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  1. Os três atos, nos versículos 1-3, são consecutivos, como é mostrado pela partícula fa. Nós os compreendemos como querendo dizer que os anjos e os bondosos estão prontos a se alinhar nas fileiras, para o serviço de Deus, e atuam em perfeita disciplina, e de acordo com todos os tempos; que eles interceptam e frustam o mal onde quer que o encontrem, e, ao fazê-lo, são revigorados pela sua disciplina e pelo fato de se alinharem em fileiras, e que tal serviço faz propaganda do Reino de Deus e proclama a Sua Mensagem e a Sua glória para toda a criação.
  2. A Mensagem divina é sumariada no evangelho da Unidade Divina, no qual a maior ênfase é dada: "Em verdade, vosso Deus é Único". Esse é um fato que está intimamente ligado à nossa própria vida e ao nosso próprio destino. "Vosso Senhor é aquele Que vela por vós; sois caros a Ele. E Ele é o Único; é tão-somente Ele que deveis procurar, pois Ele é a fonte de todo o bem, de todo o amor e de todo o poder. Vós não sois companheiros de tantos que lutam contra as forças ou contra chances cegas. Há uma completa harmonia e unidade no céu, e vós vos deveis colocar em uníssono com ela, isso por meio da disciplina nas fileiras, por meio da unidade de plano e propósito, repelindo o mal, encetando uma ação que promova o Reino de Deus. "Eis aqui o mistério da múltipla variedade da criação, que converge para a Unidade absoluta do Criador.
  3. Essa Unidade compreende tudo quanto existe – os céus e a terra, e tudo quanto há entre ambos. Porque Ele é o Senhor dessas coisas. Ele é o Senhor dos Macháric (de todos os pontos em que o sol se levanta). Como os cientistas nos contam, há , no ano, apelas dois equinócios, dias em que o sol se levanta no leste; em cada um dos outros dias o sol nasce numa posição cambiante, quer mais a nordeste, quer mais a sudeste.
  4. Esse está situado abaixo do céu elevado, o Empíreo - a esfera de foto (Gurrat-un-nar), o assento, supomos, dos celícolas (de anjos), mencionados no versículo 8, diante. Nas imaginações poéticas do Oriente e do Ocidente, há os sete céus dos planetas do sistema solar; acima deles está a esfera de estrelas fixas; acima desta está a esfera cristalina, equilibrando outros movimentos; mais acima, ainda, está o premum-mobile (o primeiro a se mover), a fonte dos movimentos celestiais; e acima de tudo, o Empíreo. Os atros e os planetas, por conseguinte, encontram-se nos céus inferiores. A mesma imaginação será encontrada em Dante.
  5. "Estrelas", pode ser tomado aqui no sentido popular, como referindo-se às estrelas fixas, aos planetas, aos cometas, às estrelas cadentes etc. Numa noite límpida, a beleza de um céu estrelado é proverbial. Eis que as estrelas podem ilustrar dois pontos: (1) sua maravilhosa beleza, seu agrupamento e movimento (aparente ou real), manifestando e tipificando o Desígnio e a Harmonia do Único e Verdadeiro Criador; e (2) o poder e a glória, atrás delas, especificam que há uma salvaguarda contra as investidas do Mal.
  6. Isto é, se suas esposas também eram iníquas. Elas são mencionadas em separado, porquanto o termo árabe para "iníquo" é do gênero masculino. Todos os associados na iniqüidade serão mesclados. Haverá a responsabilidade pessoal, nem o marido, nem a esposa, poderão pôr a culpa um no outro.
  7. Frutos: comparar com o versículo 57 da 36ª Surata. Os prazeres espirituais estão delineados seguindo as experiências paralelas na nossa vida presente, e seguem uma ordem ascendente: alimento se frutas; jardins da bem-aventurança; o lar da felicidade e dignidade, com companhia apropriada, bebidas deliciosas, de fontes cristalinas, para o prazer social; e a companhia do sexo oposto, com beleza e charme, mas sem nenhuma grosseria, muitas vezes incidentais a tais companhias nesta vida.
  8. No emblema usado aqui, então, o tipo puro do sexo feminino casto é configurado. Elas são castas, tímidas em seus olhares; contudo, seus olhos são grandes, portentosos e belos, prefigurando graça, inocência e uma refinada capacidade de apreciação e admiração.
  9. Isto é costumeiramente entendido como referindo-se à delicada tez de uma mulher bela, a qual é comparada à transparente concha de ovos de um ninho, guardada de perto pelo pássaro-mãe, a concha é cálida e limpa. No versículo 58 da 55ª Surata, a frase usada é "Parecem-se com o rubi e com o coral", referindo-se ao vermelho ou cor-de-rosa de uma bela cútis.
  10. O companheiro era um cético, quereria da religião e do outro mundo. Como tudo muda!, o devoto tempera a sua fé com uma bela vida e está agora em bem-aventurança. O outro era cínico e estragou a sua e está agora queimando no fogo do inferno.
  11. O Dilúvio, a Inundação de Noé. A história principal será encontrada nos versículos 25-48 da 11ª Surata.
  12. Seu nome é sempre lembrado; ele deu início a uma nova era na história religiosa! Nota-se que as palavras dos versículos 78-81, com pequenas modificações, formam uma espécie de refrão aos parágrafos que se seguem, sobre Abraão, Moisés e Elias, mas não sobre Lot e Jonas. Lot era sobrinho de Abraão, e supõe-se que faça parte da história de Abraão. A carreira de Jonas quase terminou em tragédia para ele, e, ao seu povo, foi dada uma concessão de poder "por algum tempo" (versículo 148 desta surata). E tanto Lot como Jonas pertencem a uma limitada tradição local.
  13. A história do Dilúvio é encontra, de uma forma ou de outra, em todas as nações, e não apenas entre aquelas que seguem a tradição mosaica. Na tradição grega, o herói do Dilúvio é Deucalião, com sua esposa Pirra. Na tradição hindu (Chatapaça Brahmana e Mahabhrata), há a saga de Manu e do Peixe. A tradição chinesa de uma grande inundação é registrada em Chu-King. Entre os índios americanos, a tradição era comum a muitas tribos.
  14. Esta foi a hégira de Abraão. Ele abandonou seu povo e a sua terra, porque a verdade lhe era mais cara do que as falsidades ancestrais de seu povo. Ele se confiou a Deus e, sob a Sua diretriz, lançou as fundações de grandes povos (ver a nota do versículo 69 da 21ª Surata).
  15. Isto ocorreu no solo fértil da Síria e da Palestina. O menino, dessa forma nascido, era, de acordo com a tradição muçulmana, o primogênito de Abraão, a saber, Ismael. O nome provém da raiz Samiá (ouvir), porque Deus havia ouvido a súplica de Abraão (versículo 100). A idade de Abraão, quando Ismael nasceu, era 86 anos (Gênesis, 16:16).
  16. Onde ocorreu esta visão? O ponto de vista muçulmana é que foi em Makka ou perto dela. Alguns identificariam o local como sendo o vale de Mi na, cerca de 9 km ao norte de Makka, onde um sacrifício comemorativo é anualmente levado a efeito, como um ritual do Hajj, no décimo dia de Dul-Hijja, o dia do Sacrifício, o Eid (festa) do sacrifício de Abraão e Ismael. Outros dizem que o local original do sacrifício foi perto do monte Almarwa o qual está associado à infância de Ismael.
  17. A nossa versão pode ser comparada com a versão judaico-cristã do Antigo Testamento vigente. A tradição judaica, a fim de glorificar o ramo mais jovem da família, que descendia de Ismael, ancestral dos árabes, atribui esse sacrifício como sendo de Isaac (Gênesis, 22:9 e 10). Ora, Isaac nasce quando Abraão tinha 100 anos (Gênesis 21:5), ao passo que Ismael nasceu quando Abraão contava 86 anos de idade (Gênesis 16:16). Ismael era, portanto, 14 anos mais velho do que Isaac. Durante os seus primeiros 14 anos de vida, Ismael foi o único filho de Abraão: em tempo algum foi Isaac filho único de Abraão. No entanto, falando do sacrifício, o Antigo Testamento diz (Gênesis 22:2): "E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaac, a quem amas, e vai-te para a terra de Moriá, e oferece-o em holocausto sobre uma das montanhas..." Este desliza mostra, de qualquer forma, qual era a versão mais velha, e como foi elaborada nos presentes registros judaicos, e nos interesses de uma religião tribal. O termo "terra de Moriá" não está claro; ela ficava a três dias de viagem do local onde estava Abraão (Gênesis 22:4). Há menos justificava em ela identificar-se com o Monte de Moriá, sobre o qual Jerusalém foi depois erguida, do que com o monte de Márwa, que é identificado com a tradição árabe acerca de Ismael.
  18. O adjetivo que qualifica "sacrifício", aqui, azim (grande, importante), pode ser entendido, tanto no sentido literal, como no figurado. No sentido literal, compreende-se que uma ovelha ou um carneiro de boa qualidade foi simbolicamente posto em substituição. O sentido figurado é ainda mais importante. Foi deveras uma grande e importante ocasião, em que dois homens, de comum acordo, "alinharam-se nas fileiras" daqueles para os quais a dedicação a serviço de Deus era a coisa suprema da vida. Porém, note-se que o resgate e a consumação do sacrifício não foram realizados pelos homens, mas por Deus. Deus quer a nossa boa vontade e devoção, não necessariamente as nossas vidas, num sacrifícios físico. Ele encontrará meio, se nos oferecermos a Ele, de nos usar, não para a nossa destruição, mas para o nosso avanço adicional.
  19. A história de Moisés é narrada em numerosas passagens do Alcorão. As passagens mais ilustrativas da presente passagem poderão ser encontradas no versículo 4 da 28ª Surata (a opressão do povo egípcio) e nos versículos 77-79 da 20ª Surata (o triunfo dos israelitas sobre os seus inimigos, quando os últimos foram afogados no Mar Vermelho).
  20. Os israelitas foram agraciados, em três etapas, como é mencionado nos versículos 114, 115 e 116, respectivamente. Mas a consumação da graça de Deus foi (versículos 117-118) a Revelação dada a eles, que os guiou pela senda reta, Revelação que preservaram intacta e lhes seguiram os preceitos. As três etapas eram: a Divina Missão de Moisés e Aarão, a libertação do cativeiro; o triunfo de cruzarem o Mar Vermelho e a destruição do exército do Faraó.
  21. Ver a nota do versículo 85 da 6ª Surata. Elias é o mesmo que Elijá, cuja história pode ser encontrada no Antigo Testamento, em I Reis, 17-19, e II Reis, 1:2. Elijá viveu no reino de Ahab (896-874 a.C.) e Ahaziah (874-872 a.C.), reis do reino (setentrional) desde Israel ou Samaria. Ele era um profeta do deserto, tal e qual João Batista – diferente do nosso Profeta do Islam, que tomou parte, controlou e guiou todos os assuntos do seu povo.
  22. Baal, o deus-sol, cultuado na Síria. O culto incluía a adoração das forças da natureza e dos poderes procriadores, dando margem a que seus seguidores cometessem muitos abusos.
  23. Eles o perseguiram, e ele teve de fugir para salvar a vida. Finalmente, ele desapareceu de modo misterioso.
  24. Iliasin talvez seja uma forma alternativa de Ilias (versículo 20 da 23ª Surata) e de Sinin (versículo 2 da 95ª Surata). Ou pode ainda ser o plural de Ilias, significando "pessoas como Ilias".
  25. Comparar com o versículo 76 da 15ª Surata, e respectiva nota. O trato do território, onde eles se situavam é na estrava para a Síria, onde as caravanas árabes passavam regularmente "ao amanhecer e ao anoitecer". Não poderiam, as gerações futuras, aprender a lição da destruição daqueles que procederam erroneamente?
  26. Para passagens mais ilustrativas, ver os versículos 87-88 da 21ª Surata, e respectiva nota, e 48-50 da 68ª Surata. A missão de Jonas era com respeito à cidade de Nínive, então afundada em corrupção. Ele foi rejeitado, pois anunciou a ira de Deus sobre eles; mas eles se arrependeram e obtiveram o perdão de Deus. Jonas, porém, "partiu, bravo" (versículo 87 da 21ª Surata), esquecendo-se de que Deus possui misericórdia, bem como perdão. Ver as notas seguintes (comparar com o versículo 98 da 10ª Surata, e respectiva nota).
  27. Jonas fugiu para Nínive. Ele poderia ter ficado em seu posto, e fundido sua vontade com a Vontade de Deus. Ele se apressou em sair e tomar uma embarcação, como se pudesse escapar o Plano de Deus!
  28. A embarcação estava lotada e encontrou mau tempo. Os marujos, de acordo com a sua superstição, queriam encontrar aquele que seria responsável pela má sorte; um escravo fugitivo causaria tal má sorte. A sorte caiu em Jonas, e ele foi atirado para fora.
  29. Os rios da Mesopotâmia têm alguns peixes grandes. A palavra, aqui usada, é Hut, que pode ser um peixe ou um crocodilo. Caso se tratasse de mar aberto, poderia ser uma baleia. A localidade não é mencionada; no Antigo Testamento é dito que ele tomou uma embarcação no porto de Jope (agora Jafa), no Mediterrâneo (Jonas, 1:3), que não distaria menos de 900 km de Nínive. O rio Tigre, mencionado por alguns dos nossos exegetas, é o mais provável, e contém peixes de extraordinário porte.
  30. Comparar com o versículo 89 desta surata. Sua estranha situação talvez tivesse feito com que ficasse doente. Ele queria ar fresco e solidão. Ele conseguiu ambos na planície aberta; e a copuda cabaceira, ou alguma árvore frutífera, como ela, forneceu-lhe tanto sobre como sustento. A cabaceira é uma plante trepadeira, que pode espalhar-se sobre qualquer telhado ou estrutura em ruínas.
  31. A cidade de Nínive era muito grande. O Antigo Testamento diz: "Era pois Nínive uma grande cidade de deus, a três dias de caminho"(Jonas, 3:3), em que estão mais de 120 mil homens..." (Jonas, 4:11). Em outras palavras, seu perímetro era de cerca de 73,5 km, e sua população era de mais de 120 mil habitantes.
  32. Eles se arrependeram e creram, e Nínive adquiriu uma nova fase de vida. Quanto às datas que podem ser postas em relação com Jonas, e às vicissitudes da história da cidade, como sede do Império Assírio, ver as notas do versículo 98 da 10ª Surata. As lições tiradas da história de Jonas são: (1) que homem algum pode arrogar-se o direito de julgar a ira ou a misericórdia de Deus; (2) que, não obstante, Deus perdoa o verdadeiro arrependimento, seja num homem virtuoso, seja numa cidade iníqua e (3) que o Plano de Deus sempre prevalecerá, e jamais poderá ser derrotado.
  33. Iniciamos um novo argumento aqui. Os árabes pagãos chamavam os anjos de "filhas de Deus". Eles próprios ficavam envergonhados de ter filhas, preferindo ter filhos, os quais lhes acrescentariam poder e dignidade (ver os versículos 57-59 da 16ª Surata, e respectiva nota). No entanto, inventaram filhas para Deus!
  34. Os anjos são, pelo menos, seres puros que estão a serviço de Deus. As superstições idólatras, porém, não apenas os ligavam a Deus, dizendo que eram Suas filhas, mas ainda relacionavam Deus com todas as espécies de espíritos, bons ou maus! Em algumas mitologias, os poderes mais malignos são deuses ou deusas, como se eles pertencessem à família de Deus, o Criador, e tivessem alguma semelhança com Ele. Isto também é repudiado, nos mais enérgicos termos.
  35. Para rematarmos o argumento da surata, voltamos à idéia com a qual ela começou. Os enfileirados, para a prática unida do serviço de Deus (ver o versículo 1, desta surata) – quer sejam anjos ou homens –, estão felizes em conservarem a sua posição e executarem tudo o que lhes é ordenado. Não é da sua conta questionarem o Plano de Deus, porque sabem que é bom, e que no fim triunfará. Qualquer demora aparente não os preocupa, e nunca falsearão na sua posição.
  36. Este versículo e o seguinte são repetições dos versículo 174-175, com uma pequena alteração verbal. O argumento, nos versículos 176-177, conduziu a um novo ponto. Quando termina, a repetição nos leva de volta ao argumento principal, e remata toda a surata.
 

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