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  1. Esta surata, altamente mística, começa com um apelo a cinco coisas, à media que vai apontando para a manifestação essencial no versículo 7, dizendo que o Dia da Justiça e do Julgamento está para vir e devemos nos preparar para isso. É difícil traduzir, mas fácil de compreender, se nos lembrarmos de que uma corrente tripla de alegoria se depreende desta passagem (versículos 1-7). As cinco cosias ou fases que serão agora consideradas em detalhe, referem-se aos ventos, no mundo físico, aos anjos, no mundo espiritual e aos Profetas, no mundo humano, ligando-o ao mundo espiritual.
  2. Se compreendermos a passagem como se referindo aos ventos, podemos ver que são fatores poderosos, no governo do mundo físico. Ele vêm, suavemente, como precursores das bênçãos da chuva e da fertilidade. Mas podem vir violentamente, em forma de furacão, destruindo tudo. Podem dispersar as sementes e podem separar a casca do grão, ou limpar o ar das epidemias; e podem, liberalmente, conduzir o som e, portanto as mensagens, e, metaforicamente, são instrumentos para tornar a revelação de Deus acessível aos que a ouvem. Todas estas coisas apontam para o poder e para a benevolência de Deus, e é-nos pedido que creiamos que sua promessa de graça e de justiça no além é, deveras, verídica.
  3. Se considerarmos que a passagem não se refere aos ventos, mas aos anjos, estes são os agentes do mundo espiritual e desempenham funções similares, mudando e revolucionando a face do mundo. Eles vêm suavemente, como portadores de beneficência e de graça; são encarregados de punir e destruir pelo pecado, como é o caso dos dois anjos que apareceram a Lot. Eles distribuem as graças de Deus, como os ventos distribuem as boas sementes: eles separam o bem do mal, entre os homens e são os agentes, por intermédio dos quais, as mensagens e as revelações são conduzidas aos profetas.
  4. Se compreendermos a passagem com referência aos profetas ou mensageiros de Deus, ou aos versículos de Revelação, o que seria apropriado nos versículos 5-6, nós também conseguiremos uma solução satisfatória da alegoria. Os profetas se sucederam, em uma série; os versículos do Alcorão foram revelados sucessivamente, à medida em que eram necessários. Em ambos os casos, isto ocorreu para o proveito espiritual do homem. Eles causaram grandes mudanças, num mundo espiritualmente decadente; arrancaram as raízes e os ramos das instituições malignas e os substituíram por outros, novos. Proclamaram as suas verdades em todas as direções, sem receio, nem favoritismo. Por seu intermédio, foram separados os homens de fé dos rebeldes contra as leis de Deus. Eles transmitiram uma mensagem, por intermédio da qual os justos foram inocentados pelo arrependimento, e os maus foram admoestados pelos seus pecados. Alguns exegetas consideram uma ou outra dessas alegorias e outros aplicam uma alegoria a uns poucos desses versículos e outros a outros poucos. Na nossa opinião, a alegoria é suficientemente ampla para dar a entender todos os significados que expusermos.
  5. Agora, em quatro versículos (8-11), somos informados, novamente em alegoria, apesar de podermos considerá-los literalmente, se o desejarmos, com referência às coisas que acontecerão naqueles dias derradeiros. O brilho das estrelas tornar-se-á escuro; de fato, elas desaparecerão. A abóbada celeste se fenderá. As montanhas serão desintegradas e voarão, como se fossem pó. Todos os marcos do mundo físico, como os conhecemos, serão varridos para longe.
  6. O crescimento silencioso, no ventre da mãe, e a proteção e o sustento que a criança recebe, da vida da mãe, são, por si, maravilhas da criação.
  7. O período aproximado de nove messes e dez dias está sujeito a muitos ajustes. De fato, por toda a vida pré-natal, bem como pela pós-natal, há maravilhosos e bem ponderados ajustamentos, os quais passam inconscientemente.
  8. Talvez a vida no ventre, em relação à vida após o nascimento, seja uma alegoria da nossa vida probatória na terra, em relação à vida eterna, que virá. Talvez, também, o nosso estado, quando somos sepultados na cova, sugira uma alegoria da vida no ventre, em relação à vida no outro mundo.
  9. Que parábola maravilhosa! A terra é um lugar onde a morte e a vida decaem e crescem e decaem; erva verde, restolho e combustível, corrupção e purificação andam juntos, um sempre levando o outro expediente. O drama que vemos com os nossos olhos, neste mundo, poderá capacitar-nos a apreciarmos as maravilhas do mundo espiritual, onde os despregados e rejeitados receberão as mais elevadas honrarias.
  10. Casr: castelo, grande construção, palácio.
  11. As chispas amarelas, voando rapidamente, uma após a outra, sugerem uma fileira de camelos, marchando rapidamente, tal como os do Najd e da Arábia Central, dos quais os árabes tanto se orgulham há uma dupla alegoria. A passagem não se refere apenas à cor e à rápida sucessão de chispas, mas à vaidade do orgulho terreno, como se dissesse: "Vossos camelos amarelos, dos quais tendes tanto orgulho nesta vida, não são mais do que chispas, voando para longe, que vos atormentarão no outro mundo".
  12. Podemos supor que isto foi dirigido, primeiramente, aos coraixitas, que conspiravam contra o Profeta. Podeis usar toda a vossa sabedoria e a dos vossos ancestrais, mas não sereis capazes de derrotar Deus ou os Seus planos.
  13. Isto, em contraste com a tripla sombra de fumaça e pecado, para os pecadores, que nem lhes dá frescor, nem os protege do fogo. Em linguagem mística, as sombras e as fontes do Paraíso são interpretadas alegoricamente.
  14. "Comei" é, certamente, o símbolo de se ter as boas coisas da vida, neste mundo. Talvez elas nos sejam dadas somente como prova. Porque as mentes e os desejos correm para as coisas errôneas; as oportunidades para o erro são múltiplas, já que o ímpeto para o bem ou para o mal aumenta progressivamente. É-lhes dito que se arrependam e se emendem. Se não o fizerem, serão alvo de compaixão, mesmo pelas coisas boas desta vida, pois terão um péssimo fim, na próxima vida.
 

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