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  1. "Mulk": soberania, domínio, o direito de exercer a Sua Vontade ou de fazer o que deseja. A onipotência, mencionada na cláusula seguinte, é a Capacidade de exercer a Sua Vontade, de modo que nada possa resistir a ela ou neutralizá-la. Aqui, a beneficência é totalmente identificada com o domínio e com a onipotência, exemplificados nos versículos seguintes. Nota-se que Mulk, aqui, tem um perfil diferente da palavra Malakut. Ambas as palavras são da mesma raiz e as traduzimos, a ambas, pela palavra "soberania". Malakut, porém refere-se à soberania do mundo incognoscível, enquanto Mulk se refere à soberania do mundo cognoscível. Deus é o Senhor de ambos os mundos.
  2. Os céus, como aparecem às nossas vistas, parecem estar arranjados em camadas sobrepostas, e a astronomia antiga considerava os movimentos dos corpos celestes como um esquema elaborado de esferas. O que nos interessa, aqui, é a ordem e a beleza do espaço incomensurável e os maravilhosos corpos, que seguem leis regulares de movimento, no vasto espaço do mundo visível. Disto podemos formar uma concepção do mundo incognoscível, muitíssimo maior, para o qual necessitamos de uma especial visão espiritual.
  3. Retornando ao simbolismo do mundo exterior ou visível, somos impelidos a estudá-lo acuradamente e tão minuciosamente quanto possamos. Por mais perto que o observemos, não encontraremos fenda algum. Deveras, a região de averiguação é tão vasta, e se estende para tão longe da nossa percepção, que os nossos olhos, mesmo auxiliados pelos mais poderosos telescópios, se confessam incapazes, ao tentarem penetrar os seus mais profundos mistérios. Não encontramos defeitos na criação de Deus; encontramos, sim, falhas no nosso próprio poder de irmos além de um certo limite.
  4. A fantasia simbólica da perseguição das estrelas foi explicada em outros versículos. O simbolismo, aqui, nos conduz a um passo a mais. Vemos nos céus aparentes, perfeição e beleza. As luzes e o fogo, que vemos, são sagrados e benéficos. Mas se forem usados em magia, ou em superstições da nossa própria imaginação, não estaremos brincando com fogo?
  5. Os sinais de Deus não eram rejeitados ou desafiados, apenas; eram, negados categoricamente. Ainda mais, mesmo a sua possibilidade era negada. As pessoas de bem e os mentores espirituais eram perseguidos, ou eram objeto de zombaria. Eram chamados de malucos e acusados de estarem em um grave erro.
  6. É dado ao próprio homem o poder de distinguir entre o bem e o mal. Além disso, ele é auxiliado pelos ensinamentos dos grandes mensageiros ou mestres do mundo. Quando tais mestres não têm contatos pessoais com algum indivíduo ou com uma geração, o significado verdadeiro dos seus ensinamentos pode ser compreendido através da razão, com a qual Deus agraciou todos os seres humanos.
  7. O homem tem construído caminhos através dos desertos e das montanhas, através de rios e mares, utilizando os navios, e através dos ares, por meio de aeroplanos; tem construído pontes e túneis, bem como outros meios de comunicação. Ele foi capaz de tais empreendimentos graças à inteligência que Deus lhe deu.
  8. O vôo dos pássaros é a coisa mais bela e maravilhosa da natureza. A criação e o arranjo das suas penas e dos seus ossos, o seu formato, do bico ao rabo, são exemplos de adaptação. Eles pairam, com as asas estiradas; arremessam-se, com as asas retraídas; o seu movimento ondulatório, a sua estabilidade no ar e o seu descanso sobre as patas dão muitas idéias ao homem na ciência e na arte da aeronáutica.
  9. No árabe há um toque artístico, impossível de se produzir na tradução.
  10. O sustento, aqui, refere-se a tudo o que é necessário para o sustento e para o desenvolvimento da vida, em todas as suas facetas, espiritual, mental e física.
  11. Os céticos dizem aos crentes: "Bem, se a calamidade recair sobre nós, ela envolverá o bom e o mau, da mesma forma como dizeis que Deus cumula, com as Suas mercês, os bons e os maus!" A resposta é: "Não deveis vos preocupar conosco! Mesmo supondo que seremos destruídos, juntamente com os crentes, há acaso um consolo para vós? Os vossos pecados causar-vos-ão os sofrimentos e nada vos livrará deles. Se formos atingidos por algumas tristezas ou sofrimentos, nós os consideraremos como provas, para temperar o nosso caráter, já que cremos nas mercês de Deus e n’Ele confiamos".
  12. A surata termina com uma parábola, tomada de um fato vital da nossa vida física, e nos orienta, para que compreendamos a nossa vida espiritual. Na nossa vida cotidiana, o que aconteceria, se acordássemos, em alguma manhã, e verificássemos que as fontes e os reservatórios, nosso suprimento de água, tinham desaparecido, tragados pelas profundezas da terra? Nada poderia salvas as nossas vidas. Sem água não podemos viver, e a água não pode subir acima do seu nível. Outrossim, procura níveis mais baixos. O mesmo acontece com a vida espiritual. Suas fontes estão na sabedoria divina, que flui das alturas. Deus é a fonte real da vida, e Ele é todas as formas de vida.
 

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