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  1. Este versículo introdutório da surata é idêntico ao versículo introdutório da 57ª Surata. O tema de ambas as suratas versa sobre o maravilhoso Plano de Deus e a Sua Providência. A 57ª Surata refere-se à conquista de Makka e fornece lições de humildade. Esta, se refere ao desalojamento dos traiçoeiros judeus (os Banu Annadhir), do seu ninho de intrigas, na vizinhança de Madina, praticamente sem luta.
  2. Isto se refere aos Banu Annadhir, cujas intrigas e traições quase aniquilaram a causa islâmica, durante os perigosos dias da batalha de Uhud, no mês de Chawal, do ano 3 da Hégira. Quatro meses depois, foram tomadas medidas contra eles. Foi-lhe ordenado que abandonassem a posição estratégica que ocupavam, a aproximadamente 5 km de Madina, pondo em perigo a própria existência da comunidade local. No início eles se recusaram, confiando em suas fortalezas, em sua alianças secretas com os idólatras de Makka e nos hipócritas de Madina. Mas quando o exército muçulmano se concentrou para combatê-los, cercando-os por alguns dias, os seus aliados não levantaram um dedo para auxiliá-los e eles foram bastante inteligentes em partir. A maior parte deles se juntou aos seus irmãos na Síria, com a permissão dos muçulmanos. Outros se juntaram aos seus irmãos em Khaibar.
  3. Eles haviam feito um jogo duplo. Originariamente, eram aliados dos muçulmanos de Madina, mas secretamente participavam de intrigas juntamente com os idólatras de Makka e os hipócritas de Madina. Tentaram mesmo assassinar traiçoeiramente o Profeta, enquanto este lhes fazia uma visita, quebrando assim as leis da hospitalidade e do seu próprio juramento de aliança. Pensavam eles que os coraixitas de Makka e os hipócritas de Madina os ajudariam. Porém, não o fizeram. Pelo contrário, os onze dias de cerco mostraram-lhes a sua própria fraqueza. Seus suprimentos haviam sido cortados; e as exigências do cerco obrigaram à destruição dos seus pomares, e a reviravolta da sua sorte desanimou-os. Seus corações ficaram abatidos, pelo terror, e eles tiveram de capitular. E além de tudo, destruíram as suas próprias casas, antes de abandoná-las. Ver a nota seguinte.
  4. Suas vidas foram poupadas e foi-lhes dado um prazo de dez dias para se mudarem juntamente com suas famílias, podendo levar todos os apetrechos que pudessem carregar. Determinados a não deixar habitações para os muçulmanos, demoliram suas próprias casas e destruíram suas propriedades para completarem a devassa que as operações de guerra haviam causado pelas mãos das forças sitiantes muçulmanas.
  5. A punição dos Banu Annadhir foi devida à sua quebra de palavra dada ao Mensageiro, por terem resistido à aceitação da Mensagem de Deus, apoiado os inimigos desta Mensagem e se rebelado contra Sua Vontade Sagrada. Por tais razões a punição foi severa, apesar de, nesse caso, ter sido abrandada com misericórdia.
  6. O corte desnecessário de árvores frutíferas ou a destruição dos campos agrícolas, ou qualquer ato de devassidão, mesmo na guerra, é proibido pela lei e pelas práticas islâmicas. Todavia, alguma destruição se faz necessária para se pressionar o inimigo, e por isso é permitida. Porém, tanto quanto possível, mesmo com objetivos militares, tais árvores não devem ser cortadas. Ambos os princípios estão de acordo com a Vontade Divina e foram seguidos pelos muçulmanos em suas expedições.
  7. Os judeus vieram originariamente de fora da Arábia e se fixaram na terra próxima a Madina. Eles recusaram adaptar-se aos costumes dos povos da região, e foram, de fato, um espinho no flanco dos árabes de Madina. Sua disposição consistia na restauração das terras de seu povo original. Porém, a palavra "Fái" é aqui compreendida em seu sentido técnico, significando propriedade abandonada pelo inimigo, ou tomada dele sem uma guerra formal. Nesse sentido distingue-se de "Anfal", ou espólios, tomados depois de uma luta. Quanto a estes, ver os versículos 1 e 41 da 8ª Surata.
  8. Os moradores da cidades: As cidades eram as habitações dos judeus ao redor de Madina, e possivelmente de outras tribos, além da tribo de Banu Annadhir. A referência não deve ser sobre Wádi-il-Curá (Vale das Cidades), agora chamado de Madáin Saleh, que foi subjugado após Kaibar e Fadak, no ano 7 da Hégira, a menos que este versículo seja posterior ao resto da surata.
  9. Os migrantes são aqueles que abandonaram os seus lares e propriedades em Makka, com o intuito de darem assistência ao Profeta, na sua migração para Madina (Hijrat).
  10. Isto se refere aos Ansar (Socorredores), os habitantes de Madina que aceitaram o Islam, quando eles era perseguido, em Makka, e que convidaram o Profeta a juntar-se a eles, tornando-o o seu líder em Madina.
  11. Aqueles que os seguiram: o significado imediato pode ser "os que chegaram posteriormente a Madina", ou que aderiram posteriormente ao Islam, comparados com os primeiros migrantes. O significado geral, porém, poderia incluir todos os futuros adeptos do Islam.
  12. Os judeus de Banu Annadhir tinham a promessa dos hipócritas de Madina de que estes os apoiariam em sua causa. Eles pensavam eu a sua deserção da causa do Profeta poderia enfraquecer aquela causa, e que eles poderiam salvar os seus amigos. Porém, estes nunca tencionaram fazer nada que significasse um sacrifício para eles. Se eles tivessem auxiliado os seus amigos judeus, não havia certeza que estes fossem bem sucedidos; e mesmo se tivessem tido à luta com eles, não teriam nem valor, nem fervor para apoiá-los, e teriam fugido ignominiosamente, ante a disciplina, a seriedade e a fé dos muçulmanos.
  13. A referência é (talvez) aos judeus da tribo de Cainucá, que também habitavam uma cidade fortificada, perto de Madina. Eles também foram punidos com o banimento, pelas suas traições, aproximadamente um mês após a batalha de Badr, na qual os idólatras coraixitas haviam sofrido uma derrota significativa.
  14. Há duas idéias, associadas nas mentes humanas, a respeito de uma montanha: uma é a sua altura, e a outra são as suas rochas, pedras e a sua dureza. Daí a metáfora. A Revelação de Deus é tão sublime, que mesmo as montanhas mais altas se humilham perante ela. A Revelação é tão poderosa e convincente, que mesmo as rochas mais duras se desintegram perante ela.
  15. Aqui se segue uma passagem de grande sublimidade, recapitulando os atributos. Começamos com a proposição de que não há palavras adequadas para descrevê-Lo, e que só podemos chamá-Lo de "Ele" pois nada há que possa igualá-Lo. Pensamos em Sua Unicidade; todas as variadas e conflitantes forças na Criação são controladas por Ele, e não poderemos nunca captar uma verdadeira idéia d’Ele, a menos que compreendamos o significado místico da Unicidade. Sua onisciência se estende a tudo o que é visível e invisível, presente e futuro, próximo e distante, ser e não ser; de fato, estes contrastes, que se aplicam ao nosso conhecimento, não se aplicam a Ele. Sua clemência e misericórdia são ilimitadas. A menos que compreendamos isso, não teremos uma verdadeira concepção da nossa posição na atividade da Sua Vontade.
  16. Esta frase é uma repetição do versículo anterior para nos conduzir à complementação de alguns outros atributos de Deus.
  17. Como pode um tradutor reproduzir a sublimidade e compreensibilidade das magnificentes palavras árabes? "O Soberano", na nossa linguagem humana, implica na única autoridade inconteste; o poder que executa a lei e a justiça. A autoridade humana pode ser mal usada, mas o título "o Augusto" nós postulamos a um Ser livre de toda mácula ou maldade, e repleto de elevadíssima Pureza. Salam (Pacífico) não tem apenas a idéia de paz em oposição a conflito, mas de integridade em oposição a defeitos. Mu-min (Salvador), ou Aquele que considera a fé, que sustenta esta fé e por isso Ele salva a Seus servos.
  18. Sendo esses os atributos de Deus de divindade e Poder, quão tolo é o homem, em adorar outra coisa além d’Ele.
  19. Depois da referência aos atributos de benevolência e poder de Deus, temos agora os da Sua energia criativa, dos quais três aspectos são aqui mencionados. O ponto principal é que Ele não cria e abandona. Ele continua, evolvendo novas formas e cores, e sustentando todas as energias e capacidades, as quais Ele colocou em Sua criação, de acordo com várias leis, que estabeleceu.
  20. O ato ou os atos da criação têm vários aspectos e a várias pessoas palavras usadas nesta conexão são mencionadas nos versículos 117 da 2ª Surata, 94 da 6ª Surata, 98 da 6ª Surata. Khalaca é o termo geral para a criação e o Autor de toda a Criação é Khálic. Baraa implica um processo de evolução de uma matéria, ou estado, previamente criado. O Autor deste processo é Bári-u (Onifeitor). Sauara implica em dar forma definitiva ou cor, fazendo com que uma coisa se harmonize com um fim ou objetivo dado; daí o atributo Musauer (Formador).
  21. Assim, o argumento da surata retorna ao mesmo diapasão que ocorre no primeiro versículo da mesma. O primeiro versículo e o último são os mesmos, exceto no que diz respeito ao tempo do verbo sabbaha.
 

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