônios comuns, nos quais apenas as considerações sociais e pessoais contavam. Elas tinham uma posição especial e responsabilidades especiais, no sentido de guiarem e instruírem as mulheres que entravam para as fileiras do Islam. O Islam têm espaço tanto quanto os homens, e a instrução íntima delas obviamente tem de ser feita por meio de outras mulheres.
  25. Conquanto elas tivessem de ser bondosas e gentis com todos, tinham d ser protegidas, por causa de sua posição especial, senão a gente grosseira poderia interpretá-las mal e tirar vantagem da bondade delas. Elas não deveriam proporcionar espetaculosidades mundanas vulgares, como nos tempos da idolatria.
  26. Um número de virtudes muçulmanas é aqui especificado, mas a ênfase principal é dada ao fato de que essas virtudes são necessárias tanto à mulher como ao homem. Ambos os sexos têm direitos e deveres espirituais e humanos em igual grau, e a "recompensa" da Vida Futura, ou seja, a Bênção Espiritual, é proporcionada tanto para uma, como para o outro.
  27. As virtudes a que se refere o versículo, são: (1) fé, esperança e confiança em Deus e em Seu benevolente governo do mundo; (2) devoção e prestação de serviços, quanto à vida prática; (3) amor à verdade e prática da mesma, em pensamento, intenção, palavra e ação; (4) paciência e constância, no sofrimento e na porfia; (5) humildade e esquivança, quanto a uma atitude de arrogância e superioridade; (6) caridade, isto é, ajudar os pobres e desafortunados, uma virtude que advém do dever geral de prestação de serviço; (7) moderação, não só na alimentação, mas também em todos os apetites; (8) castidade, pureza na vida sexual, pureza de intenção, de pensamento, de palavra e de ação; e (9) atenção constante à Mensagem de Deus, e o cultivo do desejo da estada cada vez mais perto d’Ele.
  28. Este era Zaid, filho de Hariça, um dos primeiros a aceitarem a fé do Islam. Ele foi libertado pelo Profeta, que o amava como a um filho e lhe deu, em casamento, a sua própria prima, Zainab. O matrimônio, contudo, foi infeliz.
  29. O casamento de Zaid com a prima do Profeta, Zainab, filha de Jahch, foi celebrado em Makka, oito anos antes da Hégira, mas tornou-se um casamento infeliz. Zainab, bem nascida, olhava com altivez para Zaid, o liberto, que havia sido escravo. E ele tampouco era agradável de se olhar. Ambos eram gente boa à sua maneira, e ambos amavam o Profeta, mas havia incompatibilidade de gênio, e isso é fatal para a vida conjugal. Zaid queria divorciar-se dela, mas o Profeta pediu-lhe que se contivesse, e ele obedeceu. Ela era intimamente relacionada com o Profeta; ele lhe havia dado um lindo presente de casamento, em seu matrimônio com Zaid. O povo certamente começaria a falar, se tal casamento fosse desfeito, e a reputação do pobre Zaid ficaria arruinada. Esse era o temor, na mente do Profeta. Porém, casamentos são feitos na terra, não no céu, e não faz parte do Plano de Deus torturar as pessoas com um laço que deveria constituir a fonte da felicidade, mas virtualmente constitui a fonte da miséria. O desejo de Zaid – aliás, o desejo mútuo do casal – foi por algum tempo posto de lado, mas tornou-se finalmente um fato estabelecido, do qual todos chegaram a saber.
  30. Quando um casamento é infeliz, o Islam permite e espera que o laço seja dissolvido, contanto que todos os interesses concernentes a ele sejam salvaguardados. Aparentemente não havia herdeiros, então, a serem considerados. Zainab viu realizado o mais caro desejo de seu coração, ao ser elevada à condição de Mãe dos Fiéis – com toda a dignidade e responsabilidade dessa posição.
  31. O Iddat, ou o período de espera após o divórcio (versículo 228 da 2ª Surata, e respectiva nota) foi devidamente completado.
  32. A superstição e o tabu idólatras sobre os filhos adotivos tinham de ser destruídos (ver os versículos 4-5 desta Surata).
  33. A cláusula seguinte é parentética. Estas palavras, então, ligam-se com o versículo 39. Entre os adeptos do Livro não havia tabu algum sobre os filhos adotivos, como havia na Arábia pagã.
  34. O Profeta foi enviado por Deus com cinco injunções. Três delas são mencionadas neste versículo, e as outras duas no versículo seguinte: (1) ele veio a todos os homens como testemunha de todas as verdades espirituais que haviam sido obscurecidas pela ignorância ou superstição, ou pela poeira da controvérsia sectária. Ele não veio para estabelecer uma nova religião ou seita; veio, outrossim, ensinar a Religião. É também testemunha, junto a Deus, dos feitos dos homens, e de como eles recebem a Mensagem de Deus; (2) veio como portador de Boas-Novas da Misericórdia de Deus. Não importando o quanto os homens tenham transgredido, eles poderão ter esperança se acreditarem, se arrependerem, e levarem uma vida pura; (3) veio como admoestador, para os que estão desatentos.
  35. Ver a nota do versículo 228 da 2ª Surata. O Iddat contra por três menstruações, ou, se não houver menstruações, por três meses.
  36. Este presente é considerado por alguns um acréscimo à metade do dote que lhes é devido, especificado no versículo 237 da 2ª Surata.
  37. O presente deve ser dado de coração, e a liberdade da mulher não deve de maneira alguma ser prejudicada. Se ela escolher casar-se outra vez, e imediatamente, nenhum obstáculo deverá ser posto em seu caminho. Sob nenhum pretexto deverá ser permitido que ela tenha dúvida quanto à sua liberdade.
  38. Isto introduz uma nova isenção ou um novo privilégio,. Os versículos 50-52 meramente declaram os pontos nos quais os casamentos do Profeta, por causa das circunstâncias especiais (ver nota 1262, atrás), diferiam do dos muçulmanos comuns. Isto é considerado sob quatro tópicos, os quais examinaremos nas quatro notas que se seguem.
  39. Tópico 1. Casamento com dote (versículo 4 da 4ª Surata) – este é o casamento universal muçulmano. A diferença, no caso do Profeta, era que não havia a limitação de quatro esposas (versículo 3 da 4ª Surata), e que as mulheres do povo do Livro não se contavam entre suas esposas, mas tão-somente as fiéis. Esses pontos não são expressamente mencionados aqui, mas são inferidos pela prática. Obviamente, as mulheres que se esperava devessem instruir outras mulheres tinham de ser muçulmanas.
  40. Tópico 2. Prisioneiras de Guerra. O ponto não vem ao caso agora, uma vez que todos os incidentes e as condições de guerra foram alterados, e a escravidão foi abolida, por meio de acordos internacionais.
  41. Tópico 3. Trata-se de primas em primeiro grau, que não estão entre os Graus Proibitivos de Casamento (ver os versículos 23-24 da 4ª Surata). Estas encontram-se especialmente mencionadas aqui, por causa da limitação. Nenhuma delas poderia casar-se com o Profeta, a menos que tivesse realizado a Hégira com ele. Se ela não a tivesse realizado, a despeito de suas relações íntimas, não poderia ser creditada com grande fervor pelo Islam, ou ser considerada qualificada para instruir as outras mulheres do Islam.
  42. Tópico 4. Uma fiel que se dedica ao Profeta – isto é restringido pela contingência de que o Profeta o considera um adequado e apropriado caso de verdadeiro serviço à comunidade, e não meramente uma excentricidade sentimental de mulher. Alguns exegetas acham que não houve tal caso. Outros, porém, com os quais nós concordamos, acham que isto se aplica a Zainab Bint Khuzaima, que se havia dedicado aos pobres, e era denominada Mãe dos Pobres (Umm-ul-masákin). Similarmente, este último tópico talvez se refira a Zainab Bint Jahch, que era filha da tia paterna do Profeta, ela mesma filha de Abdul Mutalib.
  43. A lei comum do casamento, entre os muçulmanos, será encontrada principalmente nos versículos 221-235 da 2ª Surata, 3-4 da 4ª Surata, 34-35 da 4ª Surata, 6 da 5ª Surata.
  44. O casamento é uma relação importante, não apenas para a nossa vida material, mas também para a nossa vida moral e espiritual, sendo que seus efeitos se estendem não somente às próprias partes, mas ainda aos filhos e às gerações futuras. Um grande número de problemas é levantado, de acordo com circunstâncias especiais. Todo homem e toda mulher deve considerar seriamente os lados da questão, e ambos devem fazer o que puderem para temperarem os instintos e as inclinações, com sabedoria e com a diretriz de Deus. Deus deseja tornar fácil o caminho de todos, pois Ele é deveras "Indulgente, Misericordiosíssimo".
  45. No versículo 3 da 4ª Surata, fica estabelecido que mais de uma esposa não é permissível, "...se temerdes não poder se eqüitativos para com elas..." No lar muçulmano não há lugar para uma "esposa favorita". Nas circunstâncias especiais do Profeta havia mais de uma, sendo que ele costumeiramente observava a norma de eqüidade para com elas, tanto nas demais coisas como na rotatividade dos direitos conjugais. Todavia, considerando-se o fato de que seus casamentos, depois que ele foi investido da missão profética, eram ditados por razões outras que não as considerações conjugais ou pessoais (ver a nota do versículo 28 desta surata), a rotatividade não poder ser sempre observada, embora ele o fizesse na medida do possível. Este versículo isenta da absoluta aderência da rotatividade fixa. Há outras interpretações, mas nós concordamos com a maioria dos exegetas, em vista do que temos explicado.
  46. Refrescar os olhos: uma expressão idiomática árabe, que quer dizer pôr ânimo e conforto nos olhos que anseiam por ver aqueles que amam. Não havia muito, no tocante a satisfações bens e terrenos, que o Profeta lhes pudesse dar (ver o versículo 28, atrás). Contudo, ele era bondoso, justo e veraz – o melhor dos homens para a sua família, e todos se apegavam a ele.
  47. Isto foi revelado no ano 7 da Hégira. Depois disso o Profeta não mais se casou, a não ser pela aceitação de Maria, a Copta, que lhe foi dada como presente, pelo cristão Mucaucas, do Egito. Ela se tornou a mãe de Ibrahim, que morreu na infância.
  48. As normas das refinadas éticas sociais devem igualmente ser alcançadas hoje, como o eram pelos rudes árabes, aos quais o Profeta foi enviado para ensinar, em seus dias. As normas mencionadas neste versículo podem ser recapituladas, deste modo: (1) não entreis na casa de um amigo sem permissão; (2) se fordes convidados para jantar, não deveis ir muito cedo – fostes convidados para o jantar, não para o preparo da comida; (3) estai lá presentes na hora apontada, para que entreis na casa na hora quem que sereis esperados; (4) após a refeição, não entreis em familiaridades com o anfitrião, especialmente se houver uma grande distância entre ele e vós; (5) não desperdiceis tempo com vãs tagarelices, que causam inconveniência e talvez aborrecimento ao anfitrião; (6) compreendei qual é o comportamento adequado a vós; pode ocorrer que o anfitrião seja mui delicado, para vos pedir que saiais. Tudo isto tem um aspecto tanto espiritual como social; o respeito e a consideração, para com os outros, estão entre as mais elevadas virtudes.
  49. Isto se reporta à parte do Hijab (véu) do versículo 53, acima. A lista daqueles perante os quais as esposas do Profeta poderiam informalmente aparecer, sem véu, consistia de: seus pais, seus filhos, seus irmãos, seus sobrinhos, suas criadas e seus servos domésticos. Os exegetas incluem os tios (paternos e maternos), sob a denominação de "pais". "Suas mulheres" é tido como sendo todas as mulheres que pertencem à comunidade muçulmana.
  50. Comparar com o versículo 112 da 4ª Surata. Naquela passagem é-nos dito que todo o culpado que acusar pessoas inocentes da culpa dele estará obviamente colocando-se numa posição de duplo risco; primeiramente, por causa da própria e original culpa e, segundo, por causa da culpa de falsa acusação. Aqui, nós temos duas espécies de homens, em vez de dois indivíduos. Os homens e as mulheres de fé, fazendo o que podem para servir a deus e à Humanidade. Se eles forem insulados, injuriados ou aborrecidos, por aqueles que cujos próprios pecados deles culpam, estes sofrerão as penalidades de uma dupla culpa: seus próprios pecados, mais os insultos ou as injúrias que cometem contra aqueles que tentam corrigi-los. Ao invés de se ressentirem com a pregação da Verdade, deveriam recebê-la bem e tirar proveito dela.
  51. Isto é para todas as muçulmanas, tanto para aquelas do lar do Profeta, como para as outras. Os tempos eram de insegurança (ver o versículo seguinte), por isso era-lhes pedido que se cobrissem com roupagem exterior, quando saíssem. Jamais foi adotado o ponto de vista de que elas deveriam ficar confinadas em suas casas, como prisioneiras.
  52. Jilbab, plural jalabib; uma roupagem exterior, uma longa toga, que cobria todo o corpo, ou um capote que cobria o pescoço e o busto.
  53. O objetivo não era restringir a liberdade das mulheres, mas sim protegê-las dos danos e dos molestamentos que propiciavam as condições então existentes em Madina. Tanto no Oriente como no Ocidente uma roupa conspícua, para se usar em público, de uma forma ou de outra, sempre tem sido uma marca de distinção, tanto entre os homens como entre as mulheres. Isto pode ser constatado, mesmo quando nos reportamos as civilizações mais antigas.
  54. A Lei Judaica era muito mais severa (ver as notas do versículo 26 desta surata). Essa severidade é abrandada no Islam. Contudo, constitui um princípio universal o fato de que qualquer elemento que deliberadamente se recusa a obedecer à lei e, de modo agressivo, secreta e abertamente tenta subverter a ordem na sociedade, deve ser efetivamente suprimido, para a preservação da vida e do bem-estar geral da comunidade.
  55. O povo de Moisés freqüentes vezes o vexou, e se rebelou contra ele e contra a Lei de Deus. Aqui, a referência parece ser a Números 12:1-13. É dito, aí, que a irmã de Moisés, Miriam, e seu irmão, Aarão, falavam contra Moisés, porque este se casou com uma etíope. Deus isentou Moisés da acusação de ter feito algo errado: "Meu servo, Moisés, não é desse feitio, e, além do mais, é fiél em toda a Minha Casa". Miriam contraiu lepra por sete dias, como castigo, depois do que foi perdoada, assim acontecendo também com Aarão. Este é a história do Antigo Testamento. O Profeta do Islam foi também atacado por casa do seu casamento com Zainab Bint Jahch, mas não em seu próprio círculo; suas intenções eram as mais nobres; e foram completamente vindicadas, como vimos anteriormente.
  56. Qual é o significado da oferta do encargo aos céus, à terra e às montanhas? Isso é mencionado para que tais parábolas ajudem os homens a refletir. Podemos, portanto, tomar as montanhas, a Terra e os Céus como simbólicos. As montanhas significam firmeza e estabilidade; elas foram criadas para essa finalidade; e permanecem sempre fiéis a ela. Um terremoto ou um vulcão tem a ver com os movimentos dentro da crosta terrestre, mas nada tem a ver com a "vontade" da montanha. Com efeito, ela não possui livre-arbítrio de espécie alguma; não há a questão da confiança, aqui. Se tomarmos a terra como um todo, como parte do sistema solar ou um extrato da natureza terrestre, veremos que ela obedece às leis fixas de Deus, e não há a questão de vontade ou confiança. Se tomarmos os céus, tanto como o espaço abobadado, ou como um simbolismo dos anjos, veremos que eles obedecem absolutamente à Vontade e à Lei de Deus; não têm vontade própria.
  57. Os céus, a terra e as montanhas, outras criaturas de Deus além do homem, recusaram-se a tomar o encargo ou responsabilidade, e poderiam ter-se dado felizes, por a imputação do bem e do mal que lhes foi dada por meio de sua vontade. Ao dizer que eles recusaram, nós lhes imputamos uma vontade; porém a limitamos, pela afirmação de que eles não tomaram o encargo de lhes ser dada uma chance entre o bem e o mal. Eles preferiram submeter a sua vontade inteiramente à Vontade de Deus, o Qual é Onisciente e Perfeito, e lhes dá felicidade bem maior do que a faculdade de escolha, com seu imperfeito conhecimento. O homem foi muito audacioso e ignorante para se conscientizar disto, e o resultado foi que o homem, como raça, tem estado separado; os malignos têm traído a confiança e trazido o castigo para si mesmos, ao passo que o bom tem sido capaz de se elevar bem acima da Criação, para se tornar o próximo de Deus. Segue-se disto, incidentalmente, que os céus e a terra foram criados antes do homem, sendo que isso está de acordo com o que conhecemos do mundo material, na ciência: o homem entrou em cena num estágio comparativamente recente.
  58. Aqueles que permanecem firmes em sua fé e cumprem com seus pactos receberão o auxílio da Graça de Deus; suas faltas e fraquezas serão curadas; e serão dignos de seu exaltado destino, porque Deus é Indulgente, Misericordiosíssimo.
 

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