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O islam
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  1. A declaração do louvor a Deus tem um significado um tanto místico. Toda a Criação declara os seus louvores, isto é, manifesta a Misericórdia, o Poder, a Benevolência e a Verdade d’Ele – todos os sublimes atributo estão sumariados nos Seus Magníficos Nome (ver os versículos 180 da 7ª Surata e 110 da 17ª Surata, e respectivas notas). Para o homem, contemplá-los, por si só já constitui uma revelação. Esta atitude mental dá abertura a cinco Suratas do Alcorão, igualmente distintas, a saber, a 1ª, 6ª, 18ª, 34ª, 35ª Suratas. Aqui, o ponto mais bem posto em destaque é que a Sua sapiência e misericórdia, que compreendem todas as coisas, avaliadas no tempo e no espaço – aqui, em todo lugar, agora e sempre.
  2. Um ignorante talvez pense que a água absorvida pelo solo ou que a semente semeada sob um torrão está perdida; contudo, a água forma incontáveis córregos e regatos, e alimente e sustenta um sem-número de raízes e de formas de vida, e faz com que surjam todas as espécies de vida vegetal. Assim acontece com as coisas que saem da terra: quem pode contar as miríades de formas de ervas e de árvores, que crescem e perecem, e, contudo, sustentam uma vida contínua, por eras e eras? Todavia, isto constitui simbolismo de outras coisas ou entidades que estão além do tempo e espaço, e além da forma material. Nós vemos o nascimento e a morte da parte animal do homem: quando ele está sepultado sob o solo, os ignorantes talvez pensem que é o fim dele. Porém, que incontáveis estágios ainda jazem à frente dele, quanto à vida interior e espiritual? E assim acontece com as formas platônicas das coisas: benevolência, virtude, misericórdia e as várias funções da alma. Estas jamais se perdem, mas elevam-se a Deus.
  3. O ferro, ou o aço é um material duro; no entanto, nas mãos de um artífice, se torna mole e maleável, sendo que com ele podem ser feitos instrumentos para a defesa da virtude. Estes, no sentido lato, são as cotas de malha e armaduras defensivas; e a confecção delas é tradicionalmente atribuída a Davi. Porém, para a guerra, tanto no mundo material como no mundo espiritual, a armadura é necessária, sendo que ela pode ser feita de alguns dos mais duros materiais da vida.
  4. No Antigo Testamento, Crônicas – II, Capítulos 3 e 4 –, estão descritos os vários materiais custosos, com os quais o Templo de Salomão foi erigido, sendo que foi ornado com vasos, candelabros, candeias, turíbulos etc.. "E fez Salomão todos estes vasos em grande quantidade, porque o peso do cobre não podia ser encontrado (Crônicas – II, 4:18).
  5. Mahráb (plural Máharib); traduzido por "arco", pode ser aplicado a qualquer estrutura arquitetônica fina, elevada e espaçosa. Como a referência aqui é ao Templo de Salomão, achamos que a palavra "arcos" fosse a mais apropriada. "Arcos" seriam os ornamentos estruturais do Templo. E as estátuas seriam como as imagens de bois e de querubins, mencionadas em Crônicas – II 4:3 e 3:14; as vasilhas (Crônicas – II 4:22) eram, talvez, os grandes pratos redondos, em torno dos quais os homens podiam sentar-se e comer, de acordo com um antigo costume oriental, enquanto as caldeiras ou potes (Crônicas – II 4:16) estavam fixadas num só lugar, sendo de capacidade tal, que não podiam ser removidas facilmente.
  6. A construção do templo constitui um grande evento para a história israelita. O lema aqui fornecido é "Trabalha!", porque somente assim poder-se-ia justificar a manutenção do Reino de Davi, que alcançou o seu fastígio sob o governo de Salomão. Sem trabalho, tanto literal como figurativamente, para os "efeitos virtuosos", todo aquele poder e toda aquela glória estariam fora de lugar, desapareceriam em poucas geração, juntamente com o declínio do espírito moral que estava por trás daquilo tudo.
  7. Este é o mesmo território e a mesma cidade, no Iêmen, mencionado no versículo 22 da 27ª Surata; ver a nota, aí, quanto à localização. Lá, o período foi o tempo de Salomão e da Rainha Bilquis. Aqui, trata-se de alguns séculos mais tarde. Era ainda um país próspero e feliz, amplamente irrigado pela represa de Marib. Suas estradas, e talvez os seus canais, eram marginados por jardins, de ambos os lados; em qualquer ponto dado, viam-se sempre dois jardins. O país produzia frutas, especiarias e olíbanos.
  8. Naquele feliz Jardim do Éden, que era a Arábia Feliz, entrou a insidiosa serpente da Descrença e da Injustiça. Talvez o povo se tornasse arrogante por causa da sua prosperidade, ou da sua ciência, ou da sua habilidade quanto à engenharia de irrigação, ou por causa das magníficas obras da barragem que seus antepassados construíram. Talvez se tivessem dividido em ricos e pobres, privilegiados e destituídos, gente fina e gente ínfima desconsiderando as dádivas, e fechando a porta às oportunidades, dadas por Deus, e todas as suas criaturas. Talvez tivessem desrespeitado as leis da própria natureza que os alimentava e sustentava. Então veio a Nêmesis; talvez viesse repentinamente, talvez vagarosamente. As águas contidas no lado oriental do planalto do Iêmen foram coletadas e confinadas pela Barragem de Maarib. Uma grande enchente aconteceu e a represa arrebentou e desde então nunca mais foi consertada. Essa foi uma colossal calamidade; isso talvez tenha sido precedido de e seguido por uma lenta seca no país.
  9. "Arim" (diques ou barragens) talvez tenha sido um substantivo próprio, ou talvez simplesmente signifique o grande trabalho de argila e pedras que formou a represa de Maarib, da qual traços ainda existem. O viajante francês T.J. Arnaud, em 1843, viu a cidade e as ruínas da Barragem de Maarib, e descreveu as obras gigantescas da barragem e das suas inscrições. A barragem, aquilatada por Arnaud, tinha 3 km e meio de comprimento e 36 m de altura. A data de sua destruição está estimada por volta do ano 120 d.C.
  10. o florescente "Jardim da Arábia" transformou-se num deserto. As exuberantes árvores frutíferas tornaram-se selváticas, ou cederam lugar a plantas selvagens de frutos amargos. As tamargueiras, levemente folhadas, que servem apenas para fazer varas e trabalhos de estaca, tomaram o lugar das plantas e flores fragrantes. Espécies raquíticas e agrestes de arbustos espinhentos, como o loto silvestre, que não serviam para dar frutos nem fazer sombra, cresciam, em lugar das romãzeiras, das tamareiras e dos vinhedos. O loto pertence à família Rhammacea Zizyphus Spina Christi, da qual (é suposto) a coroa de espinhos de Cristo foi feita. Agreste, ele é arbustiforme, espinhento e inútil; cultivado, produz bons frutos, alguma sombra, e pode ficar sem espinhos, tornando-se desse modo um símbolo da bênção celestial (versículo 28 da 56ª Surata).
  11. Um exemplo agora é dado da espécie de cobiça da parte do povo de Sabá, que arruinou a sua prosperidade e o seu comércio, e cortou as suas próprias gargantas. A velha rota do incenso era a grande Estrada (sabil muquim – 76 da 15ª Surata) entre a Arábia e a Síria. Através da Síria ela se comunicava aos grandes e florescentes reinos dos vales do Eufrates e do Tigre, de um lado, e ao Egito de outro, e ao grande Império Romano, em torno do Mediterrâneo. No outro extremo, através da costa do Iêmen, a estrada se comunicava, por transporte marítimo, com a Índia, Malásia e China. A estrada Iêmen-Síria era muitíssimo movimentada, e Madain Salih era uma das estações da rota, depois na rota dos peregrinos. A Síria era a terra na qual Deus "derramara as Suas bênçãos", pois era um país rico e fértil, onde Abraão vivera; inclui a Terra Santa da Palestina.
  12. Há seis proposições, aqui introduzidas pela palavra "Dize", nos versículos 22, 24, 25, 26, 27, e 30. Elas claramente explicam a doutrina da Unidade (versículo 22), da Misericórdia de Deus (versículo 24), da Responsabilidade Pessoal do homem (versículo 25), da Justiça Final (versículo 26), do Poder e da Sabedoria de Deus (versículo 27) e da Inevitabilidade do Julgamento, pelo qual os verdadeiros valores serão restabelecidos (versículo 30).
  13. Para os idólatras todas as escrituras constituem tabus, quer se trate do Alcorão ou de qualquer Revelação que veio antes dele. O povo do Livro desprezava os idólatras; porém, na sua arrogante presunção de superioridade, não permitia, por seu exemplo, que fosse aceita a derradeira e universalíssima Escritura que veio na forma de Alcorão. Esta posição de homens que se jactam do seu conhecimento, e dos homens que eles espezinham, exploram e desviam, sempre existiu na terra. Mencionamos o povo do Livro e os árabes pagãos, por questão de mera ilustração.
  14. Trata-se dos mais inteligentes, que exploram os mais fracos, e estão constantemente maquinando, noite e dia, no sentido de manter os últimos ignorantes, sob o seu jugo. Os primeiros que mostram os caminhos do mal, porque, por esse meio, os segundos estão mais em sue poder.
  15. Wali, em árabe, pode significar amigo, tanto no sentido de protetor e benfeitor, como no sentido de bem-amado. Os laços de benevolência, de confiança e de amizade estão implícitos, tanto ativa como passivamente. Os anjos primeiramente proclamaram a sua dependência quanto a Deus, e a necessidade da Sua proteção, e então desmentem qualquer idéia de terem protegido ou encorajado os falsos adoradores a adorarem outros seres, que não Deus. Eles vão além, e dizem que quando os homens pretendiam adorar os anjos, eles adoraram, não anjos, mas gênios (ver a nota seguinte).
  16. Para gênios, ver o versículo 100 da 6ª Surata, e respectiva nota. Os falsos adoradores pretendiam adorar os brilhantes e radiantes anjos do bem, mas na realidade, adoravam as escuras e ocultas forças do mal – os demônios escondidos neles mesmos, ou na vida em torno deles. Eles confiavam e acreditavam nas tais forças do mal, embora essas forças não tivessem realmente poder algum.
  17. Passando dos povos anteriores aos antepassados imediatos, o Povo do Livro, ou Povo de Sabá, e o Povo de Ad, e o Povo de Samud, todos haviam recebido favores e dádivas, poderes e riquezas, dez vezes maiores do que os que eram desfrutados pelos coraixitas pagãos. Contudo, quando eles deram as costas a eles; e que terríveis conseqüências se desencadearam sobre eles, quando eles perderam a Graça de Deus! Isto deve fazer com que todos abram os olhos, e não menos a posteridade do Mensageiro Mohammad, caso se esqueçam da Verdade de Deus, porquanto tal posteridade tem recebido um elevado Ensinamento!
  18. Note-se que nos versículos 46,47, 48, 49 e 50, os argumentos são sugeridos ao Profeta, dizendo que com eles ele poderia convencer qualquer homem bem intencionado, quanto à sua sinceridade e veracidade. Aqui o argumento é que ele não está possesso ou louco. Se ele é diferente dos homens comuns é porque ele tem de apresentar um escarmento do terrível perigo espiritual às pessoas que ama, mas que não entende a sua Mensagem.
  19. Professarão então a sua fé na verdade, mas que valor terá tal profissão? A fé é uma crença no incognoscível. Então tudo estará claro e em aberto perante eles. A posição na qual poderiam ter recebido a fé é deixada distante, atrás deles, sendo que a Verdade lutava e pedia ajuda ou asilo, e eles cruel, arrogante e insultantemente a repudiaram.
  20. Não rejeitaram apenas a Verdade do Incognoscível (a verdade Realidade), mas espalharam todo o tipo de falsas e maliciosas insinuações contra os divulgadores da verdade, chamando-os de pessoas desonestas, mentirosas, hipócritas etc. fizeram o papel do covarde que, de uma posição sorrateira, distante da luta, arremessa flechas em direção a um alvo distante.
  21. Note-se que os versículos 51-54 constituem uma poderosa descrição do conflito entre o certo e o errado, e podem ser entendidos como possuindo muitos significados: (1) a descrição se aplica à posição na Vida Futura, comparando-se com a posição nesta vida; (2) aplica-se à posição do triunfal Islam em Madina, e mais tarde, em comparação à posição do perseguido Islam dos primeiros dias, em Makka; (3) aplica-se, ainda, à reversibilidade da posição do certo e do errado, em várias fases da história do mundo, ou (4) da história individual.
 

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