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  1. Constitui blasfêmia dizer-se que Deus gerou um filho. Se isso fosse verdade, Deus teria de ter tido uma esposa (versículo 101 da 6ª Surata), e Seu filho teria de ser da mesma espécie d’Ele; no entanto, Deus é Único, sem ninguém que se Lhe assemelhe (versículo 4 da 112ª Surata). Gerar é um ato animal, que corre paralelamente com o sexo. Como pode isso coadunar-se com a nossa concepção d’Aquele Que está acima de todas as criaturas? Se tal idéia blasfema fosse possível, ou seja, a de que Deus queria alguém para O ajudar, Ele certamente teria escolhido a melhor das Suas criaturas, em vez de Se rebaixar a um ato animal. Porém, glória a Deus! Ele está acima de tais coisas! Ele é Onipotente, não requer criatura nenhuma para O ajudar, ou para lhe trazer outras criaturas.
  2. Ver os versículos 143-144 da 6ª Surata, onde quatro espécies de gado são mencionadas, em pares, em conexão com certas superstições árabes, que são ali condenadas. Aqui, as mesmas quatro espécies são mencionadas, como representativas do gado domesticado, dado por Deus para ser útil ao homem. Trata-se das ovelhas, das cabras, dos camelos, dos bois. No idioma árabe, os cavalos não estão incluídos entre o "gado".
  3. Os três véus das trevas que cobrem a criança não nascida são o âmnio ou membrana, o útero e o ventre, onde se encontra o útero. Porém, devemos entender o numeral "três" no sentido cumulativo, e não no sentido numérico.
  4. A pior penalidade, no sentido espiritual, é causarmos o desprazer de Deus, da mesma forma que a mais alta façanha, a realização de todos os desejos, é a obtenção do aprazimento de Deus.
  5. Os exegetas constróem esta cláusula de duas maneiras alternativas: (1) se o termo "palavra" for tomado como qualquer palavra, a cláusula significará que os bondosos ouvem tudo o que lhe é dito, e escolhem o melhor; (2) se o termo "palavra" for tomado como sendo a palavra de Deus, significará que devem ouvi-la reverentemente, e, enquanto cursos permissivos e alternativos são permitidos para aqueles que não são suficientemente fortes para seguir o curso mais elevado, aqueles dotados de entendimento preferirão seguir o curso mais elevado de conduta. Por exemplo, é permitido que punamos (dentro dos limites) aqueles que nos fazem mal, embora a atitude mais nobre seja pagar o mal com o bem (versículo 96 da 23ª Surata); deveríamos seguir o curso mais nobre.
  6. Mi’ad: o tempo, o local e a maneira de se cumprir a promessa. A promessa de Deus será cumprida, em todos os seus pormenores, melhor do que possamos imaginar.
  7. O ciclo da água – pelo qual a chuva cai das nuvens, é absorvida pela terra, corre através de rios ou córregos subterrâneos para o mar, e novamente se eleva como vapor, e forma nuvens – já foi explicado nas notas do versículo 53 da 25ª Surata. Aqui, a nossa atenção é dirigida para uma parte do processo. A chuva fertiliza o solo e faz frutificar as sementes. Produtos de várias espécies aparecem. A safra amadurece e é colhida. As plantas murcham, secam e se desfazem. Homens e animais são alimentados. E o ciclo inicia-se novamente, em uma outra estação. Eis aí um Sinal da Graça e da Benevolência de Deus, claríssimo para aqueles que têm entendimento.
  8. Será que a palavra mutachabih deve ser entendida com o mesmo sentido do versículo 7 da 3ª Surata, onde nós a traduzimos por "alegóricos"? A melhor opinião é a de que há uma pequena diferença de significado aqui, como é sugerido pelo contexto da passagem anterior, onde a palavra era o oposto de Muh-kam;; aqui ela é contrastada ou comparada a Matani. O significado-raiz é: "que tem algo em comum, que funciona por analogia ou alegoria ou parábola; que tem as suas partes consistentes umas com as outras". Adotamos, aqui, o último significado. O Alcorão foi revelado em partes, em tempos diferentes. E, contudo, suas partes estão em conformidade umas com as outras. Não há contradição ou inconsistência em nenhum lugar.
  9. A pele constitui o revestimento externo do corpo. Ela recebe o primeiro choque, causando por qualquer coisa incomum, e treme, e, por fim, o pêlo se eriça, sob o excitamento. Assim, também, nos assuntos espirituais, o primeiro estímulo, causado pela Mensagem de Deus, é externo. Aqueles que recebem a Fé fazem-no com excitação, não com apatia. Porém, no estágio seguinte, ela penetra as naturezas externas deles, e vai diretamente aos corações. As suas naturezas são "abrandadas", para que recebam a Mensagem beneficente, transformando-os completamente.
  10. O pecado sempre traz desgraça e humilhação nesta vida, mas a verdadeira punição será na vida futura. Mas o homem não compreende a espiritualidade desse assunto. Se prosperar aqui, por algum tempo, pensa que poderá escapar da conseqüência real, na Vida Futura. Ou se sofrer uma pequena injúria, aqui, pensa que isso suprirá a penalidade, e que escapará à Vida Futura. Ambas as idéias estão erradas.
  11. A diferença entre o credo do politeísmo e o Evangelho da unidade é explicada com a alegoria de dois homens. Um pertence a muitos amos; este discordam entre si, e o pobre homem de muitos amos tem de sofrer, por causa das brigas dos muitos amos; essa é uma posição intolerável e insustentável. O outro homem serve a apenas um amo; este é bondoso, e faz tudo quanto pode pelo seu servo; o servo pode concentrar a sua atenção no seu serviço; ele é feliz, e o seu serviço é feito com eficiência. Pode, acaso, haver dúvida quanto a (1) qual dos dois é o mais feliz, e (2) qual dos dois ocupa uma posição mais natural? Ninguém pode servir a dois amos, muito menos a numerosos amos.
  12. O mistério da vida e da morte, do sono e do sonho, constitui um fascinante enigma cuja solução talvez esteja além da argúcia do homem. Uma vasta massa de superstição e de literatura psicológica cresceu com ele. Porém, a mais simples e verdadeira doutrina religiosa é apresentada aqui, em poucas palavras. Na morte, nós entregamos à nossa vida física, mas a nossa alma não morre; ela volta para um plano de existência, no qual fica mais cônscia das realidades do mundo espiritual: "Deus recolhe as almas".
  13. Comparar com o versículo 60 da 6ª Surata. Que é sono? No que concerne à vida animal, é a cessação do trabalho do sistema nervoso, embora as outras funções tais como a digestão, o crescimento e a circulação do sangue continuem, possivelmente num ritmo diferente. É o repouso do sistema nervoso, e, neste particular, isso é comum a homens e animais e, talvez, às plantas, se é que as plantas possuem um sistema nervoso. O processo mental (e certamente a volição) é também suspenso no sono, exceto pelo fato de que nos sonhos comuns há uma miscelânea de recordação, a qual freqüentemente apresenta vividamente às nossas consciências coisas que não acontecem ou não podem acontecer na natureza, como a conhecemos, com as nossas mentes coordenadas. Porém, há uma outra espécie de sonho que é mais rara: aquela em que o sonhador vê coisas como realmente acontecem, avançada ou recuadamente no tempo, ou em que indivíduos dotados vêem verdades espirituais, doutra forma imperceptíveis a eles. Como podemos explicar isso? É aventado que a nossa alma ou personalidade – aquele algo que está acima da nossa vida animal – está num plano de existência espiritual, que é parecido com a morte física (ver a nota anterior), onde estamos mais perto de Deus. Na imaginação poética, o sono é o "irmão gêmeo da morte".
  14. Sendo o sono o irmão gêmeo da morte, as nossas almas ficam por um tempo libertas do cativeiro da carne. Deus as recolhe por um tempo. Se, como acontece com alguns, viermos a morrer pacificamente durante o sono, a nossa lama não regressa ao corpo físico, e este se deteriora e morre. Se, como só acontecer, nós ainda tivermos um período de vida a cumprir, de acordo com o decreto de Deus, a nossa alma regressa ao corpo, e nós reassumimos as nossas funções desta vida.
  15. Ninguém poderá interceder por nós junto a Deus, exceto (1) com a Sua permissão, e (2) aqueles que se prepararam, através da penitência, par a aceitação de Deus. Mesmo nas cortes terrenas a intercessão não é permitida a qualquer um; o advogado deve se apresentar como tal, antes de poder parlamentar perante o juiz.
  16. Os mistérios da vida e da morte, da adoração, e do crescimento espiritual, são assuntos de alta importância, o que deve ser difícil de compreender nesta vida. É inútil argüirmos a respeito disso e mergulharmos em infinitas controvérsias. A atitude apropriada é apelarmos, humildemente, a Deus, para que aceite os nossos purificados corações e a nossa Fé, na firme esperança de qualquer coisa, atualmente vaga para nós, agora, seja esclarecida na Outra Vida.
  17. Mafazat: Lugar ou estado de segurança ou salvação, lugar ou estado de vitória ou realização. Isto é contrastado com a frustração, o fracasso e a perdição dos filhos do mal, o que se pode chamar de maldição, em frase teológica.
  18. A mensagem da Unicidade, renovada pelo Islam, tem sido a Mensagem de Deus, desde o início do Mundo.
  19. Sa’ica implica na idéia de desfalecimento ou perda de toda a consciência; implica na paralisação das funções normais da vida ou do sentimento. A metáfora significa que ao primeiro toque da trombeta da ressurreição, o mundo todo cessará de estar na forma e na relação que vemos agora; haverá um novo firmamento e uma nova terra; ver o versículo 48 da 14ª Surata; as almas humanas, naquele momento, ficarão atordoadas e perderão a memória ou a consciência de tempo, lugar e personalidade. Com o segundo toque, levantar-se-ão, num mundo novo; verão, com visão claríssima, e o julgamento começará.
  20. "Grupos", palavra-chave que fornece o nome desta surata.
  21. Estas são as palavras de abertura da 1ª Surata, e descrevem a atmosfera das benesses finais no Paraíso, à luz do Semblante do vosso Senhor, o Senhor do Universo.
 

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