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  1. À medida em que o conhecimento do homem, quanto aos processos da natureza, avança, ele vê quão complexa é a evolução da própria matéria, deixando de lado a questão da origem da vida e das forças espirituais, questão essa que está além da argúcia da ciência experimental. Contudo, esse próprio conhecimento torna-se uma espécie de "véu de luz"; o homem se torna cônscio das suas causas próximas, e fica afeito, em seu orgulho, a se esquecer da Causa primeva, a Causa das Causas, a primordial mão de Deus na Criação. E então a criação se torna um processo complexo. A palavra fatara, aqui usada, significa a criação da matéria primeva à qual ulteriores processos criadores têm de ser acrescentados pela mão de Deus, pois Deus "aumenta a criação conforme Lhe apraz", não apenas em quantidade, mas em qualidade, funções, relações e variações, de infinitos modos.
  2. A alegoria, aqui, é dupla: (1) o adusto e não-promissor solo talvez pareça, para todos os intentos e propósitos, morto; não há manancial de água por perto; a umidade é sugada pelo calor do sol, num oceano longínquo, e as nuvens são formadas; os ventos aparecem; mas é realmente a providência de Deus que dirigem os ventos para a terra morta; a chuva cai, e eis que há vida e movimento e beleza por todo lado! Assim também, no mundo espiritual, a Revelação de Deus e a Sua Misericórdia são a Sua Chuva; pode ser que haja a ressurreição individual (Nuxur), ou o desabrochamento da alma; (2) assim, outra vez, poderá dar-se à Ressurreição geral (Nuxur), o desabrochar de um novo Mundo no Porvir, tirado de um velho Mundo, que foi envolvido e morto (Takwir, Surata 81ª).
  3. Comparar com o versículo 37 da 18ª Surata, e respectiva nota. Aqui o argumento é de que a origem material do homem é reles; seu corpo físico nada mais é do que pó; seu esperma sai de uma parte do seu corpo, a qual ele esconde, considerando-a um lugar de vergonha; e o mistério do sexo mostra que nenhum indivíduo, em toda a humanidade, é por si só suficiente. A glória, o poder e o conhecimento não estão com ele, mas com Deus tão-somente, do Qual ele tira qualquer glória, ou poder, ou conhecimento que possui.
  4. "Então", nesta e na cláusula seguinte, refere-se, não aos estágios do tempo, mas aos estágios do argumento. É quase equivalente a "ainda mais", "também" e "em adição".
  5. O grande oceano salgado, com seus mares e golfos, é um só; e as grandes massas de água potável dos rios, dos lagos, das lagoas e dos veios subterrâneos, são também uma só; e uma é ligada à outra pela constante circulação que se dá, com o sol a provocar os vapores, e os ventos a carregarem-nos para as nuvens que então fazem descer a chuva, ou a neve ou o granizo, que se misturam com os rios, com os regatos, e voltam ao Oceano.
  6. Tais como pérolas e corais, vindos do mar, e pedras delicadamente coloridas, como a coralina, a ágata, a pepita, ou outras variedades de seixos de quartzo encontrados nos leitos dos rios. A areia de alguns rios apresenta, ainda, quantidades diminutas de ouro. Nos rios largos e navegáveis e nos grandes lagos, como aqueles da América do Norte, bem como no mar, estão as rotas para os navios mercantes.
  7. Comparar com o versículo 2 da 13ª Surata. A posição da Terra, em relação ao Sol, determina as estações, e o Sol constitui a fonte de energia e de vida material para todo o sistema solar. O sol e a lua se movem segundo leis estabelecidas, e assim continuarão, não para sempre, mas por um período apontado por Deus, para a sua duração.
  8. Kitmir: a pele fina e branca, que cobre o caroço da tâmara. Não tem consistência, nem textura, e também não tem valor algum. Qualquer um que se apoie em outro poder que não o de Deus, apoia-se em nada. O Kitmir vale monos do que o proverbial "vintém furado". Comparar com os versículos 53 e 124 da 4ª Surata, onde a palavra nakir (a ranhura de um caroço de tâmara) é similarmente usada para especificar uma coisa de nenhum valor ou significância.
  9. Pecador: Hámilatun: feminino, em árabe, referindo-se à alma (nafs), como no versículo 164 da 6ª Surata.
  10. O relacionamento natural pode ser considerado uma causa razoável, ou uma oportunidade para as pessoas carregarem os fardos umas das outras. Por exemplo, uma mãe ou um pai poderá oferecer-se para morrer por seu filho, e vice-versa. Porém, isso não se aplica aos assuntos espirituais. Aqui, a responsabilidade é estritamente pessoal, e não pode ser transferida para outra pessoa.
  11. Todos podem ver o espírito artístico de Deus a produzir, com a chuva, a maravilhosa variedade de cereais e frutos – dourados, verdes, vermelhos e amarelos –, mostrando todas as maravilhosas cores em que podemos pensar. E todos eles passam, na natureza, por uma ligeira variação de cores em sua transformação do estado embrionário para o estado de amadurecimento.
  12. Essas maravilhosas cores e matizes de cores podem ser encontrados não apenas na vegetação, mas também em rochas e em extratos minerais. Há os brancos veios do mármore, do quartzo e do gesso, a bauxita que se extrai da vermelha laterita, as rochas basálticas azuis, e todas as variedades, matizes e gradações de cores. Quanto às montanhas, nós as vemos com um "matiz azulado", à distância devido aos efeitos atmosféricos, que levam os nossos pensamentos à glória das nuvens, do pôr-do-sol, da luz zodiacal, da aurora boreal, e de todos os espetáculos exuberantes da natureza.
  13. Nas formas físicas da vida humana e animal, nós também constatamos variações de matizes e graduações de cores de toda a espécie. Porém, conquanto essas variações e graduações possam ser maravilhosas, nada são, comparadas com as variações e diferenças que existem no mundo interior ou espiritual.
  14. Os custódios do Alcorão, após o Mensageiro, foram os povos do Islam. Eles foram escolhidos para o Livro, não num sentido restrito, mas no sentido de que o Livro lhes foi dado, para que eles ficassem encarregados de preservá-lo e propagá-lo, para que toda a humanidade o recebesse. Mas isso não quer dizer que eles foram e são todos fiéis ao seu encargo, como deveras vemos mui lamentavelmente, em nosso meio, hoje. Assim como os humanos foram coletivamente escolhidos para serem "os legatários de Deus" – e alguns se deram ao mal –, também alguns, na casa do Islam, deixaram de seguir a Luz que lhes foi dada e, desse modo, "se condenaram"; porém, alguns seguem um curso intermediário; no caso destes, "o espírito está inclinado, mas a carne é fraca"; suas intenções são as melhores, mas têm de aprender, ainda, com os verdadeiros muçulmanos e com as virtudes muçulmanas. Há ainda uma terceira classe: podem não ser perfeitos, mas tanto suas intenções como suas condutas são irrepreensíveis, e eles constituem um exemplo para os outros homens; eles "se emulam na beneficência". São assim, não por seus próprios méritos, mas pela Graça de Deus. E eles alcançaram o mais alto desiderato – a salvação, que é tipificada pelas várias metáforas que se seguem.
  15. Comparar com os versículos 31 da 18ª Surata e 23 da 22ª Surata.
  16. Em primeira instância, isto se refere aos coraixitas. Suas atitudes para com o Povo do Livro eram de empertigada superioridade e de desculpas insinceras. Eles criticavam os judeus e os cristãos, por estes se terem desviado da sua própria luz e das suas próprias revelações; e quanto a eles mesmos, disseram que não haviam recebido nenhuma revelação direta de Deus, ou ter-se-iam mostrado os mais moldáveis à disciplina, os mais prontos a seguirem a lei de Deus. Isto aconteceu antes de o Profeta do Islam receber de Deus a sua missão. Quando ele a recebeu, e a anunciou, eles lhe voltaram as costas. Fugiram dela e estabeleceram uma distância cada vez maior entre eles e ela. Mas é esta a maneira dos pecadores. Eles têm muito o que criticar nos outros, e muito o que desculpar em si mesmos. Porém, quando todos os termos de desculpas estão esgotados, eles se encontram cada vez mais longe da verdade e da virtude.
  17. As leis de Deus são fixas e Sua maneira de tratar aqueles que seguem a iniqüidade é a mesma, em todas as épocas. Nossa vontade humana pode sair do seu curso, mas a Vontade de Deus seguirá sempre o seu curso, e não poderá ser desviada por nenhuma causa.
  18. Se nenhum outro argumento convencer os que seguem o mal, que eles percorram a terra por algum tempo e aprendam com a experiência dos outros. O mal sempre terá um final maldoso. Que nenhum indivíduo ou geração pense que poderá escapar, utilizando-se de algum estratagema. Pessoas bem mais sábias e mais poderosas foram chamadas a prestarem contas pelas suas iniqüidades.
  19. Um só ser; isto talvez se refira ao homem, criatura viva, que caminha com tantas possibilidade e, contudo, com tamanha fraqueza. Porém pode significar, literalmente, todas as criaturas, uma vez que a vida neste planeta gira mais ou menos em torno da vida do homem. Tem-lhe sido conferido o domínio, nesta terra e, em estado de pureza, ele é legatário de Deus.
 

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