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1377-x. Sad é uma letra do alfabeto árabe. Quanto a esta letra particular, ver o segundo parágrafo da nota do versículo 1 da 7ª Surata. Dogmatismo algum nos é permitido, ao tentarmos interpretar as letras abreviadas. Mas é aventado que ela possa substituir a palavra quissas (Histórias), na qual a consoante dominante é S. porque esta surata é, principalmente, relacionada com as histórias de Davi e Salomão, ilustrativas das relativas posições dos poderes espirituais e terreno. A nota de George Sale, diz que ela pode representar "Salomão", constitui erro clamoroso, uma vez que a letra árabe Sad não aparece no nome Salomão.

1378-x. Quando no início do Islam, a sua mensagem estava sendo pregada, e o Pregador e seus seguidores estavam sendo perseguidos pelos pagãos, um dos expedientes adotados pelos líderes pagãos consistia em fazer com que o tio do Profeta, Abu Tálib, denunciasse ou renunciasse ao seu querido sobrinho. Uma conferência com Abu Tálib foi realizada, para tal propósito. Com o fracasso dessa empresa, os líderes foram embora e começaram a fazer desacreditar o grande movimento, anunciando falsamente que ele era contrário à influência pessoa, e estava fadado a pôr o poder nas mãos do Profeta. A conversão de Ômar ocorreu no sexto ano da Missão (sete anos antes da Hégira). As circunstâncias, ligadas a isso, alarmaram grandemente os chefes coraixitas, os quais, ávidos por autocracia, procuraram confundir a ocorrência, acusando o Pregador Virtuoso de conspirar contra o poder deles.

1379-x. O título do Faraó (Senhor das Estacas) denota poder e arrogância, das seguintes maneiras: (1) a estaca faz com que a tenda fique firme e estável, e é um símbolo de firmeza e estabilidade; (2) muitas estavas significam um campo e um numeroso exército para lugar; (3) espetar com estacas era uma punição cruel, imposta pelos Faraós, no seu arrogante orgulho e poder.

1380-x. Esta história ou parábola não é encontrada na Bíblia, a menos que a visão, aqui descrita, seja considerada equivalente à parábola de Natan, em Samuel 11 e 12. O exegeta Baidhawi parece ser a favor desse ponto de vista, mas outros o rejeitam. Davi era um homem religioso, e tinha uma câmara privada (mihrab), bem guardada para a oração e o louvor.

1381-x. Como foi afirmado na nota 1380-x, essa visão, com a sua moral, não é encontrada em lugar algum da Bíblia. Aqueles que acham que vêem uma semelhança com a parábola do Profeta Natan (Samuel, 12:1-17) nada têm em que se apoiar, a não ser na menção de "uma só" cordeira, aqui, e a "única cordeirinha", na parábola de Natan. Toda a história, aqui, é diferente, e toda a atmosfera é diferente. O título bíblico de "homem segundo o próprio coração de Deus", dado a Davi, é refutado pela própria Bíblia, no escandaloso conto dos crimes hediondos atribuídos a Davi nos capítulos 11 e 12 de Samuel II, a saber, adultério, trato fraudulento quanto a um de seus servos, a consumação do seu crime. Depois, no capítulo 13, temos a história concernente a estupros, incesto e fratricídio, na própria família de Davi! O fato é que passagens como essas constituem meras narrativas escandalosas, de crimes do mais horrendo caráter. A idéia muçulmana de Davi é a de um homem justo e reto, dotado de todas as virtudes, sobre quem o menor pensamento de auto-exaltação tem de ser banido, e trocado para o de arrependimento e perdão.

1382-x. A história não é encontrada no Antigo Testamento. Interpretamo-la de modo a significar que, como seu pai, Davi, Salomão era muito meticuloso, para não permitir que o menor motivo egoístico se misturasse com as suas virtudes espirituais. Ele adorava cavalos; possuía grandes exércitos e riqueza; mas usava-os para o serviço de Deus (comparar com os versículos 19 e 49 da 27ª Surata, e respectivas notas). Suas batalhas não eram travadas por sede de sangue, mas como Jihad, pela causa dos virtuosos. Seu amor pelos cavalos não era como um amor de um aperfeiçoado a corridas ou de um guerreiro; havia um elemento espiritual nisso. Ele tinha uma espécie de amor que era espiritual – o amor do mais alto bem.

1383-x. O "corpo sem vida", em seu trono, tem sido diversamente interpretado. A interpretação que mais nos parece razoável é que o seu poder terreno, apenas de grande, era como um corpo sem alma, a menos que fosse vivificado pelo Espírito de Deus. Porém, Salomão, voltou-se realmente a Deus, em verdadeira devoção, e o seu verdadeiro poder repousa nisso. Ele fez o melhor que pôde para cercear a idolatria, e completou o Templo de Jerusalém para o culto do Único e Verdadeiro Deus (ver a conversão, feita por ele, de Bilquis, a Rainha de Sabá – versículo 40 da 27ª Surata, e respectiva nota). Ver também o versículo 148 da 7ª Surata, onde a mesma palavra, Jassad, é usada em conexão com a imagem de um bezerro, que os israelitas fizeram para a adoração, na ausência de Moisés. Os homens podem adorar o poder terreno, como podem adorar um ídolo, pois há grande tentação em tal poder; porém, Salomão soube resistir a essas tentações.

1384-x. A aflição era de muitas espécies: física, mental e espiritual (ver a nota do versículo 83 da 21ª Surata). Ele tinha chagas asquerosas; havia perdido seu lar, suas posses e sua família; e quase perdeu o seu equilíbrio mental. Porém, não perdeu a Fé, mas voltou-se a Deus (ver o versículo 44, acima), e o processo recuperativo teve início.

1385-x. Com o processo recuperativo iniciado, foi-lhe ordenado que golpeasse a terra ou a rocha com os seus pés, para que uma fonte ou fontes surgissem, a fim de que ele tomasse banho e limpasse o seu corpo, para que refrescasse o seu espírito; e para que bebesse e se saciasse. Isto constitui um novo traço, que não é mencionado na 21ª Surata, nem no Livro de Jó, mas que engrandece magnificamente a nossa realização da imagem.

1386-x. Em sua pior aflição, Jó foi paciente e constante na fé, mas aparentemente, sua esposa não o foi. De acordo com o Livro de Jó (Jó, 2:9-10): "Então sua mulher disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre. Porém, ele lhe disse: Como fala qualquer das doidas, falas tu; recebemos o bem de Deus, e por que não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios." Ele deve ter dito à mulher, em sua precipitação, que bateria nela; é-lhe pedido, então, que a corrija apenas com um feixe de capim, para mostrar-lhe que ele é gentil e humilde, bem como paciente e constante.

 

  1. Isto mostra que o mundo material, me torno de nós, foi criado antes que Deus criasse o homem, e o alentasse com o Seu Espírito. A antropologia também mostra que o homem entrou em cena num estágio muitíssimo tardio da história deste planeta.
  2. Mutakalif: o homem que se atém a coisas que não são verdadeiras, ou que declara como verídicas coisas que não existem; aquele que toma sobre si tarefas que não lhe são devidas. Os verdadeiros profetas não são pessoas dessa espécie.
 

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